quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A MAIOR RESERVA DE ÁGUA SUBTERRÂNEA DAQUI DO INTERIOR DO PAÍS E DA AMÉRICA DO SUL ENFRENTA AGORA ALGUNS DESAFIOS MONSTROS

Com uma área de 1,2 milhão de km² esta reserva subterrânea de água doce abrange Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina tendo um papel estratégico também aqui na região: a privatização do Aquífero Guarani articulada sigilosamente em Brasília e as duas bases militares dos Estados Unidos (aqui enfocadas na matéria de ontem, confira também o vídeo de La Radio del Sur) tudo se soma ainda aos riscos de poluição das suas águas e ao excesso de exploração desta riqueza hídrica fora do comum. Fundamental pro futuro da própria vida em nosso continente o Aquífero Guarani depende também de você ir à luta pela última ecologia do nosso interior a bem também de nossa própria vida, escreve aqui no blog nosso editor o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha


Aqui uma área de afloramento das águas do Aquifero Guarani com desafios gigantescos  nesse momento


Considerado o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo, o Aquífero Guarani é uma reserva estratégica para o abastecimento de água da população, fundamental também para o desenvolvimento das atividades econômicas e dum mínimo equilíbrio ambiental de quatro países da América do Sul. Espalhando-se pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, este aquífero do interior do nosso continente abrange uma área de 1,2 milhão de km² e aproximadamente 70% desse reservatório de água está localizado em território brasileiro, desde lo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e até o Rio Grande do Sul. Claro que a estrutura geológica do aquífero que a sua região, situada dentro das bacias do Paraná e Chaco-Paranaense, sendo responsável pelo armazenamento de água subterrânea. Essa área é formada por rochas sedimentares, muita areia e pouca argila, características que facilitam a absorção da água das chuvas que, após absorvidas, ficam confinadas em rochas impermeáveis a centenas de metros de profundidade. Pesquisas apontam que a quantidade de água armazenada chega a aproximadamente 40 trilhões de metros cúbicos. Esse potencial tem sido explorado através da perfuração de mais de mil poços com profundidade de 100 a 300 metros, fornecendo água para milhares de pessoas e também para irrigação rural. Porém, nem todas as regiões são beneficiadas pelas bordas de afloramento e seus arredores, onde as águas costumam ter mais qualidade. A maior extensão das áreas privilegiadas fica no Paraguai, em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul. Apesar da enorme importância do Aquífero Guarani, as atividades humanas, sobretudo as industriais e agrícolas, têm provocado a contaminação da água. Os maiores vilões desse processo são os agrotóxicos utilizados na agricultura e o vinhoto (resíduo da destilação fracionada da cana-de-açúcar), que atingem diretamente o reservatório. Pesquisadores da USP já dimensionaram oeste problema em toda a região canavieira paulista. Outro ponto que merece atenção é que a recarga da reserva subterrânea é muito lenta. A água da chuva penetra no solo a uma velocidade de um metro e meio a dois metros por ano. Além disso, o fluxo das águas não é transfronteiriço. Portanto, é preciso que cada um em cada local ou ecossistema faça a sua parte para conservar este maravilhoso aquífero, evitando o desperdício e a contaminação das águas vitais para brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios. 

Já há uma resistência indígena nos Estados Unidos na questão da água e do petróleo: confira na seção de comentários hoje e amanhã por aqui no nosso blog da ecologia
 

Aqui uma das bordas de afloramento das água do Aquífero Guarani

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O geólogo Didier Gastmans cita a exploração excessiva dessa importante reserva hídrica e diz que ela virá a ser sustentável só com um avanço tecnológico e com muito amor à nossa natureza


Reserva de água vital para brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios






Algumas cidades do interior de São Paulo, entre elas, Ribeirão Preto ao lado de Franca, São José do Rio Preto  e Bauru vivem um momento preocupante em relação à água, pela utilização excessiva do Sistema Aquífero Guarani (SAG), o que pode tornar o uso do manancial inviável para o abastecimento desses municípios em alguns anos. A principal consequência desta exploração predatória citada pelo geólogo Didier Gastmans à jornalista Larissa Maine é o perigo de rebaixamento do nível de água do lençol freático. Este pesquisador do Laboratório de Estudos de Bacias da UNESP Rio Claro, explica o problema e as medidas necessárias para proteger essa reserva hídrica por diversas vezes dentro e fora da Faculdade de Ecologia. Ele será ouvido por autoridades e pela população? Este cientista mostra que com o bombeamento para a retirada de água, ocorre uma rápida perda de pressão, o que leva a rebaixamentos muito grandes nessas condições. Essa questão é potencializada pela existência de um número muito grande de poços que retiram grandes quantidades de água do nossa reserva hídrica em volumes muito maiores e mais rapidamente do que a natureza pode repor. O excesso de exploração, a poluição por agrotóxicos ou lixo e o mau uso em geral das águas do Aquífero Guarani mostram que, além do projeto governamental de privatização deste bem público da nossa natureza e da geopolítica responsável até por bases militares estrangeiras, este nosso recurso natural tão importante tem muito mais desafios do que ele pode suportar, a dano do futuro da ecologia e da economia daqui e de toda a América do Sul. 


Só um gestão ambiental sustentável é capaz de preservar o Aquífero Guarani

  
Fontes: www.pensamentoverde.com.br
             www.namu.com.br 
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. A jornalista Larissa Maine perginta: "Quais os motivos que levam ao rebaixamento do nível de água do Aquífero Guarani em algumas cidades? O senhor pode explicar como ele se dá?"...E o geólogo da Unesp Didier Gastamns responde: "As águas subterrâneas são armazenadas nos aquíferos em duas situações: aquífero livre e aquífero confinado. De maneira resumida, podemos dizer que no primeiro caso a água subterrânea está conectada diretamente com a atmosfera e os rios, recebendo recarga da água da chuva. No segundo, camadas impermeáveis confinam a água subterrânea armazenada nos aquíferos que deixam de receber recarga e passam a ser armazenadas sob pressão dentro do manancial com um nível de água muito acima do topo do aquífero. O Sistema Aquífero Guarani apresenta-se confinado por rochas impermeáveis (basaltos) em quase a totalidade de sua área de ocorrência. Os níveis de água, por sua vez, ficam muito acima do topo do aquífero, o que faz com que o volume de água armazenado nessa porção acima do aquífero seja muito pequeno, pois ela representa a pressão de confinamento. Com o bombeamento para a retirada de água, ocorre uma rápida perda de pressão, o que leva a rebaixamentos muito grandes nessas condições. Essa questão é potencializada pela existência de um número muito grande de poços que retiram grandes quantidades de água do aquífero em taxas muito maiores do que a natureza pode repor".

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  2. A exploração do Aquífero Guarani possui um caráter de mineração de águas, que possivelmente não será reposta no tempo de planejamento humano.
    O grupo de pesquisas a que se liga o geólogo Didier Gastmans atua em conjunto com o professor Chang Hung Kiang, também da UNESP de Rio Claro, e vem realizando pesquisas com a utilização de um isótopo radioativo chamado criptônio 81 (Kr 81) juntamente com a Agência Internacional de Energia Atômica. Eles concluíram que o tempo gasto para que a água no SAG leva para ir da área de recarga até a cidade de São José do Rio Preto é de cerca de 400.000 anos, ou seja, a água que está sendo extraída hoje, penetrou no SAG há quase 500 mil anos atrás. Portanto, a exploração dessas águas possui um caráter de mineração de águas, que possivelmente não será reposta no tempo exigido para o equilíbrio ecológico do aquífero.

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  3. A equipe de geólogos da Unesp comenta também que
    os efeitos de estações secas são sentidos nas regiões em que os aquíferos são livres, pois a falta de chuva diminui a infiltração de água nos aquíferos. Há um trabalho de mestrado sendo realizado em Ararquara sobre o monitoramento dos níveis de água e sua variação temporal, nele percebemos alguns rebaixamentos em taxas um pouco menores que as observadas em Ribeirão Preto, onde a superexploração é bastante grave.

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  4. "Li um monitoramento feito por uma equipe técnica da ANA (Agência Nacional da Água) e o mapa nos mostra um aquífero com um potencial incrível mas que precisa ser preservado, mas é inimaginável que este bem público e patrimônio da nossa natureza seja privatizado a favor de grandes empresas": comentário de Elenice Porto, de São Paulo, repórter que se diz espantada "com a revelação de que os Estados Unidos estão preparando uma base militar para garantir (sob outros pretextos) a exploração do Aquífero Guarani, como mostra o vídeo feito na Argentina".

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  5. Você pode colocar direto aqui o seu comentário ou se preferir enviar uma mensagem para o e-mail da redação do nosso blog de ecologia e de cidadania: navepad@netsite.com.br

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  6. Você pode também contatar o nosso editor do blog e inclusive enviar informações, fotos, sugestão de pauta pelo e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  7. "Creio que a equipe deste blog, tendo em vista que a grande mídia não se mexe ou se omite nesta questão, deveria questionar as autoridades em Brasília": comentário de Luís Antônio Borges, de Formiga (MG), engenheiro na região. Sim, Luis, vamos tentar fazer uma entrevista sobre o drama do Aquífero Guarani junto aos ministros do Meio Ambiente e das Minas e Energia.

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  8. "A cavalo, com os rostos pintados de preto e amarelo, os Lakota Hunkpapa, descendentes diretos do cacique Touro Sentado, combatem contra os novos caubóis da energia fóssil e suas infraestruturas. “Sob esta terra estão sepultados nossos antepassados. E em um único dia de obras esta terra sagrada se transformou em um buraco”. A tribo Sioux não hesita em definir como resistência a luta contra o oleoduto subterrâneo no Estado de Dakota do Norte, nos EUA, e convoca todas as outras tribos, propondo de hospedar ali o National Powwow, o encontro anual dos líderes indígenas do país. Acampados desde janeiro de 2016 no Sacred Stone Camp (Campo da Pedra Sagrada, em tradução livre), no meio da reserva onde o projeto prevê a passagem do oleoduto, os indígenas aguardam a decisão do Judiciário norte-americano sobre a suspensão ou o prosseguimento das obras". Notícia do site Opera Mundi que amanhã será tema da pauta deste blog de ecologia.

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