quinta-feira, 21 de abril de 2016

TIRADENTES 224 ANOS DEPOIS: ELE É AINDA HOJE O MAIOR HERÓI DO BRASIL?



Delação premiada, traição, trairagem, o país mudou de 1792 até hoje? Nosso povo já conquistou realmente a liberdade? Nosso país já virou uma nação? Confira os fatos da vida, luta e morte de Tiradentes e as conotações bem atuais da sua história...


Arte da sua época mostra Tiradentes preso por lutar pela libertação do Brasil


Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes não foi perdoado pelo reino português como os outros líderes da Inconfidência Mineira mas só ele ficou na memória do nosso povo como o mártir e o herói da liberdade nacional ou da independência do Brasil que seria efetivada 30 anos depois da sua morte por enforcamento. Entre aqueles que se rebelaram contra o domínio português, em 1779, Tiradentes era o de classe mais baixa e o único que havia feito propaganda aberta do movimento. Era o maior líder, respeitado por onde passava e que assumia publicamente a luta pela independência do Brasil em relação a Portugal. Chegou a ser militar (numa função comparável a de um tenente) mas teve problemas e voltou então a exercer o seu ofício de dentista (um trabalho braçal, malvisto na época). Isso pesou na sua escolha para ser o bode expiatório? Também pode ter pesado na decisão a figura mística deste homem, que era famoso em sua época pela coragem com que defendia seu ideal libertário, chegou a dizer que se tivesse 10 vidas, daria as 10 pela liberdade do Brasil. Dos 10 presos, cinco também haviam sido condenados à morte pelo crime de lesa-majestade (traição à pessoa do Rei). Mas foram perdoados pela rainha dona Maria I e expulsos para a África. Para Tiradentes porém não houve perdão:  ele foi enforcado há 224 anos, em 21 de abril de 1792. Sua cabeça foi cortada e levada para a cidade de Vila Rica. O corpo, esquartejado, foi espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. "Era o exemplo que ficava para aqueles que pensassem em questionar o poder de Portugal", explica aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o mestre de História Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos. Nas pinturas que retratam Tiradentes, ele é visto como uma espécie de Jesus em sua imagem e de mártir do nosso povo, é um mito mas também é certo segundo a maior parte dos pesquisadores que ele lutou como poucos em toda a história brasileiro pela liberdade. 


Os líderes do movimento de libertação de Portugal eram ligados à maçonaria


A primeira Loja Maçônica no Brasil havia sido fundada em Salvador no ano de 1724. Não se pode negar a participação da maçonaria em momentos decisivos da História do Brasil. Na Inconfidência Mineira a Maçonaria estava presente. Todos os conjurados, sem exceção, pertenciam ou foram apoiados pela Maçonaria: Tiradentes (1746-1792), Thomas Antonio Gonzaga (1744-1810), Cláudio Manoel da Costa (1729-1789), Alvarenga Peixoto (1742/44-1792/3) e o traidor Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819). Francisco Antonio Lisboa (1730 ou 1738-1814), o Aleijadinho, o grande artista da época,  fazia arte Barroca e pertencia à ordem maçônica. Em suas obras podem-se notar símbolos da maçonaria como os três anjinhos formando um triângulo, um dos símbolos da sociedade. Por exemplo, a bandeira do estado de Minas Gerais com o triângulo inspira-se no delta luminoso, o Olho da Sabedoria. Seita secreta ou movimento or apoiado ora perseguido pela Igreja Católica, atualmente, a maçonaria é uma organização ligada a comerciantes, os atuais maçons pouco sabem da sua própria história mas têm participado muito ativamente da mobilização atual contra a corrupção no Brasil. 

Delação premiada ou traição por dinheiro foi responsável pela morte de Tiradentes há 224 anos como líder do movimento Inconfidência Mineira que tentava libertar o Brasil de Portugal


Segundo o jornalista Sérgio Rodas, 224 anos após a sua morte, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, voltou a ser notícia nos últimos dias (e não por causa da folga na praia ou do trânsito na saída de São Paulo durante o feriado em sua homenagem nesse 21 de abril, em que o Brasil vive uma onda de delações premiadas). Hoje, a Imprensa Oficial de Minas Gerais posta na Internet todos os documentos dos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, o processo que resultou na condenação à morte de Tiradentes. Em tempos de operação "lava jato", em que depoimentos feitos em delações premiadas bombam na mídia e chocam a opinião pública diariamente, vale lembrar que Tiradentes foi possivelmente vítima da primeira “dedurada” legalmente recompensada na história do Brasil, feita pelo coronel Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão das dívidas dele para com Portugal, isso no final do século 18. Não mudou tanto assim a realidade em todo esse tempo, pelo menos em alguns sentidos, na história viva do nosso país...



Esta arte retrata Tiradentes no período em que era um Alferes mas já preparava o movimento libertário


 
Joaquim Silvério dos Reis traiu o movimento pela libertação nacional brasileira 



Quando soube do movimento para libertar o Brasil de Portugal, Silvério dos Reis vislumbrou uma oportunidade de obter os benefícios do parágrafo 11 do Título VI das Ordenações Filipinas (lei vigente na metrópole e em todas as colônias na época) e se livrar das pesadas dívidas que possuía junto à Coroa Portuguesa. De acordo com o livro "O Processo de Tiradentes", escrito pelos advogados Ricardo Tosto e Paulo Guilherme Mendonça Lopes e editado pela ConJur, o dispositivo “previa não só o perdão, mas também favores do Reino para quem primeiro delatasse a existência de atos de crime de Lesa Majestade”. Este delito, tipificado no Título VI da mesma norma, era aplicado em caso de “traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu real Estado”. Joaquim Silvério dos Reis, o delator, foi o lado negro que tornou possível a luz de Joaquim José da Silva Xavier, o nosso amado líder Tiradentes, enquanto o Brasil for o Brasil. Na sequência pinturas da época retratam momentos dramáticos da história deste herói brasileiro: aqui, o filme de Tiradentes...

O momento da prisão de Tiradentes no Rio de Janeiro...

Aqui, ele já é um prisioneiro de Portugal...



 
...A sentença de morte por enforcamento....


Sua morte foi um martírio pelo Brasil e lembrou até o sacrifício de Jesus...


 
Pedro Américo assim retratou o esquartejamento de Tiradentes...
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...ele foi morto e esquartejado mas continua vivo no coração do nosso povo



Fontes: www.ohistoriante.com.br
             Universidade Federal de São Carlos
             dougnahistoria.blogspot.com.br
              www.conjur.com.br
              www.folhaverdenews.com

17 comentários:

  1. No final do século 18, os mineiros estavam descontentes com a Coroa Portuguesa. Em 1785, a rainha d. Maria I proibiu que fossem produzidos na colônia manufaturas de ouro, prata, seda, algodão, linho e lã. Quatro anos depois, a metrópole resolveu compensar a queda na arrecadação — resultado do declínio econômico de Minas Gerais — instituindo uma forma mais eficiente de recolher o Quinto, imposto que garantia aos portugueses 20% de todo minério extraído até o teto de cem arrobas anuais (1,5 tonelada). Conhecida como “derrama”, a prática consistia em confiscar bens e objetos de ouro para garantir que a meta tributária não seria descumprida.

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  2. Essas medidas inflamaram a comunidade brasileira da época. Inspirados pela independência dos Estados Unidos da América e pelo movimento intelectual que culminaria na Revolução Francesa, um grupo de bacharéis, militares, comerciantes e fazendeiros passou a se reunir rotineiramente nas casas dos poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, que também era desembargador e foi apontado como o líder do movimento. A principal ideia deles era se livrar do domínio lusitano e tornar Minas Gerais um país independente, que seria organizado sob a forma de república.

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  3. Quando soube do movimento, Silvério dos Reis vislumbrou uma oportunidade de obter os benefícios do parágrafo 11 do Título VI das Ordenações Filipinas (lei vigente na metrópole e em todas as colônias na época) e se livrar das pesadas dívidas que possuía junto à Coroa Portuguesa. De acordo com o livro O Processo de Tiradentes, escrito pelos advogados Ricardo Tosto e Paulo Guilherme Mendonça Lopes e editado pela ConJur, o dispositivo “previa não só o perdão, mas também favores do Reino para quem primeiro delatasse a existência de atos de crime de Lesa Majestade”. Este delito, tipificado no Título VI da mesma norma, era aplicado em caso de “traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu real Estado”.

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  4. Visando à sua redenção, Silvério dos Reis resolveu abrir o bico – mas por livre e espontânea vontade, e não devido à coação de uma prisão preventiva... Ele então procurou o visconde de Barbacena e governador da Capitania de Minas Gerais na época, Luís Antônio Furtado de Mendonça, e contou tudo o que sabia. Depois de um mês, o nobre pediu que o dedo-duro formalizasse a denúncia por escrito, para que ela fosse enviada ao vice-rei, D. Luis de Vasconcelos.



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  5. Na carta, Silvério dos Reis relatou que, certa vez, fora convidado a participar da conjuração pelo sargento-mor Luís Vaz. Este, segundo o delator, contara que Tomás Antônio Gonzaga liderava um grupo que iria mandar mais de 460 “pés-rapados”, “que haviam de vir armados de espingardas e facões, e que não haviam de vir juntos para não causar desconfiança; e que estivessem dispersos, porém perto da Vila Rica, e prontos à primeira voz”.


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  6. Prontos para quê? Para fazer cabeças rolarem. E “a primeira cabeça que se havia de cortar era a de V. Excia. [Visconde de Barbacena] e depois, pegando-lhe pelos cabelos, se havia de fazer uma fala ao povo que já estava escrita pelo dito Gonzaga; e para sossegar o dito povo se havia levantar os tributos”. E o suposto massacre não terminaria aí: os conjurados também decapitariam o ouvidor de Vila Rica, Pedro José de Araújo, o escrivão da Junta, Carlos José da Silva e o ajudante de Ordens Antônio Xavier – e talvez o intendente – “porque estes haviam de seguir o partido de V. Excia. [Visconde de Barbacena]”.



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  7. Conforme contou Joaquim Silvério dos Reis, os inconfidentes o convidaram para participar do levante por saberem que ele devia dinheiro para a Coroa Portuguesa. Porém, logo deixaram claro que, se ele divulgasse os planos deles às autoridades, seria assassinado. O vigário da Vila de São José, Carlos Correia, disse ao delator que, para a conjuração, “trabalhava fortemente o alferes pago Joaquim José”, o qual já tinha vários seguidores nessa cidade e planejava angariar mais sujeitos no Rio de Janeiro, “pois o seu intento era também cortar a cabeça do Senhor Vice-Rei”. O relato do padre foi posteriormente confirmado por Silvério dos Reis quando ele encontrou Tiradentes, que lhe “fez certo o seu intento e do ânimo que levava”.

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  8. Após ler a denúncia, o Vice-Rei determinou a abertura da devassa – uma mistura de inquérito criminal e processo judicial – para apuração dos fatos e julgamento dos culpados. Ao final, os juízes da Alçada culparam todos os inconfidentes pelo crime de Lesa Majestade. No entanto, só Tiradentes foi condenado à morte. Uns dizem que foi por ele ser o único réu confesso. Outros, por ser o mais pobre dos acusados. Controvérsias à parte, o fato é que a rainha d. Maria I converteu a pena dos demais conjurados em exílio para a África.


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  9. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado em praça pública no Rio de Janeiro. Depois de morto, seu corpo foi esquartejado.

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  10. Delação a peso de ouro - Atualmente, o delator que colaborar com as investigações e tiver comprovadas as informações que prestou pode ter a pena reduzida em dois terços, substituída por penas restritivas de direitos, como prestação de serviços à comunidade, ou até receber perdão judicial. Contudo, no Brasil Colônia, dedurar criminosos valia (ainda) mais a pena. Por ter denunciado os agitadores da Inconfidência Mineira, Silvério dos Reis recebeu, em Lisboa, o foro de fidalgo da Casa Real e o hábito da Ordem de Cristo. Além disso, suas dívidas com a Coroa Portuguesa teriam sido perdoadas, e ele teria recebido ouro, uma mansão e o cargo público de tesoureiro da bula de Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro. A partir daí, Silvério dos Reis adicionou “Joaquim” a seu nome e se mudou para Campos dos Goytacazes, que fazia parte da Capitania de São Tomé e hoje integra o estado do Rio de Janeiro. Lá, o novo-rico, junto com seu sogro, passou a cobrar foros indevidos dos locais e expulsar das terras os que não aceitavam a extorsão, de acordo com o livro O Processo de Tiradentes. Empolgado pelas recompensas que recebeu por denunciar os conjurados, mas querendo ganhar mais prêmios da metrópole, Silvério dos Reis planejou uma nova delação premiada, dessa vez contra o alferes Joaquim Vicente dos Reis, que combatia as arbitrariedades dele e de seu sogro na região. Como não havia crime a denunciar, o chantagista inventou uma denúncia e acusou o militar ter aberto duas cartas lacradas endereçadas ao vice-rei. Para corroborar sua tese, ele apresentou duas testemunhas, com quem havia previamente combinado o teor de seu depoimento. Porém, uma dela falou mais do que devia, gerando contradição com o depoimento de Silvério dos Reis. Por essa razão, a devassa foi arquivada, sepultando seu plano de obter mais recompensas. Pior ainda: os moradores de Campos dos Goytacazes denunciaram à Coroa Portuguesa os abusos de Silvério Reis e seu sogro. Embora o processo não tenha sido concluído, a ofensiva dos locais acabou forçando delator dos inconfidentes a se mudar para a Baixada Fluminense.

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  11. Joaquim Silvério dos Reis morreu em 1819, no Maranhão, não tão rico quanto gostaria, mas certamente com melhores condições de vida do que as que tinha antes de delatar Tiradentes e os outros líderes da luta de libertação nacional.

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  12. Coloque aqui a sua opinião ou mande a sua mensagem ou comentário para o e-mail da redação do nosso blog de cidadania navepad@netsite.com.br e/ou envie um e-mail diretamente para o nosso editor de conteúdo do blog padinhafranca@gmail.com


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  13. "É um filme que precisa ser feito, a luta pela libertação nacional": o comentário é de Leonor Morais, de Cuiabá (Mato Grosso) que se formou na UFRJ que diz ainda que "os fatos ligados ao Tiradentes são bem atuais, levando em conta o que acontece no Brasil das multinacionais".


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  14. "Parece que Tiradentes que liderava uma tropa de pés rapados foi o "bode expiatório", os qu estavam por trás, escaparam da morte, porém, Joaquim José da Silva Xavier se eternizou como o herói da libertação nacional no Brasil": o comentário é de Júlio Mendes Júnior, de Santo André (SP), ator de teatro, que interpretou este personagem no Teatro da Cidade.

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  15. "Já estou me acostumando a acessar todo dia esse blog e hoje vim a ter aqui informações que aos quase 50 anos de idade ainda não tinha sobre o Tiradentes e a luta pela liberdade no Brasil": o comentário é de Juracy Gonçalves, que é de Ouro Preto (MG) e hoje vive em São José dos Campos (SP) e atua na área de Informática Empresarial.

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  16. "Vocês aqui deste blog de cidadania não estranhem se houver uma invasão de internautas para conferir esssa matéria: Tiradentes é um campeão de audiência, no Google há nada menos de 2 milhões de entradas para pesquisar sobre ele": a informação nos foi enviada de São Paulo (SP) pelo designer Paulo Moreira, que também elogia as artes que ilustram nossa poistagem. Agradecemos o elogio e a atenção.

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  17. "Depois de ser enforcado, no dia 21 de abril de 1792, o corpo de Tiradentes foi esquartejado. Sua cabeça foi levada para Vila Rica, em Minas Gerais, e exposta em um poste, em praça pública. O mais interessante (e sinistro) é que três dias depois ela foi roubada, nunca mais foi encontrada": o comentário é de Geraldo Santos, estudante em Ouro Preto (MG) que viu esta notícia em site do jornal Estado de Minas.

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