quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

NA ILHA DE FERNANDO DE NORONHA A ENERGIA NUCLEAR É USADA PARA ACABAR COM O AEDES AEGYPTI



O projeto da FioCruz e da Universidade Federal de Pernambuco usa tecnologia nuclear para esterilizar e diminuir o crescimento no país das doenças do mosquito 

 

Pesquisas utilizam radiação para tornar insetos estéreis e assim controlar populações do Aedes

Fabíola Fonte, do Portal FioCruz, nos informa que está dando certo o uso da energia nuclear em técnica de controle do Aedes aegypti nos testes sendo feitos pela Fiocruz e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Fernando de Noronha. A área escolhida foi a Vila da Praia da Conceição, onde mosquitos machos, esterilizados com radiação gama, estão sendo liberados no ambiente, para competir com os selvagens no acasalamento. Ao vencerem essa disputa, eles passam espermatozoides inviáveis, que são utilizados pelas fêmeas durante todo o seu processo de postura dos ovos, sem gerar assim novas larvas do inseto. Como a fêmea do mosquito costuma ficar disponível para acasalar apenas uma vez ao longo de sua vida, o cruzamento com machos estéreis acaba impedindo sua reprodução. A partir do uso dessa tecnologia, é esperada uma diminuição da densidade populacional do Aedes com o uso desta técnica avançada em todo o Brasil, em especial nas regiões que têm hoje maior incidência de casos de Dengue, Chikingunya, Zika e Microcefalia. Desenvolvida em colaboração com o Grupo de Estudos em Radioproteção e Radioecologia (Gerar) do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE), a técnica faz com que os mosquitos produzidos em massa no insetário da Fiocruz PE e, ainda na fase de pupa (a última antes da fase adulta/alada), sejam esterilizados no Irradiador Gammacel, cuja fonte radioativa é o Cobalto 60. A iniciativa utiliza uma sub-população de mosquitos da própria ilha, buscando preservar suas características genéticas, que já estão adaptadas às condições ambientais do local. Outra instituição parceira é a Secretaria de Saúde do Distrito de Fernando de Noronha. Iniciado ainda em 2013, o projeto já tem como resultado a formação de especialistas e mão de obra em nível de mestrado e doutorado. Os testes, realizados no insetário do Departamento de Entomologia da Fiocruz PE, simularam a situação de campo, colocando machos estéreis com machos selvagens e fêmeas em grandes gaiolas, tanto para observar se os machos irradiados mantiveram suas qualidades competitivas, como para determinar a quantidade de mosquitos a ser liberada no ambiente. A busca foi por obter uma quantidade mínima ideal, que não se mostrasse excessiva nem insuficiente. A melhor proporção observada foi de 10 mosquitos estéreis para cada selvagem. A escolha de um ambiente isolado para esse experimento não se deu por acaso. Além das características geográficas de isolamento de Fernando de Noronha que favorecem o estudo, existe uma ampla base de dados, gerada pelo sistema de monitoramento do vetor que já está consolidado no local, o SMCP-Aedes, desenvolvido pela Fiocruz PE e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com 103 ovitrampas instaladas, o sistema mapeou, nos últimos três anos, os locais e os períodos do ano. A etapa atual está centrada na liberação dos mosquitos em quatro pontos da Vila da Praia da Conceição. De dezembro até a primeira quinzena de fevereiro foram feitas nove liberações, cada uma com três mil machos estéreis. Pesquisadores destacam uma característica do Aedes que é estratégica para sua sobrevivência e que dificulta a obtenção de resultados mais rápidos no controle do vetor. É a existência, em paralelo à população ativa de mosquitos (que está visível e se multiplicando regularmente) de uma população inativa, representada pelos ovos dormentes (em um estado conhecido como quiescência), com potencial para produzir larvas. Esta tecnologia utiliza a radiação para tornar inférteis insetos machos criados em massa e em cativeiro. Após tratamento, eles são liberados no meio ambiente, mas não conseguem procriar, dificultando a proliferação da espécie. Tecnologia está sendo testada para controlar populações do mosquito que transmite zika, dengue, febre amarela e chikungunya. A  Agência Internacional de Energia Atômica da ONU está chamando a atenção para a Técnica do Inseto Estéril (SIT), uma tecnologia que poderá controlar populações de insetos, em especial do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças que abalam a Saúde Pública no Brasil e em vários países. O método envolve a criação, em massa e em cativeiro, de insetos cujos machos são tornados estéreis por meio de radiação ionizante. Após a esterilização, eles são liberados no meio ambiente, dificultando a reprodução da espécie. De acordo com o vice-diretor-geral da agência internacional da ONU, Aldo Malavasi, a técnica já é utilizada há mais de 50 anos para o controle de diferentes pestes na agricultura, como moscas e mariposas. O uso da esterilização em mosquitos transmissores de doenças, entre eles o responsável por transmitir a zika, a chikungunya, a febre amarela e a dengue, está ainda em processo de investigação, mas alguns testes já obtiveram resultados promissores na Ilha de Fernando de Noronha, na Itália, na Indonésia e na China. Um dos principais desafios no uso da SIT é separar as fêmeas dos machos para o tratamento com radiação, a fim de evitar que fêmeas férteis sejam liberadas no meio ambiente, já que as fêmeas são os vetores do vírus. De acordo com a agência da ONU, a tecnologia é uma alternativa segura e sustentável a métodos tradicionais como o uso de inseticidas, aos quais os insetos estão cada vez mais resistentes. Os inseticidas matam os mosquitos mas também poluem o ambiente e podem causar outras doenças ou efeitos colaterais na população. Esta tecnologia evitará estes problemas e poderá facilitar o controle e a diminuição do Aedes aegypti. Antes tarde do que nunca, o caminho da ciência e da tecnologia pode avançar a gestão da Saúde Pública, que está muito deficiente no Brasil e em vários outros países atualmente. 



O desenvolvimento da técnica está avançado em área remota da Ilha de Fernando de Noronha

Já está acontecendo com sucesso a soltura de machos do mosquito esterilizado

Médicos e militares acompanham os resultados desta técnica nuclear...

...que também está formando especialistas, mão de obra especializada no combate do Aedes

Excesso de inseticidas mata mosquitos mas pode causar efeitos colaterais na população e no ambiente


Fontes: www.nacoesunidas.org
             www.ebc.com.br
             www.envolverde.com.br
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. O uso excessivo de inseticidas nas cidades, no combate do Aedes, pode gerar efeitos colaterais negativos para abelhas e outras espécies, para o ambiente e a saúde das pessoas. Daí a importância de uma tecnologia mais avançada, além do saneamento básico e medidas de prevenção.

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  5. "Além de repelentes, a luta para eliminar criadouros dos mosquitos que transmitem estas doenças todas, inclui saneamento básico de verdade, fim de lixões, não só inseticidas, que muitas vezes têm efeitos negativos e sim, o uso de técnicas mais avançadas como estas que estão sendo testadas em Fernando de Noronha": esta mensagem nos foi enviada por e-mail por José Alberto Soares, do Rio de Janeiro (RJ), ligado à UFRJ.

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  6. "A energia nuclear para a medicina é muito útil e apropriada, assim como para a biotecnologia, que na minha opinião é a melhor saída para controlar a população dos mosquitos que transmitem doenças": quem comenta é João Carlos Pereira, de Santos (SP), formado pela Unesp de Baurui e que se dedica a ecoturismo.

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  7. "Tenho visto pelos bairros muito excesso de pesticidas, um fumacê danado, espero que isso não venha a desequilibrar mais ainda o ambiente e trazer mais doenças ainda para a gente": o comentário é de Fernando Paes Honório, de Ribeirão Preto (SP), ele nos envia material sobre a falta de saneamento básico e a questão do lixo em seu município: "Sem resolver isso, fica tudo mais complicado".

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