domingo, 29 de janeiro de 2017

JOVEM ENGENHEIRO DE FRANCA DESENVOLVE NA UFSCAR PESQUISA QUE LEVA AO USO DA AREIA DO BAGAÇO DE CANA POSITIVO PARA A ECONOMIA E A ECOLOGIA

Rádio do MEC no programa Trilhas da Educação destacou o trabalho de Fernando do Couto Rosa Almeida feito com equipe de pesquisa da UFSCar no interior paulista ganhando cada vez mais a mídia do Brasil e do exterior, podendo avançar a construção civil a bem também do meio ambiente: numa palavra, uma pesquisa sustentável


 
 O bagaço de cana de problema ambiental vira solução econômica...


 
...pesquisa de Fernando do Couto Rosa Almeida que hoje faz doutorado na
Universidade de Caledônia na Escócia



 Fernando explica a pesquisa de areia a partir do bagaço de cana


Resumo da entrevista - O interior de São Paulo é o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil. Da cana se produz o açúcar e o álcool. No entanto, o bagaço, um dos principais resíduos desse processo de produção, torna-se um poluente ambiental quando descartado de modo inadequado, na terra ou próximo aos rios. Uma das maneiras mais comuns de reúso desse material é a queima em caldeiras, de forma a gerar energia para a própria usina. Porém, essa queima gera outro resíduo, conhecido como areia da cinza do bagaço. Por estarem preocupados com o risco ambiental que envolve o processo, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) conseguiram simplificar o processo de transformação do bagaço em areia e ainda desenvolveram estudo para aplicar o material na construção civil. O projeto consiste em substituir 30% da areia convencional retirada da natureza pela areia extraída do bagaço da cana. Mestre em estruturas e construção civil pela UFSCar, o professor Fernando do Couto Rosa Almeida, doutorando na Universidade de Caledônia, em Glasgow, Escócia, país integrante do Reino Unido, desenvolveu ainda no Brasil estudo que aborda a substituição de materiais obtidos na natureza por outros capazes de resultar em benefícios ambientais, econômicos, sustentáveis. Foi premiado no ano passado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação. Este trabalho também por sinal foi o vencedor do Prêmio Capes-Natura Campus de Excelência em Pesquisa no tema sustentabilidade, novos materiais e novas tecnologias. O jovem engenheiro e pesquisador Fernando do Couto Rosa Almeida salientou que o descarte do bagaço gera um problema ambiental. “Jogam isso na lavoura porque não sabem o que fazer com esse material, que por ano gera cerca de 4 milhões de toneladas”. Problema ambiental de 4 milhões anuais de toneladas virando agora uma solução sustentável para a construção civil e para a busca dum reequilíbrio do meio ambiente brasileiro. Veja com mais detalhes a seguir.




 
Rios, aquíferos e nascentes do Brasil ganham também com este avanço

Mais informação - Na última sexta-feira pela manhã a Rádio MEC colocou no ar uma entrevista que já está  repercutindo em todo o movimento científico, ecológico e cultural, por aqui no Brasil e até na Escócia, onde este jovem brasileiro é doutorando hoje  na Universidade de Caledônia, em Glasgow. Aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, ainda antes do final de 2016, a gente fez em primeira mão matéria especial e exclusiva sobre Fernando do Couto Rosa Almeida, que é este jovem engenheiro e pesquisador, de 28 anos, de Franca (SP), que desenvolveu na Universidade Federal de  São Carlos (SP) esta alternativa ao uso da areia dos nossos rios, agora a construção civil nas mais variadas obras poderá vir a utilizar como alternativa o bagaço de cana. Confira a seguir este avanço gerado a partir daqui do nordeste paulista que será de importância para todo o país e o planeta. Esta informação hoje está sendo destaque também em vários veículos de comunicação, mesmo porque o jovem engenheiro acabou por receber um prêmio nacional por desenvolver esta pesquisa inédita e muito oportuna para a economia e para a ecologia, que possibilita transformar resíduo da queima do bagaço de cana em areia para a construção civil. Além do nosso blog e da Rádio MEC, este avanço foi noticiado na Agência Brasil, na Revista Enfoque (Franca) no jornal e no site Correio Brazilense do Distrito Federal (Brasília), no portal de comunicação Bonde, tendo sido feitas reportagens também  na emissora regional da Rede Globo (EPTV de Ribeirão Preto), no G1 da mesma rede e na Rede Record de Televisão, site R7, enfim, a boa notícia começa a ser cada vez mais difundida. E merece esta difusão porque o bagaço é um dos principais problemas ecológicos do interior paulista, são resíduos do processamento da cana-de-açúcar; sendo um poluente ambiental quando descartado de modo inadequado na terra ou próximo a rios, córregos, lagoas e nascentes. Uma das maneiras mais comuns de reuso deste material é a queima em caldeiras, gerando energia para a própria usina. Mas o que essa queima gera é um outro resíduo, conhecido como areia da cinza do bagaço de cana-de-açúcar (ACBC). Por não possuir nutrientes, esse resíduo também configura um sério problema socioambiental. A estimativa é que cerca de 4 milhões de toneladas de ACBC são descartados anualmente pelas usinas de cana no Brasil que hoje se concentram mais por aqui no nordeste paulista. Foi também pensando nisso que Fernando Almeida e a equipe de pesquisadores da UFSCar desenvolveram este estudo que resultou em duas importantes inovações: a simplificação do processo de transformação do bagaço em ACBC e o uso dela na construção civil, podendo substituir em parte a areia hoje retirada do meio ambiente natural, do leito das nossas águas, para a produção de concreto. Um dos reúsos para a areia da cinza do bagaço de cana-de-açúcar que vem sendo pesquisado atualmente é a transformação deste material em cimento. Porém, esta transformação vai implicar em longos períodos de moagem e em altas temperaturas para queima (calcinação), o que  torna o processo demorado e de alto custo ou inviável economicamente. Na pesquisa da UFSCar, foi utilizado um processo simples e de menor custo. Nele, a ACBC passa por uma etapa de peneiramento, que pode ser manual, e uma moagem de apenas três minutos que visa a padronização granulométrica das partículas, ou seja, para que elas fiquem com tamanho próximo ao da areia natural. Outro resultado é que este processo transformou a ACBC em areia que pode ser utilizada na construção civil, especificamente na composição de concretos, vigas, entre outros materiais. A areia resultante deste processo poderá vir a substituir em até 30% a areia retirada da natureza, o que significa a redução do uso da areia natural e, consequentemente, uma diminuição do impacto ambiental em nossas águas. Outras vantagens da areia resultante da ACBC em relação à areia natural estão na sua composição química e na granulometria (tamanho dos grãos de areia). Por ser mais fina, a nova areia permite fechar os pequenos poros (abaixo de 150 micrômetros), o que diminui a porosidade do concreto quando comparado ao concreto convencional, resultando em uma maior durabilidade do produto. "Com menos poros e menos vazios, menor é a possibilidade de degradação do material", explica Fernando do Couto Rosa Almeida, jovem mestre em Estruturas e Construção Civil pela UFSCar e responsável pelos estudos. Testes também mostraram maior resistência do concreto em ataques de cloretos em armaduras (ferros de construção).  A pesquisa foi descrita no artigo "Sugarcane Bagasse ash sand (SBAS): Brazilian Agroindustrial by-product for use in mortar", de autoria deste jovem engenheiro e publicado no periódico Construction Building Material. O trabalho por sinal foi o vencedor do Prêmio Capes-Natura Campus de Excelência em Pesquisa, tema: sustentabilidade, novos materiais e novas tecnologias. A pesquisa de mestrado, que serviu como base para toda a pesquisa e o feliz desenvolvimento deste estudo foi orientada pelo professor e perito neste setor Almir Sales, docente do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da UFSCar, tendo sido realizada no âmbito do Grupo de Estudos em Sustentabilidade e Ecoeficiência em Construção Civil e Urbana (GESEC). Fernando do Couto Rosa Almeida fez questão de dividir a láurea e o prêmio em dinheiro com seu orientador Almir Sales e com esta equipe de pesquisa do GESEC, que vem estudando esta temática há 10 anos. Este avanço agora a partir do trabalho intenso do jovem pesquisador e engenheiro Fernando do Couto Rosa Almeida dimensiona que outras conquistas podem vir por aí: é de grande valor o Brasil e entidades internacionais apoiarem os nossos pesquisadores. Está em jogo neste processo também coletivo de trabalho e de avanço até a criação do nosso futuro aqui no país e até no planeta. (Antônio de Pádua Silva Padinha)
 

Agora depois de alguns dias no Brasil, Fernando está de volta...




...ao Reino Unido, pesquisando o passado e o futuro de construções


Fontes: Rádio MEC - Portal Bonde
             www.correiobraziliense.com.br
             www.folhaverdenews.com

11 comentários:

  1. Fernando do Couto Rosa Almeida é de Franca (SP), filho de João Silvestre de Almeida (advogado e corretor) e de Nísia do Couto Rosa (professora de Matemática) e está, graças a este seu trabalho de muita intensidade, avançando uma chance a mais de desenvolvimento sustentável, em especial nas regiões da economia da cana, como aqui no nosso interior paulista.


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  2. "Uma montanha negra composta por 3,8 milhões de toneladas de cinzas e restos queimados de bagaço de cana-de-açúcar. Esse é o resíduo produzido durante um ano pela incineração do bagaço nas usinas sucroalcooleiras nacionais. Há algum tempo, as indústrias do setor queimam o bagaço e a palha da cana para geração de energia elétrica destinada a consumo próprio e, em caso de produção excedente, vendem a terceiros. As cinzas resultantes da queima são descartadas em aterros ou lançadas em plantações como adubo, embora pairem dúvidas sobre sua real eficácia": começa comentando Josana Salles, da UFScar. Confira a seguir o comentário sobre a pesquisa de Fernando do Couto Rosa Almeida que ela faz.

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  3. "Para cada tonelada de bagaço incinerado, são gerados por volta de 25 quilos de cinzas. Esse material tem sido estudado pela equipe coordenada pelo engenheiro civil Almir Sales, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e os resultados mostram que esse resíduo poderá ter um destino ambientalmente adequado e se transformar num importante insumo na fabricação de argamassa e concreto para uso na construção civil. Os resultados foram apresentados em um artigo publicado em fevereiro na versão on-line da revista Waste Management, o estudo está sendo feito por Fernando do Couto Rosa Almeida": segue o comentário de Joana Salles, da UFScar.

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  4. "A proposta do pesquisador desta equipe da UFSCar Fernando do Couto Rosa Almeida é substituir parte da areia, atualmente utilizada na preparação de argamassa e concreto pela cinza do bagaço de cana. A pesquisa, iniciada há três anos e realizada com apoio financeiro do Fundo de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Faesp), mostrou que a substituição de 30% a 50% em massa da areia natural pelas cinzas não apenas preserva as características físicas e mecânicas do concreto, como também traz benefícios econômicos e ambientais. Nessa faixa de substituição, o concreto feito com cinzas pode ter um ganho de resistência 20% superior ao concreto convencional. Esse tipo de concreto reduzirá a necessidade de áreas para destino do resíduo da queima do bagaço e palha de cana e, ao mesmo tempo, utilizará menos areia, diminuindo o impacto ambiental dos leitos dos rios, de onde é retirada": comenta ainda esta engenheira e pesquisadora da UFScar.

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  5. "A extração de areia natural e de pedra britada exigem muito da natureza. A maioria dos portos de areia e pedreiras provoca desgaste ambiental nos cursos d"água. Estamos começando a ter dificuldade para encontrar areia e pedra natural para uso na construção civil. Recentemente houve um aumento de 500% no preço da areia em São Luís, no Maranhão, motivado pelo cancelamento das licenças ambientais para extração do produto na cidade. Este é mais um sintoma positivo desta pesquisa de areia do bagaço de cana. O concreto feito com cinzas de bagaço poderá, em princípio, ser utilizado na maioria das aplicações em construção civil. A proposta inicial é que ele venha a ser empregado na fabricação de guias, sarjetas e bocas de lobo, por exemplo. Para algumas outras aplicações especiais, como concretos estruturais de elevado desempenho, serão necessários mais estudos que devem ser feitos na sequência por esta equipe da UFScar": comentário da mesma Josana Salles, no site da Universidade Federal de São Carlos.

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  6. Você pode por aqui nesta seção o seu comentário ou então enviá-lo para o e-mail da redação do nosso blog de ecologia e cidadania navepad@netsite.com.br e uma outra opção é fazer contato e/ou enviar sua msm pro editor de conteúdo deste blog através do e-mail padinhafranca603@gmail.com


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  7. "Vi nestes dias matéria sobre transformação do esgoto em combustível, com tecnologia e equipamentos da Fraunhofer da Alemanha, também em Franca (SP), cidade deste jovem pesquisador aí, Fernando Almeida, dois bons sinais deste blog que é possível um futuro sustentável no Brasil": quem comenta é Hugo Mendes da Silva, formado pela USP em São Paulo e atuando em BH (Minas Gerais).

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  8. A gente coloca aqui também comentários no site do Centro de Produções Técnicas: "Cinza gerada pela queima do bagaço de cana foi escolhida como alternativa viável principalmente pelo volume elevado de produção na região nordeste paulista.
    A cinza, produzida com a queima do bagaço da cana, pode substituir até 50% da areia para fabricação de concreto. O reaproveitamento das cinzas geradas com a queima de bagaço de cana na produção de concreto, no setor da construção civil, poderá transformar o resíduo em mais um subproduto da cana. A técnica para produção de concreto foi desenvolvida em pesquisa da UFSCAR - Universidade Federal de São Carlos, interior paulista, após 4 anos de estudos".

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  9. “As cinzas não serão depositadas nas lavouras. Além disso, vai sobrar matéria-prima para outro setor, o que é importante do ponto de vista econômico. O uso do bagaço de cana é uma alternativa viável, principalmente, pela grande quantidade de produção. O volume elevado é um dos requisitos básicos para um resíduo ser considerado como alternativa para a areia, já que ela é muito utilizada no dia-a-dia e agride a ecologia de nossas águas. De acordo com a pesquisa da UFSCAR, os estudos com as cinzas de bagaço ainda estão em fase inicial. O grupo está avaliando os parâmetros de durabilidade, o que ainda deve levar mais tempo. No entanto, a pesquisa já revelou que esse concreto aumenta de 15 a 17% a resistência do material. Atualmente, de 100 a 120 milhões de toneladas de areia de rio são consumidas anualmente no Brasil. Em contrapartida, são produzidas cerca de quatro milhões de toneladas de cinza a partir do bagaço da cana. Portanto, do volume total, a cinza representaria 4% da areia. Isto significa que em 1m³ de concreto, de acordo com estas pesquisas, a cinza pode substituir até 50% da areia". (Site www.cpt.com.br)


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  10. "O interessante dessa pesquisa é que o produtor de cana pode utilizar seu cultivo como um todo, gerando vários subprodutos. Não sobra nada. Produz-se açúcar, etanol, cachaça, fertilizante, energia elétrica e, agora, concreto. A pesquisa do grupo da UFSCAR é direcionada principalmente para as regiões onde existe bastante produção de açúcar e etanol e, consequentemente, grande queima de bagaço e cinza residual": comentário de Patrícia Tristão, zootecnista e tutora do Portal de Informações do CPT – Centro de Produções Técnicas.

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  11. "Acredito que nos próximos 2 ou 3 anos possa aumentar muito a utilização desta areia do bagaço de cana desde que empresas de engenharia civil também se disponham a fazer esta virada tecnológica que é muito importante também pro meio ambiente": comentário de Luís Gustavo, engenheiro civil pela Unesp, que atua na região da Grande São Paulo junto a prefeituras de cidades.

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