quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

75% DAS PESSOAS MORTAS PELA POLÍCIA SÃO NEGROS OU PARDOS (E ISSO EM TODO O PAÍS)

A pesquisa foi feita no Rio de Janeiro agora pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) e isso gera críticas até de entidades internacionais


Ao mesmo tempo em que esta informação está sendo divulgada, a Anistia Internacional critica a impunidade após mortes cometidas por policiais, bem como, a péssima estrutura carcerária que existe em todas as regiões brasileiras: esta realidade tem a ver com os números também de um estudo que está sendo divulgado ao mesmo tempo pela repórter Lola Ferreira, do site R7 Rio, que dá detalhes do levantamento feito agora pelo ISP. Cerca de 75% dos mortos por policiais neste último ano no Rio de Janeiro, eram negros e pardos (como também são denominados os mulatos ou mestiços), o que sinaliza um preconceito brasileiro e também uma injustiça social, comum a todo o Brasil.  Dessas 232 vítimas de homicídio decorrente de suposto confronto com policiais, ao menos 24% tinham entre 18 e 29 anos (mais de 70% não tiveram informada a idade no momento do registro de ocorrência). Os dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) do Rio de Janeiro e foram obtidos como ponto de análise de mortes violentas. Na capital carioca, quase metade das vítimas de intervenção policial eram pardas (48,5%). Do total dos mortos em supostos confrontos, 27,7% eram negros.Entre as 634 mortes oficialmente causadas pela polícia em todo o estado do Rio, ao menos 29 foram de meninos até 17 anos, o que choca mais ainda toda a opinião pública e entidades especializadas em crimes ou em cidadania.  A região com maior ocorrência dos chamados autos de resistência é a zona norte da capital. Lá, os bairros de Acari, Barros Filho, Costa Barros, Parque Colúmbia e Pavuna concentram a maioria dos casos: foram 48 mortes durante um ano. Na região, estão localizados os complexos do Chapadão e da Pedreira, dominados pelo tráfico e tidos pela polícia como os mais perigosos da capital atualmente. Já na zona sul da capital, apenas uma pessoa foi morta em suposto confronto com a polícia em 2015. Na Baixada Fluminense, 83,4% das vítimas de intervenção policial são negras ou pardas. O maior número de registros foi no município de Belford Roxo, com 47 mortes. Em Duque de Caxias, foram 46 autos de resistência. A Anistia Internacional, que mantém a campanha Jovem Negro Vivo, informou que irá manter esta campanha durante o ano de 2016. Segundo a organização, o principal objetivo é engajar diversos setores da população e pressionar o Congresso Nacional para uma política pública que seja capaz de gerar uma maior segurança dos cidadãos e das cidadãs, em especial, os que estão neste perfil das vítimas mais constantes deste tipo de violência.


Um protesto diante desta realidade foi realizado no Rio, junto ao Palácio Guanabara
Uma das vitimas mais recentes foi o garoto Eduardo, assassinado injustamente por policiais


Segundo dados do IBGE e avaliação da Fuvest (na seleção de candidatos nos vestibulares da USP), além dos indígenas e dos amarelos (orientais), os brasileiros e brasileiras com menos espaço nas universidades e no mercado de trabalho são os negros e os pardos ou mulatos ou morenos. E são eles também as vitimas nº 1 da violência, neste estudo do ISP divulgado agora. No relatório da Anistia Internacional o Brasil é apontado como um país onde ocorrem algumas das mais graves violações aos direitos humanos. Três pontos mereceram destaque no texto: homicídios cometidos pela polícia, repressão a manifestações de rua e tortura em presídios. O documento “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo” 2015/2016 critica diretamente as autoridades políticas e policiais pela morosidade para tomar medidas que revertam a situação: “A segurança pública e o alto número de homicídios de jovens negros continuaram entre as maiores preocupações. Ainda não foi apresentando um plano nacional concreto para a redução dos homicídios no Brasil, apesar de ter sido oficialmente anunciado que em julho isso seria feito".  O documento da AI traz números do Fórum Brasileiro, segundo o qual 58 mil pessoas foram vítimas de homicídios, sendo mais de 3.000 delas foram mortas pela polícia, em um aumento de quase 37%no espaço de um ano. Mais informações sobre a pesquisa e as críticas da Anistia Internacional na seção de comentários aqui no blog, confira.


Fontes: www.noticiasr7.com
             www.folhaverdenews.com


8 comentários:

  1. Este mesmo levantamento feito agora no Rio de Janeiro dá conta que os homicídios cometidos por policiais em serviço raramente tem sido investigados.

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  2. Segundo a Anistia Internacional, os relatos de que os agentes envolvidos tentavam alterar a cena do crime e criminalizar as vítimas tem sido muito frequentes, isso, além dos policiais tentarem justificar as mortes como atos de legítima defesa.

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  3. A crítica da Anistia Internacional usou como exemplo casos notórios, como o de um menino de 13 anos morto durante uma operação policial em Manguinhos e um adolescente, de 16, executado a tiros na Maré, duas favelas do Rio de Janeiro. Outro caso que a organização cita é o de Eduardo de Jesus Ferreira, um menino de 10 anos executado por policiais militares na frente de sua casa, no Complexo do Alemão, também no Rio de Janeiro, no dia 2 de abril. Os agentes tentaram adulterar a cena do crime e remover seu corpo, mas foram impedidos por vizinhos e familiares de Eduardo. Após receberem ameaças de morte, a mãe da vítima e outros membros da família tiveram que deixar a cidade...

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  4. O mesmo relatório da AI expõe, ainda, que pelo menos 18 pessoas foram mortas numa única noite, na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo. As investigações iniciais apontavam o envolvimento de policiais militares, segundo o documento. Policiais de São Paulo terão aulas para tratar melhor negros, pardos, assim gays e travestis: mas isso é apenas uma promessa das autoridades por enquanto, mais uma.

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  5. A Anistia também destaca que “policiais responsáveis por execuções extrajudiciais desfrutaram de quase total impunidade”. De acordo com o relatório, das 220 investigações sobre homicídios cometidos por policiais abertas em 2011 no Rio de Janeiro, em apenas um caso o agente foi indiciado até o fim de 2015.

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  6. Logo mais, mais informações ou comentários aqui nesta seção, você pode colocar aqui desde já a sua mensagem ou então, enviar um e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br

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  7. Você também pode contatar o editor do nosso blog de ecologia, não violência e cidadania através do e-mail padinhafranca@gmail.com

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  8. "Creio que tanto as pressões contra a imprensa como esta perseguição ou preconceito contra pobres e em especial negros mostra o lado mais cruel da realidade brasileira, necessitando de mudanças urgentes, caso a gente queira ser mesmo uma democracia": a mensagem é de Alberto Luiz, do Rio de Janeiro, comerciante na orla da praia de Ipanema, que luta contra a violência na sua cidade dentro de um movimento nas redes sociais.

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