segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O GRANDE AGRONEGÓCIO NO BRASIL, NA ÁFRICA, NO MUNDO AMEAÇA ABELHAS E OUTROS INSETOR POLINIZADORES QUE PODEM AUMENTAR A PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA OU NOS LEVAR AO CAOS

De duas, uma: ou disciplinar a agricultura das grandes empresas ou acabar com as abelhas e outros polinizadores que respondem por 70% do equilíbrio das plantas e plantações, podendo aumentar a produtividade agrícola atual em até 18% debatem cientistas. De duas, uma: a agricultura com equilíbrio das plantas e plantações é a  proposta de 17 pesquisadores de vários países hoje aqui, agora


Sem as abelhas e outros insetos polinizadores caos na produção de alimentos


No site brasileiro O Eco está em debate a ameaça ao futuro de todos os polinizadores e também um caminho para ações que possam passar a protegê-los, segundo um estudo internacional que reuniu um total de 17 pesquisadores, entre eles o engenheiro agrônomo brasileiro Breno Magalhães de Freitas, da Universidade Federal do Ceará. Nós vamos resumir aqui no blog Folha Verde News este debate ou este impasse, uma grande ameaça que pode se transformar numa solução sustentável, caso mude a filosofia atual do agronegócio. Antes, uma informação da FAO (órgão da alimentação e da agricultura da ONU) que afirma vento, morcegos, borboletas, besouros e moscas também se encarregam  no campo e nas matas da polinização das flores e de todas plantações, mas as abelhas são os principais agentes responsáveis pela formação dos frutos: 71% das espécies vegetais que suprem 90% da oferta de alimentos são polinizadas pelas abelhas, ameaçadas de desaparecer devido à atual realidade do agronegócio no país e em todo o planeta. Outra informação:  segundo o IPBES (que é uma entidade que defende a biodiversidade), de 5% a 8% da produção agrícola mundial, ou seja, entre 235 e 577 bilhões de dólares, são diretamente dependentes da ação dos polinizadores nas colheitas  seja de cereais ou de frutas. "Sem os polinizadores, muitos de nós não poderíamos consumir os alimentos que hoje usamos em nossa vida diária", comentou Simon Potts, vice-presidente do IPBES e professor da Universidade de Reading, no Reino Unido. Mas vamos à matéria de Vandré Fonseca (O Eco) sobre o dilema do agronegócio e dos polinizadores, um pode acabar com o outro ou vice-versa, um pode melhorar o outro, caso se implante na agricultura um desenvolvimento sustentável desde já. 


Uma agricultura sustentável exige a proteção das abelhas e todos polinizadores

 

A dupla face do agronegócio para os polinizadores debate O Eco


As abelhas são responsáveis por mais de 70% da polinização: a partir desta realidade, está sendo debatido no país, a partir de Manaus, Amazonas, esta situação: os quarenta milhões de hectares dominados pela agricultura corporativa, desenvolvida por grandes empresas internacionais, no Brasil e em países da África são a principal ameaça à sobrevivência e ao futuro dos polinizadores mas podem também, dependendo de algumas mudanças também vir a ser o caminho para ações que possam proteger estes insetos e a biodiversidade, o que irá aumentar a produtividade agrícola segundo um estudo feito agora e que reuniu um time internacional de 17 pesquisadores, entre eles o engenheiro agrônomo brasileiro Breno Magalhães de Freitas, da Universidade Federal do Ceará.

 
Todos os tipos de insetos polinizadores são vitais hoje em dia


Para a elaboração do estudo, publicado agora em agosto na revista científica Peer J, os pesquisadores de vários países apresentaram um total de 60 possíveis ameaças e oportunidades para o futuro dos insetos e outros responsáveis pela polinização de plantas. Após uma série de rodadas de análises, 15 questões foram selecionadas e, entre elas, seis apontadas como prioritárias. No topo da prioridade, o controle da agricultura por grandes corporações, que produzem principalmente soja para o mercado chinês. Elas têm sido a maior ameaça para os polinizadores. "Eles usam técnicas padronizadas em todos os lugares em que atuam", afirma o pesquisador brasileiro Breno Magalhães de Freitas, que há mais de vinte anos estuda abelhas e hoje é uma referência internacional quando se trata de polinizadores. "Essas técnicas do grande agronegócio não são adequadas aos polinizadores. Mas ao mesmo tempo, se você convence essas empresas a não causar impactos aos polinizadores, poderemos ter mudanças positivas e aumento na produção de alimentos”. Para tanto é preciso que essas grandes empresas trabalhem em colaboração com organizações não governamentais, cientistas, pesquisadores, movimento ecológico, pois este relatório destaca que 35% da produção agrícola mundial dependem de polinizadores. No caso das plantas silvestres, 85%  dependem de polinizadores. As matas e as plantações ambas são essenciais para a agricultura. Reduzir a polinização impacta a agricultura. Freitas cita um estudo publicado por ele e pelo doutorando Marcelo Milfont, que trata da relação entre polinizadores e produtividade da soja. "Se você tem polinizadores, há um aumento de 12% a 18% da produção numa mesma área". O pesquisador brasileiro destaca também a ameaça representada pelo surgimento de uma nova classe de inseticidas sistêmicos, ou seja, que entram no metabolismo das plantas, os sulfurados. De acordo com a pesquisa, ainda não se conhece bem os efeitos desses venenos para abelhas e outros insetos e o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Novos vírus emergentes e os efeitos de eventos extremos associados às mudanças climáticas também foram destacadas como ameaças. Ao lado, estão também fatores que podem ser aliados à preservação dos polinizadores, como o aumento da diversidade de espécies manejadas e a redução do uso de produtos químicos também  em ambientes não agrícolas. Diferente da maioria das pesquisas, esse novo estudo procura apontar soluções sustentáveis para superar as ameaças. “Estamos adotando, cada vez mais, práticas que afetam todas as espécies de polinizadores", afirma o líder do estudo, Mark Brown, que é da Royal Holloway University of London. O estudo mostra que existem duas opções. A primeira, deixar as coisas continuarem como estão e sempre buscar medidas paliativas e que geralmente não funcionam. A outra, é chamar governos e grandes corporações para assumirem também a responsabilidade e atuar junto com pesquisadores, organizações não governamentais, especialistas, movimento ambiental, com o foco na implantação de medidas preventivas, para minimizar ou eliminar os possíveis problemas antes que aconteça um caos na produção de alimentos e na biodiversidade da natureza.
 


As borboletas, as abelhas e outros insetos são vitais neste momento

Sem abelhas não há futuro na agricultura nem na vida dos homens

Até mosquitos podem polinizar plantas e plantações

Fontes: www.oeco.org.br
             G1 - France Press - Reuters - A Crítica
             www,folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Os pesticidas, a agricultura comercial e toda a estrutura da produção de alimentos no Brasil e no planeta precisam mudar antes que promovam o caos, podendo por outro lado abrir caminho para uma realidade mais sustentável no setor.

    ResponderExcluir
  2. Esta situação limite, este impasse, esta contradição estão claros na realidade segundo o relatório destes 17 pesquisadores de variados países, depois vamos aqui postar mais informações e detalhes. Aguarde nossa edição e participe você também desta seção de comentários.

    ResponderExcluir
  3. Você pode desde já postar aqui a sua mensagem ou informação ou então, se preferir, mandar um e-mail para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania pelo webendereço navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  4. Você também pode enviar um e-mail com sugestão de pautas ou qualquer outra mensagem diretamente pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

    ResponderExcluir
  5. "Importante demais este estudo de 17 pesquisadores internacionais e do engenheiro agrônomo da Universidade Federal do ceará, tanto para a proteção da biodiversidade como para um avanço da qualidade e da quantidade da produção de alimentos": comentário de José Aldo Pereira, que é técnico agrícola em atividade na região de Belo Horizonte, Minas gerais.

    ResponderExcluir
  6. "Se você tem abelhas e outros polinizadores há um aumento de 12% a 18% da produção e produtividade nas plantações de soja, esse fator deveria nos levar imediatamente a uma agricultura com menos pesticidas e mais sustentável": comentário de Júlia Maria Neves, bióloga, especializada na Unicamp em biodiversidade.

    ResponderExcluir
  7. Recebemos do engenheiro agrônomo Rubens Macedo algumas informações que ele captou através de estudos da Embrapa. "O aumento da quantidade e da diversidade de insetos polinizadores como as abelhas em áreas de plantio é uma estratégia barata e sustentável para melhorar o rendimento de diversas culturas agrícolas em pequenas e grandes propriedades. A constatação está no artigo "Resultados mutuamente benéficos para diversidade de polinizadores e produtividade agrícola em pequenas e grandes propriedades", publicado na revista científica Science,fruto de um estudo internacional realizado com a coparticipação da Embrapa.

    ResponderExcluir
  8. Agradecemos Rubens Macedo e postamos aqui mais umas informações que ele nos enviou de São Paulo. "Os resultados positivos fazem parte do projeto "Conservação e Manejo de Polinizadores para uma Agricultura Sustentável, através da Abordagem Ecossistêmica", executado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente GEF/PNUMA, órgãos ligados à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e coordenado no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente. O estudo da Science analisou dados coletados em 33 culturas agrícolas que dependem em algum grau de polinizadores em 344 áreas, pequenas e grandes propriedades na África, Ásia e América Latina. No Brasil, foram incluídos dados coletados sobre caju, canola, maçã, tomate, melão e algodão, sendo as duas últimas culturas estudadas pela Embrapa Semiárido (PE) e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), respectivamente.
    Os resultados mostram que a intensificação ecológica, que no jargão científico significa melhorar a produtividade das culturas por meio da gestão da biodiversidade, pode ser uma saída para o aumento da produção de alimentos, especialmente nos países mais pobres".

    ResponderExcluir

Translation

translation