quinta-feira, 4 de agosto de 2016

GOVERNO DISFARÇA POLUIÇÃO DA BAÍA DE GUANABARA MAS SITE DEUTSCHE WELLE DIZ: MAIOR DERROTA DO BRASIL NOS JOGOS DO RIO É AMBIENTAL

Há um mês 17 ecobarreiras impedem resíduos sólidos vindos de rios, córregos e esgotos poluírem o visual da Baía de Guanabara mas mesmo com uma verba de 1 bilhão de reais a poluição de verdade continua a dano do ambiente, da saúde dos atletas, do povo e da imagem do país em todo planeta
 

Uma jogada nada olímpica para diminuir o visual da poluição da Baía
  
Na língua Tupi, Sarapuí significa "rio dos sarapós", uma espécie de peixe que produz sinais elétricos. Há décadas, porém, neste rio de águas imundas, não há sinal de sarapós nem de nenhuma outra espécie de peixe. O rio nasce na Serra de Bangu, Zona Oeste do Rio, desemboca na Baía de Guanabara, depois de serpentear regiões pobres de seis municípios e receber uma tabela periódica de poluentes. O Sarapuí é um dos 17 rios que receberam o principal programa do governo do estado para evitar um vexame na Baía de Guanabara durante as competições olímpicas de vela: as ecobarreiras que porém não eliminam a poluição química das águas, causada por lixo, esgoto, efluentes industriais e resíduos de petróleo...O paliativo, que consiste na captura do lixo flutuante antes que ele chegue ao espelho d’água da Guanabara e estrague o visual, está longe de ser uma novidade: foi lançado há 13 anos, ainda quando Rosinha Garotinho era governadora do Rio de Janeiro. De 2003 para cá, o programa sofreu dezenas de interrupções. Só foi plenamente restabelecido em meados de julho de 2016, quando 17 ecobarreiras passaram a capturar os resíduos sólidos, diminuindo a impressão de águas poluídas, mas não a poluição.
 


Baía de Guanabara: poluição não é só de resíduos sólidos


"De 2003 para cá, o programa sofreu dezenas de interrupções. Só foi plenamente restabelecido em meados de julho de 2016, quando 17 ecobarreiras passaram a capturar os resíduos" (site O ECO)


                                              DETALHES DO VEXAME AQUI

O Brasil, o esporte e a ecologia perdem de goleada tipo 7 a 1 para a poluição, as doenças, a corrupção e o caos da poética Baía de Guanabara na realidade violenta e nada olímpica  da ex-Cidade Maravilhosa hoje


A Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, que poderia ser nesse momento de crise da economia, uma força ao Brasil começa com a Baía de Guanabara sendo o símbolo de um país sem políticos de verdade e sem gestão ambiental e social, essenciais para um desenvolvimento sustentável: Deutsche Welle, site alemão e europeu de grande prestígio diz que "evento começa com uma de suas principais promessas nem perto de ser cumprida, o saneamento da Baía de Guanabara, atletas competirão num local infestado de lixo, como num símbolo da decadência e da violência desta linda cidade cidade, pela sua natureza, que poderia ser maravilhosa mas é terrível pelos homens que a comandam".



Alex Sandro dos Santos não é um jogador nem atleta, ele está de pé sobre um velho cais de madeira que leva até os barcos dos pescadores, a partir do bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro. Com 48 anos de idade, ele pesca na Baía de Guanabara desde que tinha dez anos."Aqui ainda tem uns 20 mil pescadores, cada um com três ou quatro filhos para criar. Mas com a queda da população de peixes, nem todos conseguem viver da pesca. Muitos trabalham como garçom para ganhar um extra", queixa-se Alex Sandro, que complementa o orçamento construindo caixas de madeira. O motivo para o desaparecimento dos peixes fica claro assim que se dá uns poucos passos pelo cais: o cheiro é de fezes e lixo, na água há garrafas plásticas, sapatos, até móveis inteiros flutuando; o lodo nas margens é uma massa mal-cheirosa e imunda. Nessa área próxima ao Aeroporto Internacional do Galeão, a vista para o mar é dominada pelas chaminés das refinarias de petróleo e pelo mar de casas do Rio, a cidade de 6 milhões de habitantes que lança seus esgotos não tratados na Baía de Guanabara, como se fosse a coisa mais normal do mundo: 18 mil litros de água por segundo.A indústria pesada igualmente deposita há décadas os seus dejetos altamente tóxicos na baía oceânica. A 32 metros de profundidade, o lodo do fundo está fortemente contaminado com metais pesados, e a água pulula de bactérias multirresistentes. Além disso, em janeiro de 2000 a ruptura de uma tubulação resultou no vazamento de mais de 1 milhão de litros de petróleo para dentro da baía e para a reserva ecológica dos manguezais costeiros. Muitos moradores estão esperando até hoje para receber as indenizações devidas da semiestatal Petrobrás. Autoridades iIgnoraram as bactérias.


Na Baía de Guanabara peixes só graças ao fluxo de água limpa do mar


Esta lendária baía - cujo belo nome em tupi significa "mar do seio", provavelmente devido à uma antiga abundância de peixes - serve ao Rio de Janeiro, ao mesmo tempo, como cloaca, lixão e depósito para restos de óleo mineral. Fato que não impediu o Comitê Olímpico Internacional (COI) de escolhê-la como local para as competições de vela dos Jogos Olímpicos de verão.Em pleno inverno da política brasileira...Depois participar de um teste de regata em 2015, o velejador alemão Erik Heil contraiu infecções nas pernas e quadris, que só cederam após o retorno a Berlim, com a ministração de um antibiótico de amplo espectro. Diversos atletas dizem ter receio de entrar na Baía de Guanabara, e pretendem evitar todo contato da água com a pele. O alemão Heiko Kröger, medalha ouro de vela nos Paraolímpicos de 2000, escreveu para Thomas Bach, presidente do COI: "Se eu fosse o senhor, não conseguiria mais dormir de noite". Especialistas confirmam que as bactérias das águas do Rio podem desencadear doenças bem piores que a de Erik Heil. "Os esportistas devem, de todo modo, se vacinar contra hepatite A, antes de começar no Rio", aconselha o biólogo marinho Mario Moscatelli. Com a densidade bacteriológica que ele constatou, tampouco estão descartadas doenças como a meningite.Foram gastos 1 bilhão de reais na despoluição....e nada. Fundador do Movimento Baía Viva, o ecologista Sérgio Ricardo se ocupa há anos do escândalo ecológico da enseada carioca. "Nós chamamos isso de 'o milagre da Guanabara': aqui se encontram todas as espécies, fora baleias." De fato, se ainda há alguma vida no local, é graças a um pequeno afluxo de água fresca do Oceano Atlântico. Por outro lado, vem da cidade esgotos e cerca de 100 toneladas diárias de lixo continuam sistematicamente destruindo vidas. Ele entra com o barco na baía, para mostrar as dimensões do desastre ecológico, provando como fracassaram todos os diversos esforços para sanear o corpo d'água - os quais COI gosta muito de mencionar, sempre que há críticas à escolha do Rio como cidade-sede. Puro marketing hipócrita.  Entre 1994 e 2006, o estado do Rio de Janeiro investiu algo que é equivalente a mais de 1 bilhão de euros na construção de estações de tratamento de água, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência para Cooperação Internacional, do Japão. O problema é que até hoje a maioria das tubulações necessárias não foi instalada, e a maior parte do esgoto continua caindo diretamente no mar, sem qualquer tratamento. Enquanto isso, as seis estações já  construídas vão se arruinando. "O programa quase não teve efeito", acusa Sérgio Ricardo. "Em vez disso, o governo aposta em medidas cosméticas: por exemplo, barcos para pescar o lixo da água. E o vazamento de petróleo é outro vilão...Mais detalhes na seção de comentários aqui em nosso blog Folha Verde News que se solidariza com ecologistas e com a população do Rio de Janeiro, vamos juntos à luta para resgatar a ex-Cidade Maravilhosa e devolver à natureza, aos atletas, aos pescadores, à comunidade carioca e aos turistas de todo o planeta a Baía de Guanabara.

 
Precisou a mídia alemã para se destacar a poluição do Rio


Fontes: www.terra.com.br
              www.oeco.org.br

Deutsche Welle Deutsche Welle
             www.folhaverdenews.com 
 

9 comentários:

  1. Logo mais, nova edição de comentários aqui, com mais informações e mensagens sobre o problema da Baía de Guanabara, do Rio de Janeiro e do Brasil neste início da Olimpíada carioca.

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  2. Vc pode postar aqui o seu comentário, sendo outra opção enviar um e-mail para a redação do nosso blog ligado ao movimento ecológico, científico e de cidadania, webendereço navepad@netsite.com.br

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  3. Outra opção: envie sua msm pro e-mail do nosso editor de conteúdo neste blog, podendo tb mandar uma sugestão de pauta, mais informações ou fotos para padinhafranca@gmail.com

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  4. "Com as críticas da mídia internacional é capaz que haja mudanças e avanços não só na realidade da Baía de Guanabara mas de toda política carioca e brasileira, um vexame mundial, medalha de lixo": comentário de Isac Mendes, que nos enviou uma música de compositor carioca, seu xará, que vamos postar aqui no blog como um clip. Mendes é corretor de seguros e mora ao lado da Lagoa Rodrigo Freitas: "Dá pena de ver como tudo está nessa cidade".

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  5. "Tudo o que esta cidade tem de natureza, por isso é uma lenda maravilhosa, não tem de políticos e de homens de verdade": opinião de Flávia Ribamar dos Santos Pereira, moradora do Botafogo, no Rio, e que tem ajudado o movimento Baia Viva, liderado pelo ecologista Sérgio Ricardo: "Nossa última esperança do Rio voltar a ser Rio".

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  6. Friedel Taube, foi o jornalista que fez no Rio de Janeiro esta matéria bomba sobre a Baía de Guanabara para o site Deutsche Welle (Alemanha): assim como aqui no blog da gente, webespaços importantes do Brasil também noticiaram estes fatos, como os portais Terra e Carta Capital.

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  7. "Fracassaram todos os diversos esforços para sanear o corpo d'água, não faltaram verbas internacionais, faltou gestão e política pública bem feita": comentário de Israel Morais, de Niterói (RJ), que hoje mora em São Paulo e atua no mercado do Turismo: "O prejuízo também atinge com certeza o meu setor".

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  8. "Para culminar o desafio da Baía de Guanabara, não se pode excluir que nos próximos anos a indústria petroleira continue a perfurar no local: a cerca de 7 mil metros de profundidade ainda se encontram grandes jazidas de petróleo e a economia brasileira segue dependente do combustível fóssil. Aí é questionável se a técnica de filtragem bastará para compensar a utilização industrial intensiva, ou seja, mais poluição": trecho da matéria no site Carta Capital que nos enviou também Morais, de Niterói, comentando que "é urgente no Rio e em todo o país mudar a estrutura energética, a opção pelas energias limpas é a única saída sustentável para o ambiente e a saúde humana".

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  9. "Além da vergonha agora é vexame também": comentário de José Luiz Alves Pereira, que está atuando como repórter free-lancer nos Jogos do Rio, ele que é carioca e se formou em Jornalismo na PUC de Minas em BH.

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