quarta-feira, 2 de março de 2016

COM A CRISE ECONÔMICA A VIDA CULTURAL FICA MAIS DIFÍCIL E NESSE CONTEXTO VALE AVANÇAR MESMO A LEI ROUANET


A Lei Rouanet de produção cultural está para ser substituída por outra, o Procultura e aqui a gente debate o perde ou ganha nesta situação considerando todos os que atuam neste setor que é fundamental não só para os artistas, mas para todos na Nação em busca de um rumo


Todos os tipos de artes e toda produção cultural merece o foco do Procultura



Em plena nouvelle vague (uma das fases mais brilhantes do cinema francês), num filme de inovação de linguagem, de Jean Luc Goddard, um personagem vai ao ponto, dizendo: - "Quando alguém vem falar comigo em cultura, logo saco a folha de cheque". Ele era evidentemente um financiador mas em geral realmente a produção cultural e os custos financeiros, ainda mais na realidade de hoje aqui e em todo o planeta, estão visceralmente ligados uma coisa com a outra. Sem dinheiro não se produz uma ideia, esta é uma regra, pelo menos dentro da atual indústria cultural. Shows, filmes, peças de teatro, livros, espetáculos de dança, a questão do business fala mais alto ou de igual para igual com o conteúdo. Bem, este papo é para introduzir a informação: a Lei Rouanet de apoio financeiro à produção artística em geral está entrando em extinção no Brasil e será substituída pelo Procultura, um outro sistema, algo que todos nós precisamos discutir. O projeto já está no Congresso Nacional e os produtores culturais precisam nesse momento colocar uma pressão para que ele entre em votação logo. Sem a Rouanet, shows, músicas, filmes, livros, toda a produção cultural brasileira entra num vácuo perigoso. O Minc (Ministério da Cultura) comenta que espera e tem quase certeza da aprovação do Procultura. Sim, mas você sabe como são os lobbies e toda fogueira de interesses de deputados e senadores neste país. Uma coisa é certa, sem a Rouanet ou neste vácuo até a nova lei do setor, shows, músicos, artistas e toda a produção cultural brasileira ficam prejudicados num compasso de espera por verbas. Um outro ponto superimportante é que, já que estão mudando a legislação e os critérios, é que são válidos tanto os projetos com maior potencial lucrativo como também os com maior conteúdo cultural e aí, quase sempre, com menor chance de conquista de público ou de índices de venda. O apoio do estado à produção cultural em todas as áreas e a todos os tipos de artes ou de manifestações cults é vital. Sem ele, o artista, autor ou produtor fica submisso demais aos investidores comerciais e isso com certeza cria ou amplia uma espécie de limitação que hoje já existe, a censura empresarial. Empresas ou empresários não aplicam numa produção cultural só pelo fato de poderem descontar xis ou ipsylon do Imposto de Renda. Mas a necessidade ou até a volúpia pelo lucro na indústria cultural não pode coibir as realizações mais experimentais ou com um maior potencial de mudar a linguagem ou a rotina do mercado, ajudando a avançar a Nação através do canal mais essencial para isso, o estímulo à inteligência crítica e criativa. O Procultura não pode ter é claro preconceito contra o lucro ou contra produções mais lucrativas ou comerciais, mas também não pode limitar a realização das produções mais culturais, é preciso quebrar esse tabu para avançar este setor no Brasil. O atual Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que foi secretário de Gilberto Gil quando este atuava em Brasília nesta função, tem um know how de 15 anos neste setor. Ele comenta em resumo que 80% dos projetos que vinham sendo financiados pela Lei Rouanet era aprovados só quase no eixo Rio-São Paulo, Ferreira tem como proposta no Procultura que seja estimulada todo tipo de produção cultural também em outras regiões do país. Ele cita para exemplificar o caso de uma banda regional do interior da Paraíba que sem apoio oficial não conseguirá gravar CD e fazer shows. Bem, caso o novo sistema de apoio à produção cultural venha ampliar o universo para todo tipo de produção ao menos entrar no mercado, ótimo. Mesmo porque a maior parte dos artistas, autores, pintores, músicos na rua ou nos salões, nos sets ou no estúdios, os mais criativos ou inovadores estão espalhados por todas as regiões e nem sempre estão nas grandes cidades do sudeste, que centraliza a economia e também a produção cultural brasileira. A mudança e ampliação deste mapa é algo superbom, mas a gente teme que o manto estatal crie algum outro tipo de privilegiados ou apadrinhados, vai daí que a discussão do que foi a Rouanet ou do que virá a ser o Procultura precisa ser ampliada, antes da nova lei ser aprovada. Este aliás é o objetivo deste post hoje aqui em nosso blog. Afinal, pensamos que a cultura é também parte da ecologia da vida. E a gente que busca um novo rumo para o país e a vida não podemos nos omitir neste debate, como aliás, faz a maior parte da chamada grande mídia. Temos que debater e pressionar agora, para não chorar em vão depois que a vaca for pro brejo. Ou por outra, todos têm direito de mamar nas tetas da vaca brasileira. (Antônio de Pádua Silva Padinha)

Esta arte de Carybé sintetiza bem o alcance da produção cultural brasileira

O Brasil não é o país de uma só cara ou duma só região...


...Cada um das regiões tem os seus produtos e produtores culturais que precisam se incentivo

Não só no eixo Rio-SãoPaulo-BH-Brasília, o Brasil em toda região....


Até no meio do mato e na arte da natureza há um potencial grande de expressão cult


Fontes: Agência Brasil/Estadão/Minc/Teatro Oficina
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. Logo mais, aqui nesta nossa seção de comentários, mais informações sobre esta pauta de grande interesse para todo tipo de produtor cultural e para a própria evolução cult do país.

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  4. "Sinceramente, eu nem sabia que a Lei Rouanet acabou e que vai haver outro sistema, no Brasil a gente só é informado depois que as coisas acontecem e assim agradeço este blog porque esta mudança interessa a mim e a muita gente": a mensagem é de Leonor Miranda, de Uberaba (MG), que atua na área da dança contemporânea.

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  5. "Realmente, todos merecem mamar nas tetas da vaca brasileira, ainda mais quem possa ajudar este país a sair do brejo": a mensagem é de Pedro Paulo Araújo que é de São Paulo (SP) mas hoje tem escrito textos de teatro e de TV no interior de Minas, "onde encontrei melhores condições para ter tempo prá criar".

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  6. "Poucos, muito poucos, mamam nas tetas da vaca da lei Rouanet. A pergunta é, com o Procultura vão aumentar ou democratizar as tetas?": questionamento de José Ribamar, de Divinópolis (MG), que defende a necessidade de apoio cultural à publicação de poesias e de revistas ou jornais independentes, "não só superproduções".

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  7. "Creio que o Procultura prá funcionar não deveria se prender só a grandes nomes, como até hoje vinha fazendo a Rouanet": a mensagem é de Maria de Lourdes Moreira, do Rio de Janeiro (RJ), que fez mestrado em Artes Cênicas na PUC.

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