quarta-feira, 8 de junho de 2016

NÃO HÁ MAIS NECESSIDADE DE DESMATAR MAIS NADA E SIM DE RECUPERAR MILHÕES DE TERRAS DEGRADADAS NO BRASIL

Com inteligência, tecnologia e através da agrobiologia somente nos próximos 4 anos poderão ser recuperados 20 milhões de hectares de terras degradadas no Brasil


Pesquisas provam que é possível recuperar a fertilidade em terras degradadas

Hoje, segundo o especialista em agrobiologia Eduardo Campello, pesquisador da Embrapa, há pelo menos 140 milhões de hectares em terras degradadas, que podem ser recuperadas e evitarem que nem mais uma árvore de floresta nenhuma seja derrubada. Campello passou todos os dados e informações sobre esta questão em entrevista ao site IHU On-Line: "O Brasil tem a possibilidade de recuperar e reincorporar boa parte dessas áreas degradadas aos sistemas produtivos evitando assim mais desmatamentos". De acordo com ele, já vem sendo feitas em algumas regiões do país tentativas para reverter esse quadro e recuperar alguns do 140 milhões de hectares de áreas degradadas, por  exemplo,  no Centro-Oeste, onde se adotam "sistemas integrados de produção, como a integração lavoura/pecuária/floresta, que também permite reincorporar muitas áreas de pastagem e outras áreas onde houve uma perda da fertilidade do solo, uma perda da resiliência em termos de produção e sustentabilidade". O conceito da resiliência é algo que realmente pode ser efetivado na prática, algo que já vem sendo comprovado. A recuperação das áreas degradadas, conforme esclarece depende também de uma reavaliação das práticas agrícolas: "Não dá mais para fazer uma agricultura itinerante como aconteceu nos anos 1970, quando boa parte dos agricultores do Sul do país migraram para o Centro-Oeste. Também não dá para fazer uma transposição para a Amazônia. Precisamos adequar as propriedades à luz das novas lei e e das atuais necessidades da economia e da ecologia, criando mecanismos que incentivem as pessoas a plantarem, recuperarem, e manterem a qualidade das terras. Eduardo Campello sabe o que diz, ele é graduado em  Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e doutor em Ciência Florestal em Minas Gerais pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente Campello é chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a respeitada Embrapa. Ele reafirma que existe hoje no Brasil tecnologia para recuperas cada vez mais áreas degradadas, o que significa que não há mais necessidade de se abrir novas fronteiras agrícolas, derrubar mais matas, desmatar mais do que já foi desmatado: "Não é preciso continuar desmatando para ampliar a área agrícola e aumentar a economia rural".  A expectativa da ONU e também da OMS, a Organização Mundial de Saúde, é de que em 2050 terão nove bilhões de pessoas no mundo. Quer dizer, haverá a necessidade de aumentar a produção de alimentos no planeta. Poucas áreas do mundo contêm uma extensão territorial e tanta terra agricultável como temos no Brasil. Por outro lado, 140 milhões de hectares de terras degradadas como temos no país representa um dado preocupante, porque é uma área muito extensa em termos territoriais. Mas hoje existe mesmo a possibilidade de recuperar e reincorporar parte dessas áreas degradadas aos sistemas produtivos. Em termos gerais, ainda precisamos de um diagnóstico mais preciso do nível de degradação e essa talvez seja a grande dificuldade quando se fala em recuperar a área degradada: não existe uma receita única; uma lógica que possa ser aplicada de um modo geral e da mesma forma. Existem várias condições relacionadas ao clima e ao solo, por exemplo. O Brasil tem uma grande diversidade de biomas e de ecossistemas dentro de cada bioma. Isso precisa ser analisado de maneira técnica para se  buscar uma solução para cada situação em cada lugar, em cada caso de degradação. Exemplificando, têm regiões, como no Sudeste, onde muitas pastagens foram feitas em áreas de relevo mais acidentado, em encostas. Boa parte dessas pastagens está degradada e para recuperá-las, poderiam ser adotados sistemas silvipastoris, em que se faz o consórcio entre a forrageira e espécies arbóreas para aumentar a produtividade, protegendo mais o solo que vai então se recuperando. No Centro-Oeste brasileiro, onde está hoje a maior produção agropecuária do país, a possibilidade da adoção dos sistemas integrados de produção, como a integração lavoura/pecuária/floresta, também permite reincorporar muitas áreas de pastagem e outras áreas em que houve uma perda da fertilidade do solo, uma perda da resiliência em termos de produção e sustentabilidade. Isso exemplifica que com a atual cultura e tecnologia, com técnica e inteligência, através da agrobiologia poderão ser recuperados milhões de hectares de terras degradadas, ajudando o trabalho da natureza de regeneração e preservando nossas últimas matas e últimos recursos naturais, que são a garantia de futuro e de vida para a Nação brasileira. Fundamental é preservar ou recuperar as terras brasileiras e não poluir as águas nem destruir as nascentes, porque sem água é impossível qualquer agricultura. 


Muitas terras degradadas podem ser recupuradas para a produção agrícola

Dr. Eduardo Campello, da Embrapa...

...na prática da recuperação de terras...

...poluídas ou degradadas por exemplo através de queimadas

Preservar e despoluir águas é algo essencial para a recuperação de terras degradadas
A Agrobiologia mostra que é viávelnão desmatar mais nada no país


Fontes: www.ihu.unisinos.br
             www.folhaverdenews.com

12 comentários:

  1. "Particularmente, gosto de trabalhar com o termo perda da resiliência, ou seja, a capacidade do ambiente de responder aos estresses ambientais aos quais ele é submetido. Essa resiliência, capacidade do meio ambiente de reagir, chega a um nível tão baixo que é preciso fazer uma intervenção técnica para voltar a recuperar os mecanismos ecológicos que ali não mais funcionam. No ambiente de produção, uma área é considerada degradada quando há perda da qualidade desse ambiente, ou seja, diminui a fertilidade do solo, e aparecem outros componentes da degradação, como a erosão, a perda da biodiversidade em torno dessas áreas, o decréscimo de produção": é mais um comentário do Dr. Eduardo Campello, a maior autoridade brasileira em recuperação de terras degradadas, a nossa pauta de hoje aqui no blog.

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  2. Aqui, outro comentário do doutor da agricultura, o especialista em agrobiologia da Embrapa, Eduardo Campello: "A natureza oferece opções como a simbiose entre microrganismos e plantas, onde a bactéria do solo – a bactéria do bem – fornece nitrogênios para a planta em troca de carboidratos da fotossíntese. Isso é possível de ser feito. A soja brasileira, por exemplo, não utiliza um grama de nitrogênio, e isso gera uma economia para o país de aproximadamente dez bilhões de reais por ano, o que equivale, no caso da soja, a cinco vezes o orçamento da Embrapa. Isso demonstra como o investimento em pesquisa de desenvolvimento e inovação pode dar retorno para a economia do país também".


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  3. "O Brasil ainda utiliza muito agrotóxico, com uso intensivo contribui para a degradação das terras agrícolas. Esse é um dado obviamente preocupante. Queremos reduzir o uso de insumos químicos e por isso estamos investindo mais nos insumos biológicos. A maior preocupação é que os agrotóxicos entram na cadeia alimentar e acabam acarretando efeitos na saúde humana. Não desejaríamos que o Brasil fosse o campeão de uso de agrotóxicos, mas temos de considerar que esse é relativo. O Brasil possui uma grande extensão territorial e, por ser um dos maiores produtores de alimento do mundo em termos quantitativos, ele, em termos absolutos, o que mais usa insumos químicos. Porém, em termos relativos, o país está na quinta ou sexta colocação. Têm países que relativamente, por hectares, gastam mais dinheiro em insumos químicos, como o Japão, que é o campeão na utilização de insumos químicos e produtos para controlar pragas e doenças. Na medida em que se desenvolvem modelos integrados de produção e se aumenta a diversidade, surge um ambiente mais equilibrado, com a presença de inimigos naturais dessas pragas. O problema é que, quando se transformam grandes áreas em monocultura, a tendência é que os inimigos naturais desaparecem, e as pragas dominem as terras, porque falta a diversidade de culturas para manter o ambiente em equilíbrio", comentou ainda Eduardo Campello em sua entrevista para o site IHU On-Line, conteúdo que resumimos aqui em alguns dos principais pontos para você.

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  6. "Uma pauta técnica mas feita com todo calor e boa comunicabilidade, importante até mesmo o internauta urbano ter noção destes fatos, para o homem do meio rural são informações essenciais": comentário de Afrânio Mendes, de São José dos Campos, engenheiro florestal.

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  7. "O Brasil já sabe o que deve fazer na área rural e já tem o caminho ao mesmo tempo econômico e ecológico, é só seguir em frente, espero que os radicais do agronegócio ou o governo não atrapalhem os técnicos, os cientistas e os agricultores, este setor pode crescer de forma sustentável assim": comentário de Pedro Paulo dos Santos, formado em TI pela Unesp, profissional nesta área em São Paulo.

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  8. "Pelas informações e know how da Embrapa, com certeza é mais econômico e mais ecológico ao invés de desmatar mais, recuperar a resiliência do solo, o poder natural de regeneração das terras degradadas e aí isso será bom também pros produtores rurais e pros consumidores, além de evitar problemas ambientais": o comentário é de Alberto Pereira Alves, do Rio de Janeiro (RJ) que comenta ter acompanhado uma palestra do Eduardo Campello na UFRJ.

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  9. "Este tipo de recuperação de quase 150 milhões de hectares de terras degradadas no Brasil por um sistema antiecológico de agricultura, garimpo, queimadas, desmatamento, agrotóxicos, é importante também para a população urbana, mas no meio rural podemos garantir também a qualidade das águas": comentário de Roberto Nunes, de Taubaté (SP), topógrafo.

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  10. "O que eu vejo como mais importante é que nesse processo de recuperação de terras degradadas que a Embrapa defende, não é um processo químico e sim natural, usando o poder de regeneração do solo, porque agrotóxicos, pesticidas, plantações transgênicas, este é o caminho da degradação": comentário de Tânia Cintra, de Santos (SP), que informa ser a sua família de origem rural e dedicada ao plantio de Café no nordeste paulista.

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  11. "Não tenho formação técnica mas deu bem prá entender como funciona este sistema ecológico de recuperar a resiliência, o poder regenerativo da própria terra, que vem a ser também, como fica bem claro, algo mais econômico pros agricultores, pros consumidores, pro Brasil": Helena Pessoa, de Jaboticabal (SP), designer e ligada na defesa dos animais.

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  12. "Espero que governo e agricultores apoiem esta proposta genial da Embrapa, o Brasil vai além do mais ganhar mercado para os nossos produtos agrícolas, o que é fundamental para o país hoje superar a crise da economia": Márcio Barbosa, de Campinas (SP), Oficial de Justiça.

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