sexta-feira, 27 de maio de 2016

FILHO DE GLAUBER ROCHA GANHA PRÊMIO NO FESTIVAL DE CANNES COM DOCUMENTÁRIO SOBRE O MOVIMENTO CINEMA NOVO


Eryk Rocha critica a falta de rumo do atual cinema brasileiro e o silêncio da mídia sobre o Cinema Novo, movimento praticamente destruído pela Ditadura no Brasil nos anos 70, tempo em que começou a predominar por aqui as Pornochanchadas

 



Erick Rocha debate em seu filme o Cinema Novo que teve problemas com a Censura



O documentário de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, Cinema Novo levou o prêmio especial 'Olho de Ouro' no Festival de Cinema de Cannes (França), que terminou na semana passada: houve pouca divulgação por parte de jornais, rádios e TVs sobre esta premiação. De duração média, o filme com o nome Cinema Novo fala sobre este movimento cinematográfico e cultural nos anos 60 e 70, que a partir do nosso país se espalhou pelo chamado Terceiro Mundo, tendo justamente como ponto maior de difusão o apoio dos cineastas franceses e europeus em geral, que se dedicavam então a um tipo de cinema de arte em contraposição às produções norteamericanas, vistas na época, como filmes mais comerciais. Depois dos anos 80 e 90 estes conceitos mudaram, "os americanos buscaram assimilar cada vez mais as conquistas de linguagem dos filmes classificados como cinema de arte, enquanto que, por exigência de sobrevivência ou crise no mercado, as produções mais artísticas acabaram por se adaptarem ao padrão Hollywood", explica o editor de conteúdo deste blog, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, que quando bem jovem integrou o movimento do Cinema Novo ao fazer 3 curtas-metragens em Franca e em São Paulo, um deles, "Vida Negra Vida", premiado no Festival de Cinema do JB do Rio de Janeiro, em 1969. Mesmo tendo ganhado Menção Especial do Júri neste festival icônico naqueles tempos, este pequeno filme coma duração de 90 segundos, uma ficção, falando sobre a violência contra os garotos e garotas da época, foi proibido pela Censura, tendo os seus originais, copiões e a versão final do curta (filmado num arrozal perto do Rio Sapucaí no nordeste paulista e finalizado na Hélicon Filmes em São Paulo), foram recolhidos pelo DOPS (polícia política) e desde então desapareceram. Um dos coordenadores do Festival JB daquele ano, o jornalista e escritor Alberto Beutenmuller, tentou recuperar o filme mas não conseguiu. Padinha, aqui no blog, se lembra destes fatos para registrar como era difícil fazer filmes dentro da proposta Cinema Novo e esta situação está sendo encaminhada ao cineasta Eryk Rocha, assim como à pesquisadora Paloma Rocha (ambos filhos de Glauber Rocha) que procuram sempre informações e dados sobre este movimento. E quanto a uma "determinada padronização" da linguagem do cinema pós-anos 60 e 70, nosso editor argumenta: "Acabou naturalmente por pressão do mercado e também por uma questão própria da história que os filmes de arte ou mais comerciais sofreram uma espécie de síntese e ficaram mais parecidos uns com os outros na sua linguagem". De toda forma, especialmente os filmes de longametragem de Glauber Rocha e de outros cineastas do movimento Cinema Novo, como Joaquim Pedro, Roberto Santos, Cacá Diegues,  Nelson Pereira do Santos, Leon Hirszman, Ruy Guerra, Walter Lima Jr. e Paulo César Saraceni, entre outros, que inclusive estão no documentário histórico e poético de Erick Rocha, são vistos como fundamentais para um avanço do cinema em todo o planeta, esta dimensão de importância a mídia do Brasil não tem ou perdeu com o bloqueio a este tipo de filmes brasileiros (a chamada Estética da Fome ou resumidos no slogan, uma câmera na mão e uma idéia na cabeça). Este estilo de cinema revolucionário, como linguagem e como temática atualmente é menos conhecido em nosso país do que na França, na Itália e em outros países europeus onde o movimento ganhou muito apoio cultural. Para finalizar o seu depoimento aqui na Folha Verde News, Padinha cita que teve uns dois encontros pessoais com Glauber Rocha em São Paulo, um deles no MASP, onde o cineasta baiano o recebeu e divulgou numa entrevista coletiva que estava dando o manifesto "Por um cinema popular de qualidade", que era uma tentativa de alguns jovens roteiristas e diretores de criarem uma alternativa à Pornochanchada, a tendência então mais comercial do cinema brasileiro que a partir da década de 80 vigorou e assim ajudou a sepultar o movimento cinemanovista. Glauber sempre polêmico logo depois acabou se isolando num "exílio forçado" em Portugal, onde veio a morrer precocemente aos 42 anos. aborrecido com estes fatos em 1981. A filha dele, Paloma Rocha fez um trabalho de recuperação de longas-metragens deste movimento na Cinemateca e agora, o filho, Erck Rocha, realizou este documentário Cinema Novo, usando como referência de linguagem a poética dos filmes brasileiros deste estilo: o prêmio 'Olho de Ouro' é de muito valor e deveria gerar mais matérias e debates sobre os caminhos nacionais e internacionais das produções culturais made in Brazil, atualmente, tendo toda uma geração criativa e crítica de cineastas, como em Pernambuco ou como o próprio Erick Rocha, que dão uma esperança de um rumo mais feliz para os filmes nacionais, hoje melhor resolvidos na estrutura técnica de som e imagem, mas ainda sofrendo os problemas de distribuição e de mercado, fatores que alimentavam a luta e a criação extraordinárias de Glauber Rocha e do movimento cult Cinema Novo. 


Glauber Rocha, principal cineasta e líder do movimento Cinema Novo do Brasil
Erick Rocha, filho de Glauber, resgatou este movimento através do documentário
Glauber se encontrou com Padinha antes de ir embora para Portugal





Detalhes sobre o prêmio de Cinema Novo, filme de Erick Rocha em Cannes 2016

O documentário “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, sobre o movimento cinematográfico nascido no Brasil que revolucionou a criação artística  entre os anos 1960 e 1970, ganhou o “Olho de Ouro” do Festival de Cannes, uma premiação muito prestigiada por realizadores de cinema de todo o mundo. "Cinema Novo é um filme-manifesto sobre a vigência de um  movimento cinematográfico quase esquecido dos anos 1960", indicou o júri do prêmio, disputado pelos documentários apresentados em Cannes. O júri foi presidido pelo cineasta italiano Gianfranco Rosi, vencedor este ano do Urso de Ouro em Berlim com o documentário "Fuocoammare", sobre os refugiados que chegam pelo mar à Europa a partir da África.  Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, procurou destacar de fomra poética um dos mais importantes movimentos culturais da América Latina e que revolucionou a criação artística emn especial dos filmes e da TV depois, nos últimos anos. Agora, em pleno Século 21, com a técnica digital e um avanço audiovisual fora do comum, quem sabe, movimentos como o Cinema Novo de Glauber Rocha e outros poetas da imagem possam renascer na história cultural de nosso povo.


Filho do cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha, segue os passos do pai e lança filme em Tiradentes (Foto: Pedro Cunha / G1)
Erick Rocha premiado agora em Cannes por seu documentário "Cinema Novo"
Glauber e Helena Inês com Erick e Paloma quando crianças


O documentário brasileiro premiado, de 90 minutos, é um ensaio classificado como poético sobre o movimento cinematográfico e inclui trechos de filmes do Cinema Novo e depoimentos de alguns dos seus principais cineastas. Este é o sétimo filme de Eryk Rocha ("Jard", 2013), que, aos 38 anos, tem produzido principalmente documentários: "Senti necessidade de retornar às raízes cinematográficas do meu país, de olhar um pouco para a história do seu cinema e sua história política, para me perguntar por que faço cinema", explicou Erick durante uma entrevista à  agência de notícias AFP em Cannes. "O Cinema Novo sempre foi uma referência essencial na minha formação e no meu desejo de fazer cinema, foram filmes muito importantes no país e também na minha vida pessoal". Ainda de acordo com o jovem cineasta agora premiado "era uma forma de produzir um diálogo com outra geração, e o filme nasce a partir deste diálogo cinematográfico". Exibido na seção Cannes Classics, o documentário mergulhou na aventura criativa daqueles diretores que criaram uma nova maneira de fazer cinema, para aproximá-lo do povo, na efervescência dos movimentos de contestação  e de crítica política daquela época. "O Cinema Novo tinha outra ideia de coletividade", explicou Erick: "Havia projetos coletivos, e isto era muito importante, porque unia as pessoas, apesar da diversidade estética do movimento, com olhares muito distintos dos autores, mas com pontos em comum muito importantes". Os cineastas deste movimento paralelo à Nouvelle Vague francesa preconizavam uma revolução cultural no Brasil, olhar sua realidade e se comprometer com a mesma. "O Cinema Novo foi sendo feito à medida que crescia com energia e paixão", lembrou o filho de Glauber Rocha, que acredita que, "hoje, há pouco espaço para a reflexão, para pensar o sentido real da vida e o sentido real de se fazer arte ou de realizar filmes". Trata-se, como diria o próprio Glauber Rocha em seu tempo, de "uma opção política também". Segundo o júri do Festival de Cannes, "'Cinema Novo' é um ensaio impressionista de um novo estilo, que nos lembra que o cinema pode ser, ao mesmo tempo, político e sensual, poético e factual, formal e narrativo, ao mesmo tempo ficcional e documental".  A definição oficial deste festival expressa com clareza a realidade discutida por Erick Rocha em seu filme que sem dúvida ou com certeza marca época.





Cena de um dos filmes de Glauber Rocha "Terra Em Transe" e do Cinema Novo



Glauber Rocha quando realizava seu filme "Deus e Diabo na Terra do Sol"



Fontes: AFP - G1 - IG   
             www.folhaverdenews.com

11 comentários:

  1. O nosso editor Padinha, a respeito de Glauber Rocha, que era chamado por alguns técnicos e atores ou atrizes como Bim, conta ainda que depois de se encontrar com Glauber, escreveu o roteiro do longa "Fim de Semana no 3º Mundo", que chegou a ser premiado em concurso nacional da Embrafilme, mas censurado, acabou por não vir a ser realizado.

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  2. LOGO MAIS,por aqui comentários e mensagens relativas ao documentário de Erick Rocha, ao movimento do Cinema Novo, ao Glauber e ao Festival de Cannes, onde Erick recebeu agora neste mês o prêmio "Olho de Ouro".

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  3. Confira depois outros comentários e coloque aqui vc tb a sua mensagem ou a envie para o e-mail da redação do nosso blog de ecologia e de cidadania: navepad@netsite.com.br

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  4. Você pode também enviar um e-mail diretamente para o repórter e editor Padinha através do seu e-mail padinhafranca@gmail.com

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  5. "Superimportante a premiação conquistada em Cannes por Erick Rocha, importante demais a memória sobre o Cinema Novo, as novas geração precisam saber melhor disso": comentário de Josué Campos, que é formado em História pela Unesp Franca.

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  6. "Prá mim o mais expressivo são as imagens na abertura desta postagem, parece que criticando a censura": comentário de Fabíola Moraes Silva, que chegou a entrar na ECA da USP mas hoje se dedica a um trabalho de executiva em São Paulo.

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  7. "Vou tentar ver com uns amigos de Cine Clube se tem como eu assistir um ou dois filmes de Glauber Rocha, o documentário do filho dele me interessa também, gosto de cinema e ainda mais de filmes de arte": comentário de Mônica Keila Leão, que nasceu em Natal (Rio Grande do Norte) mas vive em Niterói (RJ) onde vende produtos náuticos.

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  8. PARA APIMENTAR O DEBATE a gente posta aqui um comentário enviado pro e-mail do nosso editor por Arhtur Bandeira Neto, de cinema e TV, hoje dirigindo a TV Assim. Confira a seguir no próximo comentário.

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  9. "Pádua, muito legal o seu artigo, li inteiro, importante qdo fala dos seus filmes. Agora acho que essa polarização com a pornochanchada não cabe mais. O cinema novo sempre foi elitista e de difícil comunicação com o público. E não vamos esquecer que foi na boca, ou na pornochancada que saíram Ozualdo, Mojica,Reichembach. Sganzerla etc e convenhamos os cariocas criaram a Embrafilme pra eles. O Caca Diegues ignora completamente a vera cruz e o Alberto cavalcanti ( vou lá eu polarizando, a palavra da moda,rsrsrs) Gde abraço meu caro e siga na batalha cult como vc diz pra mim. Ah! Esqueci do Jairo Ferreira e o Cinema de Invenção": comentário de Arthur Bandeira Neto, que faz cinema e TV, em São Paulo, hoje também articulando uma televisão alternativa TV Assim.

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  10. "Eu parti do texto poético. A origem de "Deus e o Diabo..." é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história que é de verdade e de imaginação, ou então que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente": comentário do próprio Glauber Rocha sobre o seu filme de maior sucesso em Tempo Glauber.
    Glauber Rocha

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  11. "Numa palavra só de comentário sobre este post, emocionante": Inês de Souza Paulino, de Ribeirão Preto (SP), que fez teatro quando garota e hoje atua com webtv.

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