quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TABU E LOBBY DO PETRÓLEO IMPEDEM AVANÇO DO CARRO ELÉTRICO QUE SERIA HOJE UMA GRANDE SOLUÇÃO ECONÔMICA E ECOLÓGICA

O preconceito e o petróleo barram o carro elétrico, confirma um estudo feito agora  nos Estados Unidos e divulgado por aqui pelo Observatório do Clima 

 



O Nissan Leaf, carro usado como modelo pela pesquisa. Foto: Wikipédia.
O Nissan Leaf foi o carro elétrico usado como modelo pela pesquisa do MIT




9 em cada 10 dias de uso de carro hoje nos Estados Unidos poderiam ser supridos por veículos elétricos baratos, que já estão no mercado hoje e com uma única carga de bateria. O resultado disso seria uma economia de gasolina (e das emissões de carbono) em cerca de 60% naquele país que tem a população mais motorizada do mundo.  O carro elétrico poderia ser também uma solução sustentável no Brasil, como você verá depois, já na década de 70, um empresário João Conrado Gurgel, de Franca  e atuando em Rio Claro, cidades do interior paulista, já havia desenvolvido este tipo de carro, que foi então boicotado e tirado do mercado automobilístico brasileiro. No caso agora do estudo e da sua conclusão a que chegaram pesquisadores dos States e do MIT (o Instituto de Tecnologia de Massachusetts), ligados também ao Instituto Santa Fé, ambos nos Estados Unidos,  um relatório foi publicado nestes dias pelo jornal científico Nature Energy. Este relatório muito positivo em termos de desenvolvimento sustentável, que o Observatório do Clima está divulgando aqui em nosso país também, atende o objetivo de derrubar um tabu, desmontando um dos principais mitos que ainda impedem a adoção mais ampla dos carros elétricos, que seria uma suposta falta de autonomia dos veículos à eletricidade. "Este tabu ou mito não vem de hoje e vem sendo plantado nos Estados Unidos e em outros países também com o apoio do lobby petrolífero só agora na atualidade foram investidos 10 milhões de dólares na divulgação deste preconceito", comenta por aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha que ainda na década de 70 fez matéria com João Augusto do Amaral Gurgel Conrado sobre o carro elétrico que ele desenvolvera no Brasil para o programa Fantástico da Rede Globo e sofria dificuldades para entrar no mercado, a patente do invento acabaria sendo vendida para empresa automobilística dos Estados Unidos, enfim, nosso país poderia ter sido pioneiro nesta inovação, que já era viável há quase 40 anos atrás, mas foi bloqueada por outros interesses: "O Brasil poderia ter sido pioneiro e hoje estar exportando os carros com esta tecnologia sustentável, dando ao nosso país uma liderança importante na civilização atual do carro", conclui Padinha, apesar disso hoje feliz com a conclusão dos pesquisadores do MIT que vem resgatar enfim o valor extraordinário do carro elétrico.  




  Este carro elétrico da Gurgel foi pioneiro e boicotado

Hoje o carro elétrico plenamente desenvolvido nos States


Cairá o mito que os carros elétricos criam problemas por falta de autonomia? 


Chamada de “ansiedade de autonomia” o tabu contra esta alternativa de mobilidade urbana é um fato real segundo os cientistas, liderados por Jessika Trancik, do MIT, existe entre os consumidores uma noção ainda atualmente de que veículos movidos a eletricidade não possuem autonomia suficiente para realizar os deslocamentos cotidianos necessários. Isso obrigaria os usuários a parar para recargas demoradas de bateria numa rede de “postos de eletricidade”, rede  que não existe hoje nem aqui nem nos Estados Unidos, por falta de interesse ou por outros interesses. Desconfiados em função deste preconceito, o cientista Trancik e seus colegas resolveram captar e observar melhor os dados. Eles compilaram uma pilha de informações disponíveis em várias bases de dados sobre o real padrão de deslocamento de carro do cidadão americano médio em 12 cidades em todo aquele país. Essas bases existem graças ao GPS, que permite a programas como o Waze capaz de monitorar em tempo real o deslocamento de milhões de pessoas. O que os cientistas descobriram foi que a maior parte das viagens de carro são curtas, especialmente nas cidades. E que 87% dos dias de uso de automóvel poderiam ser supridos usando um carro elétrico popular tipo o modelo 2013 do Nissan Leaf, um veículo que custa de US$ 21 mil a US$ 29 mil, menos do que a média de preço dos 94 carros mais vendidos nos Estados Unidos na atualidade. Trancik e os pesquisadores da sua equipe construíram um modelo de transportes que levou em conta os deslocamentos e as variações no consumo de energia do Leaf com uma bateria de 19 kWh (por exemplo, se o ar-condicionado está ligado a autonomia cai) e chegaram à média de 73 milhas (117 km) por recarga. É mais do que suficiente para dar conta dos deslocamentos da maioria dos moradores das cidades estudadas. Supondo a média de uso dessas pessoas revelada pelos bancos de dados, a economia dos consumidores seria na proporção de 13 para 100. Na zona rural, onde as distâncias são maiores, esse número aumenta para 20. As recargas poderiam ser feitas em casa durante a noite, período de baixa demanda por eletricidade. A pesquisa alerta (e a gente aqui faz questão de mostrar também este outro lado da questão) que ainda não dá para aposentar desde já o carro com motor a gasolina ainda levando em conta longas distâncias e direção em maior velocidade, razão pela qual o consumo do combustível tradicional não cai na mesma proporção do potencial aumento na adoção de veículos elétricos no espaço urbano. Todo o levantamento em geral e em resumo aprova o uso urbano de carros elétricos a bateria como a solução econômica e ecológica, sustentável numa palavra. Há ainda um detalhe a mais que fortalece esta alternativa de transporte individual, caso os carros elétricos atendessem às metas do programa federal americano Arpa-e (Agência de Projetos Avançados de Pesquisa em Energia), elevando a capacidade da bateria para 55 kWh, estes carros poderiam atender a 98% da demanda americana. Uma bateria dessas deverá estar pronta para o uso comercial em poucos anos. Hoje, a meta climática americana de reduzir entre 26% a 28% as emissões de gases estufa até 2025 em relação a 2005 poderia ser cumprida com folga no setor de transportes usando carros elétricos, avalia a pesquisa que tem a marca muito respeitada do MIT: "O trabalho de Trancik e colegas mostra como os veículos elétricos podem suprir a maior parte da demanda por deslocamentos, o que torna sua baixa adoção um mistério", escreveu Willet Kempton, da Universidade de Delaware, em comentário ao estudo na mesma edição da Nature Energy. Não bastasse a desconfiança do consumidor, um verdadeiro tabu, os veículos a bateria elétrica ainda precisarão enfrentar uma ofensiva de propaganda da indústria fóssil nos USA: os irmãos Koch, financiadores do negacionismo climático americano, estão atualmente bancando uma campanha de 10 milhões de dólares para revalorizar e fazer bombar os combustíveis derivados de petróleo, atacando assim desta forma os subsídios do Governo dos Estados Unidos para carros elétricos. Esta informação foi divulgada em reportagem especial do DeSmog Blog e mostra como funciona o esquema para desbancar a maravilhosa opção que pode ainda vir a ser nos States, aqui e em todo o planeta o carro elétrico. 

  O carro elétrico faz parte de um futuro sustentável


Fontes: Observatório do Clima
             www.oeco.org.br
             www.folhaverdenews.com 
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10 comentários:

  1. Logo mais estaremos atualizando esta nossa seção de comentários, com mensagens e informações, aguarde e participe do debate sobre o carro elétrico. Até.

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  2. O internauta Murilo Souza, do Rio de Janeiro (RJ) que se formou na UFRJ em engenharia nos mandou um texto do site HypeScience: a seguir reproduzimos alguns trechos, complementando a nossa matéria de hoje aqui no blog da ecologia e da cidadania.

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  3. "Recentemente, a equipe do HypeScience teve o prazer de dirigir o Nissan LEAF, um carro 100% elétrico, com zero emissão de carbono. Ele já foi lançado e premiado em vários cantos do mundo (Japão, EUA e Europa), mas não no Brasil, assim como outros elétricos, como o principal concorrente do LEAF, o híbrido Prius, da Toyota. Por quê o Brasil não dá espaço aos carros elétricos?"...

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  4. "Segundo a Nissan, o LEAF não tem previsão de ser lançado no Brasil por que a legislação brasileira não favorece carros elétricos. Não há nenhum incentivo tributário à produção, comercialização e licenciamento de veículos elétricos aqui, o que acontece em outros lugares do mundo – graças ao conceito ambiental ligado aos carros elétricos, que não prejudica tanto o meio ambiente. Haveria também o sentido de garantir o mercado brasileiro para os combustíveis mais tradicionais", pergunta o mesmo Murilo Souza.

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  5. "Montadoras como a Nissan, Renault, Mitsubishi e General Motors tentam pressionar o governo brasileiro a conceder benefícios para os modelos elétricos e híbridos, mas a situação é completamente inversa: os elétricos pagam 25% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), porque nossa legislação não prevê carros sem motores a pistão. Isso significa que o governo enquadra o elétrico da mesma forma que um superesportivo com motor V12. Segundo o ex-prefeito de Curitiba, que foi secretário estadual do planejamento no governo do Paraná, Cássio Taniguchi, isso é um absurdo. “A legislação brasileira compara os elétricos como ‘carros para ricos’. Temos que mudar isso o mais rápido possível".

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  6. Cássio Taniguchi, assim como muitos especialistas em automobilismo, aprova os carros elétricos, acreditando que eles são o futur: “É a grande jogada, eles são a solução sustentável". A Nissan já informou que a carga tributária brasileira agregada ao preço final do produto é desproporcional e torna inviável a comercialização do Nissan LEAF. O IPI de veículos elétricos é o mesmo dos veículos mais poluidores a combustão: 25%. Isso também precisa mudar urgentemente.

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  7. Mande a sua informação, mensagem ou comentário para o e-mail do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou pro nosso editor de conteúdo, participando deste debate padinhafranca@gmail.com

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  8. A contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) é de 11,6%. O ICMS varia entre 18% e 19% dependendo do estado, enquanto o IPVA, apesar da isenção em sete estados, pode atingir até 4% em outros": comentário de José de Almeida Santos, de São Paulo (SP), que trabalha com importação e comercialização de carros.

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  9. "Outros países, como Portugal, Espanha, Japão e Austrália estão incentivando os elétricos, por causa dos seus benefícios. Portugal, por exemplo, estabeleceu a tributação dos automóveis com base nas emissões de poluentes e não de acordo com valor do bem. O Japão estuda uma forma mista, considerando o valor do carro e as suas emissões.
    O veículo elétrico gasta menos do que o carro convencional para percorrer o mesmo trajeto", é o que nos escreve Rubens Moretti, que é de Ribeirão Preto (SP), concluindo que "Estamos atrasados. O Brasil ainda não reconhece as vantagens dos veículos elétricos, o que prejudica a escolha do cidadão, dos consumidores e também o ambiente".

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  10. No vídeo que mostramos hoje aqui na TV Folha Verde News o repórter especializado em meio ambiente da Rede Globo, André Trigueiro informa que a tributação que incide sobre o carro elétrico no Brasil (ao contrário do que ocorre nos países de 1º Mundo) chega a 120%, o que está inviabilizando por aqui esta solução sustentável de mobilidade urbana. O elétrico mais básico, por conta desta tributação, custa cerca de 200 mil reais!...Esta legislação precisa mudar e não é de hoje. Será por que os parlamentares brasileiros ainda não mudaram isso?...

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