quarta-feira, 4 de maio de 2016

NOVA GERAÇÃO DA CIDADANIA: BAIXA A IDADE DOS QUE VÃO À LUTA E AUMENTA A VIOLÊNCIA DO ESTADO

Estudantes secundários (a maioria menores) passam a noite na Assembleia de São Paulo para protestar contra Máfia da Merenda e outros erros na educação no estado mais rico do país


Hoje, o jornal e o site do Estadão estampa a manchete: Gestão Alckmin investe 44 milhões a menos no ensino técnico. Então, esta é uma das razões do movimento dos estudantes adolescentes. Eles depois de invadir, ocuparam a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) ficando no plenário Juscelino Kubitschek até esta quarta-feira, passando ali a noite. Pretendem ocupar o local até que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seja aberta para investigar a máfia da merenda no Estado de São Paulo. Até o momento, 23 deputados assinaram o pedido de abertura da CPI, nove a menos do que o necessário.Outros veículos da mídia também estão destacando o movimento desta garotada consciente, a maioria estudantes da Fundação Paula Souza, as antigas Escolas Industriais que carecem de avanço de verbas e de estrutura educacional. Não são os únicos estudantes indo à luta pelos direitos da cidadania no Brasil agora, outros se movimentam no Rio de Janeiro, em Recife, na UFMG em Belo Horizonte, em várias cidades e regiões do país. Há matérias sendo muito acessadas na web e nas redes sociais, como a postagem dos sites Terra e Agência Brasil. Este movimento faz com que aumente a informação das pessoas em geral sobre este e outros problemas brasileiros, mas também, por outro lado, há o risco de violência policial contra os estudantes.

Estudantes que ocuparam a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) pedem que uma CPI investigue fraudes na merenda escolar do Estado
Jovens estudantes querem que uma CPI investigue fraudes na merenda escolar no Estado de São Paulo e que haja mais investimentos na educação pública
 
Os manifestantes adolescentes sabem muito bem o que estão reivindicando

No Rio de Janeiro, em BH, em Recife o movimentos da garotada também vai à luta

"A gente ocupou a Alesp com uma pauta muito clara, que é a abertura já duma CPI para investigar o roubo da merenda. Desde o início do ano a gente vem denunciando isso e, até agora, não se abriu a CPI por falta de quórum, por uma falta de cidadania dos deputados", disse em resumo o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Emerson Santos. Os estudantes que ocupam o plenário da Assembléia legislativa do Estado de São Paulo são na maior parte menores e participantes de entidades como a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE), da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), além da Upes, bem como de outros garotos e garotas que não são filiados a nenhum entidade mas sofrem os erros e os limites atuais na educação pública em São Paulo.A garotada se mostrou solidária e preocupada também com a condição de trabalho dos professores e professoras, desvalorizados na sua função, que é claramente fundamental para o avanço de toda a nova geração de brasileiros e de brasileiras.

 
O padre Júlio Lancellotti entrou no plenário com uma caixa cheia de pães e distribuiu aos alunos
O padre humanitário Júlio Lancellotti entrou no local com pães para a garotada se manifestando por um avanço na educação e por merenda nas escolas técnicas


A Pão e Água - O presidente da Alesp, deputado Fernando Capez (PSDB), reuniu-se com alunos durante a noite e ouviu as reivindicações dos estudantes. No entanto, Capez permitiu apenas que os alunos recebessem água e tivessem acesso ao banheiro. Alimentos não poderão ser levados aos estudantes, embora o padre Labcelotti, que ajuda sempre os moradores de rua em Sampa, tenha distribuido pão e água aos manifestantes. O presidente da Alesp disse que pretende fazer uma “saturação” sobre os alunos para que eles desocupem o plenário: "O nosso objetivo é fazer uma saturação para que eles saiam. Se começar a dar um tratamento, eles não vão sair daqui. O objetivo é retomar os trabalhos normais já nesta quarta”, completando ainda que "essa saturação não pode chegar ao ponto de deixar sem água e sem banheiro. Se você permite a entrada de mantimentos, você está estimulando a permanência dos invasores. O nosso objetivo é que haja a desocupação da Assembléia, inclusive vamos entrar com uma medida de reintegração de posse. Fazer tudo de acordo com a lei e com calma". É, mas Fernando Capez foi citado no esquema de propinas da merenda escolar e é um dos investigados pela Operação Alba Branca. A operação foi deflagrada no dia 19 de janeiro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. Eles investigam um esquema de fraude na compra de alimentos para merenda escolar de prefeituras e do governo paulista, máfia que tem uma das bases na região de Ribeirão Preto, no nordeste paulista.  Ainda em  fevereiro, Capez teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Em meados de abril, o lobista Marcel Ferreira Júlio, considerado um dos mentores do esquema de fraude em licitações para a compra da merenda escolar em São Paulo, disse, em delação premiada, que encontrou duas vezes com Capez em 2014. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, em um desses encontros, o lobista disse ter visto o atual presidente da Alesp ligar para a Secretaria da Educação para agilizar um contrato com a Cooperativa Agrícola e Familiar de Bebedouro (Coaf) e, logo depois, sinalizar que queria dinheiro para sua campanha. De acordo com o lobista, os encontros ocorreram no escritório de Capez. Em uma dessas reuniões, o presidente da Alesp teria esfregado o dedo indicador e o polegar, indicando que queria dinheiro. Fernando Capez não comentou nada a este respeito, que engergonha a história do Ministério Público de onde ele veio para ser parlamentar. Hoje, Capez está dizendo ser favorável à abertura da CPI e que está empenhado em conseguir assinaturas suficientes. "A CPI é uma oportunidade para que eu possa produzir provas, dar os meus esclarecimentos, já que estou vivendo uma situação completamente inusitada. Sou membro do Ministério Público há 28 anos, entrei por concurso, tenho 62 obras publicadas, faço palestras no Brasil, em outros países, tenho uma ligação com universidades do exterior. Fiz uma administração na Assembléia Legislativa paulista onde conseguimos devolver aos cofres públicos mais de R$ 20 milhões, fiscalizo todos os contratos e, de repente, tenho meu nome envolvido, sinceramente, com negócio de merenda. É humilhante e contrária à minha história". Pelo coro de alguns dos jovens estudantes manifestantes do movimento de cidadania, nada disso está valendo agora: "Capez, chegou a sua vez". 


A população espera que o movimento dos jovens estudantes seja recebido pelas autoridades sem violência

Estudantes continuam ocupando a Alesp e na prática estão jejuando e indo à luta pela educação, como é aliás uma tática da Não Violência: confira nos comentários aqui no blog

 
Fontes: Agência Brasil - Terra - Estadão - Folha de SP
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. Logo mais estaremos atualizando informaçõespor aqui em nossa seção de comentários, aguarde a nossa edição mas desde já você pode colocar aqui a sua mensagem.

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  2. Outra opção é enviar a sua mensagem para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania, através do e-mail navepad@netsite.com.br

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  3. Você pode fazer isso também contatando o nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  4. 'Sou mãe de aluno que está aí no meio e há mais de uma semana venho acompanhando a movimentação, inda bem que existe a imprensa, senão seria pior, a gente teme muito que haja violência": a mensagem nos chegou de São Paulo e foi enviada por Mariana de Souza, fisioterapeuta.

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  5. "Impressionante o contraste entre a péssima gestão do Governador Alckmin com a sua popularidade e performance nas eleições, para falar com a garotada, tô doido": o comentário é de Homero Santos de Araújo, de Santos (SP), advogado.

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  6. "É triste ver quase meninos ainda fazendo crimes nas ruas, mas por outro lado é feliz para o país estes garotos e garotas que ao invés de estarem brincando, estão indo à luta pelos direitos da cidadania, em especial os da educação": quem comenta é Poliana Morais, de Araraquara (SP), ela estudou na Unesp mas atua como empresária de turismo.

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  7. "O presidente da Alesp informa que continua a negociar para a instalação da CPI exigida pelos estudantes, que continuam ocupando a Assembléia. A garotada não pode receber nem sair para comprar alimentos, só têm água para beber e banheiros para necessidades, desta forma, Fernando Capez tenta vencer a resistência dos jovens até sair uma reintegração de posse e eles serem retirados do plenário": a informação é de Juca Mendes, que é free lancer de reportagem e nos comunica como está a situação na Assembléia Legislativa de São Paulo, onde continuam a ocupação e o movimento dos estudantes.

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  8. ESTUDANTES CONTINUAM OCUPANDO ALESP EM JEJUM; Com o isolamento do prédio da Assembléia Legislativa, todos os estudantes que saírem não entrarão mais. A estratégia é chamada por Fernando Capez de saturação. Além disso, está proibida a entrada de comida no prédio. Os estudantes podem apenas beber água e usar os banheiros. Na prática, eles estão protestando e jejuando, o que é aliás uma tática da não-violência, para que seja decretada a CPI da Merenda e melhorem as condições da educação pública e técnica no estado de São Paulo. (Fonte da informação: site Terra).

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