sexta-feira, 18 de novembro de 2016

VAZAMENTO DE ÓLEO NO RIO TELES PIRES (PARANAITA) ATINGIU SOBREVIVÊNCIA DE 50 FAMÍLIAS EM 9 ALDEIAS DOS ÍNDIOS kAYABI

Mas este é só um dos problemas enfrentados por este povo indígena que vive num santuário da nossa natureza entre o Mato Grosso e o Pará: ecologistas criticam hidrelétrica que está em construção na região e já deixa sequelas socioambientais de grande monta


Rio de grande importância ecológica também é fonte de alimentos para povos da floresta



O Cacique Taravy mostra um pouco da cultura nativa dos índios Kayabi



Um vazamento de óleo de origem ainda não identificada atingiu o Rio Teles Pires, na divisa entre os estados de Mato Grosso e Pará, considerado uma reserva de fauna, flora, recursos naturais e hídricos: fomos aqui no blog alertados por matéria no site EcoDebate e por informações da Agência Brasil. A constatação do poluente nas águas ainda limpas ocorreu no último fim de semana e como o fato se deu em região próxima ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de São Manoel, esta pode ter sido a origem da poluição. De acordo com o representante indígena Taravy, a rotina e a qualidade de vida de pelo menos 9 aldeias Kayabi situadas ao longo do curso do Rio Teles Pires (também conhecido como Paranaita) foi afetada. São cerca de 50 famílias, com aproximadamente 300 pessoas, vivendo nas 9 aldeias. O receio do líder da tribo, Taravy é que, caso não se disperse, o óleo vá poluir o curso do rio, penetrando ainda mais pela Terra Indígena Kayabi, onde atingiria outras tantas aldeias, inclusive de outras etnias indígenas que convivem com este povo da floresta, de tradição guerreira: atualmente,  são 2242 índios destes nativos que falam uma língua da família Tupi Guarani. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já informou que foi notificado do acidente no domingo à noite pela Empresa de Energia São Manoel, responsável pelas obras da usina, mas que alegou desconhecer a origem da substância poluente. Servidores do instituto se deslocaram até o local, estavam na região no combate a um desmatamento e estão tentando identificar a origem do vazamento e a dimensão do dano socioambiental. A coordenadora de Emergências Ambientais do Ibama, Fernanda Pirillo, fez um primeiro sobrevoo na região numa área de cinco quilômetros, ela informou que a mancha de óleo aparentemente já começou a se dispersar: "Ainda não temos nenhum dado sobre a extensão da mancha, mas, na imagem aérea o que vemos é uma mancha que, apesar de grande, está se dispersando, provavelmente porque o volume não é muito grande". Outros agentes do instituto ainda vão inspecionar in loco as margens do rio para então verificar se o óleo está ou não impregnando a vegetação. Outro foco é identificar a origem do vazamento, que pode ter sido causado também por uma eventual avaria em alguma balsa usada por garimpeiros clandestinos que atuam ou passam por esta região, considerada um santuário da nossa natureza. Para o líder dos índios Kayabis, o cacique Taravy, a presença de óleo na água tem impedido seu povo de pescar desde o final de semana e isso é mais grave porque essa é a atividade de subsistência das aldeias em torno deste rio que já vinha sendo prejudicado pela deterioração da qualidade das águas e da quantidade de peixes em função das obras de construção da Usina São Manoel: "Além da mancha de óleo, a água está bastante suja, barrenta e as comunidades estão enfrentando dificuldades para apanhar os peixes de cada dia", disse Taravy. Segundo ele, nesta época do ano, é comum que a água do rio fique mais escura ou barrenta devido às chuvas, mas, com as obras, a terra carregada para o rio agravou a situação, já se percebe em alguns trechos o assoreamento, o que foi explicado aos índios por ambientalistas que os visitaram. Mesmo ainda sem saber as origens do óleo e nem ter sido notificada, a empresa São Manoel acionou seu plano de contingência e passou a fornecer galões de água potável e alimentos às aldeias indígenas afetadas pela poluição. Segundo a empresa, ainda está se analisando a origem do poluente e caso ele tenha vazado de alguma de suas instalações, fornecerá todo o apoio necessário às comunidades em torno do rio Teles Pires. Apesar desta demonstração de boa vontade, há muita preocupação com o que possa acontecer na região com as sequelas duma usina hidrelétrica, cientistas e ecologistas discordam deste tipo de construção, ali na floresta o ideal seria uma central de Energia Solar que poderia ser bem mais sustentável, para a economia do país e para a ecologia do Mato Grosso.


Obras da Usina São Manoel cortam a floresta no rio Teles Pires


Nos nosso comentários mais dados sobre o povo Kayabi

Os índios sobrevivem de pesca e viviam tranquilamente na floresta...

...até a chegada das obras da usina que alteram a correnteza do rio Paranaita


Fontes: www.ecodebate.com.br
             Agência Brasil
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Amanhã, estaremos postando aqui mais dados sobre o povo Kayabi, sobre as suas aldeias e sua etnia, seu artesanato e a sobrevivência destes índios, que se baseia na pesca no rio Teles Pites (Paranaita).

    ResponderExcluir
  2. Além do vazamento de óleo poluindo este rio ainda limpo há o problema do assoreamento por conta das obras de construção da hidrelétrica de São Manoel, que não deveria ser feita neste santuário da natureza. Ali se adapta a formas de energia mais limpas e ecológicas, que não prejudiquem, o rio e os peixes.

    ResponderExcluir
  3. "Só um programa maior e sustentável que possa gerar desenvolvimento aqui e na floresta, mais ainda, ajudando a economia do país sem afetar a última ecologia da nossa natureza, pode ser o caminho para a Amazônia": comentário de Geraldo Júlio, que é engenheiro eletrônico em São Paulo e diz ter visto este post do nosso blog em pesquisa que fez sobre o Rio Paranaita (Teles Pires).

    ResponderExcluir
  4. Você pode colocar aqui nesta seção o seu comentário ou se preferir enviar uma mensagem para o e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  5. Você pode também contatar nosso editor de conteúdo deste blog de ecologia e de cidadania, enviar fotos, informações, sua opinião ou mensagem, além de sugerir matérias, mande sua msm para o e-mail padinhafranca603@gmail.com

    ResponderExcluir
  6. "Importante esta postagem, nunca tinha ouvido falar dos índios Kayabis e acho absurdo hidrelétrica em áreas de preservação como esta": comentário de João Carlos Andrade, de Ribeirão Preto (SP), estudante da USP.

    ResponderExcluir
  7. "De repente, o inferno chegou ao paraíso Kayabi em forma da Usina São Manoel": comentário de Janaína de Morais Ribeiro, de Niterói (RJ), designer.

    ResponderExcluir
  8. "Matéria superimporante, não sei porque a grande mídia não levanta situações como esta, aliás, tenho uma idéia porque isso acontece": comentário de Maria Eugênia, que atua como comunicadora de FM e designer na Grande São Paulo.

    ResponderExcluir
  9. "O vídeo da Survival é numa palavra ducaramba": comentário de Lourival Mendes, de São José do Rio Preto (SP), veio do Paraná e se dedica ao comércio de laranjas, em especial, exportação.

    ResponderExcluir

Translation

translation