sábado, 27 de agosto de 2016

PARA ESQUECER O DESASTRE NUCLEAR DE CHERNOBYL ALI PODERÁ SE CONSTRUIR AGORA A MAIOR USINA SOLAR DO PLANETA

O plano da Ucrânia é transformar fantasma do desastre trágico em gigantesca fonte de energia solar 30 anos pós-megacidente: para isso falta só o financiamento mas há também problemas ecológicos e políticos (veja nos comentários especiais também comparando Chernobyl com Hiroshima e Nagazaki vítimas de bombas atômicas)

 

Chernobyl poderá virar megacentral de energia limpa?

 

A nova proposta para mudar a tragédia de Chernobyl em maravilha é criar uma enorme usina de energia solar no local do megaacidente nuclear, nos explica Ana Carolina Leonardi, jornalista que atua na revista Superinteressante e no site Planeta Sustentável: esta virada será capaz de gerar mil megawatts de potência, suficiente para abastecer uma média de 164 mil residências. Caso o projeto seja concretizado, ele passaria a ser a maior planta solar da história. Hoje ainda o desastre ou a tragédia nuclear de Chernobyl custa caro para a Ucrânia. A radiação na região poder demorar mais 24 mil anos para chegar a níveis totalmente seguros. Atualmente,  o governo gasta até 7% dos impostos para garantir o isolamento e a segurança de uma região do tamanho de um Parque do Ibirapuera e meio. Mas a ex-usina nuclear desativada compromete cerca de 2.600 quilômetros quadrados de terra, está há 3 décadas isolada, virou uma região fantasma. Este país já aceitou que a Zona de Exclusão não vai por muito anos servir nem de moradia, nem de plantação e nem madeireira. Pela localização, os painéis solçares poderiam ajudar a manter ligada boa parte da cidade de Kiev, o maior centro urbano e que também é o que consome mais energia no território ucraniano na atualidade. A Chernobyl Solar ainda tem que ultrapassar alguns desafios para se tornar realidade. O primeiro passo é aprovar uma lei amplie o acesso e o uso da Zona de Exclusão, a primeira versão dessa legislação já está praticamente aprovada pelo Parlamentoda Ucrânia. Depois, é uma questão de dinheiro. O custo total da instalação da planta solar deve passar dos R$ 3 bilhões e o país quer atrair investidores dispostos a financiar o projeto. Como a região está abandonada, o custo do terreno é extremamente baixo. Além disso, a instalação para transmissão de energia poderia tirar vantagem dos cabos de alta voltagem que já estão instalados por conta da antiga usina nuclear desativada. Chernobyl fica no norte da Ucrânia, que recebe bem menos luz solar que a porção sul do país. Mas o país como um todo ainda recebe bem mais radiação solar que a Alemanha, por exemplo, que é líder europeia nesta forma de energia renovável. Já se debate também que além das possibilidades energéticas, outra etapa decisiva será a avaliação dos riscos que eventualmente venham ter os investidores: afinal, eles precisam se comprometer com a segurança das equipes de construção que vão instalar os painéis solares ali em pleno cenário do maior desastre nuclear da humanidade. Acima dos aspectos técnicos, das dificuldades e dos desafios pendentes a Ucrânia tem divulgado o projeto como o renascimento de Chernobyl e um esforço para que nada parecido volte a se repetir neste país. Ainda hoje, metade da energia do país vem de outras usinas nucleares. Já as novas instalações em Chernobyl seriam o primeiro passo para "limpar" a matriz energética. O plano é que, até 2020, 11% da energia ucraniana venha de fontes renováveis, como a gerada pelo sol e pelo vento. "A região de Chernobyl tem um bom potencial para energia renovável", disse o ministro do Meio Ambiente da Ucrânia, Ostap Semerak. “Nós já temos linhas de transmissão de alta voltagem que foram usadas previamente nas estações nucleares, a terra é muito barata e temos também já prontas equipes treinadas para trabalhar nas usinas". O futuro está chegando aqui, dizem por sua vez os cientistas e os ecologistas ucranianos. E nós dizemos amém. Se bem que é preciso resolver outras pendências: a guerra Rússia versus Ucrânia e a radiação em Chernobyl já diminuíram mas ainda sobrevivem, continuam. Em algumas vilas próximas do local já há condição de vida melhor e o povo começa a habitar a região fantasma.Segundo a Bloomberg, a gente insere mais informações sobre os problemas para recuperar a zona de exclusão: confira aqui na nossa seção de comentários. 





30 anos pós tragédia nuclear de Chernobyl...

  ...tudo é  hoje o abandono duma região fantasma

Mas a porta de Chernobyl está se reabrindo pro futuro

  No momento a maior usina solar do mundo é a de Marrocos

 Apesar da radiação famílias já sobrevivem perto de Chernobyl


Fontes: Superinteressante - Planeta Sustentável - Abril
             www.folhaverdenews.com

13 comentários:

  1. Segundo a Bloomberg Chernobyl pode renascer, a Ucrânia está buscando investidores que queiram ajudar na construção de um sistema de energia solar na região com painés capazes de gerar mais de 1000 megawatts. O projeto tem duas maiores dificuldades, confira a seguir.


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  2. Um deles é trazer produtividade de volta para a área, que ainda se mantém inacessível devido aos danos causados pela exposição à radiação a longo prazo, isso tem que ser resolvido, de bom, ali tem muito espaço livre e barato.

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  3. A segunda dificuldade para o governo ucraniano, está relacionada à independência energética do país. Obter energia produzida no próprio país iria diminuir a necessidade de obtê-la da Rússia.
    Existem tensões políticas entre os dois países, principalmente na região leste de Donbass, que faz divisa com os russos onde há ainda conflitos e vêm desde 2014. Rebeldes russos têm invadido o território ucraniano e apesar da cobertura da mídia ter cessado, a guerra continua.

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  4. A Ucrânia já diminuiu pela metade o consumo de energia vinda da Rússia, de acordo com a Ukrtransgaz PJSC: a iniciativa dos painéis solares iria melhorar ainda mais esse número. Para ambientalistas há um risco a mais, para a fauna local, dada a dimensão dos painéis. Isso pode também ser controlado pela tecnologia atual?

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  5. Ainda também existem riscos ligados à radiação para quem for trabalhar na construções, isso também precisa ser dimensionado, o certo é que o empreendimento levaria empregos à área. Chernoyl tem apresentado melhoras constantes, desde o acidente em 1986. De acordo com a World Nuclear Association, há operações em andamento para construir unidades de contenção ao redor dos reatores nucleares. É necessário investimentos também para acelerar este processo de recuperação.

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  6. Além da recuperação socioambiental, também tem sido feito trabalhos de realocação, em parceria com governos vizinhos como da Belarus, para reconstruir áreas e consertar infraestrutura na Zona de Exclusão. A radiação continua proeminente em muitas áreas, mas vilarejos com menores taxas já podem ser utilizadas com algumas restrições. É este um dos desafios mais intensos de Chernoyl.

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  7. A Blooberg informa ainda que o projeto da Ucrânia de grande usina solar em Chernobyl interessou alguns investidores estrangeiros, incluindo duas empresas dos Estados Unidos.

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  8. "Vejp que há problemas de todos os tipos para a realização deste projeto, desafios financeiros, econômicos, ecológicos, políticos e tudo mais, porém, é uma boa idéia se buscar a recuperação de Chernobyl para a vida ativa e a bem do futuro da Ucrânia mais independente": comentário de Hermes Felício Mendes, de Belo Horizonte (MG) que é graduado em engenharia na UFRJ.

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  9. O site BBC fez um estudo comparando Hiroshima e Nagazaki (cidades vítimas de bombas atômicas na 2ª Guerra Mundial) com Chernobyl: por que elas já se recuperam e a cidade fantasma das Ucrânia, não?

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  10. Há 70 anos Hiroshima e Nagasaki no Japão sofreram explosões nucleares tão devastadoras e com tantas vítimas fatais, mas hoje se tornassem cidades prósperas e habitáveis, enquanto Chernobyl virou um lugar completamente inabitado e assim seguirá por muitos anos? O site Gizmodo, especializado em tecnologia, é um dos poucos meios de comunicação que pode nos responder essa pergunta. Confira.

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  11. BBC e Gizmidi junto respondem.1. Quantidade de combustível nuclear. A bomba "Little Boy" (que caiu em Hiroshima) transportava 63 kg de urânio enriquecido. "Fat Man" (a bomba de Nagasaki) continha cerca de 6,2 kg de plutônio. Hiroshima e Nagasaki foram reconstruídas já a partir de um ano depois das bombas. O reator número quatro de Chernobyl tinha 180 toneladas de combustível nuclear, dos quais 2% (3,6 mil kg) eram urânio puro. Quando o reator explodiu, calcula-se que foram liberadas sete toneladas de combustível nuclear. No total, o desastre emitiu 100 vezes mais radiação que as bombas que caíram sobre Hiroshima e Nagasaki.


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  12. Na bomba de Hiroshima, a reação aconteceu com 900 gramas de urânio. Da mesma forma, 900 gramas de plutônio foram submetidas a uma fissão nuclear em Nagasaki. Em Chernobyl, porém, cerca de sete toneladas de combustível nuclear – com enormes quantidades de partículas radioativas – escaparam para a atmosfera. Quando o combustível nuclear se fundiu, foram liberados isótopos radioativos que incluíam xenônio, iodo radioativo e césio. As bombas que caíram em Hiroshima e Nagasaki foram detonadas no ar, centenas de metros acima da superfície da Terra. Como resultado, os depósitos radioativos se dispersaram como efeito da nuvem criada pela explosão. Calcula-se que a bomba em Hiroshima matou 80 mil pessoas. Em Chernobyl, no entanto, o reator quatro se fundiu na superfície, produzindo uma ativação de nêutrons que fizeram com que tudo ali se tornasse radioativo.

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  13. A página Physics Stack Exchange (um site de intercâmbio de conhecimento para investigadores acadêmicos e estudantes de física) tem outra explicação a mais. Ainda que funcionem na base dos mesmos princípios, a detonação de uma bomba atômica e o colapso de uma planta nuclear são processos muito diferentes. Segundo a publicação, uma bomba atômica está baseada na ideia de liberar a maior energia possível da reação de uma fissão nuclear no menor tempo possível. A ideia é criar o maior dano e devastação possíveis para anular as forças inimigas. Assim, os isótopos radioativos que se criam em uma explosão atômica têm um período de vida relativamente curto. Mas, como um reator nuclear está desenhado para produzir energia em um processo de reação lento, isso resulta na criação de materiais de resíduos nucleares que possuem uma vida mais longa. Enfim, as sequelas radioativas e socioambientais de Chernobyl são bem mais longas e profundas.

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