sábado, 15 de outubro de 2016

REFUGIADOS DA VIOLÊNCIA: HOJE SÃO MILHARES DE LATINOS MIGRANDO DA AMÉRICA CENTRAL PORÉM SENDO BARRADOS NOS ESTADOS UNDIOS E MÉXICO

Um problema humanitário extremamente grave: o Brasil e outros países da América do Sul deveriam dar abrigo a este imigrantes mesmo tendo problemas hoje no mercado de trabalho a situação não se compara com o sufoco urbano que população sofre em Honduras, Guatemala, El Salvador e a ONU precisa urgentemente mobilizar uma solução internacional para este drama latino



Jovens fogem de Honduras, Guatemala e El Salvador



A tragédia dos refugiados na Europa tem uma versão na América Latina, causadora de sofrimento para milhares de pessoas neste momento em que a violência urbana cresceu demais em Honduras, Guatemala e El Salvador, tanto por parte de gangues armadas como de forças policiais, que deveriam garantir a segurança pública e não fazem isso, esta situação está provocando uma onda de migração em massa, segundo relatório divulgado hoje pela Anistia Internacional sobre refugiados na América Central. "Pela dimensão que já alcança, é um deslocamento que já extrapola a escala individual e já virou um fluxo migratório na realidade sofrida do povo da América Central", disse a especialista em direitos humanos e internacionais, Marina Motta. As pessoas dessa região do planeta não aguentam mais o ambiente de ameaça, extorsão, violência de variadas formas e são obrigadas a sair do seu país em busca de sobrevivência em nações um pouco mais ricas ou menos problemáticas. O problema se agrava mais ainda porque no México e Estados Unidos, onde os refugiados dessas nações enxergam possibilidades de se inserir no mercado de trabalho, estão sofrendo deportações ilegais. "Eles não estão sendo reconhecidos como solicitantes de refúgio, estão sendo recusados, rejeitados, na prática a possibilidade de buscar refúgio no México e nos Estados Unidos está sendo negada a eles que ficam perdidos no meio do caminho", explicou Marina Motta, da Anistia Internacional, argumentando que isso fere a regra de ouro da Convenção do Refugiado, que é o princípio humanitário de não devolução ou de aceitação dos imigrantes, uma tragédia anunciada, que é o destaque entre as notícias de hoje na Agência Brasil, onde Alana Gandra faz uma matéria especial sobre estes fatos. Ela nos informa que os refugiados têm sido obrigados a retornar a seus países de origem, onde as autoridades dos seus governos fazem parte desse contexto de violência, de negligência e também não se responsabilizam pela proteção dessas pessoas, chamadas retornadas, que acabam sujeitas às mesmas condições das quais estavam fugindo e possivelmente, ainda mais estigmatizadas e marginalizadas. O relatório cita o caso do motorista de ônibus de Honduras, Saul, de 35 anos, que fugiu para o México em novembro do ano passado, após sofrer um ataque de gangues que atuam sobre o setor de transportes e, ao ter o pedido de asilo negado, foi morto no seu país de origem, menos de três semanas depois de ser deportado em julho de 2016.  Agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e outros organismos internacionais estão dando apoio financeiro a esses três países da região do Triângulo Norte da América Central para que invistam em prevenção e redução da violência, estratégias de desenvolvimento local e melhoria das condições de vida. Este ano, os Estados Unidos anunciaram que, a partir de 2017, vão aportar US$ 750 milhões a esse programa de cooperação internacional para um Plano da Aliança para a Prosperidade, com objetivo de apoiar pessoas deportadas cuja vida está em perigo. As Nações Unidas e entidades humanitárias também pedem uma revisão da má vontade das autoridades dos Estados Unidos e do México em receberem estes imigrantes da América Central. No caso da Guatemala, Honduras e El Salvador, estes governos não divulgam como vão utilizar o dinheiro do apoio norteamericano. Jornalistas afirmam que há mesmo grande chance desse dinheiro ou sumir ou não ser implementado em programas que, de fato, melhorem as condições de vida dessas pessoas, que estão perdendo tudo. A Anistia Internacional alerta que há um histórico de desvio de recursos que fez com que projetos similares anteriores fracassassem e então defende que haja transparência no uso agora destes recursos e que eles sejam direcionado para políticas baseadas em direitos humanos, em segurança, desenvolvimento, prevenção da violência e não simplesmente como um pacote teórico de medidas de tolerância zero. Entre tantos problemas, o momento é da necessidade urgente que países aceitem os milhares de refugiados, essa é a questão principal ou o maior desafio. 750 milhões de dólares talvez devessem ser investidos é numa forma de apoiar o acolhimento dos refugiados em outros países da América do Norte ou da América do Sul. 




Refugiados da América Central e da violência urbana


Brasil é convocado a acolher os refugiados da América Central 



Embora o Brasil não seja neste momento um país rico em termos de oportunidades para esses migrantes, a Anistia Internacional afirma que os brasileiros podem contribuir de forma emergencial para dar abrigo aos migrantes da América Central, tendo em vista que está sendo dificultado ao máximo o acesso para mercados como México e Estados Unidos. Hondurenhos, guatemaltecos e salvadorenhos deportados acabam indo para países vizinhos, como Panamá, que tem 4 milhões de habitantes e já abriga 3.400 refugiados; Costa Rica, cuja população oscila em torno de 5 milhões de habitantes já recebeu até agora 3.600 destes imigrantes, Belize e Nicarágua são países de renda média mais baixa e então oi acolhimento fica mais precário e mais difícil ainda. Setores da ONU já falam que o Brasil, como potência regional e com um histórico de receber imigrantes, deveria se propor a resolver esse problema e receber mais refugiados do Triângulo Norte da América Central. O Brasil tem, no momento, 9 mil refugiados de variadas origens, inclusive da Síria, do Oriente, mas esta quantidade é relativamente pequena demais: "Apesar de o Brasil apresentar taxa atual de desemprego de 11%, a situação é muito mais grave nos países menores, como a Costa Rica, por exemplo, onde o nível de desempregados atinge 17%, ou o Panamá, com 14%", comenta Marina Motta. Ela destaca que o Brasil nem precisa assumir um papel de liderança ou de exclusividade na recepção destes refugiados, "mas precisa fazer alguma coisa e tem condições para isso". Além do mais, a ONU, agora com um secretário geral ligado às lutas humanitárias, o ex-1º Ministro de Portugal, António Guterres, deveria nesta emergência mobilizar investimentos de países mais ricos no Brasil como uma forma de apoio à solução sustentável deste drama e de ampliação do potencial de mercado de trabalho brasileiro em meio à crise da economia que nosso país sofre hoje. A possibilidade de o Brasil ter apoio financeiro internacional para poder receber esses refugiados existe, precisa ser efetivada para ser possível agora a criação de políticas públicas para a integração responsável dos refugiados. O presidente brasileiro Michel Temer que neste fim de semana está na Índia em reunião com os países do Brics deveria colocar em pauta esta situação dos imigrantes da América Central. Atualmente, todos os países do mundo estão precisando fazer um esforço para receber essa população em situação de extrema urgência. Outra informação é que na atualidade há mais de 20 milhões de pessoas buscando refúgio. A tragédia dos refugiados está chegando ao Brasil agora vinda de bem perto do nosso país. 

A América Central entrou de vez no mapa dos refugiados

Causa: Honduras, Guatemala e El Salvador sofrem grande violência


Fontes: Agência Brasil - Reuters - BBC
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Recentemente em Washington, enquanto o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reunia com autoridades de El Salvador, Guatemala e Honduras, dezenas de pessoas ligadas a causas humaniotárias protestavam do lado de fora da Casa Branca contra a maneira que os States está gerenciando a crise da chegada em massa de crianças sem documentos migrando da crescente violência urbana da América Central.

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  2. Agrupados ao redor de um círculo e com cartazes e bandeiras, cidadãos humanitários que são latino-americanos ou também norte-americanos pediram a Obama que faça frente às “raízes” do fenômeno para acabar com a “violência e desigualdade” nessas nações da América Central.

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  3. Também o jornal e site da Espanha El Pais alerta que se respeite mais os direitos humanos dos migrantes e que não separe às famílias das pessoas sem documento que chegam aos EUA, como é agora o fluxo de refugiados latinos da América Central.

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  4. “Proteção e reunificação para a infância centro-americana”, se lia num cartaz da manifestação diante da Casa Branca: “Financie a educação e não a militarização”, era a mensagem num outro. Também se ouviam pedidos aos presidentes dos países de origem dos imigrantes, para que solucionem uma “política econômica frustrada” e priorizem as estratégias de prevenção do consumo de drogas invés da estratégia policial de perseguição e somente de repressão.

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  5. Protestos pacíficos têm acontecido em muitas pequenas concentrações em Washington há meses e agora, a Anistia Internacional e a ONU parecem ter acordado para o drama dos refugiados da América Central. O Brasil precisa urgentemente participar da solução humanitária e sustentável deste drama dos refugiados latinos.

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  8. "O Brasil deveria propor um pacote de recursos de governos e de empresas de países em melhores condições neste momento da crise da economia e assim ajudar mesmo estes refugiados latinos que são nossos irmãos de continente": comentário de Hermes Castro, de São Paulo (SP), que está tentando fazer uma manifestação neste sentido na capital paulista, na USP.

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