quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CINEMA DO BRASIL EM BOM MOMENTO MAS ISSO APENAS LÁ NA ALEMANHA NO FESTIVAL DE BERLIM

Por aqui só se fala em Lego Batman e somente produções feitas no exterior têm espaço na mídia e no mercado: mas a partir de hoje no Berlinale a história é outra havendo muita expectativa em torno de Joaquim e outros 12 filmes made in Brazil


Paulo Virgílio, repórter da Agência Brasil, e a amiga Maria Becher atuando na Reuters me informam sobre o relativo sucesso dos filmes brasileiros, mas isso, lá na Alemanha, porque por aqui em nosso país nem se noticia, como deveria ser feito, que o  cinema brasileiro estará presente com 12 filmes na 67ª edição do Festival de Cinema de Berlim, que começa hoje na capital alemã e vai até o dia 19 deste mês. Considerado um dos eventos mais importantes no calendário cinematográfico mundial, o Berlinale, como o festival é conhecido entre os cinéfilos de todo o planeta, terá neste ano mais uma vez um representante nacional na competição pelo prêmio principal, disputando o Urso de Ouro: é Joaquim, o filme de Marcelo Gomes, por sinal uma coprodução Portugal - Brasil, ambientada no século 18, que mostra a trajetória de  Joaquim José da Silva Xavier até se tornar conhecido como Tiradentes, a mais importante figura da Inconfidência Mineira e da história de lutas pela liberdade no Brasil. O longametragem que disputa o Urso de Ouro foi um dos vencedores do edital de coprodução lusobrasileira em 2014, promovido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), em parceria com o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), de Portugal, contou também com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Agora em Berlim, a partir de hoje, o tão desprezado cinema nacional por aqui, lá está nas paradas.






Cena do filme Joaquim, de Marcelo Gomes - Teaser oficial
Joaquim tenta vencer o Urso de Ouro como Tropa de Elite e Central do Brasil antes




Filmes nacionais de tema contemporâneo tipo Como Nossos Pais, de Lair Bodansky, também participam do evento em Berlim agora


"O cinema brasileiro já venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim em duas ocasiões: em 1998, com Central do Brasil, de Walter Salles, e em 2008, com Tropa de Elite, de José Padilha", comenta em sua matéria Paulo Virgílio, cobrindo para a EBC este evento que vai até o dia 19 de fevereiro. Nossa amiga de São Paulo que trabalha na agência internacional de notícias Reuters também nos informa que na mostra Panorama, a presença nacional fica por conta de Como Nossos Pais (de Laís Bodanzky) e das coproduções Brasil-Argentina-França Pendular, de Julia Murat; e Brasil-Portugal Vazante, de Daniela Thomas. Além desses filmes, No Intenso Agora, de João Moreira Salles, está na programação da mostra Panorama Dokumente, e o curta de animação Vênus - Filó a Fadinha Lésbica, de Sávio Leite, mostra como é fértil a participação brasileira no Festival de Berlim agora emn 2017. Tem mais: a Mostra Generation deste importante festival de cinema traz os longas Não Devore meu Coração, de Felipe Bragança, Mulher do Pai, de Cristiane Oliveira, As Duas Irenes, de Fabio Meira e o curta Em Busca da Terra sem Males, de Anna Azevedo. Do diretor Davi Pretto, Rifle aparece na mostra Forum, enquanto Estás Vendo Coisas, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca, está programado na Berlinale Shorts, seleção dos melhores curtametragens do Berlinale. Além de todos estes 13 filmes participantes do evento mundial em Berlim, dois projetos brasileiros de futuros filmes participam da seção Co-Production Market em busca de parceiros para a sua produção: Obreiro, de Gabriel Mascaro, e Paloma, de Marcelo Gomes, disputando na mostra principal com o esperado Joaquim, filmado no Nordeste, em Pernambuco e co-produzido com empresas de Portugal.


O Brasil tem potencial hoje de filmes jovens, criativos e  críticos bem produzidos

De acordo com a Ancine, cinco longas, entre as produções brasileiras presentes no Festival de Berlim, receberam por aqui no país recursos do FSA, contempladas em diferentes chamadas públicas do Programa Brasil de Todas as Telas, o principal da agência. Além de Joaquim, integram a lista Mulher do Pai, Pendular, Rifle e Como Nossos Pais. "Além do apoio de órgãos governamentais, o cinema nacional já merece atrair investidores e mais empresários brasileiros também, já se mostrando um avanço da indústria cultural tupiniquim, os filmes made in Brazil podem ser um dos produtos de exportação com maior potencial de sucesso neste momento, de preferência criações mais autorais e que tenham maior independência em relação à Globo ou oiutras TVs e ao Governo, o que se espera dos nossos cineastas atualmente no exterior é tipo um Novo Cinema Novo, com a ousadia e a liberdade de linguagem e de crítica política dos anos 60, 70, 80 mas agora com melhor resolução técnica e maior força no mercado lá fora e aqui dentro, está na hora dessa virada", comentou o editor do nosso blog de ecologia, cidadania e cultura da vida, Antônio de Pádua Silva Padinha, ao fazer esta matéria sobre o Brasil no Festival de Berlim 2017. 


 O filme pernambucano e brasileiro Joaquim disputa o Urso de Ouro


Fontes: Agência Brasil  -  Reuters
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. "Desde a chamada retomada das cinematografias latino-americanas, ao final dos anos 90, muito se lamentou que o Brasil permanecia à espera dos holofotes que pouco a pouco passaram a brilhar nos festivais internacionais sobre a Argentina, o Chile e outros países da região que se tornaram os queridinhos de curadores no mundo todo. Essa espera parece ter chegado ao fim, com uma “espécie de apogeu da produção brasileira” que começa a despontar em vitrines importantes como as de Cannes (França), Rotterdam (Holanda) e Berlim, agora na Alemanha. O cinema brasileiro enfim está ressuscitando": comentário de hoje no site El Pais da Espanha.


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  2. "A boa safra de filmes brasileiros agora no Festival de Berlim inclui obras de diferentes estilos e formatos e vindas de diferentes regiões do país, o que, além de revelar a potência da produção atual, demonstra que ela desponta não somente do tradicional eixo Rio-SP. O filme escolhido para representar o Brasil na competição principal vem de Pernambuco: Joaquim, de Marcelo Gomes (diretor do elogiado Cinema, aspirinas e urubus), concorre ao Urso de Ouro com um olhar sobre a construção da consciência política do jovem alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), soldado do Império que veio a liderar a chamada Inconfidência Mineira, um movimento que hoje seria atual no Brasil, pelo que vem acontecendo": comentário de Mariana Becher, repórter brasileira que hoje atua na agência de notícias Reuters e está na Alemanha agora.

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  3. "Também está na disputa do Urso de melhor curta-metragem "Estás vendo coisas", de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, obra criada especialmente para a 32a Bienal de Arte de São Paulo em 2016 e que retrata a paisagem da música brega do Recife": comentário também de Mariana Becher, Reuters.

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  4. "Vale lembrar que o Brasil tem uma longa relação com a Berlinale. Pelo Festival de Berlim passou, por exemplo, Central do Brasil, de Walter Salles, que venceu o Urso de Ouro em 1998 – feito alcançado também por Tropa de elite, de José Padilha, em 2007. Em 2015, Que horas de volta?, de Anna Muylaert, um dos filmes nacionais de melhor performance em bilheteria nesse ano, voltou de sua participação em Berlim com um prêmio da Confederação de Cinemas de Arte e Ensaio. E em 2016, Mãe só há uma, o mais recente longa da realizadora paulistana, venceu a premiação oficial do público LGBT do festival, o Teddy Awards": ainda comentário de Mariana Becher, em especial para o nosso blog, ele que está na Alemanha pela agência Reuters.

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  5. Logo mais, aqui nesta seção, mais comentários e outras informações sobre filmes brasileiros no Festival de Berlim, começando hoje e indo até dia 19. Bem como, no debate, novos rumos do cinema brasileiro. Aguarde nossa próxima edição, confira e participe você também.

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  7. "Fico feliz com o Brasil bem em Berlim mas triste com o nosso cinema mal aqui no país, aliás, o que vai bem por aqui? Só a indústria de lobbies e de crimes de políticos e de bandidos": comentário de Isaías Araújo, de São Paulo (SP), que foi dono de cinema e hoje trabalha com Informática.

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