quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PRAGA DO AEDES EGYPTI SE ESPALHA MAIS NAS ÁREAS SEM VEGETAÇÃO NATIVA, NAS CIDADES, NO LIXO E/OU NA FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO

Dengue, zika, chikungunga, microcefalia: além do mosquito transmissor elas têm em comum a causa ambiental

 
A tragédua do Aedes Egypti gerando várias doenças é antes de tudo ambiental

 

A falta de saneamento básico nas áreas urbanas e natureza agredida no meio rural contribuem para a overdose de casos de dengue e das outras doenças similares, já virando uma praga no Brasil. Os números, as notícias e os levantamento mostram que hoje dos 48 municípios com risco de surto da doença no verão 62,5% têm menos da metade das casas com acesso a saneamento adequado. Nas regiões mais povoadas do país, o índice do aumento destas doenças é muito mais expressivo do que em regiões com maior vegetação nativa ou com um mínimo de equilíbrio no seu ecossistema, onde há predadores e inimigos naturais do Aedes egypti. Para exemplificar esta situação, o livro do pesquisador José Alves Siqueira, "Flora das Caatingas do Rio São Francisco" documenta o processo de agressões e da extinção mesmo do Velho Chico, símbolo do interior do Brasil, o que também por sua vez dimensiona o alcance desta praga.  Comparado com 200 anos atrás, restam apenas 4% da vegetação das margens do Rio São Francisco. Desprovidas de cobertura verde, elas sofrem mais com a erosão, que assoreia o rio em ritmo acelerado. Os solos apresentam altos índices de salinização e os açudes ficam com a água salobra. Aumentam as áreas de desertificação. O rio ícone do interior do país está praticamente inviável. Espécies foram extintas e muitos ecossistemas estão profundamente alterados. Isso também explica a disseminação de doenças transmitidas por vetores, especialmente nas áreas urbanas, mas também em zonas degradadas do meio rural e das últimas florestas, o que facilita várias sequelas socioambientais e de saúde pública, inclusive o aumento dos criadouros do mosquito e a incidência de várias doenças, um problema que já virou um drama e está se tornando a nova tragédia brasileira. E mais uma vez ela é também de causa também ambiental.

 

A destruição do equilíbrio ecológico em áreas nativas (do São Francisco também)....

...falta de saneamento, lixo e pontos negros no meio urbano explicam esta tragédia


A alta incidência de casos de dengue está relacionada à falta de abastecimento de água e de coleta de lixo. Dos 48 municípios com risco de surto da doença no verão, 62,5% têm menos da metade das casas com acesso a saneamento adequado. É o que mostra um levantamento feito pela Agência Brasil a partir da lista do Ministério da Saúde de cidades com risco de surto da doença e de dados sobre saneamento básico do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma casa tem saneamento adequado, segundo critérios do IBGE, quando dispõe de rede de água, esgoto ou fossa séptica e coleta de lixo direta ou indireta feita por uma empresa. De acordo com o levantamento, em somente 18 cidades com risco de surto, a maioria das casas encontra-se nessa situação. O restante dos municípios enquadra-se em saneamento semiadequado, quando dispõe de pelo menos um dos serviços, ou inadequado, quando não há nenhum dos serviços em pleno funcionamento.  O Mapa da Dengue, do Ministério da Saúde, também mostra que a ausência de saneamento facilita o surgimento de criadouros do mosquito. No Norte, 44,4% dos focos de transmissão estão no lixo, no Nordeste, 72,1% são relacionados ao abastecimento de água. O calor somado com a chuva é uma combinação que traz riscos ainda maiores. Para quem mora em locais onde há água parada e outras condições favoráveis à reprodução do mosquito, a preocupação é redobrada. Na Europa não há incidência do mosquito transmissor, que aparece nas regiões tropicais do planeta. Nestes países, nos quais se encontram cerca de 80% da população mundial, respondem por apenas 20% do mercado de medicamentos. A doença do sono, por exemplo, atinge 500 mil pessoas e ameaça outras 60 milhões na África. A tuberculose vitima pelo menos 2 milhões de pessoas por ano e, mesmo assim, o último tratamento inovador foi desenvolvido há mais de 30 anos. Dentre as doenças tropicais, a dengue tornou-se um problema de saúde pública não somente no Brasil, mas também em diversos países do mundo, pois cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivem nas áreas onde os vírus da doença podem ser transmitidos, segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde da ONU. 

Ações preventivas socioambientais são mais indicadas que o consumo de repelentes...


Fontes: www.scielo.br
              Agência Brasil/G1/BBC
              www.folhaverdenews.com 

9 comentários:

  1. Estamos de volta a nossa matérias socioambientais após uma semana sem edição e logo mais aqui, mais informações e comentários nesta seção. Aguarde.

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  2. Mande a sua mensagem para o e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou envie direto pro nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  3. Outra opção é postar aqui direto nsta seção o seu comentário, como que colocou aqui José Pedro dos Santos, de Salvador, ligado à Universidade Federal da Bahia, a quem agradecemos: "Ainda bem que este blog não acabou e volta à ativa, a bem da informação e da luta pela ecologia".

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  4. Mais 48 cidades brasileiras têm risco de surto de dengue e 236 estão em alerta. Mosquitos mutantes contra a dengue. IBGE: saneamento básico no Brasil ainda é questão preocupante e causa também de surtos. (Resumo de notícias da Ag. Brasil).

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  5. "Para autoridades, o pior problema para o combate à dengue é o abastecimento irregular de água porque leva a população a usar caixas d'água, potes e barris. Mal tampados, esses pequenos reservatórios são ideais para o mosquito Aedes aegypti procriar devido à água parada, limpa e em pouca quantidade. Porém há outras causas mais graves e de natureza ambiental": o comentário é de Paulo Mendes Araújo, de São Paulo(SP), que atua no setor de Vigilância Sanitária.

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  6. Informações dão conta que em todo o país, o Ministério da Saúde contabiliza 1.174.110 casos suspeitos de dengue, sendo 755.537 na Região Sudeste, que é a mais populosa. O estado de São Paulo tem mais da metade dos pacientes com suspeita de dengue na região, com 553.756 casos, seguido de Minas Gerais, 147.764.As doenças infecciosas são responsáveis pela morte de aproximadamente 14 milhões de pessoas por ano, e atingem principalmente a população de países em desenvolvimento. Contudo, menos de 1% dos mais de 1300 novos medicamentos desenvolvidos nos últimos 25 anos foram destinados a essas doenças.

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  7. "Pouco mais de uma semana sem a atualização diária deste blog, faz falta, espero que agora tudo OK": a gente agradece a mensagem de Valéria Mendes, de Campinas (SP), que acredita que "O Folha Verde é acessado em redações de todo o país".

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  8. "Aqui em Piracicaba um biólogo com o apoio da Prefeitura da cidade está tendo sucesso com o programa Aedes do Bem, mosquitos transgênicos que são inofensivos à pessoas mas dizimam os vetores da dengue e outras doenças, está dando resultado num bairro que antes era problemático com centenas de casos": é a informação que a gente recebe aqui de Josival Perez,professor de Geografia de Piracicaba (SP) que concorda com o nosso enfoque, "a causa do Aedes egypti e suas doenças é ambiental".

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  9. "Vejo como importante demais a iniciativa da EPTV de Ribeirão Preto em fazer um mutirão sobre o mosquito da Dengue em toda a região, haverá um evento dia 30 deste mês e vou enviar para lá essa matéria aqui do blog": o comentário é de Alberto Passos, de Ribeirão Preto (SP), ligado à USP.

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