sexta-feira, 22 de abril de 2016

PROPOSTA DE COALIZAÇÃO ENTRE AMBIENTALISTAS E RURALISTAS APRESENTADA NO BANCO MUNDIAL EM WASHINGTON GERA POLÊMICA



Entidade brasileira propõe agronegócio e ambientalistas juntos para defender florestas mas só com cautela e mais pesquisa propostas de desenvolvimento sustentável não virarão uma ilusão ou uma manipulação política da realidade


Esta proposta no Banco Mundial parece ter a Amazônia como um foco

Esta é a princípio também a posição daqui do nosso blog de ecologia e de cidadania Folha Verde News diante da notícia de um evento organizado pelo Banco Mundial agora em Washington, que com o apoio da ONU, destacou iniciativa brasileira que se propôs a unir ambientalistas e entidades do agronegócio para promover maneiras de conservar e recuperar as matas mesmo na agricultura de larga escala. "Conciliar economia rural com a defesa da ecologia realmente é um objetivo maior e faz parte do conteúdo essencial a um desenvolvimento sustentável que se busca para adiantar um avanço mais que necessário na atualidade, porém, depois do que ocorreu com  as manipulações e a politicagem por ocasião da definição de um novo Código Florestal no Brasil, todo cuidado é pouco", é o que argumenta por aqui o editor deste blog o repórter de ecologia Antônio de Pádua Silva Padinha, que mesmo com visão crítica desta situação no entanto divulga aqui em nosso webespaço esta informação que é destaque no site das Nações Unidas: "É fundamental a sustentabilidade para que exista um desenvolvimento de verdade, mas precisamos desde já nos precaver com uma proposta que mistura joio e trigo ou dois movimento tão diferentes entre si, é possível uma síntese, mas não sei se a proposta da Coalização Brasil pode ser aceita sem um debate mais profundo entre especialistas", comenta ainda o ecologista. 


Aqui um resumo da proposta da Coalizão Brasil  



Fundada em dezembro de 2014, a Coalizão passou o primeiro ano se organizando para as discussões da COP 21, em Paris, e em 2016 já começa a partir para ações mais práticas. E em todo o mundo, entidades de conservação das florestas e representantes do agronegócio parecem dois grupos absolutamente separados e inconciliáveis. Nos últimos 25 anos, o planeta perdeu 1,3 milhão de km2 de florestas, área superior à da África do Sul, grande parte transformada em campos de cultivo. Será possível aproveitar a riqueza das florestas e, ao mesmo tempo, promover a conservação diante da necessidade de cultivar alimentos para uma população que chegará a 9 bilhões em 2050?...Este é um dos maiores desafios da atualidade, mas chega a ser surpreendente que a iniciativa Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura já tenta encontrado mesmo este equilíbrio, como afirmaram seus representantes agora em Washington. Esta iniciativa brasileira acredita ser possível juntar ambientalistas e entidades do agronegócio para então promover maneiras de conservar e recuperar as matas mesmo em projetos de agricultura de larga escala. O biólogo Roberto Waack, um dos fundadores da Coalizão e presidente da empresa Amata (de manejo sustentável de florestas) explica que as técnicas e tecnologias modernas tornam possível aliar conservação e produção e sgundo ele, poucos países têm condições de fazer isso melhor do que o Brasil. “Os países que conseguirem já conciliar produção de alimentos, energia e outros bens com a atividade florestal terão vantagem em comparação com os outros, é um novo cenário que está se descortinando, de produção de matérias-primas de baixo carbono”, comentou Waack.  A convivência entre bosques e cultivos pode ser feita de duas formas. “Uma delas é aliar a renda da produção de grãos ou pecuária com a renda vinda de uma floresta bem gerenciada. Adiciona-se ao que acontece dentro da fazenda um novo portfólio de produtos (madeira de manejo sustentável, por exemplo)”, explicou Roberto Waack. Existem também as agroflorestas, em que produtos como café, cacau e frutas sejam plantados à sombra das árvores. Isso permitiria obter produtos de melhor qualidade e com características mais desejáveis pelos consumidores, como sabor e concentração de princípios ativos. Alguns cientistas alertam neste particular que plantações junto a florestas não podem usar agrotóxicos e precisam desenvolver uma produção orgânica, sem venenos químicos, para se obter este resultado sustentável. Este fator também precisa ser considerado pelas 120 entidades participantes que se dividem em grupos de trabalho sobre temas como o Código Florestal Brasileiro, economia das florestas tropicais, agricultura com baixa emissão de carbono e mecanismos de valoração de carbono, entre outros. O objetivo final é este mesmo de praticar a sustentabilidade mas o princípio da cautela e do rigor técnico, da pesquisa científica e de um controle ético têm que ser levados em conta para tornar este sonho de todos, uma realidade. Por enquanto até agora esta proposta parece ser ainda um projeto polêmico que precisa ser debatido mais profundamente.

Uma união entre os interesses econômicos e ecológicos...
...é realmente uma meta da sustentabilidade...

...mas o rigor técnico, o cuidado científico e o controle ético...

...são essenciais para não aumentar ainda mais a destruição da ecologia

Fontes: www.onu.org.br
              www.worldpressbank.org
              www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Para pesquisadores, melhora na produtividade pode vir a garantir demanda por alimentos sem precisar desmatar mais do que já se desmatou no Brasil e no planeta. Este parece ser um consenso hoje.



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  2. Dentro do tema responsabilidade socioambiental e segurança alimentar, pesquisadores afirmam que, com aumento da produtividade, é possível atender a demanda de produção de alimentos sem abrir novas áreas. O estímulo à agricultura orgânica e à agroecologia também tem sido destacados como importantes para garantir a segurança alimentar e a conservação do meio ambiente.

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  3. Para exemplicar, já na Rio+20 a WWF abordou o processo de transição dos sistemas produtivos agropecuários e florestais para a perspectiva sustentável e agroecológica, dentro também dos contextos da agricultura familiar e da produção de grande escala. É mesmo um grande desafio hoje em dia garantir a produção de alimentos para atender a demanda da população mundial sem destruir ainda mais o meio ambiente. Hoje a população mundial é de 7 bilhões, sendo que deste total 70% estão na cidade. E as estimativas são de que esse número chegue a 9 bilhões até 2050. “Como alimentar 9 bilhões de pessoas e manter o planeta vivo”?, é o questionamento da WWF. Parece que o o caminho mais correto é melhorar os sistemas produtivos, incentivar boas práticas e o consumo responsável.

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  4. Entre os principais impactos da produção de commodities, o desmatamento, a contaminação por produtos agroquímicos e a perda de solo são as principais ameaças. A degradação maior está justamente nas áreas onde está ocorrendo uma maior expansão agrícola, como o Cerrado.

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  5. Realmente é fundamental estimular a produção sustentável na agricultura e na pecuária. Entre as áreas de atuação, estão as discussões com os setores que integram a cadeia produtiva da carne, a pecuária orgânica e a soja sustentável, a RTRS (sigla do inglês, Round Table on Responsible Soy Association), com o estímulo aos processos de certificação. Dentro desde objetivo, o diretor do
    Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) Bernardo Strassburg já apresentou um estudo realizado por ele com outros pesquisadores sobre aumento de produtividade e sustentabilidade em áreas agropecuárias . O estudo mostrou que o Brasil não precisa desmatar um só hectare para garantir a produção de alimentos necessária para atender a demanda até 2040.

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  6. Segundo este estudo do IIS, apenas melhorando o uso das terras já usadas para a agricultura e pecuária já é o suficiente para garantir toda a produção de alimentos. Estamos usando apenas um terço da capacidade. Com o aumento da produtividade, o que já temos aberto em pastagens já é suficiente para produzir tudo que precisamos até 2040. O estudo chegou à conclusão de que, com o aumento de 70% da capacidade produtiva, poderão ser liberados 36 milhões de hectares para restauração. E isso ainda evitará emissões de 14,3 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera que seriam causados pelo desmatamento de novas áreas. Além disso, sem a necessidade de converter áreas naturais para a produção de alimentos, o Brasil poderá ter uma economia de US 243 bilhões, que seriam gastos na mitigação em razão de mudanças climáticas. Ainda segundo estes estudos, esses resultados derrubam o argumento levantado durante a discussão do Código Florestal, segundo o qual, a proteção de mais áreas reduziria a produtividade. Os dados levantados pelo IIS mostram uma nova saída, algo a se considerar no debate aqui sobre a proposta da Coalização Brasileira.

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  8. "Esta polêmica é da hora, não só para agrônomos ou para produtores rurais ou para ecologistas e sim para todos os que se preocupam com novos rumos para o Brasil": o comentário é de Ronaldo Rocha, de Brasília (DF) que é engenheiro pela UNESP.

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