sexta-feira, 29 de abril de 2016

LÍDER DE CIDADANIA E DA MÚSICA BRASILEIRA DÁ ENTREVISTA NA INGLATERRA QUE BOMBA NA BBC (AQUI, UM RESUMO)

Criolo se preocupa com a crise na política e na economia que aumentam o clima para o racismo e a homofobia: ele faz música como uma forma de lutar por mudanças no país e na vida

 




Criolo conversou com Thiago Guimarães que atua na BBC em Londres, o início do papo foi claro sobre a corrupção, pauta do momento em nosso pais, também no exterior. Nos labirintos da lendária casa de shows Koko, em Londres, este compositor, cantor, rapper e um líder atual de cidadania fala também em saudade do sol do Brasil e expõe sua visão sobre a crise brasileira: "O que acontece hoje é que algumas pessoas extremamente inteligentes têm em suas mãos um regimento e sabem mexer com esse regimento. Sabem cada espaço, cada fresta, e ali vão criando seu império. E são capazes de tudo para proteger seus interesses, até parar o país ou fazer com que as pessoas se matem na rua", diz ele, ao criticar de frente o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Poucos por aqui o conhecem pelo seu nome civil, Kleber Cavalcante Gomes, um filho de imigrantes nordestinos que chega aos 40 anos como um dos artistas da nova geração mais aclamados pela crítica especializada e mais querido pelos que curtem MPB, rap, música negra, hip hop. Desde o álbum Nó na Orelha (2011), deixou o gueto do rap paulistano e procurou um jeito de multiplicar o alcance de sua música. Nas redes sociais, houve quem apontasse hesitação do rapper para se manifestar sobre o momento político no Brasil. Também foi criticado na seara musical ao se associar a Ivete Sangalo em um projeto patrocinado por uma empresa de cosméticos. No bastidor da casa de shows, sozinho com o repórter brasileiro Thiago Gimarães, eleabre o jogo: "Não concordo com o impeachment de Dilma Rousseff. Se fosse pelos motivos certos, sim. A questão não é limpar o país da corrupção. Parece que descobriram que só há corrupção agora. Mas o presidente da Câmara é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato e assim não tem autoridade moral para conduzir o processo". No seu show em Londres apareceram cartazes e coros de "fora Cunha" na plateia com maioria de jovens e presença de pelo menos 30% de brasileiros que hoje vivem no Reino Unido. Agora, depois de meia dúzia de turnês internacionais nos últimos cinco anos, Criolo diz que manifestações críticas e políticas de jovens têm marcado suas apresentações nesse atual giro pela Europa. Ele gosta deste clima que bate com a sua proposta cultural, de fazer músicas para mudar a realidade.


Criolo no seu show que tem poesia, protesto e manifestação de cidadania

Esta é a rapaziada da banda que o acompanha no palco do Koko em Londres

Chuva de ódio

O compositor, que já foi descrito por Caetano Veloso como "possivelmente a figura mais importante na cena pop brasileira", também fala da chuva de ódio que ele percebe hoje sobre o Brasil como um clima negativo: "É muito louco isso, porque foi criado um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, não é normal esse abismo social que a gente está vivenciando". Explica que é preciso lutar para ajudar as mudanças, mas com inteligência e paz. "Hoje é uma chuva de ódio, o caos, fogo. Que taquem fogo nas ruas para a gente dar risada. Aí vai assim: corrupção de mãos dadas com a impunidade, mãos dadas com o poder. A gente fala que a mídia manipula, mas o ponto é quem manipula a mídia que manipula a gente?"...O rapper sugere que há quem se beneficie com a crise, enquanto grande parte da população sofre as consequências. "Tem corrupção no Governo e fora, todo mundo sabe disso, todos os partidos políticos têm. Agora, os caras fizeram uma manobra monstra, monstra, e que se exploda a favela. Que morra todo mundo: acho que é isso que passa na cabeça dos caras, talvez com um pouco mais de diplomacia e com um vernáculo mais apurado, mas em suma é o que falam num clima violento e sem poesia". 


Criolo Doido parece ser uma nova síntese entre Chico e Caetano

Terceiro tempo

O músico que passa por vários estilos, do rap à MPB e a novos estilos pops, já está planejando alguns shows para o Brasil, em breve, fazendo contatos de Londres pelo celular e notebook. Prepara um terceiro tempo no jogo brasileiro da vida, espera que haja avanços, em especial na produção cultural. Enquanto Criolo explica, a sua banda aparece e pessoas passam pelo corredor no backstage do teatro centenário que já foi palco para Charles Chaplin, Madonna e Iron Maiden. A assessora passa mais uma vez do lado: "O tempo da entrevista infelizmente acabou". Ainda há tempo e Criolo diz que "em vez de a uma pessoa ficar tretando com outra, deveríamos todos tretar para as coisas positivas avançarem e as negativas, se mandarem". Já começam os primeiros acordes para uma última passagem de som e ao final da entrevista, consciente do desabafo que fez, agradece e deixa um recado ao repórter Thiago Guimarães: "Mano, senta a madeira".

Criolo planeja novos rumos pro seu trabalho cult e pro Brasil



Fontes: BBC
             www.folhaverdenews.com 


7 comentários:

  1. Kleber Cavalcante Gomes, conhecido como Criolo Doido, ao lançar seu segundo disco disse que "é natural eu cantar porque sou brasileiro. Sou brasileiro e estou pedindo licença humildemente a todos os meus para cantar.” As duas frases soariam redundantes se proferidas pela maioria dos cantores brasileiros, mas adquirem sentido particular na boca deste paulistano Kleber Cavalcante Gomes, conhecido pelo codinome artístico Criolo Doido, agora adaptado para simplesmente Criolo. Ele é um músico ligado ao rap, ao mesmo tempo à MPB, a músicas inovadoras e pops.

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  2. Por exemplo, com canções compostas ao longo de dez anos, seu 2º disco “Nó na Orelha” não é de rap, porque, embora contenha raps, reúne também faixas em tempo de soul, samba, reggae, bolero, canção romântica, funk, afrobeat, poesia e trechos de sons românticos.

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  3. Entre o rap e o não-rap, Criolo reluta em definir-se até como músico: “Um dia pretendo ser músico, viu? Como diz meu pai, às vezes a gente não tem ritmo nem para andar. Não sei tocar nenhum instrumento, nunca fiz aula de canto, nada. Lutei muito e tive de provar para mim mesmo e para muita gente - não que eles tenham pedido, OK? - que tenho condições de expressar um pouquinho do que o meu coração diz e o coração do povo clama".

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  4. Logo mais aqui neste blog, música de Criolo na TV Folha Verde News e por aqui, na seção de comentários, mais informações sobre ele e sobre o movimento da música e da cidadania. Aguarde e desde já coloque aqui a sua opinião.

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  5. Outra alternativa é vc enviar uma mensagem para o e-mail da redação do nosso blog de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com.br e/ou direto para o nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  6. "Como no começo era chamado de Criolo Doido, isso fez com que ele chamasse mais a atenção da mídia e do povo de shows, depois de passar com sucesso pelo mundo alternativo do rap, ele agora amplia a sua atuação, invade o movimento da cidadania": quem comenta é Renato Soares que o conhece seu trabalho há mais de 10 anos e acredita que Criolo ainda vai surpreender "pela sua criatividade".

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  7. "Acho que a música Não Existe Amor Em São Paulo define bem o trabalho desse cara de valor": quem comenta é Bárbara Soares Silva, de Campinas (SP), que trabalha em administração de condomínio.

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