quinta-feira, 23 de junho de 2016

NA CHINA, NOS ESTADOS UNIDOS E NA DINAMARCA NOVAS ORIENTAÇÕES PARA QUE A POPULAÇÃO COMA MENOS CARNE

Nível atual de consumo de carne tem impacto sobre a saúde humana, do meio ambiente e também complica a situação climática do planeta




O consumo de carne começa a ser limitado em toda sociedade de consumo


Destaque dos sites Planeta Sustentável e da revista Exame, matéria de Vanessa Barbosa, com imagem da China Photos (Stringer) nos informa que o governo chinês lançou agora um novo conjunto de orientações alimentares que, se seguidas, têm o potencial de reduzir consideravelmente o consumo global de carne naquele país, o que, segundo os  ambientalistas e médicos de lá também, deverá gerar efeitos socioambientais positivos. Em resumo, o Ministério da Saúde chinês está aconselhando que os cidadãos limitem a ingestão mínima de carne a 40 gramas por dia, 10 gramas a menos que sugerido na edição anterior do plano alimentar, feita há 9 anos, em 2007. Os limites máximos não mudaram. Os dois planos estão recomendando consumo máximo de proteína animal de 75 gramas por dia. As orientações sugerem também limitar a ingestão de carne, aves, peixe, ovos e produtos lácteos a 200 gramas por dia. Atualmente, o consumo chinês desses produtos está na casa de 300 gramas por dia, bem acima do recomendável para a saúde humana. Reduzir o consumo de proteína animal em 10 gramas como determina a  Sociedade de Nutrição da China pode não parecer muito, especialmente porque os limites máximos recomendados não mudaram em quase uma década, mesmo assim se todos os chineses (1,3 bilhão de pessoas!) seguirem as orientações, vai ser possível alcançar uma redução de 1,5% das emissões globais de gases efeito estufa, vilões do aquecimento global, segundo estimativas da WildAid, instituição que protege animais silvestres em todo o planeta. Por sua vez, o jornal dos Estados Unidos, Washington Post ressalta que a agropecuária vem sendo um dos principais fatores para as emissões globais de gases de efeito estufa, principalmente na forma de metano e óxido nitroso. O jornal americano também destaca que a criação de gado, em particular, é conhecido por ser um dos principais contribuintes para o desmatamento, o que também eleva as emissões globais de carbono. Este tipo de enfoque tem sido enfocado em várias pesquisas e alertas sobre este problema feitas pelo movimento ecológico e científico também por aqui no Brasil, como aliás tem divulgado aqui em outras postagens o nosso blog de cidadania Folha Verde News.  Recentemente, dois estudos, um do thinkthank britânico Chatham House e outro divulgado na PNAS, que é a publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, sugeriram que o nível atual de consumo de carne não é sustentável devido ao seu enorme impacto sobre a saúde da população e sobre a ecologia do meio ambiente. Um equilíbrio entre interesses econômicos, ecológicos e  também da saúde dos consumidores é que sugeriu há um mês o Conselho de Ética da Dinamarca, recomendando então ao seu governo até mesmo a criação dum imposto sobre o consumo da carne, no sentido de conseguir diminui-lo, tendo em vista a sua grande pegada na emissão de carbono. Segundo o relatório, sem diminuir o consumo de carne, será impossível atingir a meta do acordo climático da ONU feito em dezembro de 2015 em Paris por cerca de 190 países, inclusive o nosso, buscando limitar em 2ºC o aumento da temperatura global até 2100, para se evitar os piores efeitos das mudanças climáticas. Todo este conteúdo entra enfim em harmonia com a decisão da Sociedade de Nutrição da China e com um bom senso mínimo, no objetivo de se buscar um já urgente reequilíbrio do meio ambiente e do clima, pelo menos ao longo das próximas décadas. A diminuição do consumo de carne faz parte deste contexto de mudanças urgentes, a bem da própria vida e do futuro de todos nós, seja na China, seja aqui ou em qualquer país do mundo.  Elas precisam começar desde agora. 

Conselho de Ética da Dinamarca chega a radicalizar esta questão

No último Congresso Internacional da Carne houve este debate

Hoje novos padrões de nutrição

Há um aumento também de campanhas pela alimentação vegetariana

Fontes: Planeta Sustentável/Exame/ONU/Washington Post/PNAS
              www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Estas informações são uma dura realidade para os amantes dum churrasco, cerca de 70% da população brasileira. Mas elas precisam ser divulgadas e levadas em conta pelo que o alto consumo de carne provoca na saúde humana, no ambiente e no clima.

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  2. "Adeus churrasco? Nem tanto! Mas quanto menos carne, melhor!", é o título de um artigo escrito por Eduardo Francisco de Lima que nos envia Júlio dos Santos Borges, nutricionista de São Paulo, que diz "estou tentando mudar minhas receitas e os meus hábitos".

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  3. Estudo britânico propõe caminhos para diminuir o consumo de carne o que, à primeira vista, nos leva a crer que se trata de um estudo para uma dieta mais rica em legumes, frutas e vegetais em prol de alimentação mais saudável. Não se trata apenas disso. O estudo vai muito além da saúde humana. Ele propõe, literalmente, “cortar na carne” para conter o aquecimento global e as mudanças climáticas. O nome completo do estudo é “Changing Climate, Changing Diets – Pathways to Lower Meat Consumption”, “Mudando o Clima, Mudando a Dieta – Os Caminhos para Diminuir o Consumo de Carne”, em livre tradução, e tem a finalidade de promover uma mudança global nos padrões de dieta e a busca pela redução das emissões de gases de efeito estufa.


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  4. "É preciso também relacionar a ingestão exagerada de carne a um aumento do risco de câncer colorretal, como anunciou a OMS no final dos mês passado. E um outro aspecto a deixar evidente, o mais importante para o meio ambiente, é que "a adoção de uma dieta sustentável – com níveis moderados de consumo de carne vermelha - poderia contribuir com um quarto da meta global de cortes na emissão de gases causadores do efeito estufa até 2050": comentário que nos foi enviado por Ana Helena Prado, de Campinas, que vem realizando pesquisa sobre este tema na Biblioteca da Unicamp.

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  5. Logo mais, mais informações aqui nesta seção de comentários, insira aqui a sua mensagem ou envie um e-mail para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com.br Você pode também mandar um e-mail direto pro nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  6. "Prá mim vai ser bem difícil deixar de comer carne, o que faço desde criança, mas compreendo o teor destas recomendações da ciência e da medicina, estou tentando, isso pode também ajudar a reduzir despesas em meio a essa crise, mas no fim de semana um churrasco com os amigos é de lei": o comentário é de Getúlio Nascimento, de Ribeirão Pires (SP), que atua na área de Saúde Pública.

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  7. "Faz um tempo que sou macrobiótica, comecei por acaso num restaurante perto de casa mas hoje sinto a diferença prá minha saúde e cada vez mais amo a alimentação vegetariana": comenta Alba Ribeiro, redatora de publicidade em São Paulo (SP).

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  8. "Além da pecuária gerar muitos gases efeito estufa, vilões do aquecimento global, eu concordo com a entidade WildAid, não precisamos de carne, os vegetais nos alimentam bem, devemos poupar os animais de toda violência": o comentário é de Pedro Sílvio Guimarães, de Araguari (MG), que mantém viveiro de mudas e se tornou vegetariano "por amor aos animais", conforme explica.

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  9. "Até luto pela ecologia, mas não consigo me abster de carne, fui criado assim e creio que o alimento é uma opção bem individual, sou carnívoro mas amo muito a natureza": comentário de Rogério Santos, de São Paulo, consultor de TI.

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