domingo, 3 de julho de 2016

UM DOS CASOS NOS BASTIDORES DA AMAZÔNIA: EMPRESA DE AGRONEGÓCIO ERA FACHADA DUMA GRANDE QUADRILHA DE DESMATADORES


Na operação Rios Voadores a Polícia Federal e o Ibama desmontaram quadrilha de desmatadores no Pará que era comandada por um agronegociante de São Paulo: este é um dos desafios monstros do Ministério do Meio Ambiente neste vácuo de poder governamental no Brasil agora

 
Juliana Tinoco do site O Eco nos informa de São Paulo que menos de uma semana após o assassinato do policial do Ibama João Luiz de Maria Pereira, morto durante operação de combate ao desmatamento e garimpo em plena Floresta Nacional do Jamanxim no Pará, a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha que atuava com grilagem de terra e desmatamento na região de Castelo dos Sonhos e Novo Progresso, no sudoeste paraense. A organização criminosa se dividia em várias camadas e tinha como objetivo simular que faziam atividades legais como criação de gado e cultivos de soja e arroz. O 2º passo da operação da PF agora é chegar nas empresas e empresários de agronegócio  que estavam por trás destas atividades agropecuárias nas fazendas ilegais. Garimpo clandestino e desmatamento de floresta na Amazônia tem sido tragicamente comuns mas não com a sofisticação de um agronegócio aparentemente legal para burlar a fiscalização.
 



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O mapa do point do falso agronegócio na Floresta Nacional de Jamanxin


O principal investigado é Antonio José Junqueira Vilela Filho, pecuarista de São Paulo, agora considerado foragido. Ele comandava a quadrilha, com tarefas divididas de maneira tão sofisticada, que até parecia ser uma grande empresa de agronegócios. Junqueira é dono da Sociedade Comercial AJJ LTDA, empresa sediada na capital paulista, na região dos Jardins, cuja atividade oficial é a criação de bovinos para corte. No seu site, a Polícia Federal disse que o grupo desmatou, a partir de 2012 e 2014, mais de 29 mil hectares de floresta, a maior parte a leste da rodovia BR-163, uma área semelhante a de Belo Horizonte ou a do Parque Nacional de Itatiaia. A multa do Ibama neste caso chega a R$ 119 milhões. No total, a quadrilha movimentou mais de 1 bilhão  de reais em cerca de 3 anos de operação. Ela é acusada hoje dos crimes de organização criminosa, desmatamento ilegal, grilagem de terras públicas federais e falsificação de documentos. A região já foi alvo de operação semelhante em 2014, quando foi desmantelada a quadrilha comandada por Ezequiel Castanha, que atuava em Altamira e Novo Progresso, área que concentrou 10% de todo o desmatamento da Amazônia entre os anos de 2012 e 2014, segundo o Ministério Público Federal do Pará. O grupo de Castanha invadia terras públicas para criar fazendas ilegais que chegavam a ser vendidas ilegalmente por até R$20 milhões. Castanha cumpriu tempo de prisão, mas agora foi posto em liberdade e circula em Novo Progresso ainda que usando tornozeleira eletrônica. A operação da PF foi denominada como Rios Voadores, em referência às correntes de ar que carregam umidade da Amazônia e formam parte das chuvas em regiões como Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Além de 95 policiais federais, incluiu o Ministério Público Federal, a Receita Federal e o próprio Ibama, para cumprir 51 medidas judiciais, 24 prisões preventivas, 9 conduções coercitivas e 19 mandatos de busca e apreensão em Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira (PA), Novo Progresso (PA), além de ramificações nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 


A operação Rios Voadores incluiu 95 agentes federais e do Ibama


Crime Ecológico Organizado
 
O desmate e a grilagem, fraudes para obter títulos ilegais de terra, começam com a escolha da área e a contratação, através de pessoas apelidadas de Gatos, da mão-de-obra que abre a mata com motosserras, tratores e correntões. A quadrilha vende a madeira nobre que consegue extrair, queima o que sobrou e joga sementes de capim para iniciar um pasto. A terra é dividida em áreas menores, entregues a laranjas, que atuarão como se fossem os posseiros. Isso facilita o processo de legalização das áreas, junto ao INCRA, e dissimula a organização por trás da ação com aparência de legalizada.


Um megacrime dentro do Parque Nacional de Jamanxin na Amazônia paraense

O gado colocado na propriedade pode vir de um arrendatário, que impede outras ocupações da área e a regeneração da mata, além de reforçar a impressão de ausência de uma organização criminosa por trás de toda a ação. Na realidade se trata de uma operação complexa envolvendo financiadores e compradores ilegais, que, por trás dos laranjas, se tornam os donos de fato dessas áreas desmatadas. Ao descrever a quadrilha, a PF a dividiu em quatro núcleos, a seguir. O Operacional, que inclui os Gatos que comandam o desmatamento, gerentes que administram a fazenda, técnicos que delimitam a área e fraudam o Cadastro Ambiental Rural, e os laranjas que assumem a posse da terra. Outro núcleo deste falso agronegócio é o Financeiro, que custeava a operação de desmatamento. Outro, o Familiar, promovia a lavagem de dinheiro através de negócios com fachada legalizada. Além deles, os Compradores Ilegais, pecuaristas que adquiriam a terra desta quadrilha e se escondiam atrás dos laranjas, a PF ainda não divulgou os seus nomes, algo que necessita ser feito o mais rápido possível, por uma questão de cidadania, de ética e de respeito à ecologia da Amazônia. Enfim, desmatamento, garimpo e destruição amazônica, usando os vácuos da legislação rural e o poder do agronegócio como fachada para um megacrime, que precisa urgente ganhar destaque na grande mídia como uma alerta do que pode estar ocorrendo nos bastidores da Amazônia e em mais regiões do Brasil. As autoridades nacionais do Ministério da Justiça, do Meio Ambiente e da Agricultura também precisam se manifestar e abrir mais informações, a bem do Brasil e da nossa natureza.


Em só 2 anos mais de 29 mil hectares de floresta desmatados...


...e o mais grave dentro do Parque Nacional da Floresta de Jamanxin

Fontes: www.oeco.org.br
             www.folhaverdenews.com 

9 comentários:

  1. O Parque nacional de Jamanxin foi criado com o objetivo de preservar a floresta amazônica...

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  2. A Operação Rios Voadores da PF e do Ibama é uma reedição de operações semelhantes em 2014, quando foi desmantelada a quadrilha comandada por Ezequiel Castanha, que desmatava grandes áreas e comercializava terras na Floresta de Jamanxin. Ele foi preso, condenado mas já circula em liberdade na região sudoeste do Pará, ainda que usando tornozeleira eletrônica.


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  3. Duas necessidades a gente aponta aqui no blog logo de cara, a da grande mídia (que precisa divulgar este mega crime como um alerta e denúncia das falcatruas nos bastidores da Amazônia) e a das autoridades de Brasília, que precisam dar mais informações sobre estes fatos, além de apontar e de punir os culpados.


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  4. Nós aqui no blog da ecologia e da cidadania já havíamos há um ano recebido fotos do Greenpeace que mostravam grandes queimadas e desmatamentos nessa região do Pará, em plena floresta amazônica, um mega crime que agora se confirma.


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  7. "Ouvi numa rádio carioca uma notícia sobre esta operação da Federal e do Ibama, dizendo que haverá um segundo momento, porque foram flagrados também em pleno Parque Nacional de Jamanxin, uma reserva de floresta amazônicas, garimpos clandestinos": a informação nos é enviada por Nelson Salles, do Rio de Janeiro (RJ), que atua como técnico portuário de exportação.

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  8. "Agora que o Zequinha Sarney do PV é o ministro do Meio Ambiente quem sabe casos monstruosos como estes venham a público e sejam coibidos": quem comenta é Jarbas Barbosa Santos, de Niterói, no Rio de Janeiro, advogado ligado à OAB fluminense.

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  9. "Neste vácuo de poder no país deve estar acontecendo muito disso que este blog relatra e que a grande mídia silencia": comentário de Fernanda Moraes,de Araraquara (SP), estudante da Comunicação na Unesp.

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