domingo, 3 de janeiro de 2016

SECA NO NORDESTE E ENCHENTE NO SUL DO BRASIL MAS O EL NIÑO CAUSARÁ EFEITOS PIORES AINDA EM OUTRAS REGIÕES



Cientistas e ecologistas se preparam para as consequências do fenômeno e alertam sobre o EL Niño em 2106, porém, as autoridades políticas não parecem nem estar aí para os sinais


Atualmente está se registrando em várias regiões do planeta o mais forte ciclo do fenômeno climático e oceânico El Niño, ele deverá aumentar até também os riscos de fome e doenças para milhões de pessoas agora em 2016, alertam organizações humanitárias, científicas e ecológicas. Segundo as mais recentes previsões de especialistas, como Willian Patzeri, para a BBC,  o El Niño nestes próximos meses deverá exacerbar secas em algumas áreas e acentuar inundações em outras.Este fenômeno natural mas ainda não tão conhecido pela ciência contemporânea, em síntese, faz com que águas quentes do Oceano Pacífico se espalhem na direção das Américas do Norte e do Sul. Na história da ecologia, ele foi observado por pescadores na costa da América do Sul por volta de 1600, quando as águas do Pacífico ficaram estranhamente quentes. O nome, El Niño, é uma referência ao menino Jesus, por ele aparecer sempre na época do Natal, na virada entre o final e o começo do ano. O El Niño acontece em intervalos entre dois e sete anos, normalmente atingindo seu pico no final do ano,  embora os seus efeitos possam persistir até os três primeiros meses do ano seguinte e durar até 12 meses.Como analisa matéria neste fim de semana no site Terra, o atual El Niño é o de ação mais forte registrada desde 1998 e deve ficar entre os três períodos mais poderosos de que se tem conhecimento. Segundo a World Water Organization (Organização Mundial da Água, a internacional WWO), nos três meses de pico, médias de temperatura na superfície das águas do Pacífico tropical devem ficar mais de 2ºC acima do normal. Um El Niño de grande intensidade que se manifestou há cinco anos estava ligado a chuvas de monções fracas no sudeste da Ásia, secas no sul da Austrália, das Filipinas e do Equador, nevascas nos Estados Unidos, ondas de calor, seca ou inundação no Brasil e as maiores enchentes até então registradas no México. William Patzert, especialista em clima do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), um dos mais respeitados cientistas que estudam o El Niño nos EUA, o fenômeno tem causado a forte seca no nordeste brasileiro, enquanto que no sul do Brasil e norte da Argentina são registradas inundações que têm se intensificado por agora. A combinação de um maior aquecimento global com a intensidade deste fenômeno climático e oceânico em 2016 deve fazer com que esse verão seja um dos mais quentes de todos os tempos no Brasil, as temperaturas por aqui em nosso país poderão ultrapassar facilmente os 40ºC e ter a sensação térmica de até 50ºC e isso durante  vários dias seguidos em locais como Rio de Janeiro, Piauí e Tocantins. Segundo meteorologistas, os termômetros já vêm registrando até 4ºC acima dos valores médios para esta época no Hemisfério Sul.


No continente africano, a escassez de alimentos poderá atingir seu pico em fevereiro. Partes do Caribe e das Américas Central e do Sul também deverão ser atingidas nos próximos seis meses.
Especialistas descrevem o El Niño 2016 como um fenômeno climático que envolve o aquecimento incomum das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Suas causas ainda não são muito bem conhecidas e isso dificulta a convivência ou a previsão dos efeitos causados por este fenômeno em variadas regiões terrestres. Evento periódico, que tende a elevar temperaturas globais e alterar padrões climáticos, ajudou 2015 a bater o recorde de ano mais quente da história.
"De acordo com certas medições, esse já foi o El Niño mais forte registrado. Mas depende da maneira como você mede", avaliou o cientista Nick Klingaman, da Universidade de Reading, na Inglaterra:
"Em vários países tropicais temos observado reduções de entre 20 e 30% nas chuvas. Houve seca severa na Indonésia. Na Índia, as monções (chuvas) foram 15% abaixo do normal e as previsões para o Brasil e Austrália são de redução nas chuvas". As secas ou inundações e o impacto potencial que representam, preocupam também as agências de ajuda humanitária. Cerca de 31 milhões de pessoas estão sob risco de escassez de alimentos na África, um aumento significativo em relação aos últimos anos. Cerca de um terço dessas pessoas vive na Etiópia, país em que 10,2 milhões de pessoas deverão demandar assistência em 2016,para que escapem da fome. Segundo alerta também a ONU, cerca de 60 milhões de pessoas já foram forçadas a abandonar suas casas por causa de conflitos. Organizações humanitárias como a Oxfam, por exemplo, estão preocupadas com a soma entre guerras mais ainda o El Niño, um impacto adicional que desequilibra o ambiente e o clima, a ecologia e a economia, a partir de efeitos sobre a produção de alimentos, "preocupam demais as consequências somadas deste fenômeno natural mas severo com as pressões provocadas pelos conflitos na Síria, no Sudão do Sul e no Iêmen", relatou o cientista inglês Nick Klingaman. As agências de notícias dizem que a falta de comida deve atingir seu ponto crítico no Sul da África em fevereiro. No Malauí, autoridades calculam que quase três milhões de pessoas irão precisar de assistência antes de março. Ora secas, ora chuvas erráticas afetarão dois milhões de pessoas em Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Há previsões de mais inundações na América Central ainda agora em janeiro. "Milhões de pessoas em lugares como Etiópia, Haiti e Papua Nova Guiné já estão sentindo os efeitos da seca e das perdas de lavouras", disse Jane Cocking, da Oxfam: "Precisamos urgentemente levar assistência a essas áreas para assegurar que as pessoas tenham água e alimentos suficientes. Não podemos permitir que outras situações de emergência ocorram em outras áreas. Se o mundo ficar esperando para responder às crises emergindo no sul da África e na América Latina,os problemas não serão resolvidos a dano da condução humana de vida nestes pontos da Terra".  O Brasil está nesta mapa de problemas e há ainda uma tensão entre os especialistas sobre "efeitos inversos". Se por um lado os resultados de El Niño serão sentidos de forma mais aguda nos países em desenvolvimento, no mundo desenvolvido o impacto será sentido nos preços de alimentos: levará algum tempo para que o impacto do El Niño seja sentido nos sistemas sociais e econômicos dos países mais ricos, mas ele será sentido e não se pode calcular agora previamente a intensidade deste fenômeno. E mais: cientistas, meteorologistas, ecologistas e entidades humanitárias estão advertindo também que em países onde o El Niño trouxe secas neste ano, o fenômeno inverso La Niña poderá trazer inundações no ano que vem, terminando por desequilibrar a natureza.

Willian Pazeri é um dos cientistas mais especializados nos efeitos do El Niño
Agora em 2016 o El Niño e em 2017 La Niña já causam tensão em vários lugares da Terra
 
Fontes: BBC/Terra/Reuters
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Logo mais aqui nesta seção do nosso blog de ecologia e de cidadania mais informações, aguarde.


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  4. A tendência, historicamente, é que preços subam entre 5 e 10% para alimentos básicos nos países mais ricos que a princípio não serão tão afetados pelo fenômeno. Mas nos países em desenvolvimento, lavouras de café, arroz, cacau e açúcar tendem a ser particularmente afetadas.


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  5. Afetando a agricultura, o El Niño afetará a economia do planeta. Este fenômeno terá influência até por volta do outono no hemisfério sul (primavera no hemisfério norte). Mas o fim desse ciclo não é certeza de fim de problemas: esse fenômeno climático tende a ser sucedido pelo seu reverso – ou seja, eventos climáticos conhecidos como La Niña, que podem trazer efeitos opostos mas igualmente danosos.



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  6. Segundo um consenso entre cientistas, durante o El Niño ocorre uma imensa transferência de calor do oceano para a atmosfera. Normalmente, como aconteceu no ciclo de 1997/98, essa transferência de calor tende a ser seguida por um resfriamento do oceano – o evento La Niña. "É possível – mas não estamos certos – que nesse período no ano que vem estejamos falando sobre o reverso de muitos desses impactos", explicou Klingaman: "Em países onde El Niño trouxe secas, pode haver inundações trazidas por La Niña no ano que vem. É tão devastador quanto porém, na direção inversa e no efeito contrário".


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  7. "Se a gente somar aos fenômenos climáticos ou oceânicos, as guerras e conflitos em alguns lugares do planeta e também a falta de gestão do clima e do ambiente em quase todo lugar do mundo, aí então, o que se pode prever é uma intensidade muito grande de problemas socioambientais e econômicos nos próximos meses e anos": é o comentário que nos enviou o meteorologista Pedro Pereira Alves, que assessora o Ministério do Meio Ambiente em Brasília.

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  8. "A colocação mais importante desta matéria, na minha opinião, é a que cita que as autoridades públicas ou políticas nem estão aí para os sinais da natureza, como agora, do perigoso El Niño": o comentário é de Antônio Alves, ator, de São Luís (Maranhão) mas que está fazendo um curso de teatro em São Paulo (SP).

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  9. "Concordo com o Antônio, o principal problema ecológico e também econômico do Brasil são as nossas autoridades": a opinião é de Fernanda Corrêa Sousa, de São Paulo (SP), estudante de Direito na Faculdade São Francisco.

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