quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

SÓ UM NOVO MODELO DE BIOECONOMIA É CAPAZ AINDA DE SALVAR A AMAZÔNIA: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COM RECURSOS DA NATUREZA E TECNOLOGIA DE PONTA


A Amazônia dentro do atual sistema vai acabar acabando



A Amazônia já anda sofrendo até secas
agricultura na Amazônia
A Amazônia dentro da atual economia do boi não tem futuro


A Amazônia necessita de um novo modelo de desenvolvimento econômico, fundamentado na combinação de tecnologias digitais e biológicas avançadas com os ativos biológicos do bioma: é assim que começa a reportagem de Elton Alisson, no portal de assuntos socioambientais EcoDebate, cá entre nós, do movimento ecológico, científico e de cidadania, isso em resumo significa que só um desenvolvimento sustentável é capaz de salvar a Amazônia, equilibrando também interesses econômicos com ecológicos. Em suma esta é a avaliação feita por participantes do Simpósio Internacional de Bioeconomia, realizado agora em São Paulo, conforme nos informa uma equipe do IPT da USP que participou deste evento, que foi promovido pelo Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com apoio da FAPESP, a realização teve como objetivo debater experiências internacionais bem-sucedidas em bioeconomia – que reúne segmentos econômicos que utilizam recursos biológicos de forma sustentável – estabelecendo parcerias com outros países a fim de dinamizar o setor no Brasil. O simpósio integrou um dos encontros preparatórios para a realização do Summit Bioeconomy 2017, previsto para ocorrer no ano que vem, em São Paulo, com o objetivo de consolidar estratégias de bioeconômicas para a formulação de políticas públicas voltadas para estimular mudanças no país. “Em vez de olhar só para os recursos naturais e para os serviços ecossistêmicos oferecidos pela Amazônia, é preciso focar nos ativos biológicos do bioma que representam uma grande oportunidade para o desenvolvimento de tecnologias avançadas integrantes da chamada Quarta Revolução Industrial”, disse Juan Carlos Castilla-Rubio, presidente do conselho da Space Times Ventures, uma empresa de tecnologia brasileira especializada em incubar e escalonar mudanças em sistemas de produção de indústrias baseadas no uso intensivo de recursos da natureza. 



Este empreendedor peruano é um dos autores de um artigo publicado em agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), liderado por Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e membro da coordenação executiva do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais. Os pesquisadores propõem um plano para mudar os paradigmas de desenvolvimento sustentável, transformando o bioma em um polo de inovação tecnológica em grande escala. O novo paradigma consistiria em empregar tecnologias digitais e biológicas avançadas da chamada Quarta Revolução Industrial, como inteligência artificial, robótica, Internet das Coisas, genômica, edição genética, nanotecnologias, impressão 3, associadas ao conhecimento tradicional da região, a fim de criar produtos e serviços inovadores de alto valor agregado. “Na nossa visão, a combinação de tecnologias digitais e avançadas com os ativos biológicos e biomiméticos, que imitam a natureza para criar produtos, poderia dar origem a uma economia talvez de vários trilhões de dólares na Amazônia e não de dezenas de milhões de dólares como a que temos hoje na região, focada em recursos naturais mas sem a estrutura necessária”, estimou Castilla-Rubio.
 

Recursos fora do comum da natureza amazônica inspiram esta inovação


 
 

Tecnologia digital mais biologia amazônica: um novo caminho


De acordo com ele, um dos exemplos de ativos biológicos, como plantas e animais, existentes na Amazônia e nos quais as indústrias já têm se inspirado para desenvolver novos produtos usando tecnologias digitais, como impressão 3D e computação quântica, é o das borboletas morpha. Consideradas algumas das borboletas mais belas do mundo, as asas desse gênero de abelhas apresentam uma coloração azul metálica, produzida não pela pigmentação, mas pela interação da luz com estruturas nanométricas (da bilionésima parte do metro) de diferentes índices de refração, que reforçam a reflexão de determinados comprimentos de onda. Dessa forma, as características da coloração deste tipo de borboletas pode mudar de acordo com o ângulo de incidência da luz ou de observação, fenômeno chamado de coloração iridescente: "As estruturas nanométricas e o movimento de asas das borboletas morpha têm sido objeto de diversas pesquisas voltadas a desenvolver tecidos, revestimentos e painéis solares de altíssimo desempenho”, afirmou Castilla-Rubio. Há outros exemplos na natureza da região, como de uma espuma produzida pela rã-tungara (Physalaemus pustulosus) para servir de abrigo para seu ovos ou girinos em pequenos lagos ou poças d’água na Amazônia. Composta por enzimas, que protegem os ovos e os girinos contra patógenos presentes na água e da luz solar, a estrutura do material tem inspirado o desenvolvimento de materiais fotossintéticos capazes de converter energia solar em biocombustíveis e para capturar dióxido de carbono da atmosfera, comentou ainda Castilla-Rubio: "Acreditamos que combinando as tecnologias digitais e avançadas com os recursos biológicos da natureza amazônica poderemos gerar novos produtos, soluções e plataformas tecnológicas não só para os mercados já existentes, como também criar outros totalmente novos". Pesquisadores têm discutido esse novo modelo de desenvolvimento econômico da Amazônia nos últimos seis meses no âmbito não só do Conic da Fiesp, como também no Fórum Econômico Mundial, que é um dos mais importantes canais da criação dum futuro sustentável. Os pesquisadores ponderam porém que os ativos biológicos encontrados na Amazônia só poderão contribuir para impulsionar a nova revolução industrial se a biodiversidade da floresta for protegida. Este é o detalhe fundamental deste novo sistema bioeconômico, sendo algo que nos dá esperança de que a síntese entre recursos naturais e tecnologia de ponta evitará p caos socioambiental que já sen ensaia na Amazônia atualmente, criando uma chance maior de vida futura, também para toda a nossa Nação.


Atenção: O artigo “Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm” (doi: 10.1073/pnas.1605516113), deste grupo de pesquisadores pode ser lido na íntegra na revista PNAS em www.pnas.org/content/113/39/10759.abstract 


Fontes: Agência FAPESP

             www.edodebate.com.br

             www.folhaverdenews.com

6 comentários:

  1. Parece ser somente uma inspiração futurista mas este novo sistema bioeconômico é totalmente exequível como analisam os pesquisadores deste estudo inovador.

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  2. Os autores do estudo alertam que os ativos biológicos encontrados na Amazônia só poderão contribuir para impulsionar a nova revolução industrial se a Biodiversidade da floresta for protegida. Este é o ponto.

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  3. De acordo com dados apresentados pelos pesquisadores, o modelo de desenvolvimento implementado na Amazônia nos últimos 50 anos, calcado na substituição de áreas de floresta para produção agrícola, causou grandes transformações ambientais no bioma amazônico. “A fronteira agrícola avançou muito rapidamente sobre a floresta, baseada em uma agricultura primitiva, além de insustentável e de baixa produtividade, caracterizada pelo uso do fogo, que é o principal agente de modificação do espaço amazônico e também de uma forma bastante rápida de extrair madeira, em grande parte ilegal”, comentou o líder destes estudos, Nobre.

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  4. A temperatura na Amazônia aumentou 1,1º C nas últimas décadas, apontam os pesquisadores. Se a temperatura do bioma aumentar 4º C ou se o desmatamento passar de 40%, o bioma pode atingir um ponto de ruptura, resultando em um processo de savanização irreversível. Eles observam que a estação seca em parte da Amazônia – que dura entre três e quatro meses, no máximo – está ficando mais longa. Se isso se tornar uma tendência há o risco de a Amazônia virar realmente uma Savana.

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  6. "Um fio de luz ou de esperança no fim do túnel da Amazônia criadora de gado": comentário de Geraldo Santos Fernandes, de São Paulo (SP), que voltou da região de Manaus a trabalho nestes dias, como empresário de exportação.

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