sábado, 12 de novembro de 2016

PROJETO DE LABORTERAPIA, EDUCAÇÃO E TRABALHO NA PRISÃO COMEÇA A VIRAR REALIDADE EM PENITENCIÁRIA VIOLENTA DO CEARÁ

O Cepis inclui um tratamento mais humanitario dos prisioneiros na maior penitenciária cearense: uma iniciativa de ponta que precisa avançar e ser implantada em prisões de todas as regiões do Brasil

 
O Cepis vai funcionar no completo prisional mais violento do Ceará




O repórter Edwirges Nogueira, da Agência Brasil, nos passa esta informação positiva, comentando que este sistema prisional novo vai priorizar detentos que já trabalham ou estudam e os que querem fazer isso, como uma forma de reabilitação e tentativa de mercado de trabalho pós cumprimento da pena. O Cepis (Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne) já entra em funcionamento nesta 2ª feira, 14 de novembro, com 1.016 vagas e 13 mil metros quadrados de área construída, vindo a ser a maior unidade prisional do Ceará. Ainda se trata duma realização pioneira e não vai reduzir o deficit de vagas nas cadeias nem a superpopulação de presos em más condições de vida, muitas vezes condições desumanas. Nesse sentido, não é à toa que o Cepis ficará funcionando no Complexo Penitenciário de Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza, onde tem acontecido uma grande série de rebeliões, que causaram a morte de 18 detentos neste ano. "A ideia é fazer desta unidade uma referência de trabalho e estudo para presos, o esforço é ter ênfase nestas iniciativas e na humanização do sistema prisional, buscando qualificar essas pessoas para o mercado de trabalho. Ou assim fazemos ou a possibilidade eles voltarem a delinquir são muito altas”, Hélio Leitão, que é o comandante da Secretaria de Justiça e de Cidadania do Ceará (Sejus). A construção e o projeto do Cepis foram inspirados em prisões existentes na Europa.  As 180 celas da nova unidade possuem, cada uma, seis camas, as alas dão acesso a pátios externos  para a prática do banho de sol. O acesso do público à nova unidade conta com dois scanners – um para objetos e outro para o corpo, chamado de bodyscanner. A tecnologia visa evitar a entrada, por exemplo, de aparelhos de telefone celular ou de armas. A construção da unidade foi toda ela financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e teve investimento de R$ 26,3 milhões, com contrapartida estadual de R$ 13,9 milhões. A criação do Cepis, com 1016 vagas, não ameniza o deficit prisional do Ceará mas é uma iniciativa positiva e transformadora. A população carcerária total do estado hoje é de 24 mil pessoas. Desses, 17 mil estão encarcerados. Para atender a todos seriam necessárias mais 6 mil vagas em unidades prisionais. A superpopulação carcerária é ainda muito dramática, o excedente prisional continua quase o mesmo, mas começa a mudar a estrutura das penitenciárias cearenses, um exemplo a ser seguido em todo o Brasil. Confira nos comentários mais informações sobre o deficit de vagas nas prisões brasileiras, bem como situações de inutilidade do sistema prisional, que só vem gerando mais violência ainda, não recupera o detento para a vida, não prepara o seu futuro através de estudo ou de trabalho. Desde os anos 60 a laborterapia tem sido a luta de muitos especialistas na questão e ativistas da cidadaniade prisioneiros: trabalhando, eles podem recuperar o seu equilíbrio humano, a sua autoestima e a sua expectativa de vida para depois de cumprir a pena.




Com 1.016 vagas e 13 mil metros quadrados de área construída, o Centro de Execução Penal e Integração Social (Cepis) Vasco Damasceno Weyne, maior unidade prisional do Ceará, foi inaugurado nessa sexta-feira (11)
O Cepis tem espaços pro trabalho e pro estudo de presos

Com 1.016 vagas e 13 mil metros quadrados de área construída, o Centro de Execução Penal e Integração Social (Cepis) Vasco Damasceno Weyne, maior unidade prisional do Ceará, foi inaugurado nessa sexta-feira (11)
São por enquanto só 180 celas mas elas criam nova realidade
 
Uma esperança de nova realidade nas prisões do Ceará e do Brasil


Fontes: www.agenciabrasil.com.br
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Pena que ainda o Cepis só vai disponibilizar 1016 vagas apenas, no Ceará somente são urgentes hoje cerca de 6 mil novas vagas, a superpopulação nas penitenciárias é o problema nº 1, lá e em todo o país.

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  2. Nosso blog de cidadania considera que a importância maior do Cepis, sendo inaugurado segunda-feira em Fortaleza, é qualitativa e não quantitativa, se trata duma nova estrutura prisional, com trabalho, estudo e condições humanitárias, tudo o que não há nas penitenciárias com superpopulação e cada vez mais violência, em todo o Brasil.

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  3. O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, segundo dados do Ministério da Justiça em Brasília, de mais de um ano atrás, eles já devem estar maiores. Mas em números absolutos, o Brasil já alcançou a marca de 607.700 presos, atrás apenas da Rússia (673.800), China (1,6 milhão) e Estados Unidos (2,2 milhões). Quando se compara o número de presos com o total da população, o Brasil também está em quarto lugar, atrás da Tailândia (3º), Rússia (2º) e Estados Unidos (1º). Se a taxa de prisões continuar no mesmo ritmo, um em cada 10 brasileiros estará atrás das grades em 2075!...

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  4. Os dados do Infopen (levantamento nacional de informações penitenciárias) são divulgados uma vez ao ano e tomam como base o número de presos no Brasil referentes ao primeiro semestre do ano anterior. De acordo com um relatório recente a população carcerária brasileira aumentou 80% em números absolutos, saindo de 336.400 presos para 607.700 em cerca de 2 anos.

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  5. Os estados com a maior população carcerária são São Paulo (219.053), Minas Gerais (61.286) e Rio de Janeiro (31.510). Com a menor população carcerária Piauí (3.224), Amapá (2.654) e Roraima (1.610). Quando os dados são comparados com a população dos respectivos estados (taxa de encarceramento), o ranking é liderado por Mato Grosso do Sul (568,9/100 mil), São Paulo (497,4/100 mil) e Distrito Federal (496,8/100 mil), no restante do país a falta de vagas nas prisões é ainda mais trágica.

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  6. "Todos os que lutamos pela baborterapia, trabalho e estudo na recuperação dos presos e um sistema mais humanizado e mais eficiente nas prisões brasileiras estamos até surpresos com ao Cepis no Ceará, é algo que precisa ser feito já em todo o país": quem comenta é Humberto Sales, advogado, de São Paulo (SP), que vem fazendo uma pesquisa sobre este problema, que ele considera como sendo "humanitário e de cidadania".

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  7. Você pode colocar aqui nesta seção o seu comentário ou se preferir, enviar por e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou ainda mandar direto sua mensagem pro ´nosso editor de conteúdo padinhafranca603@gmail.com

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  8. "O Brasil precisa de pelo menos uns mil Cepis, imediatamente": comentário de Pedro José, que é de Fortaleza, Ceará, e que diz ter ficado chocado com dezenas de mortes em Itaitinga: "Mudando o tipo de prisão radicalmente, pode diminuir a violência".

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