sábado, 26 de novembro de 2016

EDIÇÃO DESTE FIM DE SEMANA: OS OCEANOS NÃO SÃO INFINITOS E PODEM SER DESTRUÍDOS PELA ATUAL GERAÇÃO DE SERES (DES)UMANOS

Sylvia Earle alerta que os Oceanos são tão finitos quanto a vida na Terra...



"Sua Alteza" dos mares, Sylvia Earle é chamada Her Deepness


Os Oceanos estão em fúria e cada mais mais ameaçados


Referência mundial em oceanografia, uma espécie feminina de Jacques Cousteau, Sylvia Earle há muitos anos e vários mergulhos vem denunciando a degradação de todos os mares, que é causada pelas petroleiras, pela poluição e pela pesca predatória. Para conhecermos melhor a vida dum oceano e os seus riscos atuais, ela tem feito uma série de matérias pela mídia de todo o planeta, ela propõe uma nova era de exploração oceânica, estratégica na geopolítica atual, em que territórios submarinos já são objeto de disputa. Quando passou pelo Brasil, foi entrevistada por Cláudio Angelo, da Folha de São Paulo, neste fim de semana ocupa duas páginas na edição desta semana na revista Veja, a sua luta e o seu trabalho têm sido divulgados constantemente pelo IHU Online: hoje Sylvia Earle está aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News. Confira um resumo da sua proposta e da sua ação aqui, o nosso movimento de criação do futuro precisa assumir a dimensão maior da sua luta que é planetária, ainda mais por aqui, onde a poluição e a sobrepesca predatória estão acabando com o Oceano Atlântico. 
 



Ela defende os Proclorococos e toda vida marinha essenciais para todos terrestres
 
 
As propostas desta oceanógrafa são essenciais prá última ecologia planetária


É provável que você nunca tenha ouvido falar de Proclorococos. E é quase certo que morrerá talvez sem ter visto nenhum. Por uma boa razão: essas criaturas marinhas medem um milésimo do diâmetro de um fio de cabelo e sua existência era desconhecida até 1986. Essas microalgas de nome complicado estão presentes no cotidiano dos mares de modo simples, insuspeito e crucial: "Eles produzem o oxigênio de uma em cada cinco lufadas de ar que você respira", explica a oceanógrafa Sylvia Earle, dimensionando a o valor essencial destas criaturinhas. Apesar de serem tão essenciais, os Proclorococos e outras centenas de milhares de espécies que habitam os oceanos não têm lobby organizado nem direito de greve, nem representação parlamentar, não são citados nem em manifestações ecológicas. E têm aguentado calados todo tipo de ofensa imposta pela humanidade, da sobrepesca à acidificação dos mares pelas emissões de gás carbônico. O lixo já transformou uma área do Pacífico do tamanho dos EUA num sopão de plástico aos megavazamentos de petróleo como o da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu em 2010 no golfo do México e deixou sequelas até hoje. Ainda bem que os Prolcorococos têm ao menos uma portavoz, a ambientalista norteamericana Sylvia Earle, que chega aos 75 anos com a estrutura biológica e a energia para lutar duma mulher de 45 anos: "Espero ter mais 30 anos ainda de vida para defender os oceanos". 
 


Ela citou jovem holandês que inventou uma Raia Robô para limpar águas



Vida anfíbia 
Sylvia Earle acumula quase seis décadas de vida anfíbia. Foi a primeira mulher a comandar um grupo de Aquanautas que viveu durante duas semanas num módulo da Nasa a 15 metros de profundidade e primeiro ser humano a mergulhar a 380 metros usando apenas um traje especial. Já passou mais de 6.000 horas debaixo d"água, em lugares que vão do luminoso e multicolorido Caribe a abismos oceânicos em permanente escuridão. É da estirpe de cientistas como Jacques Cousteau (1910-97), que levaram o conhecimento do mar até a casa das pessoas décadas antes dos programas de tubarão da TV a cabo e do Google Earth. Foi graças a uma invenção de Cousteau (o aqualung),  equipamento para mergulho autônomo que Sylvia Alice Earle descobriu as profundezas, em 1953. Na época, elas não eram lá muito profundas: seu primeiro mergulho, como estudante de Biologia da Universidade da Flórida, não passou de cinco metros. As instruções para usar o equipamento se resumiam a duas palavras: "Respire naturalmente". "Mas isso bastou para ter a oportunidade de ficar lá, sentir a ausência de peso", conta ela. "Quando você está mergulhando de snorkel, seu tempo é muito limitado. Ter a chance de ficar e fazer contato com outras criaturas foi e contiua sendo uma dádiva feliz para mim e todos que mergulham".


Assim como todo ecologista ela se sente um ET diante desta realidade atual


Pós-Guerra

Segundo Earle, para a humanidade o mar é "tão vasto e resistente que simplesmente não importava o que nós tirássemos dele ou despejássemos nele". No pós-Guerra, porém, o avanço das tecnologias de exploração permitiu descobertas como a dos Procolorococos, apenas um pequeno vislumbre da importância dos oceanos para a manutenção da vida na Terra.
No mesmo período, a ação humana causou mais dano aos mares do que em toda a história até então. "E a velocidade está aumentando", alerta a pesquisadora. 95% das populações de espécies como o Bacalhau e o Atum-Azul já foram eliminadas; metade dos Corais de águas rasas está em declínio desde os anos 1950; mais de 400 "zonas mortas", regiões asfixiadas por poluentes à base de nitrogênio vindos da terra firme, já se formaram em áreas costeiras no mundo todo; o excesso de gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis e absorvido pelos oceanos vem mudando a química marinha em escala global, tornando a água mais ácida e prejudicando a vida de corais, moluscos e microrganismos que formam carapaças de calcário, por sinal, os principais responsáveis por sequestrar e fixar esse mesmo gás carbônico. Há 15 anos, a acidificação dos oceanos não havia sido sequer prevista. Hoje, o seu controle pode custar muitos bilhões de euros.


Ameaça dupla


Os combustíveis fósseis são uma ameaça dupla. Não só pelos efeitos indiretos, ou seja, o aquecimento global, mas também porque as grandes bacias sedimentares oceânicas (como as de Santos e de Campos, na costa do Brasil) são a nova fronteira de exploração. E vazamentos como os ocorridos nos States e que espalharam 5 milhões de barris no mar do golfo do México.
"Tenho profunda admiração e respeito pelos feitos de engenharia das petroleiras. Fundei três companhias de desenvolvimento de equipamentos para explorar o oceano, então tenho noção do quão extraordinário é conseguir fazer o que eles fazem", diz. "Não só acessar águas profundas a 2.500, 3.000, acho que a Shell está furando a 4.000 metros. Isso é só o começo, depois eles furam de 2 a 4 km abaixo do leito oceânico. Mas não sabemos as consequências. Estamos furando no escuro"

 
Oceanógrafa ela vai à luta pela vida marinha e terrestre que são interconectadas

Abrolhos
Ela já tem por onde começar por aqui em nosso país a sua luta: Abrolhos, no litoral da Bahia. O Governo recentemente derrubou uma liminar judicial que impedia a concessão de blocos de petróleo no entorno do parque marinho que abriga o maior banco de corais do Atlântico Sul.

Preço alto d+
Sylvia Earle afirma que não estamos pagando o preço real desse consumo: "É preciso calcular quantas plantas fazem um peixe que alimenta o Salmão. Quando você fala com um criador de Salmão, ele diz: "Ah, é cinco ou seis para um"." Para ela, a conta não fecha: "Se você pegar um empréstimo cinco ou seis vezes maior do que o seu lucro, vai à falência". A Sua Alteza dos oceanos, Her Deepness, como ela é chamada, não come peixe nem frutos do mar há anos. "Comia, mas hoje sei que não posso. Precisamos nos reconciliar com a realidade de que as nossas vidas dependem da natureza, dos sistemas naturais. Há uma quantidade limitada de ambientes naturais que podemos converter aos nossos propósitos de curto prazo, sejam eles óleo e gás ou florestas para plantar soja ou dendê". "Seria maravilhoso que o Brasil tomasse a dianteira num processo de luta ecológica e de economia verde, desenvolvimento sustentável. O país aqui de vocês poderia dar o tom de recuperação da vida na superfície e nos Oceanos".  Petróleo, Geopolítica e Pesca Predatoria são outros temas que Sylvia Earle aborda na seção de comentários deste nosso blog Folha Verde News: confira para se informar mais sobre a luta pela vida dos mares. Que mergulhando fundo, você descobrirá, é a chance do ser humano sobreviver.

Um dos dilemas dos mares: eles não são infinitos como pensávamos...


Fontes: Instituto Humanitas Unisinos
             IHS Online
             www.folhaverdenews.com

10 comentários:

  1. "Não se trata de dizer não à exploração de petróleo, mas quase isso porque depois que você souber o que existe lá, você pode escolher não perfurar, porque o custo-benefício pode não ser sensato. Neste momento, nas águas profundas do Brasil, o que existe ainda é um mistério. Além de óleo e gás, o que mais existe ali que possa ser considerado, ou de um valor mais alto do que o que queremos extrair?", comenta ainda Sylvia Earle.

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  2. "Em Abrolhos, na Bahia, Brasil, já sabemos que a diversidade dos corais é tão especial que, pelo menos até agora, foi dada proteção a esses recifes. Por boas razões. Não sabemos como repor essas coisas depois que elas são eliminadas", comenta Sylvia Earle em seu contato com o Instituto Humanitas Unisinos no Rio Grande do Sul.

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  3. "Corrida submarina: a tecnologia para um programa ambicioso e global de exploração oceânica já existe e está cada vez mais sofisticado. Um de seus principais marcos é uma esfera de titânio gigante que hoje repousa num gramado à beira-mar no Whoi (Instuto Oceanográfico de Woods Hole) e vira e mexe serve de banheiro às gaivotas norteamericanas...A esfera é a antiga cápsula tripulada do submergível Alvin, equipamento do Governo dos USA que desde 1964 explora os abismos oceânicos. Strickroot, seu piloto, gosta de dizer que o Alvin é mais longevo do que todos os programas espaciais. A um custo anual de apenas US$ 2 milhões, rendeu muito mais ciência por dólar investido do que a exploração espacial. O submarino participou das descobertas dos vestígios do Titanic e das fossas hidrotermais, vulcões ocultos a 3 km de profundidade ao redor dos quais habitam criaturas que, por serem tão distintas de qualquer outra forma de vida, alimentaram nos cientistas especulações sobre vida em outras regiões do Sistema Solar": comentário também de Sylvia Earle.

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  4. "Golfinhos captam a presença de submarinos e tentam se "comunicar" com ele, afinando seus sonares na frequência dos instrumentos da engenhoca.Eles ferram completamente a nossa navegação com essa brincadeirinha", ri Earle: "Às vezes somos rodeados por 200 deles, e você percebe claramente que eles estão se divertindo" às custas dos humanos...

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  5. Geopolítica: uma nave russa Mir, recentemente, deixou cabelos em pé na geopolítica mundial ao levar seres humanos pela primeira vez ao fundo do mar sob o polo Norte e plantar no leito oceânico uma bandeira russa. O degelo do Ártico, decorrência do aquecimento global, tem levado os países da região a uma corrida por recursos minerais. A Rússia reivindica o polo como sua zona econômica exclusiva. Sylvia Earle conta que soube do feito quase em tempo real, pelo piloto da Mir, Anatóli Sagalevitch. "Eles estavam comemorando no convés e me ligaram: "Sylvia, sentimos sua falta! Fizemos uma descoberta incrível para a ciência. Mas foi nossa descoberta... ua-ha-ha"" (imita uma risada malévola dos seus amigos astronautas russos).

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  6. "A exploração do mar, porém, parece estar em baixa na mente de uma opinião pública saturada de documentários no Discovery Channel e de cientistas mais interessados em desvendar o DNA dos organismos que já conhecemos do que em encontrar novos. Exploradores e cientistas de verdade são uma espécie tão ameaçada quanto as que ela quer salvar": comenta Sylvia Earle.

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  7. Sylvia Earle também prega contra outro tipo de exploração econômica predatória: a pesca. O consumo "desnecessário" de frutos do mar, diz, causa rupturas em ecossistemas inteiros e na química do oceano (que depende da estabilidade de cadeias alimentares que vão do plâncton às baleias). Consumo desnecessário? "Oitenta por cento das calorias que alimentam o mundo vêm do milho, do arroz e do trigo. Em termos de proteína, a soja tem aumentado muito em volume. Quanto ao peixe, é preciso pensar seletivamente: quem obtém essas proteínas? O mercado de luxo de atum, de lagosta, de salmão, de camarão. Vão para as cidades, não para alimentar gente faminta. Quer dizer que não precisamos comer peixe? Não. É sério. E, até meados do século 20, não comíamos. Já os peixes de rio, criados em cativeiro, têm sido comidos na China por mais de mil anos. Eles são peixes herbívoros. E a Amazônia seria uma excelente opção se quiséssemos achar alvos para a aquicultura, sistemas fechados como aquários. Não vejo futuro na aquicultura de mar aberto: há muito risco de introdução de espécies invasoras. A tendência hoje não é criar peixes herbívoros, mas carnívoros, o que não faz o menor sentido": é mais uma advertência de Sylvia Earle, a cientista e ecologista dos mares.

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  8. "Ecologia até debaixo d'água, parabéns a este blog pór este post da hora": comentário de Sebastião dos Santos Fabri, de Santos (SP): nós é que agradecemos a sua atenção, Fabri, formado em Oceanografia pela Unicamp.

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  9. Coloque aqui nesta seção o seu comentário ou envie a sua mensagem pro e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou mande a sua msm direto pro nosso editor de conteúdo aqui deste bol de ecologia padinhafranca603@gmail.com

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  10. "Sinceramente, nunca tinha ouvido falar de Sylvia Earle nem do que ela fala, a nossa mídia é muito limitada em geral por outros interesses": quem comenta é Lourival Borges, de Belo Horizonte (MG), advogado.

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