quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SECA POR DECRETO: A AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS DECRETA VAZÃO MENOR DO QUE A MÍNIMA NO RIO SÃO FRANCISCO AGORA


Interesse da Chesf versus ecologia: isso está por trás do decreto duma nova redução da vazão de barragens no São Francisco secando cada vez mais e carente mais ainda duma revitalização de suas águas fundamentais para a natureza e a população de grande parte do interior do Brasil







Sobradinho - A Usina Hidrelétrica de Sobradinho tem capacidade total de 1050 megawatts, mas com a falta de água só tem sido possível gerar cerca de 160 megawatts (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Vazão chega a um volume mínimo dos mínimos das águas do São Francisco







É uma espécie de seca por decreto, também por decreto...Desde janeiro deste ano, a vazão mínima da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, no São Francisco, estava em 800 metros cúbicos por segundo mas a Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou a redução da vazão mínima das barragens de Sobradinho (BA) e Xingó (AL/SE), agora neste rio para 700 metros cúbicos por segundo (m³/s). O limite, que valerá até o dia 31 de janeiro de 2017 e  é o menor já adotado para os dois reservatórios, mas esta decisão poderá ser suspensa, dependendo de nova avaliação técnica. A resolução da agência das águas autorizando a redução foi publicada no Diário Oficial da União. A redução do volume de água que sai dos reservatórios para o rio foi solicitada pelo setor elétrico para garantir a geração de energia na região. Atualmente, o reservatório da Hidrelétrica de Sobradinho está com 7,52% de sua capacidade total de armazenamento. No entanto, a limitação da vazão pode prejudicar a captação de água para a população, além de ter outras consequências para a irrigação, a navegabilidade do São Francisco, a vida dos peixes e a saúde do povo ribeirinho do Velho Chico: "Esta redução sinaliza dramaticamente que é preciso revitalizar urgentemente o São Francisco, despoluir e fortalecer as águas deste rio ícone do interior brasileiro", comentou Antônio de Pádua Silva Padinha, o repórter e ecologista que é o editor deste blog de ecologia e cidadania Folha Verde News, ao ser informado por Sabrina Craide, da Agência Brasil que a vazão mínima padrão dos reservatórios de Sobradinho e Xingó, em situação de normalidade, é de 1,3 mil m³/s, sendo que esse volume mínimo já foi reduzido várias vezes por causa da falta de chuvas na região e o desequilíbrio das águas na Bahia e em todo Nordeste do país. Desde janeiro de 2016 a vazão estava em 800 m³/s e, em setembro, foram autorizados testes para diminuir a vazão para 750 m³/s. Acabou sendo reduzida ainda mais, para 700 metros cúbicos por segundo, uma situação limite segundo especialistas na economia regional, pesquisadores ambientais e a luta dos ecologistas.


São Francisco sofre com a mais  baixa vazão de suas águas

A represa de Sobradinho tem muito mais água do que...

...o velho e querido rio São Francisco: veja porque nesta matéria

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), responsável por aplicar a redução temporária, está teoricamente sujeita à fiscalização da Agência Nacional das Águas. A empresa também seria obrigada por lei a sempre dar publicidade às informações técnicas da operação aos usuários da bacia e ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) durante o período de vazões defluentes mínimas reduzidas. Mas todas as recomendações e normais ficam apenas formais  (ou pró forma) quando o interesse econômico da Chesf e/ou dos seus grandes clientes fala mais alto que a necessidade ecológica do santo rio ou da população. Só mesmo uma estrutura nova de gestão ambiental sustentável é capaz de reequilibrar a vida de toda esta região do São Francisco, a realidade ali é hoje mais cruel do que o mito do rio que abastece todo o interior do Brasil.

Fontes: ANA - Agência Brasil 
            www.folhaverdenews.com 

9 comentários:

  1. Se o interesse do setor elétrico prevalece a este nível sobre o da natureza e da população, nas barragens do São Francisco, em Sobradinho na Bahia e Xingu em Alagoas, entõ imagine como poderá ficar a vazão do Rio Grande, por aqui na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, que tem mais de 10 barragens de hidrelétricas neste treco?

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  2. Neste trecho do Rio Grande, entre São Paulo e Minas Gerais, com mais de 10 hidrelétricas de alto porte, já se chegou a anunciar a implantação de placas solares flutuantes por sobre a represa e assim aumentar a geração de energia, sem comprometer ainda mais a vazão das águas, a seca do rio e o bolso dos consumidores, porque no caso de apagões, o Ministério de Minas e Energia tem se socorrido com as Usinas Térmicas, para assim completar a cora energética no Sudeste do país, sem poluir mais e encarecer mais o sistema.

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  3. O MME havia prometido em 2015 que em setembro de 2016 estas placas estariam em Sobradinho na Bahia e no São Francisco e no Estreito por aqui no Rio Grande. Até agora nada disso aconteceu. E a seca por decreto por estar vindo por aí, com a redução drástica da vazão destes importantes rios.

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  4. Placas flutuantes sobre as represas é uma solução emergencial que funciona bem em outros países. O ideal é o MME e o Governo implantar com urgência um sistema integrado de energias limpas como a Solar e a Eólica em todas as regiões do país, dentro duma gestão ambiental de desenvolvimento sustentável. Mas será que esta implantação só se efetivará quando já estiver estabelecido a seca, o caos do clima e do ambiente no Brasil?

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  5. Logo mais, por aqui nesta seção de comentários, mais informações sobre esta situação, aguarde nossa próxima edição e confira aqui. Você pode desde já por aqui a sua opinião ou mensagem. Faça isso. Ou envie um e-mail para o webendereço da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br

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  6. Você pode também, outra opção, enviar sua msm direto pro nosso editor de conteúdo aqui neste blog padinhafranca603@gmail.com

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  7. "No meu modo de ver existe um desgoverno econômico e ambiental no Brasil há muito e muito tempo, agora permanece isso, é como eu vejo esta questão de seca por decreto, no Nordeste, no São Francisco, com as barragens de hidrelétricas liberando menos vazão de água pro rio": comentário de Wellington Bueno Santos, de Salvador (Bahia), empresário no setor agrícola, que diz ainda "eu me lembro de duas ou três matérias deste blog sobre as tais placas solares flutuantes, que hoje estariam resolvendo esta situação lamentável demais".

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  8. "Urgente é o Governo, o Congresso, os ministérios, o país radicalizar a sua gestão e mudar totalmente a estrutura energética, priorizando energias limpas, renováveis, mas econômicas, mas ecológicas e aproveitando os recursos da nossa natureza": comentário de Hercília Alves, professora de Geografia, de São Paulo (SO) que diz ainda ter feito na USP uma pesquisa sobre as energias Solar e Eólica para bem informar seus alunos da rede pública.

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  9. "Esse fato além de caracterizar má gestão governamental, falta de atualização no sistema energético do país, mostra claro um exemplo de injustiça socioambiental. Pro setor hidrelétrico, tudo, prá natureza e o povo...": comentário do engenheiro Geraldo Soares, de BH, Minas Gerais, que nos manda informações sobre a viabilidade das placas flutuantes e das energias como a Solar e a Eólica, depois postaremos aqui e em outros posts.

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