segunda-feira, 25 de julho de 2016

EM PLENA TEMPORADA DE QUEIMADAS URBANAS NESSA SECA POR AQUI É MAIS GRAVE A LIBERAÇÃO DA QUEIMA NOTURNA NOS CANAVIAIS DAQUI, DE TODO INTERIOR


Apesar da baixa umidade relativa do ar está liberada a queimada de cana noturna também por aqui na região: aumentam os problemas de saúde da população e desequilíbrio ambiental aqui e em quase todo o interior de São Paulo

 
Este é um momento difícil para a saúde do ambiente e das pessoas

 

Não dá para entender nem aceitar pelo que se tem constatado por aqui, entre o nordeste paulista e o sudoeste mineiro, em torno da região de Ribeirão Preto e em vários pontos do interior, a decisão da Cetesb, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, liberando a queima noturna da palha da cana-de-açúcar em todos os municípios paulistas. A atividade estava proibida, parece que a liberação ocorreu mesmo com a umidade relativa do ar variar entre os 20% e 30% em todo o estado. A tendência é que nessa época agora sem chuvas esta situação fique mais dramática ainda nas próximas semanas. Aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, a gente tem lutado contra todos os tipos de queimadas, incêndios florestais, queimas de lixo urbano e mesmo diante dos mais evidentes danos à saúde humana e ao ambiente, assim mesmo, os responsáveis pela fiscalização do meio ambiente do Governo de São Paulo, tomam a contramão da luta dos pesquisadores e dos cientistas, dos ambientalistas, dos médicos sanitaristas, dos que são especializados em doenças respiratórias e do próprio bom senso. Parece ser um desgoverno ambiental. Aqui a gente se lembra duma matéria de Murilo Alves Pereira, da Agência Fapesp, que se refere aos malefícios das queimadas de cana. Da saúde humana ao meio ambiente, a queima da cana-de-açúcar realizada durante a colheita gera uma série de problemas. Duas pesquisas feitas no Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara,  relacionaram a queima a problemas respiratórios, quantificaram as emissões de compostos de nitrogênio na atmosfera, a poluição causada pela queimada urbana ou noturna nos canaviais. O químico Willian Cesar Paterlini, da Unesp, defendeu em sua tese de doutorado a influência das partículas emitidas pela queima da cana-de-açúcar no aumento dos casos de asma e hipertensão nas cidades canavieiras  do estado de São Paulo. Segundo ele, ao mensurar as emissões das queimadas e sobrepô-las aos números de internações por problemas respiratórios, fornecidos pelo Ministério da Saúde, foi possível estimar uma relação de causa e efeito, principalmente no caso da hipertensão. "Em nossas medições, quando houve picos nas emissões de partículas, três dias depois aumentavam também os números de internações por doenças respiratórias", disse o pesquisador da Unesp. Será que os técnicos da Cetesb não têm esta informação? Ou se omitem diante da força e da importância da economia da cana para São Paulo? Parece uma hipótese absurda mas ela vem da realidade ambiental nas cidades em torno dos canaviais, o mar verde paulista. Em relação às queimadas noturnas, que a gente vê e sente no ar, por aqui em todo o nordeste paulista (algo que faz o ar da manhã pesado, com poeira ou fuligem suspensa no ar) as medições realizadas pelo pesquisador Paterlini mostram um aumento da concentração na atmosfera de monóxido de nitrogênio (NO), dióxido de nitrogênio (NO2) e amônia (NH3), algo que se grava no inverno, estação seca e no período noturno, quando ocorrem as queimadas nos canaviais, como por exemplo, em volta da Rodovia Anhanguera, nas proximidades de Ribeirão Preto. Mais um detalhe, em relação à amônia, o acúmulo destas substâncias no solo pode além do mais interferir na fotossíntese das plantas e prejudicar a biodiversidade que ainda resta em nossa última natureza do interior paulista. Enfim, urge critérios mais ecológicos da Cetesb, para que a economia da cana seja realmente um polo de desenvolvimento sustentável, vital para o status econômico brasileiro e não somente um foco de poluição e de doenças para a população: está faltando um equilíbrio em todas as regiões do mapa canavieiro paulista, numa palavra, a sustentabilidade. Esta falta se dá em outros setores da economia paulista e brasileira, mas no caso das regiões canavieiras, a situação é dramática nesta época seca, sem chuvas, com baixa umidade relativa do ar, um clima de deserto, agora muito mais agravado pela poluição do ar. (Antônio de Pádua Silva Padinha)

 

Complicado demais também para os que trabalham nos canaviais

Por aqui e em todas as regiões canavieiras muitas queimadas 

Problema ambiental, de saúde e de segurança nas rodovias também

Queimadas urbanas mais a queima noturna nos canaviais: situação dramática

Fontes: Agência Fapesp

              www.inovacaotecnologica.com.br

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              www.folhaverdenews.com

10 comentários:

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  4. "Ouvi mesmo em rádio de Ribeirão ao passar pela Anhanguera que as queimadas noturnas da cana estão liberadas pela Cetesb: como pode numa época seca destas? Passando por aqui, senti o problema no ar e na visibilidade": o comentário é de Jurandir dos Santos, que viaja por todo norte e nordeste paulista como representante comercial.

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  5. "Domingo à noite e na madrugada desta segunda a coisa ficou feia pelo menos por aqui na zona sul de Franca, uma camada cinzenta cobria o céu e as casas ficaram cheias de fuligem, o ar ardido, as pessoas com dificuldade de respirar: me parece que foi o efeito de queimadas noturnas naqueles grandes canaviais entre Ribeirão e Batatais": é o comentário de Júlio Souza Mendes, de Franca (SP), lojista de produtos de Informática.

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  6. Resumimos aqui comentário de Eleutério Langowski que é Engenheiro Florestal: "No país se fala muito em canaviais, cana-de-açúcar, álcool, etanol, mas também, efeito estufa, aquecimento global, poluição, trabalhadores, capital, usinas, usineiros, combustível, energia, Cetesb. Na ordem do dia estão plantações de cana, os canaviais, a matéria prima para a fabricação do etanol, a fonte de energia importante para o país e para o mundo. E em conseqüência, vem à tona uma das práticas mais difundidas, queima do canavial por ocasião do corte. Os canaviais causam nessa época seca impactos sócioambientais de elevada gravidade, porém pouco considerados pela mídia e pelas autoridades, que enxergam tudo mais sob o ponto de vista econômico do que ecológico".

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  7. "Está muito longe de ser uma atividade sustentável a economia da cana, são grandes demais os impactos socioambientais, poluição do ao, contaminação dos solos e das águas com herbicidas, adubos, além de ser um monopólio, o interior está deixando de produzir alimentos para fazer matéria-prima pro etanol. Tem ainda a vinhaça e na fase do corte e da colheita, as queimadas citadas hoje aqui nesse blog. A fuligem e o0s gases tóxicos são um problema ambiental e de saúde pública": comentário de Maria Helena Paes, de São José do Rio Preto (SP), que fez Biologia na USP e atua na rede pública de ensino.

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  8. "Os canaviais se encontram em franca expansão na região noroeste do Paraná.Inúmeras propriedades onde o uso predominante era pastagens ou mesmo tipos variados de agricultura estão se dedicando só ao plantio de cana. Depois de São Paulo, o Paraná é o estado que possui maior área ocupada com cana. São Paulo possui aproximadamente 2,5
    milhões de hectares plantados com cana.
    O Paraná atinge patamar de 500 mil hectares.
    Somente na região de Cianorte, num raio de 50 km, são cerca de 40 mil hectares que são queimados, o que polui demais na época da seca": trecho de dissertação do mestrado de Fabrício José Piacente na Unicamp.

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  9. "Apenas nos primeiros 20 dias deste mês foram registradas 100 queimadas em Franca, uma média de 5 casos por dia. Em comparação com 2015, entre janeiro e julho, o número de queimadas urbanas mais que dobrou, crescimento de 149%": manchete do jornal Comércio da Franca hoje, 26 de julho, 3ª feira.

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  10. Este crescimento de 149%, dados do Corpo de Bombeiros e do jornal de Franca (SP), se refere só às queimadas urbanas, elas e mais a queima dos canaviais no nordeste paulista somam o dobro também em problemas ambientais e de saúde pública, na comparação entre 2015 e 2016. Este fato exemplifica o que acontece em toda a região e interior do estado de São Paulo.

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