quarta-feira, 29 de junho de 2016

BRASIL TAMBÉM NO PREJUÍZO COM BREXIT QUE PODE FAVORECER SÓ AOS ESTADOS UNIDOS

Diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami analisa saída do Reino Unido da Unidade Européia: este fato já provoca protestos em Londres onde milhares de pessoas criticaram o Brexit


Cerca de 50 mil pessoas participaram nesta terça-feira de um protesto na Trafalgar Square de Londres contra a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia (UE), apoiada por 51,9% dos britânicos em referendo votado na quinta-feira passada, mas derrotada na Irlanda e na Escócia. O evento de cidadania contou com diversas bandeiras europeias e britânicas, manifestantes cantaram palavras de ordem contra o Governo da Inglaterra como "Não há um plano", "Mentiram para nós", "Destruíram nosso futuro" e também criticaram o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um dos líderes da campanha a favor do Brexit, que hoje analisamos aqui no blog Folha Verde News a partir de informações dos sites Terra, Envolverde, IPS e em especial, resumindo comentários de Joaquin Roy, que é um especialista em temas europeus na Universidade de Miami. Confira a seguir este resumo. O Brexit tem muito a ver também com a gente por aqui, é um problema a mais para nós.  
Convocados pelo Facebook manifestantes se reuniram na Trafalgar Square
A maioria no protesto em Londres era de jovens


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A multidão fez ver que acima de ingleses, eles são europeus


Joaquín Roy. Foto: IPS
Joaquin Roy analisa efeitos do Brexit na América do Norte e na América Latina



Os reflexos do Brexit na América Latina e no Brasil logo poderão ser sentidos na realidade

"Desaparecido o otimismo de muitos que confiavam em uma rejeição do Brexit, a saída da União Europeia após o impacto da decisão do eleitorado britânico, é forte e somente nos resta meditar brevemente sobre as causas e o cenário de fundo da lamentável operação, bem como as consequências para as relações com os Estados Unidos. Primeiramente, deve-se ressaltar (e isso também é uma crítica global ao sistema atual da Grã-Bretanha) o alto grau de irresponsabilidade que impeliu o primeiro-ministro David Cameron a embarcar nesse rumo, o que levou ao maior desastre de seu país em meio século, sendo algo que vai infligir grande  dano não somente à União Europeia (UE), mas a todo o entorno atlântico. Cameron apostou em uma arriscada operação, a fim de conseguir controle total para seu partido nos próximos anos. Depois seguiu por uma agenda surrealista de campanha de voto contrário ao referendo, que ele precisamente havia desenhado. Ouvia-se nas janelas e no tratamento especial que havia recebido da União Europeia uma vez que conseguisse a resolução positiva. Já fora advertido desde Bruxelas que não poderia haver outra ampliação dos benefícios especiais, além das condições que deveriam aceitar todos os demais colegas. Recordava-se que o Reino Unido já era um sócio privilegiado. Era eximido da adoção do euro, com um acordo especialíssimo que nem mesmo contemplava um calendário de adesão em um futuro hipotético. Londres também conseguia ter seladas as fronteiras, sem aceitar o inovador sistema de Schengen. Tudo se fazia para agradar um governo e um país que tinham que demonstrar que eram diferentes.E chegou a hora fatal. O efeito na Europa já está sendo demolidor. Somente se salva um sentimento dissimulado pudicamente: o único benefício pode ser ter se livrado de um sócio persistentemente incômodo, um convidado que frequentemente se fazia notar de modo negativo. Era um mau exemplo, um freio à plena integração europeia, uma tentação para a imitação de outros reticentes. Esse processo começou a ser visto recentemente com certa preocupação em Washington. Convém notar que foi o próprio presidente Barack Obama que expressou seu desejo de uma boa resolução, excedendo-se nas maneiras diplomáticas. Cameron e os eleitores que apoiaram o Brexit prestaram um mau serviço. A imagem que a Grã-Bretanha terá nos Estados Unidos se deteriorará até extremos antes inesperados. De pouco servirá a chamada “relação especial” para apoiar uma das alianças mais sólidas da história recente. A primeira vítima do desastre poderá ser o processo de aprovação (já duvidoso no curto prazo) do acordo de livre comércio e investimentos entre os Estados Unidos e a União Europeia (conhecido como TTIP) que deveria ser uma réplica do que está inicialmente pactuado entre Washington e os países do Pacífico. A onda de populismo e oposição ao livre comércio (já presente nas declarações dos candidatos à presidência nos Estados Unidos) contribuirá para deixar pior ainda o que se considera como excessiva globalização, optando pelo nacionalismo controlador das iniciativas econômicas e, sobretudo, políticas. O sucessor de Obama terá problemas para prosseguir a aliança com Londres em temas estratégicos, já que o Reino Unido será visto como um agente livre da já difícil cooperação europeia em matéria militar. Somente ficará a ligação por intermédio da Otan, com alguns sócios europeus que se sentirão cautelosos em atuar com um colega que verão livre de acordos dentro da UE. No campo puramente comercial, de Washington não se perceberá como positiva a nova situação na “City” de Londres, desprovida de seu invejável status de eixo financeiro ancorado na UE. Os cantos da sereia de outras capitais europeias, solidamente conectadas com a nova rede comunitária, sobretudo se os líderes da Europa adotarem uma política de reforço da zona do euro. Já em termos de América Latina, a saída do Reino Unido será lida como a confirmação do abandono da prioridade dos esquemas cimentados na supranacionalidade e na integração profunda. A mensagem do Brexit será a confirmação da opção da soberania nacional. Todos os anos que a UE investiu em compartilhar a bondade do modelo de integração europeu, baseado na força de seus tratados e na eficácia de suas instituições, serão considerados    como uma perda lamentável de tempo e de energia. O “modelo de integração” inspirado na agenda norte-americana tendente a acordos individuais ou acordos limitados ao comércio, superará a já debilitada doutrina europeia. O Caribe, sub-região com grande influência britânica, sofrerá por falta de vínculo seguro e se inclinará mais para Washington, algo que poderá ocorrer também com o Brasil. Em resumo, a América, o continente mais próximo do ponto de vista histórico e cultural, além de político-econômico, ficará mais distante do que antes da Europa". 

Brexit distanciará o Brasil da Europa e aproximá-lo mais dos States, diz Joaquin Roy


Fontes: Envolverde/IPS/Terra
            www.folhaverdenews.com

5 comentários:

  1. Ainda hoje estaremos aqui nesta seção de comentários postando mais informações sobre o processo do Brexit e as suas consequências também para o Brasil, a América Latina, a América do Norte.

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  2. Este fato histórico vai mexer com todo o planeta, através da relação econômica entre os países. Na opinião que postamos aqui no blog, do catedrático da Universidade de Miami, especializado em Europa, todo o continente americano sofrerá efeitos.

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  3. Na prática, o único vencedor deste processo histórico do Brexit, cheio de erros e de dúvidas, são os Estados Unidos. O Brasil terá que se aproximar mais dos norteamericanos na falta de parcerias com os ingleses e oa europeus? Esta parece ser a tendência agora.

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  4. "Pelo visto, o Brexit foi um golpe dos Estados Unidos, que enfraqueceu a Europa e se fortaleceu": comentário de Juliano Morgan, de São Paulo, que é empresário de Comunicação.

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  5. "Agora parece que cada um ficará no seu canto, nessas horas é que valeria ter uma maior autosuficiência brasileira": comentário de Isais Mendes Pereira, de Campinas (SP), exportador e importador, que mantém relação comercial com a UE.

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