segunda-feira, 18 de julho de 2016

NÃO É SÓ NA REGIÃO DE FRANCA: A EROSÃO JÁ COMPROMETE 30% DOS SOLOS EM TODO O PLANETA SEGUNDO ESTUDO FEITO AGORA

Livro com apoio da FAO resume trabalho de pesquisadores em 60 países revelando que 30% dos solos do mundo estão degradados por erosão ou perda de matéria orgânica e de nutrientes, compactação e outros problemas que também se verificam por aqui na região e comprometem recursos hídricos e agrícolas além de aumentar a emissão de gases do efeito estufa, que vêm agravando a crise do clima e do ambiente da atualidade aqui e em toda a Terra



A erosão e a perda de matéria orgânica é foco de especialistas de 60 países


Solo erodido e compactado, desequilíbrio de nutrientes e perda de matéria orgânica atingem quase um terço das terras do planeta, problemas que são detectados num índice alto por aqui também no nordeste paulista, sudoeste mineiro e em todo o interior do Brasil: foi realizado um amplo estudo envolvendo 600 pesquisadores de 60 países, concluindo que mais de 30% dos solos do mundo estão degradados. Coordenado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a pesquisa está sendo publicada no livro “Estado da Arte do Recurso Solo no Mundo” (Status of the world´s soil resources), que repercute muito em setores científicos do nosso país, como na Embrapa, bem como em sites de assuntos socioambientais, como o EcoDebate. Aqui em nosso blog de ecologia e de cidadania Folha Verde News resumimos os resultados deste estudo e sintetizamos as  principais informações do relatório que analisa numa perspectiva global as condições atuais do solo ma Terra, seu papel na prestação de serviços ecossistêmicos, como produção de água e sequestro de carbono, bem como sobre as ameaças de desequilíbrio nesta função ecológica essencial. Segundo a pesquisadora da Embrapa Solos, Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin, membro do comitê editorial e coordenadora da publicação para a América Latina e Caribe, a perspectiva é de que a situação possa piorar se não houver ações concretas e urgentes que envolvam tanto o setor privado como os governos e organizações internacionais: "A principal conclusão do livro não é boa. O índice de degradação no mundo é alto e provocado principalmente por erosão, compactação, perda de matéria orgânica e desequilíbrio de nutrientes", revela a pesquisadora Maria de Lourdes Brefin, ao comentar este estudo. "Essas quatro ameaças citadas aí têm a mesma origem, a exploração cada vez maior da terra por parte do ser humano, geralmente combinada com as mudanças climáticas", afirma por sua vez Miguel Taboada, diretor do Departamento de Solos do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina. Perdas anuais de culturas causadas por erosão foram estimadas em 0,3% da produção. Se o problema continuar nesse ritmo, uma redução total de mais de 10% poderá acontecer até 2050. A erosão em solo agrícola e de pastagem intensiva varia entre cem a mil vezes a taxa de erosão natural e o custo anual de fertilizantes para substituir os nutrientes perdidos pela erosão chega a US $ 150 bilhões. Outro problema que ameaça o solo é sua compactação, em linguagem popular um endurecimento, que pode reduzir em até 60% os rendimentos mundiais das culturas agrícolas. "No mundo, a compactação tem degradado uma área estimada de 680.000 km2 de solo, ou cerca de 4% da área total de terras”, revela Maria de Lourdes, que também compôs o grupo de 27 especialistas do Painel Técnico Intergovernamental do Solo (ITPS) da Organização das Nações Unidas. Não é so em Franca, na região e nem somente no Brasil, por exemplo, na África e Ásia, o pisoteio dos rebanhos e a cobertura insuficiente do solo pela vegetação natural ou pelas culturas, o uso de agrotóxicos e outras causas são hoje responsáveis pela compactação de 280.000 km2 , uma área maior do que todo o território da Nova Zelândia.  Os danos causados pela compactação do solo, que o povo do interior chama de terra dura, são de longa duração ou mesmo permanentes. Uma compactação que aconteça hoje pode levar à redução da produtividade das culturas até 12 anos mais tarde. O maior obstáculo para melhorar a produção de alimentos e as funções ecológicas do solo em muitas paisagens degradadas é a falta de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, bem como insumos orgânicos. Em muitos países onde o problema foi estudado se retiram mais nutrientes do solo a cada ano do que é devolvido por meio do uso de fertilizantes, resíduos da produção, estrume e outras matérias orgânicas. Em outras áreas, a oferta excessiva de nutrientes contamina o solo e os recursos hídricos e contribui para as emissões de gases de efeito estufa. As emissões de óxido nitroso dos solos agrícolas provocadas pela adição de fertilizantes sintéticos foram medidas e equivaliam a 683 milhões de toneladas de CO2 há pouco mais de 5 anos. O livro científico da FAO não aponta só problemas, mas também mostra caminhos sobre como lidar com essas ameaças ao solo, tanto no âmbito de políticas públicas como trazendo recomendações técnicas. É urgente uma nova legislação e uma nova realidade no setor, como medidas sustentáveis e preventivas para evitar a degradação.  Foi nesse sentido que a Embrapa chegou a reunir no Distrito Federal autoridades brasileiras e mundiais durante três dias de debates sobre solos. Na ocasião foi elaborada a Carta de Brasília, com muitas recomendações aos tomadores de decisão sobre o manejo e conservação da terra.  Outra importante ação estratégica pode ser a implementação do Programa Nacional de Solos do Brasil (Pronasolos), que reúne grupos de especialistas a fim de criar instrumentos para a gestão sustentável dos solos no Brasil. Este programa capitaneado pela Embrapa Solos envolve dez centros de pesquisa da Embrapa, quatro universidades, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O Pronasolos poderá ser um marco da retomada no conhecimento ainda mais detalhado da situação do solo no Brasil e também possibilitará a construção e a gestão de uma infraestrutura de dados de solos unificada, a formação e o resgate de competências em pedologia, o fortalecimento das instituições envolvidas e uma estratégia eficiente de transferência de tecnologias. A Embrapa Solos está no momento procurando parceiros privados para implantar o programa, que exigirá uma equipe permanente de especialistas, pedólogos. Os principais conteúdos aqui enfocados precisarão ser incluídos na nova Lei de Conservação de Solos e Água. A gente espera que o Pronasolos se efetive mesmo com a maior rapidez para evitar mais uma tragédia brasileira. Confira detalhes e algumas soluções apresentadas no Livro da FAO na seção de comentários aqui do nosso blog.


Por aqui na região de Franca a Unesp tem estudos também sobre a erosão

Estes problemas citados pelos pedólogos agridem os recursos hídricos

O assoreamento de córregos e rios são outros sinais do problema

Paisagens como esta comuns por aqui e em mais de 60 países

Este é um dos pontos que o Pronasolos precisa priorizar


Fontes: Embrapa  -  Fapeam
             www.ecodebate.com.br
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Pesquisa e legislação são a solução, é uma das posições dos especialistas. Para interromper a degradação do solo é necessário focar em quatro pilares definidos pela União Europeia: aumento do conhecimento, pesquisa, integração da proteção do solo na legislação existente e nova legislação.

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  2. "Um bom exemplo de instrumento legal é o Ato de Conservação do Solo, promulgado em 1935, nos Estados Unidos", revela o pesquisador italiano Luca Montanarella, cientista do Centro Conjunto de Pesquisa da União Europeia: "O Ato reverteu a tendência negativa de erosão massiva na região do Meio-Oeste americano nos últimos 80 anos".

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  3. Especialistas também mafirmam que os instrumentos legais precisam ser reforçados pelo aumento das atividades de educação ambiental e consciência dos agricultores e gestores públicos, assim como é preciso reforçar o investimento em pesquisa e tecnologias de recuperação. É urgente reverter a tendência de degradação do solo no mundo e esse deve ser o objetivo para se conseguir o manejo sustentável do solo.

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  4. "É evidente que a humanidade está perto dos limites globais para fixação total de nitrogênio e os limites regionais para o uso de fósforo”, diz Maria de Lourdes Brefin, da Embrapa. Ela alerta que devemos agir para estabilizar ou reduzir o nitrogênio e uso de fósforo de fertilizantes, aumentando simultaneamente o uso de fertilizantes em regiões com deficiência de nutrientes. De acordo com esta cientista aumentar a eficiência de nitrogênio e a utilização de fósforo pelas plantas é um requisito fundamental para atingir a recuperação, o equilíbrio e evitar a degradação do solo.

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  5. O livro apoiado pela FAO recomenda oito técnicas para evitar a degradação do solo: minimizar o revolvimento, evitando a colheita mecanizada; aumentar e manter uma camada protetora orgânica na superfície do solo, usando grãos de cobertura e resíduos desses grãos; cultivo de uma grande variedade de espécies de plantas – anuais e perenes − em associações, sequências e rotações que podem incluir árvores, arbustos, pastos e grãos; usar espécies bem adaptadas para resistir aos estresses bióticos e abióticos e com boa qualidade nutricional, plantadas no período apropriado; aumentar a nutrição dos grãos e a função do solo, usando rotação de grãos e uso criterioso de fertilizantes; assegurar o manejo integrado de pestes, doenças e sementes usando práticas apropriadas e pesticidas de baixo risco quando necessário; gerenciamento correto do uso da água e, por último, controlar as máquinas e o tráfego nas propriedades a fim de evitar a compactação. Essas oito práticas combatem com eficiência a erosão, o desequilíbrio de nutrientes, a perda de matéria orgânica e a compactação.

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  6. Coloque aqui sua opinião ou nos envie mensagem para o e-mail da redação do blog navepad@netsite.com.br e/ou envie sua mensagem sobre esta pauta direto pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  7. "Um estudo da maior importância e que merece ser divulgado e acatado por autoridades do governo e por pessoas ou empresas que usam os recursos do solo e da natureza": comentário de Alaor Silva, engenheiro agrônomo da USP, atualmente vivendo no Rio de Janeiro (RJ) em fazenda na região dos Lagos.

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  8. "A degradação dos solos pode não ser um tema tão charmoso ou polêmico como as queimadas, por exemplo, mas chega a ser do mesmo nível como fator de desequilíbrio ambiental": comentário de Isabel Moreira, de Ribeirão Preto (SP), que estudou em Araraquara Geografia na Unesp.

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