sexta-feira, 16 de setembro de 2016

EM 13 ANOS 891 INDÍGENAS FORAM ASSASSINADOS NO BRASIL E ISSO É UM GENOCÍDIO

Dados do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) mostram que desde 2003 vêm sendo registradas 68 mortes violentas de índios por ano no país

 

 
Aqui, uma das crianças indígenas mortas recentemente


Ivan Richard, da Agência Brasil, nos revela o Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, que questiona o total de assassinatos de índios pode ser ainda maior já que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) reconhece que os números repassados ao Cimi podem estar defasados. Por sua vez, segundo o Cimi, os dados enviados pela Sesai foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e não permitem uma análise mais aprofundada, pois não contêm informações detalhadas das ocorrências, como faixa etária das vítimas, localidade e o povo. A quantidade de indígenas assassinados por ser ainda maior. Outra questão sobre a incerteza dos dados dificulta uma clara percepção da autoria dos homicídios, se eles tiveram como pano de fundo a disputa pela terra consequência do fato dos indígenas não estarem vivendo em seus territórios tradicionais. Dono da maior população indígena do país, o estado de Mato Grosso do Sul também registrou o maior número de casos de assassinatos de índios. Segundo o Cimi, com informações do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSei) de Mato Grosso do Sul, em 2015 foram registrados 36 casos de homicídios. Deste total, 34 vítimas eram do sexo masculino e duas do sexo feminino. Em relação à faixa etária, 33% das vítimas tinham entre 10 e 19; 36% tinham entre 20 e 29 anos; 16%, entre 30 e 39 anos e 15% estavam acima de 40. Dourados, no sudoeste matogrossense, segue sendo o município com o maior número de mortes violentas de índios neste estado, um dos mais violentos em relação aos povos nativos. O Cimi registrou em 2015, 52 casos de violência com 54 vítimas de assassinatos nos estados do Acre (1), Amapá (3), Amazonas (4), Bahia (5), Maranhão (3), Mato Grosso do Sul (20), Minas Gerais (1), Pará (2), Paraná (5), Pernambuco (1), Rondônia (1), Roraima (1), Santa Catarina (1) e Tocantins (6). O número de assassinatos foram levantados a partir de informações de equipes que atuam nas 11 regionais deste Conselho Indigenista em todo país e também através dos meios de comunicação. Das 54 vítimas, oito eram do sexo feminino e tinham idades entre 9 e 82 anos. Uma criança do sexo feminino, de 9 anos, está entre as vítimas. As outras 46 pessoas eram do sexo masculino e tinham idade entre 2 e 75 anos. Do total de vítimas, incluindo homens e mulheres, nove eram menores e tinham entre 2 e 17 anos, informa também o relatório.  Algumas mortes ocorreram em decorrência de brigas ou consumo de álcool, mas em muitos casos se constatou que as mortes foram consequência de conflito fundiário. Sobre o tipo de arma usada, os dados do relatório indicam que 21 indígenas morreram por armas brancas e 15 por armas de fogo. Em relação aos conflitos fundiários, povos indígenas lutando por suas terras históricas,  há “omissão” dos órgãos estaduais e federais, segundo critica o relatório do Cimi: "Os órgãos estaduais e federais são omissos e coniventes diante dos crimes praticados contra os povos indígenas e o meio ambiente. A promiscuidade existente entre madeireiros e autoridades locais incentiva a exploração ilegal da madeira, um crimeque gera altos lucros, o que em tese explica a omissão das autoridades, como destaca a ABA, a associação brasileira de Antropologia.


Um conflito que exige a intervenção do estado e também da ONU



Em regiões com mais Agronegócio, mais ocorrências contra índios


No relatório, chamou atenção o aumento de indígenas assassinados no Tocantins (6) e no Paraná (5): "Há, nessas regiões, um forte incentivo a projetos ligados ao Agronegócio que incidem de modo intenso sobre os territórios indígenas em demarcação ou reivindicados como sendo de ocupação tradicional".  De acordo com o documento, a expansão do Agronegócio carrega consigo para as comunidades tradicionais o consumismo, o álcool, as drogas, o preconceito e outros fatores que geram violência. "Nesse contexto, os povos originários tornam-se vulneráveis e ocorrem problemas internos, entre indígenas, e externos, na disputa pela terra", destaca o Cimi. O relatório agora também calculou os casos de tentativa de assassinatos contra indígenas. Ao todo no período de um ano foram registradas 31 tentativas em Alagoas (1), no Amazonas (2), Maranhão (7), em Mato Grosso (3), no Mato Grosso do Sul (13), em Minas Gerais (1), no Pará (1), em Santa Catarina (1), no Rio Grande do Sul (1) e no Paraná (2). "Diante de todos estes número não há como negar uma violência crescente e até um processo de genocídio contra os povos indígenas", comentou por aqui no blog da eco0logia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha depois de analisar na íntegra os dados do relatório sendo divulgado agora em 2016. E a nós todos cabe deixar no ar essa questão: autoridades nacionais e internacionais, bem como a ONU, devem com urgência em cima destas informações, buscar um plano para mudar esta realidade de violência e de desumanidade. 


Indios de várias etnias foram à Brasilia em defesa....

...do direito à vida dos povos nativos do Brasil

A ABA fez uma manifestação contra os assassinatos de índios

Fontes: Agência Brasil
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) afirma, em nota pública divulgada no início dessa semana, que a omissão do Estado brasileiro diante da violência contra os povos indígenas no Mato Grosso do Sul “poderá ficar nos registros da história do país e do indigenismo brasileiro, naquela região, como de clara conivência com algo que aparenta ser uma ação de extermínio planejado de um povo, em pleno século XXI”.

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  2. No texto da nota, a ABA enumera diversos casos de violência contra lideranças indígenas, envolvendo espancamentos e assassinatos lembrando que no âmbito da Comissão Nacional da Verdade (CNV) o Relatório Figueiredo trouxe à sociedade crimes de mesma espécie cometidos no decorrer do século XX, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985).
    Para a ABA, a paralisação das demarcações das terras indígenas é um dos vetores deste genocídio em curso: “Pode-se afirmar que as inadimplências administrativas que emperram a publicação dos relatórios de identificação e delimitação das terras indígenas, a insegurança devida à ineficiência dos órgãos policiais, a atuação corrente e muitas vezes impune, de empresas de segurança e de capangas, unidas à judicialização dos processos de demarcação de terras, têm contribuído para inflamar em Mato Grosso do Sul um clima de tensão, no qual se consuma de forma paulatina um genocídio claramente anunciado”.

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  3. Os governos, o estado, o Ministério Público, as entidades internacionais, até a ONU precisam tom,ar atitude diante desta realidade de violência, como é o caso no Mato Grosso da situação dos Guarani Kaiowa e Ñandéva no Mato Grosso do Sul.

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  5. "Não é só a Anistia Internacional, a própria opinião pública mundial está de olho nessa situação de violência contra os índios no Brasil, refugiados do país em que foram os primeiros habitantes": quem comenta é Dario Mendes Gonçalves, advogado, que atua junto à OAB na região de São José dos Campos (SP).

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  6. "Impressiona a quantidade de problemas e a pouca habilidade ou capacidade dos órgãos governamentais de solucionar as dificuldades, como a constante perseguição, marginalização e extermínio dos povos indígenas": comentário de Rui Pereira, de São Paulo (SP), sociólogo que pesquisa a violência contemporânea.

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  7. "Os índios e todo o povo do Brasil merecem toda a prioridade mas os governantes em geral parecem ter outra perspectiva": comentário de Roseli Alves, de Ribeirão Pires (SP), educadora ambiental.

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