A interação com os Botos alimenta o ecoturismo mas precisa ser melhor regulamentada


A lenda diante da realidade hoje dos Botos amazônicos


A lenda do Boto Cor de Rosa enfrenta hoje a concorrência da pesca predatória


Tradicionalmente, as famílias ribeirinhas sempre preferiram manter os Botos vermelhos distantes. Na mitologia amazônica, o animal é um tabu, enfeitiça mulheres e leva a culpa pela maioria das jovens e adolescentes que aparecem grávidas sem casamento. A lenda alimentou o respeito dos pescadores e ajudou a preservar o animal, mas o dinheiro fácil está desmistificando a lenda. Hoje Botos são procurados na Amazônia para servirem de atração para turistas e de isca para capturar a Piracatinga, ou o Urubu D'Água. Um peixe sem pele, a Piracatinga se alimenta de animais mortos nos rios. Nunca fez parte do dia a dia da cozinha amazônica no Brasil, mas é um prato muito consumido na Colômbia. A pesca deste peixe é hoje um rentável negócio para pescadores da região e alimenta a cruel indústria de caça aos Botos nos rios da Amazônia. "É dinheiro fácil", comenta o repórter e ecologista Vandré Fonseca depois de contatar pesquisadores do Inpa e do Projeto Boto.
Um boto morto pode ser vendido por até R$ 100,00 e o quilo da Piracatinga, entre R$ 0,40 e R$ 1,00.  O Amazonas é o único lugar no mundo onde as populações de golfinhos de rio ainda estão preservadas. “Mas em alguns pontos, principalmente no Alto Solimões entre Tefé e Fonte Boa (no rio Amazonas), já existem problemas”, segundo avalia a pesquisadora Vera Silva que junto com uma equipe há12 anos monitora Botos que vivem na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no rio Amazonas. Eles acompanham quase 450 animais marcados e identificados um a um. Os sensos que realizam todos os meses demonstram que a população dos animais que vivem no entorno da reserva começou a cair há cerca de seis anos. “Coincidiu como fenômeno da captura do Jacaré e do Boto para a pesca da Piracatinga”, conta a cientista. Há um movimento entre pescadores e caboclos que se privilegie o Jacaré e não mais os Botos como isca para a pesca do Piracatinga. O melhor mesmo, o comportamento mais ecológico será substituir o mercado deste peixe por atividades de guia, de ecoturismo ou de sivicultura, indicam alguns especialistas que vêm analisando esta situação, em busca de uma solução sustentável. Tanto os Botos como outras espécies amazônicas são preciosas demais para serem extintas por conta da pesca e do valor de mercado do peixe Piracatinga. Vale até preservar o  Urubu D'Água para preservar a última ecologia da Amazônia. 


A interação com os Botos na Amazônia é um momento mágico e único no mundo

Reservas como Mamirauá podem vir a ser também points de educação socioambiental


Fontes: www.oeco.org.br
             www.folhaverdenews.com