sexta-feira, 18 de março de 2016

ECÓLOGO CRITICA EXPANSÃO DAS GRANDES BARRAGENS NO BRASIL E ATÉ NA AMAZÔNIA

Professor da Universidade de East Anglia no Reino Unido pesquisador Carlos Peres  defende hidrelétricas menores e maiores investimentos em energias como a Eólica e a Solar no Brasil (enquanto é tempo)
 

Carlos Peres aqui fala com pesquisadores de ciências ecológicas no exterior


"Nos Estados Unidos, a Lei de Espécies Ameaçadas veta qualquer projeto, por mais estratégico que seja, se há alguma espécie ameaçada", argumenta o ecólogo Carlos Peres: "No Brasil nós estamos presidindo o processo de extinção de várias espécies, somos o maior país tropical do mundo e hoje poderíamos ser a liderança nº 1 em biodiversidade". Nesta condição nosso país teria uma força muito ampliada no mercado mundial, deveria já se comportar atualmente de outra forma, dar exemplo de sustentabilidade e optar por energias realmente limpas na sua estrutura energética. Carlos Peres citou também agora na sua entrevista aos sites brasileiros Observatório do Clima e Envolverde a expressão energias limpas, sem incluir nela as grandes barragens ou as gigantescas hidrelétricas que causam muitas sequelas, entre vários problemas socioambientais. Aqui nos blogs da gente, um resumo da entrevista deste pesquisador, especializado em ecologia. Ao manifestar as suas preocupações ao Observatório do Clima (que é uma rede de entidades civis dedicadas ao estudo e ao combate de mudanças climáticas, com ligação com ambientalistas de todo o planeta), Carlos Peres está indo à luta em defesa de políticas públicas que no Brasil possam recuperar a ecologia perdida, restaurando o equilíbrio do meio ambiente. Com graves desequilíbrios ambientais, a população, a economia e também a imagem do nosso país ficam prejudicados. Peres explica que as hidrelétricas geram a maior parte da eletricidade do país na atualidade, sendo sua expansão defendida pelas autoridades e pelos técnicos governamentais como a única opção para gerar energia “limpa” e “firme” mesmo com vários cientistas especializados questionando as premissas que se baseiam a expansão das barragens. Neste ponto, a chamada INDC, o plano climático do Brasil para 2025 e 2030, prevê que 66% da matriz será hidrelétrica, o que incluiria também a construção das polêmicas usinas do complexo Tapajós, no Pará. Peres e entidades ambientalistas defendem um freio nessa expansão, sob pena de resultados os mais catastróficos se concretizarem. Segundo vários estudos e pesquisas, todo o processo de licenciamento de usinas hidrelétricas deveria ser revisto, incorporando a avaliação ambiental estratégica de toda a bacia  (algo que o governo promete desde 2006, mas que nunca aconteceu de verdade). Na prática, o   licenciamento de usinas, que começa depois que a decisão de construir já foi tomada, "o processo de licenciamento tem sido um processo sem dentes ou para inglês ver", denuncia Peres. Relatórios de impacto ambiental precisam ser melhorados "e até em muitos casos, esses projetos precisam ser cancelados”, afirma o pesquisador paraense. Para ele, a ameaça de extinção a uma espécie endêmica deveria ser razão para cancelar uma hidrelétrica, mesmo porque o Brasil tem recursos e condições para desenvolver o uso sustentável de energias realmente limpas, como a Eólica e a Solar. A demanda adicional de energia poderia ser suprida com fontes renováveis e no caso da Amazônia ou também do Pantanal, só deveriam ser construídas pequenas centrais hidrelétricas, que causam desequilíbrios socioambientais bem menores e mais reparáveis do que os provocados pelas grandes barragens e as gigantescas hidrelétricas.Esta, aliás, é a posição em geral dos cientistas e pesquisadores que há anos já vem alertando sobre isso, por exemplo, através da SBPC, a Sociedade Brasileira do Progresso da Ciência. Durante a entrevista do ecólogo Carlos Peres ao site Observatório do Clima, foram então procuradas a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), que planeja grande expansão hidrelétrica e a Norte Energia, proprietária da usina de Belo Monte, mas estas empresas ainda não se manifestaram sobre as denúncias da rede de entidades ambientalistas, que pedem bom senso ao setor energético e respeito às metas da ONU para o reequilíbrio do ambiente e do clima, no Brasil e no planeta. 


Estudos e pesquisas mostram que grandes hidrelétricas estão extinguindo várias espécies

Pequenas usinas e também energias limpas como Solar e Eólica são indicadas

Este mapa quantifica a destruição do equilíbrio ambiental por cada setor

A luta dos ambientalistas do Observatório do Clima se estende a todos os biomas do Brasil


Fontes: www.observatoriodoclima.com.br
             www.envolverde.com.br
             www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

  1. Surto de construção de usinas planejadas na Amazônia vai eliminar habitats de espécies que não existem em nenhum outro lugar do planeta, alertam pesquisadores dos Estados Unidos, Brasil e Reino Unido à rede ambiental Observatório do Clima e ao jornalista Cláudio Ângelo. Resumimos em nosso blog estas informações do OC.

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  2. "O cascudo-zebra (Hypancistrus zebra) não é empreiteiro nem político, não está denunciado na Lava Jato e não levou um centavo de propina pela usina de Belo Monte. No entanto, recebeu a pena mais dura de todas pela construção da superfaturada hidrelétrica no Pará: a morte. Quando o reservatório encher, secando a Volta Grande do Xingu, os pedrais onde esse pequeno peixe ornamental vive ficarão rasos e quentes demais para ele. Como só ocorre naquela região, o cascudo-zebra poderá ser extinto na natureza": assim começa a matéria de Cláudio Ângelo, no OC, exemlificando uma das mais variadas espécies vivas sacrificadas pelas grandes barragens. O mesmo destino aguarda diversas outras espécies que habitam ambientes únicos de rios amazônicos que cederão lugar a hidrelétricas.

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  3. Postamos este resumo por aqui em nosso blog do movimento ecológico, científico e de cidadania como um alerta. Logo mais, mais informação nesta seção de comentários. Aguarde.

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  4. Desde já coloque nesta seção de comentários a sua opinião sobre esta pauta ou então envie sua mensagem para o e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou ainda diretamente pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  5. "Neste momento de tantas crises e de caos no país é a hora mesmo de críticas e de revisão das políticas públicas a bem da natureza e da população": a opinião é de Carlos Almeida Santos, engenheiro florestal da USP que atua no estado de São Paulo.

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  6. "Enquanto muitos estão destruindo o Brasil, tem gente como Carlos Peres e outros ecologistas como estes ligados ao Observatório do Clima que estão ao contrário tentando construir nosso futuro": quem comenta é Marília Rodrigues, engenheira ambiental, formada pela UFMG.

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  7. "Precisa ser uma das prioridades do Brasil de verdade substituir as grandes barragens por opções mais econômicas e ecológicas de energia, o que é bom para o país e pros consumidores também": a mensagem nos foi enviada por Aldo Amarante, que é empresario no setor de vendas e de exportação em Bauru (SP).

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