terça-feira, 9 de agosto de 2016

TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO QUE SERÁ RETOMADA PELO GOVERNO TEMER É CONSIDERADA UM GRANDE ERRO POR ESPECIALISTAS

O site Paraibaonline diz que aliados pressionam e Temer deve retomar Transposição e investir quase 2 bilhões até 2018 em obras paradas no Brasil: a polêmica está de volta aqui também no nosso blog do movimento ecológico, científico e de cidadania


A mídia nordestina tem mostrado a situação atual da megaobra


Deputados federais e da bancada paraibana estão pedindo ao Presidente interino do Brasil Michel Temer garantias de que o novo governo vai concluir as obras de transposição das águas do Rio São Francisco. Estão entregando a Temer um documento assinado por todos os parlamentares da Paraíba e dos Estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e Alagoas. Será que megaobras como esta polêmica Transposição são a melhor alternativa para a crise econômica e política do país? Há outras opções para o Nordeste enfrentar a maior seca de todos os tempos na região? Para responder a essa dúvida, procuramos em nosso arquivo de matérias por aqui no blog Folha Verde News o que alguns dos mais respeitados especialistas no assunto questionam sobre a Transposição do Rio São Francisco. Mesmo levando em conta as informações que nos chegam também agora do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe), alertando que o fenômeno do El Niño que ocorre nesse instante se assemelha ao que ocorreu em 1997 e 1998, marco duma grande seca no Nordeste, com a possibilidade real de causar hoje nesta sofrida região brasileira uma maior diminuição ainda do total das chuvas, o que poderá ser um marco negativo no clima e no ambiente do país, aumentando o sofrimento dos nordestinos agora em 2016. Mesmo pressionados por esta realidade, a seguir, fazemos questão de colocar as críticas à Transposição do Rio São Francisco, feitas por pesquisadores do Instituto Humanitas Unisinos para quem esta megaobra polêmica não é a solução sustentável para este problema socioambiental e mais ainda, que se trata dum grande erro.


Especialistas afirmam que a Transposição não irá resolver pro nordestino em geral

Solução sustentável para a seca não é a Transposição 


Críticos afirmam que Transposição só vai beneficiar o grande agronegócio

Aos poucos vai se confirmando o que os movimentos sociais, cientistas e especialistas diziam sobre a transposição do Rio São Francisco, esta obra monumental é um grande erro e se transformou num mico nas mãos das autoridades governamentais brasileiras, ainda mais nesse momento em que o governo federal foi transposto de Dilma Rousseff para Michel Temer. Uma análise da megaobra da seca foi elaborada pelo IHU, também por pesquisadores do Cepat (Centro de pesquisa que tem sede em Curitiba, no Paraná), com a participação decisiva de César Sanson, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em resumo, são apontados vários equívocos neste processo de transposição de águas que, em síntese, beneficia mais e quase exclusivamente a chamada indústria da seca e ao agronegócio, não ao geral da população, com colocações bem fundamentadas sobre erros e violações que vem ocorrendo no país em obras faraônicas. 

 
O que acontecer com o São Francisco acontecerá com o nordestino diz nosso editor


 Equívocos da transposição do São Francisco


Empreiteiras ávidas por mais recursos, obras paradas, cronograma adiado, problemas com licitações, aumento bilionário nos custos, canais rachados, túneis desabando, deslizamento de solo, empregos frustrados e caatinga devastada envolvem a transposição do Rio São Francisco. Já se coloca em dúvida se um dia a obra terminará e, ainda mais grave, vai se confirmando a denúncia da ineficácia da transposição para levar água aos que mais dela precisam. "A transposição do Rio São Francisco se transformou em um grande atoleiro e eu não vejo nenhuma perspectiva de ela ser bem sucedida", declarou com todas as letras João Abner, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em conjunto com o IHU.. Segundo Dr. Abner, "nenhum agricultor que, hoje, recebe água do carro-pipa receberá água da transposição desse rio, porque a água vai escoar em grandes rios, vai para as maiores barragens da região e será utilizada só pelo agronegócio". Já foram gastos pelo governo anterior do Brasil mais de 8 bilhões nesta megaobra. Na opinião de João Abner ainda, "com um terço do custo da transposição do Rio São Francisco seria possível construir um grande sistema de abastecimento de água para atender a todo o Nordeste e abastecer todas as casas da região". Por sua vez, João Suassuna, que é um respeitado engenheiro agrônomo naquela região, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, Pernambuco, também não deixa por menos: "este é um projeto tecnicamente ruim, socialmente preocupante e politicamente desastroso". Nas redes sociais nordestinas e na mídia regional de variadas formas têm saído críticas dentro de um tema, o Bispo tinha razão. O bordão se refere à posição do Bispo Dom Luiz Cappio, que é da Bahia, sempre foi contrário ao megaprojeto de Lula e chamou a atenção de gente de todo o mundo quando realizou jejuns ainda em 2005 e em 2007, alertando a opinião pública nacional e mundial sobre o fato desta megaobra ser um erro maior ainda. Cappio chegou a afirmar já que "a Transposição não deveria acontecer porque é algo mentiroso, uma obra antiética, antissocial, ecológica e economicamente insustentável: o tempo ou a história mostrarão a verdade de todas estas coisas e o sentido da nossa luta". E então o que a gente questionas aqui e agora é se o Governo Temer vai levar estas críticas em conta. Ou irá, não ouvindo o interesse maior da população nordestina, morrer a boa intenção nesta seca e ajudando de quebra a desequilibrar de vez ou até matar o Rio São Francisco. Essa é a questão que precisa urgente levar o Brasil a debater melhor todos estes fatos. 



Ecologistas dizem que a prioridade deve ser recuperar o São Francisco secando
 
Fontes: IHU - UFRN - Cepat - Paraibaonline
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. A respeito do alerta de cientistas sobre um aumento ainda maior da seca (secando até também o São Francisco, desequilibrado por falta de saneamento e despoluição) o nosso editor, o repórter e ecologista Padinha em várias postagens tem comentado que o que acontecer com este rio, acontecerá com o nordestino: "Temos que transformar essa profecia de seca e sofrimento numa nova realidade sustentável e feliz".

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  2. Logo mais por aqui nesta seção de comentários mais informações e mensagens, aguarde nossa edição e participe deste post importante para a economia e a ecologia da Nação, fundamental para a busca duma melhor qualidade ou condição básica de vida para o povo do Nordeste do Brasil.

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  4. "As principais críticas ao projeto feitas desde 2005 vão se confirmando, a gente se lembra aqui de inúmeras denúncias feitas pelo movimento social, pesquisadores e especialistas que estão se comprovando: 1. A obra seria muito mais cara que o previsto: de 5 bilhões iniciais já estão reajustadas em 6,8 bilhões, um aditivo de 1,8 bilhões, 36% em média. Há lotes ainda não re-licitados, o que vai onerar ainda mais o preço final. 2. Não atenderia a população mais necessitada: efetivamente, não pôs uma gota d’água para nenhum necessitado; antes desmantelou a produção agrícola local por onde passou. 3. O custo da água seria inviável: hoje o governo reconhece que o metro cúbico valerá cerca de R$ 0,13 (poderá ser ainda bem maior), seis vezes maior que às margens do São Francisco, onde muitos irrigantes estão inadimplentes por dívidas com os sistemas de água. Para ser economicamente viável, este preço terá que ser subsidiado, e é certo que o povo pagará a conta; 4. Impactaria comunidades indígenas e quilombolas: comunidades quilombolas impactadas são 50 e povos indígenas nove. As demarcações de seus territórios foram emperradas, patrimônios destruídos. No caso dos Truká, em Cabrobó – PE, em cuja área o Exército iniciou o Eixo Norte, o território já identificado é demarcado se aceitarem as obras. No caso dos Tumbalalá, em Curaçá e Abaré – BA, na outra margem, se aceitarem a barragem de Pedra Branca. Ainda não foi demarcado pela FUNAI o território Pipipã e concluído o processo Kambiwá, a serem cortados pelos futuros canais, ao pé da Serra Negra, em Pernambuco, monumento natural e sagrado de vários povos. Muitas destas comunidades resistem. Em Serra Negra povoado e assentamento de reforma agrária não admitem as obras em seu espaço. 5. Destruiria o meio ambiente: grandes porções da caatinga foram desmatadas. Inventário florestal levantou mais de mil espécies vegetais somente no Eixo Leste": estas são algumas das críticas que nos foram enviadas da Bahia pelo pesquisador Rubens Siqueira.

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  5. "Precisamos colocar ainda mais duas das consequências graves a serem totalmente comprovadas, que só teremos certeza se a obra chegar ao fim: vai impactar ainda mais o rio São Francisco agonizante e não vai levar água para os necessitados do Nordeste Setentrional. Enfim, a Transposição é para o agro-hidronegócio e pólos industriais do Pecém (CE) e Suape (PE), que são os únicos beneficiados na realidade": o comentário é de Jonas Batista Silva, de Crato, no Ceará, que tem feito há anos pesquisa em jornais da região nordestina sobre os erros da Transposição.

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  7. "Sem revitalizar o São Francisco não terá água nesse rio histórico para fazer a transposição": quem comenta é José Peres, representante comercial que fez viagem pelo norte de Minas e sul da Bahia e se espantou "com a secura na região, além de trechos poluídos, o São Francisco precisa ser recuperado antes de mais nada".

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  8. "Esta verba de 2 bilhões na minha opinião deveria ser destinada ao saneamento básico e despoluição dos rios, também ao longo do São Francisco, sem o quê não há nem transposição nem futuro em nossos recursos hídricos já escassos": comentário de Marina Soares, de Salvador, que pesquisa os recursos naturais e hídricos em trabalhos feitos pela Universidade Federal da Bahia.

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