segunda-feira, 25 de abril de 2016

CIENTISTAS E ECOLOGISTAS ENTRAM EM AÇÃO: O GÁS DE XISTO ESTÁ CHEGANDO À AMÉRICA DO SUL E AO BRASIL TAMBÉM



Equipamentos de prospecção do Gás de Xisto chegam à Argentina e podem também já estar a caminho daqui do interior do Brasil (nossa região do Aquífero Guarani é um dos focos deste tipo de mineração que provoca danos de grande monta à água, ao meio ambiente e à saúde da população, segundo especialistas)


Um grupo de ambientalistas argentinos bloqueou neste fim de semana a Rodovia 015, no departamento de Concórdia, no nordeste do país, para assim evitar que um comboio de caminhões seguisse para o Uruguai. Eles carregavam equipamentos usados para a detecção de Gás de Xisto e estavam indo em direção a região onde se localiza algumas das principais reservas do Aquífero Guarani, um tesouro de águas doces subterrâneas da América do Sul que, com este tipo de mineração, podem ser gravemente poluídas. Há uns 6 meses a gente postou aqui no blog Folha Verde News um alerta sobre o perigo que existe na exploração destes combustíveis, óleos e gases superficiais como uma alternativa ao petróleo. Nesta matéria a gente falava que o Xis da Questão Ambiental aqui em nosso  continente agora é esta exploração do Gás de Xisto, do interesse mais de multinacionais com sede nos Estados Unidos, onde os cientistas e ecologistas estão contra esta atividade. Segundo dados atuais da Energy Information Admninistration (EIA), que estão sendo divulgados no site O Eco, nos States e no Canadá há no total 2020 trilhões de pés cúbicos de Xisto (TCF), enquanto que somando as reservas do Brasil e da Argentina existem no subsolo de todo o nosso aquífero (que abrange também as regiões norte, nordeste paulista e sudoeste mineiro, por aqui entre a Serra da Canastra e o Rio Pardo. As sondagens e as prospecções estão começando pela Argentina, onde se concentram 60% destas reservas. Agora, diante da constatação de que caminhões com equipamentos para uma usina de Xisto estão circulando entre a Argentina e o Uruguai, houve este bloqueio da Rodovia 015 por parte de ambientalistas, preocupados com as consequências para os ecossistemas de grandes áreas ao sul da América do Sul e com os efeitos negativos para as populações.


Bloqueio de caminhões na Rod 015 com equipamentos para captação do Xisto


Esta já é uma área de mineração de Gás de Xisto em São Mateus do Sul



Como os ambientalistas descobriram o plano de exploração do Gás de Xisto

 
Estava havendo dias atrás em auditório do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (RJ) uma reunião de executivos de empresas de petróleo e gás, oficialmente para debater sobre o Pré-Sal, mas jornalistas descobriram que na verdade a pauta era para levantar dados sobre reservas de Gás de Xisto no Brasil, na América do Sul e em especial na Argentina. A pauta vazou e ambientalistas argentinos estão tentando bloquear em seu país primeiras instalações para este tipo de mineração de combustíveis fósseis, levando em conta que cientistas já alertavam sobre o risco de se captar o Xisto em formações rochosas com uma técnica muito agressiva (o fracking) que polui as águas superficiais ou profundas para a captação destes óleos e gases em benefício somente de grandes empresas do exterior, a dano do meio ambiente também da Argentina. A exploração de Xisto é realizada através da técnica do fraturamento hidráulico, o chamado fracking. Diferentemente do gás natural e do petróleo, que ocorrem em estruturas geológicas e nichos próprios, o Gás de Xisto está aprisionado em pequenas bolhas de formações rochosas, sendo altamente impermeáveis. A extração desse recurso é feita da seguinte maneira: para extrair o Xisto é necessário fraturar a rocha, injetando sob ela grandes quantidades de água, explosivos e substâncias químicas, que podem ocasionar vazamentos e a contaminação de aquíferos de água doce. É um processo de extração extremamente invasivo da camada geológica, cujos impactos ambientais ainda não são totalmente conhecidos, mas que podem ser irreversíveis para o meio ambiente. O ambientalista Franco Scatone, da Assembleia Ambiental de Concordia, uma organização que luta contra o fracking, participou da ação e afirmou que o bloqueio sendo feito na Rodovia 015 devido ao temor de que os testes sejam um pretexto para fazer a mineração para valer. “Eles dizem que vão só testar, mas quando eles têm os caminhões no local, sei que vão explodir e aí vem o fracking. A ideia é que os caminhões não progridam porque vemos o dano direto ao meio ambiente”, explicou Scatone. A intervenção do grupo ambientalistas contou com o apoio e participação da Coesus Brasil – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e Coesus Argentina, além da 350 entidades argentinas, brasileiras e internacionais que denunciam as mudanças climáticas, o perigo de contaminação, o risco à saúde da população. que justificam a luta contra a exploração do fracking na América Latina.


Área onde já se instalam estruturas para mineração do Xisto na Argentina

"O pior é que o governo brasileiro pretende incluir Gás de Xisto na matriz energética do país. Até agendou o primeiro leilão de licitação das áreas a serem exploradas para o final deste ano. Por precaução, diversos pesquisadores brasileiros vêm propondo uma moratória de pelo menos cinco anos, tempo a ser dedicado a estudar a viabilidade, sustentabilidade e consequências socioambientais prováveis desta nova forma de extrair os combustíveis fósseis": o comentário é do especialista Luiz Fernando Scheibe, geólogo, da Universidade Federal de Santa Catarina e Coordenador do Projeto Rede Guarani/Serra Geral. SOS Brasil Gás de Xisto. Confira demais alertas na nossa seção de comentários aqui no blog. 



Fontes: www.oeco.org.br
             www.infoamazonia.org
             www.folhaverdenews.com

10 comentários:

  1. Temos que ficar atentos por aqui em nossa região no interior do Brasil também, já começou a corrida pelo Gás de Xisto na América do Sul, em especial, nas regiões abrangidas pelo Aquífero Guarani, também por aqui. Por sinal, uma das maiores reservas de água doce do continente e do planeta.

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  2. Outra informação que conseguimos é que o Xisto é hoje uma prioridade para os Estados Unidos e a sua exploração já recebe incentivos financeiros do governo da Argentina.


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  3. Diante desta parceria com o Governo da Argentina os ambientalistas de lá está advertindo que a exploração deste recurso de energia fóssil é uma atividade economicamente barata mais altamente agressiva à ecologia, podendo comprometer de vez o Aquífero Guarani.

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  4. Logo mais, mais informações aqui nesta seção, como uma análise da especialista em educação ambiental Suzana Pádua, do IPÊ, Instituto de Pesquisa Ecológica.

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  5. Coloque aqui a sua opinião ou mande um e-mail para a redação do blog navepad@netsite.com.br e/ou ainda envie sua mensagem diretamente pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  6. "Alerto sobre o "gás de xisto" por perceber a gravidade da questão, se não tratada com o devido cuidado, algo difícil ainda na atual tecnologia e diante da falta de gestão ambiental dos nosso governos na América do Sul": é a mensagem que nos enviou a geóloga Fabiana Vieira, de São Paulo, que se especializou em mineração na USP.



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  7. "Participei no início de junho desse ano, do 18º Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, em São Paulo, organizado pelo Instituto O Direito por um Planeta Verde. Em uma mesa composta por profissionais de diversas áreas, foram debatidos temas referentes a licenciamento, ética, sustentabilidade e participação pública. Um dos palestrantes, Luiz Fernando Scheibe, Geólogo, Professor Emérito da Universidade Federal de Santa Catarina e Coordenador do Projeto Rede Guarani/Serra Geral, expôs os perigos de um processo que parece avançar sem a divulgação e os passos que garantam a precaução para a proteção de uma das maiores riquezas de nosso país nos tempos atuais: a água. Enquanto a escassez de água é notória em todo o planeta, o Brasil, juntamente com países vizinhos (Argentina, Paraguai e Uruguai) têm o privilégio de ter sob seus territórios o chamado Aquífero Guarani. Ao invés de tratar este patrimônio como uma riqueza a ser preservada a todo custo, agora existem planos para explorar o gás de xisto - do qual, segundo o Professor Scheibe, o Brasil nem tem necessidade ainda -, mas que certamente afetará a água sob nosso solo, já que a rocha a ser fraturada (o Folhelho Irati) se encontra a algumas centenas de metros abaixo do Aquífero Guarani, na Bacia Geológica do Paraná": é o que nos informa exatamente Suzana M. Pádua, que atua na entidade IPÊ (Instituto de Pesquisa Ecológica) que está ligada nesta movimento de alerta e de rejeição da mineração de Gás de Xisto no Brasil.



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  8. "O Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo. Está localizado na região sul da América do Sul, e ocupa uma extensão de aproximadamente 1,1 milhão de quilômetros quadrados e profundidade de até cerca de 1.500 metros. Tem a capacidade de abastecer, de forma sustentável, muitos milhões de habitantes, com trilhões de metros cúbicos de água doce por ano. No Brasil, o Aquífero Guarani está no subsolo dos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul"> ainda informações da educadora ambiental Suzana M. Pádua.


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  9. "O Aquífero Guarani e todas as águas subterrâneas do Brasil e da América do Sul estão ameaçadas por esta onda de mineração do Gás de Xisto Esta riqueza está agora ameaçada por uma enorme pressão econômica, a exemplo do que já vem ocorrendo nos Estados Unidos. Existem companhias ansiosas por entrarem em processos licitatórios de exploração do gás de xisto no Brasil, e outras vislumbrando orçamentos astronômicos para despoluir a água e as áreas afetadas pela sua extração. Ou seja, umas companhias ganham para explorar e outras lucram para minimizar os estragos feitos pela extração do Xisto", completa ainda Suzana M.Pádua, do IPÊ.



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  10. "O pior é que o governo brasileiro pretende incluir Gás de Xisto na matriz energética do país. Até agendou o primeiro leilão de licitação das áreas a serem exploradas para o final deste ano. Por precaução, diversos pesquisadores brasileiros vêm propondo uma moratória de pelo menos cinco anos, tempo a ser dedicado a estudar a viabilidade, sustentabilidade e consequências socioambientais prováveis desta nova forma de extrair os combustíveis fósseis": o comentário é do especialista Luiz Fernando Scheibe, geólogo, da Universidade Federal de Santa Catarina e Coordenador do Projeto Rede Guarani/Serra Geral.

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