quinta-feira, 29 de setembro de 2016

VIOLÊNCIA: PM AGRIDE 150 JORNALISTAS AO LONGO DE 5 ANOS DE MANIFESTAÇÕES E PROTESTOS EM SÃO PAULO


Ministério Público ouve relatos de jornalistas agredidos pela polícia paulista considerada pelo SindJor e pela Anistia Internacional, como uma das mais violentas do país: especialistas já defendem uma nova estrutura na segurança pública em São Paulo, onde a estratégia policial ainda é a mesma dos tempos da Ditadura Militar





A gente recebeu aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News mensagens de jornalistas e também a matéria de Bruno Bocchini, feita para a Agência Brasil: em resumo, o Ministério Público do Estado de São Paulo já ouviu em audiência pública na capital paulista, vários profissionais da imprensa que foram agredidos ou tiveram o trabalho cerceado pela polícia nas manifestações de rua em São Paulo nos últimos 5 anos. Os depoimentos foram recebidos formalmente pelo Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos e serão incluídos em inquérito civil que já está aberto, as ocorrências serão também repassadas às promotorias criminais do MP. 18 profissionais de imprensa já relataram terem  sofrido violência por parte da polícia em manifestações, mesmo estando identificados como jornalistas. Nos depoimentos, os profissionais narraram ter recebido tiros de balas de borracha no rosto, golpes de cassetete na cabeça, jatos de gás pimenta na face e xingamentos. Os jornalistas contaram também que tiveram equipamentos, como câmeras e cartões de memória, destruídos pelos agentes policiais do Estado de São Paulo. Na maioria dos depoimentos, os repórteres acreditam que desde as manifestações de 2013 repórteres passaram a ser alvo de ações violentas da polícia em razão de darem publicidade a maneira como os agentes do estado atuam nos protestos.em ações que a Anistia Internacional e a própria ONU comparam com a forma de repressão nos governos ditatoriais que foram substituídos no Brasil pelo estado de direito desde os anos1985 e 86.



Centenas de fotos, vídeos e depoimentos já foram reunidos pelo MP....

...sobre os mais variados casos de agressão a repórteres pela PM....

...esta situação chama a atenção da Anistia Internacional e até da ONU


Por exemplo, o repórter fotográfico do jornal Folha de S.Paulo, Fábio Braga, no seu depoimento relatou que em uma manifestação em junho de 2013, foi baleado a queima-roupa com munição não letal por um policial militar porque não quis deixar de fotografar a ação de um agrupamento da Força Tática que encurralou manifestantes junto a uma banca de jornal no centro de São Paulo perto da Rua da Consolação: "O que fica muito claro é que os repórteres acabaram virando alvo, vi destacamento  encurralando manifestantes junto a uma banca de jornal, o que virou um pega prá capar ali, porque as pessoas não conseguiam escoar pela calçada. Ao registrar isso, teve um policial que pediu que eu saísse do caminho. Além de identificado com o crachá, estava com colete de fotógrafo. Eu disse que não ia me retirar, porque estava cobrindo a manifestação e me identifiquei como repórter da Folha. O que aconteceu foi que o policial deu um tiro a queima roupa na minha perna. A bala furou a calça, me deixou com uma cicatriz de uns 12 centímetros, fiquei ensanguentado na perna, cai e fui ali socorrido só por outros repórteres".  Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Paulo Zocchi, "registramos mais de 150 jornalistas agredidos no Estado de São Paulo por policiais em manifestações, está claro que há uma ação da PM deliberadamente voltada contra os profissionais de imprensa, o que é uma violência também à liberdade de expressão".  Esta situação ocorre segundo fontes do MP porque os repórteres registram por meio de fotos, filmagens, gravações ou simples testemunhos, as ações abusivas das forças policiais contra os manifestantes. A polícia não quer que sua ação seja documentada pela mídia.  Além da violência contra a liberdade de expressão e manifestação, o arbítrio atinge o direito à informação, atenta contra a integridade física da população, no caso, os manifestantes e dos jornalistas trabalhando em eventos de massa. Este tipo de BO ocorreu também agora recentemente com a PM agredindo torcedores de time de futebol em Itaquera tirando "na marra e na pancadaria faixas de protesto que a Gaviões da Fiel exibia". A CBF proíbe exibição de faixas de protesto, algo que é antidemocrático, mas para coibir este tipo de manifestação pacífica não é legítimo que os policiais usem a força e estimulem a violência em meio a uma multidão.


São Paulo - O fotógrafo Sérgio Silva, que perdeu um olho após ser atingido por uma bala de borracha (Rovena Rosa/Agência Brasil)
O Sindicato dos Jornalistas está sendo ouvido neste processo do Ministério Público


Fontes: Agência Brasil - MP - SindJor
       www.folhaverdenews.com
 








8 comentários:

  1. Yan Boechat, jornalista profissional há 20 anos, colaborador de veículos como a revista IstoÉ e o jornal Valor Econômico, relatou ter sido agredido, em uma manifestação em SP por 13 policiais em um posto de combustível após ter registrado com sua câmera agressões dos policiais contra um membro do Grupo de Apoio ao Protesto Popular (Gapp), um coletivo que faz atendimento de primeiros socorros a manifestantes feridos.
    “Eu vi um menino que trabalha no Grupo de Apoio aos Protestos Populares sendo agredido barbaramente por uma série de policiais e comecei a fotografar essa cena. Um policial chega para mim e diz: não fotografa porque eu vou tomar a sua câmera. Eu disse: eu sou profissional e estou trabalhando. Nisso, ele disse para mim: eu também estou trabalhando, me xingou e começou a me agredir. Em seguida, uma colega registrou, 13 policiais ficaram em volta de mim e me espancaram não sei por quanto tempo".

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  2. Este é um depoimentos colhidos neste processo do Ministério Público em São Paulo, a gente está divulgando aqui com o objetivo duma nova estrutura policial que proteja a população e os jornalistas em eventos de massa, onde mais importante do que a força é a tática, a estratégia e a inteligência, tudo o que a PM não tem praticado em São Paulo ao que parece com o apoio do governo paulista.

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  3. Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Paulo Zocchi, foram registramos mais de 150 jornalistas agredidos no estado de São Paulo por agentes do estado em manifestações. Segundo ele, há uma ação da polícia deliberadamente voltada contra os profissionais de imprensa. “Em nosso entender há uma violência policial dirigida contra os jornalistas porque eles registram por meio de fotos, filmagens, gravações ou simples testemunhos, as ações abusivas das forças policiais contra os manifestantes. A polícia não quer que sua ação seja nem ao menos registrada pela imprensa. Além da violência contra a liberdade de expressão e manifestação, o arbítrio atinge o direito à informação e à liberdade de imprensa e atenta contra a integridade física de manifestantes e jornalistas”.

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  4. Segundo o promotor de Justiça de Direitos Humanos, Eduardo Valério, que presidiu esta audiência pública, os depoimentos vão servir de prova no inquérito civil demonstrando que os profissionais da imprensa têm sido hostilizados nas manifestações por policiais militares. De acordo com ele, o MP pretende com a ação fazer alterações estruturais na polícia. O promotor de justiça fez relato detalhado durante audiência pública sobre o fotógrafo que perdeu um olho ao ser atingido por uma bala de borracha.

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  5. “Nós vamos trabalhar a partir dessa audiência pública em encaminhamento voltado para mudanças estruturais [na polícia] tentando buscar junto ao Governo do Estado, junto à polícia, ao comando da PM, procedimentos de atuação, protocolos de atuação, para tentar demovê-los da maneira que como eles vêm atuando e fazê-los exatamente respeitar o trabalho da imprensa, buscando um protocolo que seja compatível com o modelo democrático de polícia”, explicou Paulo Zocchi, que preside o SindJor.

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  6. A audiência pública enfocada hoje aqui neste blog de cidadania foi feita pelo Ministério Público em parceria com o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Artigo 19, Sou da Paz e Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP). Ao final da audiência, o Ministério Público insistiu para que a PM se manifestasse, mas nenhum representante da corporação quís falar e a PM ainda não se pronunciou oficialmente.

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  7. "Este post deveria entrar no programa dos candidatos de todo lugar": comentário de Júlio Moreira, de São Paulo (SP), executivo de shows.

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  8. "Este evento na USP mostrou na minha opinião que a livre expressão em São Paulo, no Brasil, está bem precária": comentário de Neusa Fernandes, de Belo Horizonte (MG), que atua com Mídia e Pesquisas.

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