quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SÃO OS PEQUENOS PRODUTORES RURAIS QUE GARANTEM A PRODUÇÃO DE 70% DOS ALIMENTOS QUE OS BRASILEIROS CONSOMEM


Megaempresas do agronegócio exportam a maior parte da sua produção a bem de poucos privilegiados da população mas são estes 1% de grandes proprietários rurais que monopolizam mais da metade de toda a área agrícola do Brasil: é urgente uma nova estrutura neste setor brasileiro que pode vir a ser muito mais sustentável do que é hoje com melhor distribuição de terra e até um dia com a agroecologia 





Pequenas fazendas respondem por 70% dos alimentos consumidos em nosso país

A Agência Brasil está atualizando os números da economia rural do país, informa por exemplo que quase metade da área rural brasileira pertence a somente 1% dos fazendeiros do país, de acordo com o estudo inédito Terrenos da Desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural.  Este relatório está sendo divulgado pela organização não governamental britânica Oxfam, que realizou uma pesquisa completa sobre este setor da economia brasileira. Os grandes estabelecimentos rurais a partir de mil hectares (0,91%) concentram 45% de toda a área de produção agrícola, de gado e plantação. Por outro lado, fazendas com menos de 10 hectares representam cerca de 47% do total das propriedades do país, ocupando menos de 2,3% da área rural total. Esses pequenos produtores produzem mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, já que as grandes monoculturas exportam a maioria da sua produção. Estes dados precisam motivar uma nova estrutura do espaço rural brasileiro. O estudo mostra a cidade de Correntina, na Bahia, como exemplo emblemático dessa realidade, onde os latifúndios ocupam 75,35% da área total dos estabelecimentos agropecuários. Nessa cidade, em consequência desta enorme concentração da terra, a pobreza atinge 45% da população rural e 31,8% da população geral. Os municípios com maior concentração de terra apresentam os menores índices de Desenvolvimento Humano e aqueles com a menor concentração são por outro lado aqueles que têm melhores indicadores sociais. A diretora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia, explicou que a concentração de terra gera desigualdade em todos os setores vinculados à produção econômica rural: “Quanto maior a concentração de terra, maior a concentração de investimento, de maquinário, que vai se expandindo para diferentes setores, isso explica porque a modernização da agricultura não demonstrou melhora na condição de vida da população, os números mostram que os municípios com menor distribuição de terras, têm um nível maior de pobreza”.

1% dos agronegociantes monopolizam mais de metade de todo espaço rural no Brasil

Uma nova estrutura agropecuária mais sustentável pode avançar muito o Brasil
 

As médias e pequenas fazendas podem também impactar menos o ambiente


As grandes propriedades rurais, com mais de mil hectares, concentram 43% do crédito rural, enquanto para 80% das fazendas ficam com um percentual que varia entre 13% e 23%. A reforma agrária ou uma nova estrutura agropecuária é fundamental para reverter esta situação no Brasil mas nem isso somente basta, argumentou a diretora da Oxfam: “O governo pode e precisa assumir medidas e políticas no mundo rural para incentivar maior distribuição, especialmente na área de investimentos, apoio técnico e programas, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar e o Programa Nacional de Alimentação Escolar”. A concentração de terra também contribui para a incidência de trabalho escravo, alerta o mesmo estudo. De 2003 a 2013, 82% das autuações do Ministério do Trabalho e Emprego por trabalho análogo ao de escravo ocorreram no oeste da Bahia, com grande concentração de terra. Somente em Correntina, que foi a região usada como exemplo da situação nacional, 249 trabalhadores foram encontrados nessas condições. O estudo agrupou os municípios de acordo com a relevância agropecuária: 1% com maior concentração de terras, os 19% seguintes e os 80% restantes, com base no último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2006, e o IBGE Cidades, de 2010. Dados oficias do Governo mostram que 729 pessoas físicas e jurídicas são proprietárias de imóveis rurais com problemas e com dívidas para com a União de mais de R$ 50 milhões cada, um total de aproximadamente R$ 200 bilhões. Somente estes 729 proprietários rurais têm áreas suficientes para assentar quase 215 mil famílias, quase duas vezes o número de famílias que estão acampadas hoje no Brasil esperando por reforma agrária, por terra e por uma oportunidade de vida no campo. O país precisa acordar para esta realidade que potencializa um avanço na sua economia e na qualidade de vida da população. Outras informações você pode conferir aqui em nosso blog ligado ao movimento ecológico e de cidadania na seção de comentários. Confira. 

Quase 200 mil famílias esperam um pedaço de terra no Brasil...

...poderiam ocupar grandes áreas improdutivas e produzir mais alimentos


Fontes: Oxfam - Agência Brasil
             www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

  1. A Oxfam informa também que mesma realidade que se constata no Brasil ocorre na América Latina, em que 1% concentra 51,19% de toda a superfície agrícola da região. O dado está no relatório Terra, Poder e Desigualdade na América Latina, também sendo divulgado e que analisa o cenário de concentração das propriedades rurais em 15 países da região com base nos censos agropecuários locais.

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  2. O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking da região do coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de terra, em que zero corresponde à completa igualdade e 1 corresponde à completa desigualdade. A nota brasileira é 0,87. O Paraguai aparece com o pior índice de Gini (0,93), seguido do Chile (0,91) e da Venezuela e Colômbia (0,88), onde 0,4% das propriedades concentram mais de 67% da terra produtiva.


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  3. A modernização da agricultura e os assentamentos e demarcações de terras indígenas não foram capazes de aplacar os conflitos de terra, que já mataram 2.262 pessoas nas últimas décadas no Brasil, de acordo com o estudo da Oxfam.

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  4. A violência no campo pela disputa da terra ocasionou 50 mortes no país só no ano passado e 1.217 conflitos, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). E o Brasil está também no topo da lista dos países onde mais ativistas ambientais e da terra foram mortos em 2015, segundo outra pesquisa divulgada em junho deste ano pela ONG Witness.

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  5. "Os estados mais violentos são Rondônia e o Pará, onde foram registrados momentos de pico, em especial na década de 80, quando aumentaram as mobilizações sociais e as lutas por terra, década que também marcou a fundação do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Um novo pico foi registrado durante o primeiro governo Lula, de 2003 a 2006. Apenas em 2003 ocorreram 496 ocupações, em 2010 foram 180. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mais de 1,3 milhão de famílias já foram assentadas desde o início do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). O programa foi criado em 1996. Ao todo, 977 mil famílias vivem atualmente em assentamentos e em áreas reformadas", nos informa a repórter Flávia Vilela, da Agência Brasil: "As titulações estão sendo efetivadas, informou por sua vez o Incra: “isso está sendo feito com maior expressão neste último bimestre do ano, a partir do desbloqueio de recursos destinados ao órgão. Todas as 30 superintendências estão mobilizadas neste sentido, já que foi estabelecida como meta a emissão de cerca de 70 mil títulos de propriedade até o fim do próximo ano de 2017”.

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  7. "Informações importantes e como vocês destacam nas primeiras linhas desta postagem, além de distribuir terras, uma nova estrutura agropecuária é essencial como com um apoio à agricultura familiar e também à agroecologia, a produção de alimentos orgânicos". comentário de Fabiano Morais, de São Paulo (SP), economista que se especializa em produção agropecuária na Unesp.

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