quarta-feira, 5 de outubro de 2016

ENFIM UMA BOA NOTÍCIA PARA O MEIO AMBIENTE (ALGO RARO NO BRASIL COM CADA VEZ MAIS PROBLEMAS E ERROS NESTE SETOR)



Surgiu agora a promessa que irá diminuir o apoio do BNDES a usinas térmicas fósseis, termelétricas, até megahidrelétricas e na mesma proporção aumentar linhas de financiamento para energias limpas como Eólica e Solar: o movimento ecológico, científico e de cidadania já luta para que isso venha a ser real e não mais um sonho brasileiro de verão







Camila Faria e Cláudio Ângelo, através do Observatório do Clima, nos estão informando que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou que cortará o financiamento a usinas mais poluentes, em especial termelétricas movidas a carvão mineral e a óleo combustível, as que mais emitem gases de efeito estufa. A decisão faz parte da nova política de financiamento para o setor elétrico, algo que segundo o site O Eco já valerá para os próximos leilões de energia. Além disso, este banco aumentou sua participação máxima em projetos de Energia Solar, com extensão do crédito em TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, forma de financiamento que oferece juros subsidiados, inferiores à taxa básica) de 70% para 80%. Foram mantidos os percentuais de 80% e 70%, respectivamente, para projetos de eficiência energética e para fontes de energia renovável mais consolidadas, como a Solar, Eólica, Biomassa, pequenas centrais Hidrelétricas e formas sustentáveis de cogeração. Outra novidade está também sendo prometida, a redução da participação do BNDES em créditos com TJLP para grandes empreendimentos tipo Megahidrelétricas, de 70% para 50%. O banco vem sofrendo críticas de pesquisadores e ambientalistas dentro e fora do país por financiar com juros subsidiados (ou seja, recursos do Tesouro) grandes usinas, como Belo Monte, de R$ 30 bilhões. Às operações desta natureza em financiamentos deste banco com taxas de juros a longo prazo tem sido atribuído em parte o desequilíbrio fiscal do Brasil, daí a mudança de rumo do BNDES. Por enquanto é uma mudança anunciada mas ainda não implementada, sendo realmente necessária para a economia e a ecologia do país. 

 
As poluentes termelétricas podem vir a ser abandonadas no Brasil até 2024




Entre uma promessa de mudança e a realidade energética brasileira real 

Em entrevista coletiva, a superintendente de Infraestrutura e Sustentabilidade do BNDES, Marilene Ramos, ex-presidente do Ibama, explicou que a nova política decorre de dois fatores: os recursos restritos de que o banco dispõe e o obrigam a fazer escolhas e a vontade do governo de atuar em linha com os compromissos de baixa emissão de gases de efeito estufa, que foram assumidos no Acordo de Paris da ONU em busca de diminuir o caos do clima e do ambiente. Na prática, caso a decisão oficial se confirmar, este anúncio funciona como uma sinalização política do que viria a ser um desinvestimento em fósseis muito poluentes: esta tendência tem ganhado força em outros países, onde governos, empresas e fundos vêm cortando sua participação no setor de carvão mineral, o mais sujo dos combustíveis e por outro lado, apoiando mais a implantação de fontes limpas de energia. O fato é que no Brasil entre 2013 e 2015, o BNDES aprovou financiamentos de mais de 465 milhões para esses dois tipos de termelétricas poluentes para o meio ambiente e caras para o consumidor, enfim, antieconômicas e antiecológicas. Esses financiamentos, que devido aos juros equivalem a investimentos de R$ 1,5 bilhão, na verdade serão mantidos. A mudança de estrutura energética está programada dentro do último Plano Decenal de Energia, que traça o mapa da nova matriz brasileira até 2024, por exemplo, já prevendo uma redução da capacidade instalada em térmicas a óleo combustível. Essas usinas são as mais caras de operar. Hoje há 3.586 megawatts instalados no país e a previsão oficial é de queda nessa capacidade para 3.201 megawatts pelo menos em 2024. As termelétricas a carvão têm uma expansão projetada de 3.064 megawatts hoje para 3.404 megawatts até 2024. A nova política poderá afetar projetos novos como a usina de Ouro Negro (600 megawatts), no Rio Grande do Sul, que ainda não foi leiloada. Mas empreendimentos que já receberam aval do banco seguirão sendo financiados. Para Barbara Rubim, coordenadora de campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, a decisão é um primeiro passo fundamental nas definições de políticas em prol dos objetivos do Acordo de Paris e este rumo precisa se expandir para outras áreas do governo: "De maneira geral, a notícia é positiva, uma sinalização forte para melhorar financiamento pra Energia Solar e reduzir apoio aos combustíveis fósseis. A gente realmente espera agora que isso seja acolhido pelas outras esferas do governo, com o Planejamento. E é um farol também para o setor privado". Pena que não seja para já...Para Brent Milikan, da International Rivers em Brasília, a decisão sobre grandes Hidrelétricas reflete em parte a mentalidade do setor hoje. "Você tem essas megaobras que estão muito mais difíceis de financiar, há muita insegurança de retorno, atrasos, um mercado de energia que não é lá essas coisas e ainda a questão hidrológica, com impactos das mudanças climáticas sobre a vazão dos rios", afirmou Milikan, lembrando que o potencial maior projeto hidrelétrico que poderá ter financiamento do BNDES, a usina de São Luiz do Tapajós, já teve seu licenciamento negado pelo Ibama. Todo o movimento ecológico, científico e de cidadania espera que estes fatos e estes novos anúncios venham a se concretizar e sejam o início de uma mudança na estrutura energética brasileira. Nosso país é um dos mais ensolarados do planeta, um dos com maior potencial energético através do vento, mas estas fontes limpas de energia ainda são muito minoritárias por aqui. E ainda há, segundo especialistas no setor, um outro cenário, a pressão do fantasma dos financiamentos chineses que não levam em conta a sustentabilidade nem o equilíbrio entre os interesses econômicos com os ecológicos. 



 
Uma cogeração entre energia solar e eólica já foi implantada na Austrália

Placas solares como esta deveriam ser implantadas em rios e represas daqui




Fontes: Observatório do Clima

             www.oeco.org.br

             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. Projetos, promessas, anúncios que têm um conteúdo sustentável são sempre importantes demais, diante da atual realidade energética brasileira. Mas são apenas, pelo menos por enquanto, projetos, promessas e anúncios...

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  2. Assim como agora faz projetos, promessas e anúncios o BNDES, há uns 2 anos o Ministério de Minas e Energia divulgava que iria implantar placas solares sobre as águas de represas de hidrelétricas, para assim diminuir apagões e tornar mais econômica e mais ecológica a energia no Brasil.

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  3. O início desta forma de captação de Energia Solar em represas estava marcada para Sobradinho na Bahia em setembro de 2015. E em seguida, as placas solares iriam atualizar e avançar também a rede de hidrelétricas do Rio Grande, por aqui em nossa região, que abastecem todo o Sudeste do país. Até agora, nada. Nem se fala mais nisso.

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  6. "Meu comentário é que não sei disso,não sei não, acho que se trata do chamado balão de ensaio, espero que eu esteja enganado e que o BNDES venha mesmo a priorizar energias limpas no Brasil": quem comenta é Hugo Sanches, espanhol, engenheiro, que hoje atua em consultorias em São Paulo (SP).

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  7. "Placas solares de energia nas represas do Rio Grande, é o futuro chegando por fim ao sertão de Minas e São Paulo, perdido no tempo, no espaço, no desgoverno ambiental que acaba com o que temos de mais precioso, nossa natureza": comentário de Isabel Martinez, de Ituverava (SP), advogada.

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