quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PARANÁ TEM UMA REGIÃO FORA DO COMUM PARA A NATUREZA E O ECOTURISMO MAS SOFRE LÁ TAMBÉM COM A FALTA DUMA GESTÃO GOVERNAMENTAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


Área de proteção ambiental da Escarpa Devoniana poderá perder 70% de sua área por conta da falta de gestão ambiental sustentável ou de ambição de agronegociantes ou empresas do Paraná numa situação bem típica na área ecológica em todo o país


Gilson Burigo Guimarães, graduado em Geologia, doutorado na área e atuando na Geocicências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) é quem faz o alerta agora para todo o movimento ecológico, científico e de cidadania do Brasil, a partir do que vem ocorrendo nesta região do Paraná: o alerta virou uma postagem que está em destaque no site O Eco, onde Dr. Gilson explica com todos os detalhes que "uma especial conjugação de processos naturais, ao longo do tempo geológico, permitiu que este território paranaense seja atualmente brindado com uma riquíssima expressão de geodiversidade e biodiversidade. Região litorânea, Serra do Mar, os três planaltos e duas imponentes estruturas de relevo, que são a Escarpa Devoniana (separando o Primeiro e o Segundo Planalto) e a Escarpa da Serra Geral (entre o Segundo e o Terceiro Planalto), todos domínios influenciados pela natureza de diferentes tipos rochosos e que, progressivamente, moldaram as nuances de instalação e desenvolvimento do Bioma Mata Atlântica no Paraná". 

Rio de lajeado. Cânion do Guartelá, localizado entre Tibagi e Castro, no Paraná. Foto: Zig Koch.
Rio de lajeado. Cânion do Guartelá, localizadona APA da Escarpa














Uma região excepcional como esta não escapou da atenção da população e dos ecologistas e também pesquisadores, por isso, sob a inspiração da “Constituição Cidadã” de 1988, a Constituição do Estado do Paraná de 1989 dedicou um artigo específico à obrigação do estado proteger, criando unidades de conservação na Escarpa. Um amplo setor do Segundo Planalto Paranaense, os Campos Gerais do Paraná, sempre chamou a atenção pela beleza de sua paisagem, conjugando aspectos de seu relevo contrastante e uma hidrografia peculiar, junto com flora e fauna características. É assim que esta região fitogeográfica, nas palavras do grande naturalista Reinhard Maack, veio a ser constituída por campos limpos e campos cerrados naturais e estaria limitada a leste pela borda do Segundo Planalto, formando um espetacular patrimônio natural, com rios de águas cristalinas em lajeados, cachoeiras imponentes, mananciais de águas superficiais e subterrâneas, capões com araucárias, canyons e despenhadeiros, furnas e cavernas, além de animais como o Lobo-Guará, a Suçuarana,  o Tamanduá Bandeira, a Seriema, a Gralha Azul, isso se soma a um patrimônio cultural que engloba também sítios arqueológicos de diferentes tradições indígenas ao registro da rota dos tropeiros e, mais recentemente, à instalação de colônias de imigrantes europeus. Todas estas características  criam ali uma paisagem única no Brasil.

 
 A APA da Escarpa: um profundo e preocupante processo de destruição


 
O Cânion do Guartelá, também está perdendo a natureza original

A região dos Campos Gerais, de modo similar ao que ocorreu em outros setores do Paraná, passou e ainda passa por um profundo processo de alteração de suas características originais. A supressão da cobertura vegetal (campos, cerrado, florestas) ligada à substituição por variedades exóticas dos setores agrícolas e do florestamento industrial, o represamento ou drenagem de corpos d’água, a diminuição de populações de representantes da flora e fauna com consequente inviabilidade genética das espécies, são algumas dessas modificações. A área de proteção ambiental deveria ser gerida com práticas as mais sustentáveis  inclusive na faixa de Campos Gerais, que se constituem um ecossistema peculiar que alterna capões da floresta de araucária, matas de galerias e afloramentos rochosos, além de locais de beleza cênica como os canyons e de vestígios arqueológicos e pré-históricos, importantes para a pesquisa científica. O geólogo Gilson Burigo Guimarães argumenta que o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, reunindo unidades federais, estaduais e municipais, é regido por lei federal que estabelece a existência de duas categorias de unidades, ou seja, as de proteção integral, de caráter mais restritivo como são os parques e as de uso sustentável, na qual se enquadram as APAs tipo de reserva que deveria proteger a Escarpa Devoniana. Mas longe disso, são décadas de ameaças de destruição e de crimes ambientais. Uma luta da UEPG conseguiu o tombamento, mas depois ainda teve o projeto de lei 527/2016, que vem a ser agora um golpe fatal na região dos Campos Gerais a partir da pressão de entidades de classe empresariais e de inação ou de omissão do governo estadual do Paraná. "Outro ponto importante é que, ao reduzir expressivamente a área da APA, removendo quase toda a área agricultável, praticamente se desfaz a essência de uma unidade de conservação de uso sustentável. O que, na hipótese de aprovação do projeto, levaria à modificação do enquadramento da unidade, passando para a categoria de “proteção integral”, como seria o caso de um parque estadual. Estariam os autores interessados em um amplo processo de desapropriações na região?", questiona ainda o especialista Dr. Gilson Burigo Guimarães. 
 


Buraco do Padre demonstra o potencial de ecoturismo da região


Preocupado com o futuro da Escarpa o geólogo da UEPG está alertando com toda razão: "Mais uma vez se demonstra a incompreensão ou o desprezo pelo significado de uma unidade de conservação de uso sustentável. Mas também uma velada proposta de anistia a crimes ambientais". 

Cientistas, ecologistas, amantes da natureza do interior do país fazem mais este alerta

Fontes: www.oeco.org.br
             www.,folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. "Impedir as futuras gerações de apreciar o acervo arquitetônico inserido na paisagem de uma cidade histórica como Salvador ou flexibilizar a política de permissão de empreendimentos potencialmente poluidores na área de recarga do aquífero Furnas, dentro da APA da Escarpa Devoniana, são decisões hediondas, com consequências frequentemente irreversíveis em médio e longo prazo": comentário do geólogo Gilson Burigo Guimarães,da UEPG, Ponta grossa, no Paraná.


    ResponderExcluir
  2. Logo mais, por aqui nesta seção de comentários mais informações e comentários: você pode colocar também aqui a sua opinião ou mensagem. Outra opção, envie um e-mail para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania, manifestando-se sobre este problema. Participe da sua solução. Envie sua msm para navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  3. Uma outra opção para você participar do debate sobe a APA da Escarpa no Paraná é contatar o nosso editor de conteúdo, enviando a ele informações, fotos ou a sua opinião através do e-mail padinhafranca603@gmail.com

    ResponderExcluir
  4. "Em tempos de busca pela moralização da gestão pública, muito pertinente haver um movimento estruturado para combater troca de favores e facilidades concedidas para interesses privados. Nesse caso, em detrimento de uma lógica que indica que essa região, entre o primeiro e o segundo planaltos paranaenses FOI O QUE SOBROU, e tem uma excepcional condição de gerar uma nova economia regional, equilibrada e compatível com a conservação - o turismo de natureza. Qual é o interesse do Governo do Paraná e da Assembléia Legislativa em acabar com 2/3 da APA da Escarpa Devoniana, criada no início da década de 90? E de impedir de maneira intempestiva o seu Tombamento pela Secretaria de Cultura? É evidente que tem coisa muito mal explicada nessa questão, embora não represente nada de novo, se considerarmos a atual conjuntura regional (e nacional). Portanto, urge uma reação a altura é fortemente demandada de parte da sociedade": comentário de Vis Borgeas, do Paraná, que participou da matéria do site O Eco.

    ResponderExcluir
  5. "Mais uma caso, mais um BO na ecologia, mais um "avanço" para a destruição da nossa última natureza no país": comentário de Jonas Ribamar, de São Paulo (SP), advogado formado pela USP que pretende se especializar em Direito Ambiental.

    ResponderExcluir
  6. "Enquanto os governos não ouvirem os cientistas e os ecologistas a nossa natureza estará cada vez em pior situação no Brasil, onde poderia ser hoje o maior fator de desenvolvimento sustentável": comentário de Rubens Gonçalves, do Rio de Janeiro (RJ), economista formado pela PUC de Minas e de BH.

    ResponderExcluir
  7. "O Paraná no caso da região da Escarpa e todos os governos estaduais e municipais em a´reas de proteção, além das autoridades em Brasília deveriam investir num turismo sustentável, o que iria gerar empregos e recursos para o Brasil": comentário de Lourdes Pereira dos Santos, de Maringá (Paraná), professora de Geografia e História na rede pública.

    ResponderExcluir

Translation

translation