sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL COMO SEQUELA DA EXPLORAÇÃO DE OURO EM PARACATU MINAS POR EMPRESA CANADENSE NÃO É O ÚNICO PROBLEMA

A destruição da natureza e o desequilíbrio socioambiental de Paracatu está na proporção da riqueza cada vez maior da RPM a empresa Kinross Gold Corporation e o pior é que as barragens com resíduos de arsênio são tão precárias como as da tragédia de Mariana



  Paracatu, a cidade do ouro ou do arsênio?


Localizada na região noroeste de Minas Gerais e conhecida como Cidade do Ouro, Paracatu conta atualmente com a maior mina deste metal no país e a maior do mundo a céu aberto. A mineração no chamado Morro do Ouro, liderada pela empresa canadense Kinross Gold Corporation, representa a principal atividade industrial para a geração de emprego e renda na região, mas assusta e adoece moradores do pequeno município. Este é um texto de notícia da Agência Brasil. O jornal e site da Espanha El Pais faz agora uma reportagem completa sobre este drama, que pode vir a ser a próxima tragédia do Brasil pela precariedade das barragens dos rejeitos, contendo arsênio. Ainda hoje o portal Estadão faz também um resumo sobre a polêmica entre os que acham que a situação ambiental está sob controle com a oposição do geólogo José Márcio Santos, professor e morador da comunidade, que contradiz afirmações do DNPM (departamento nacional de produção mineral): "O nível de arsênio está acima do recomendad pelos organismos de saúde". O mesmo DNPM um mês antes de ocorrer a tragédia na mineração em Mariana, que detonou boa parte de Minas, Espírito Santo em toda a bacia do Rio Doce, acalmava os críticos. O mesmo DNPM afirma agora ser baixo o risco de acidente nas barragens de Paracatu como pequeno o nível de arsênio...Vários jornalistas e ambientalistas têm advertido que a proximidade entre as atividades de mineração e os bairros da cidade e a possibilidade de intoxicação por metais pesados liberados durante a extração do ouro deixam a população sob grave risco. Há mais de 10 anos, a mineradora iniciou um grande projeto de expansão para elevar a capacidade de produção da mina de Paracatu de 5 para 15 toneladas anuais de ouro, que seria algo provisório, até setembro de 2008. O processo continua e cada vez aumenta mais gerando lucro extraordinário para a Kinross (RPM), mas deixando sequelas monstruosas na saúde da população e no meio ambiente de toda a região, que antes era uma estância hidromineral pela limpeza e riqueza de suas águas. Este mesmo projeto de expansão decretou em mais de 30 anos o tempo de vida útil da mina: isso exigiu ainda a criação de uma nova barragem para o despejo de rejeitos, o material contaminante que sobra do processo de separação do ouro. Notícias alertam sobre perigo de rompimento da barragens, na região. Um dos bairros diretamente atingidos pela expansão da mineradora é o Alto da Colina. No local, ainda é possível ver postes de iluminação e árvores frutíferas onde antes havia ruas e casas. Os terrenos foram comprados pela Kinross e cercados. Nos locais, uma placa indica: “propriedade privada”. Aliás, isso fica claro no documentário que a gente está postando aqui na nossa TV Folha Verde News, é só a 1ª parte deste trabalho, você precisa conhecer e analisar, uma situação numa palavra trágica. Entrevistado também pelo jornal Correio Braziliense, o geólogo José Márcio Santos informou que 70% dos exames de urina feitos na cidade mostraram índices elevados demais de contaminação ((em torno de 18 microgramas de arsênio, deveria ser de no máximo 10 microgramas, segundo o padrão da Organização Mundial de Saúde, da ONU). A mineração em Paracatu gerou também sequelas no meio rural, por exemplo, na irrigação, no uso da água poluída. As autoridades oficiais do meio ambiente em Minas Gerais (FEAM) negam todas estas evidências que expõe a população a doenças causadas pelo arsênio, há relatórios de pesquisadores e de médicos que detectam concentrações do metal pesado superiores em até 200% do que é permitido pela lei no uso desta substância, um dos elementos químicos mais tóxicos que existem. A Prefeitura da cidade sabe dos riscos. Mas, segundo moradores, nada fez nem faz nem para alertar a população. A maioria das pessoas nem sabe o que é arsênio, diz a matéria do El Pais. Desde 1987 a cidade abriga a maior mina de ouro a céu aberto do mundo, que hoje é operada pela companhia canadense Kinross, que responde por 25% da produção nacional do minério. A companhia diz em seu site gerar "cerca de 1.300 empregos diretos e mais de 2.500 terceirizados" que totalizam "22% dos postos de trabalho formais do município", além de ser "a principal geradora de impostos" para a cidade. Só em 2014 a companhia obteve receitas de 3,4 bilhões de dólares e este faturamento cresceu com o projeto de ampliação e da vida útil da mina em Paracatu. A área total das instalações da mineradora de ouro supera a de Paracatu, que tem 8.232 km² e em alguns pontos, a empresa é dona de tudo o que a vista alcança. 




A lavra principal da mina de ouro um deserto contaminado


O solo ao redor de um dos principais córregos de Paractu possui em alguns trechos uma concentração de arsênio cinquenta vezes maior do que a permitida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Sergio Ulhoa Dani, médico do departamento de Oncologia Médica do hospital da Universidade de Berna, na Suíça, afirma que as consequências do acúmulo da substância nos seres humanos são devastadoras: “Diversos tipos de câncer, diabetes, problemas na pressão arterial, alterações endocrinológicas e vários problemas respiratórios estão entre as doenças provocadas pelo arsênio no corpo”. De acordo com os médicos da região, alguns pacientes saíram da cidade há décadas, mas continuam contaminados, já que o arsênio é liberado no sangue por anos após a exposição, pois se acumula nos ossos. Em cinco das oito amostras coletadas pelo Cetem no entorno do rio Rico, a terra não poderia nem mesmo ser usada com finalidades industriais, atividade que tolera concentrações maiores de arsênio. O sedimento do fundo do córrego tem, em alguns trechos, uma concentração da substância 252 vezes maior do que o permitido pelo Conama: são 4297,2 miligramas do mineral por quilo, ante os 17 mg/kg permitidos pela legislação em vigor. E a água do rio é imprópria para o consumo humano em diversos pontos analisados, em alguns não poderia ser usada nem mesmo para irrigação ou consumo animal. 
A Kinross Gold Corporation no coração de Paracatu

E o que a mineradora canadense diz?...A Kinross nega a contaminação e afirma que o problema ambiental foi causado na região por antigos garimpeiros...Em um dos trechos dum relatório (publicado apenas em inglês e só na Internet) a empresa do Canadá no entanto admite que “o arsênio não oferece riscos de doenças não-carcinogênicas [diabetes, pressão alta, problemas respiratórios, etc] para adultos, mas as crianças estão em risco. Já os efeitos carcinogênicos [risco de câncer por contaminação], crianças e adultos correm risco”. Mais adiante, o relatório afirma que a principal via de contágio é pela “ingestão de água e inalação de partículas”. Ecologistas e ativistas de direitos humanos, pesquisadores de universidades colocam sob suspeita todos os estudos feitos em Paracatu, por exemplo, pelo Cetem, alegando que este centro não tem independência nem isenção para investigar a poluição da Kinross, já que teria negócios com a empresa. Dados obtidos pelo El Pais via Lei de Acesso à Informação apontam que a entidade recebeu mais de 500 mil reais em pagamentos da mineradora por serviços como consultorias e estudos técnicos, isso, pelo que se conseguiu apurar só agora recentemente. É urgente uma investigação do Ministério Público e do Ministério do Meio Ambiente sobre a real condição de risco das barragens e do perigo de contaminação por arsênio da população de Paracatu, Minas Gerais, ou isso é realizado ou as autoridades brasileiras perdem toda a credibilidade depois que a mídia mundial, agora, questiona a realidade socioambiental. Outro ponto: quanto custará a recuperação socioambiental e o reequilíbrio ecológico da região? Quem pagará?...Quem poderá custear os problemas de saúde pública causados pela multinacional do ouro? São tantas as perguntas e, por enquanto, quase nenhuma resposta. O blog do movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News continuará perguntando, como uma voz no deserto que virou Paracatu.




 
Sem informação sobre a contaminação dos rios moradores usam a água. 



“Não dá para ficar, se eu me contaminar mais não sei o que vai acontecer comigo. Agora penso em vender minha terra, não tem mais jeito. Antes tinha água limpinha lá, hoje a nossa nascente é só lama”. (Morador do meio rural na região de Paracatu, entrevistado por El Pais)





 
A barreira de rejeitos domina a paisagem agora


Um geólogo não recua diante do poder da  Kinross Gold Corporation
 




O geólogo Márcio Santos exibe um pedaço de rocha com arsênio


O geólogo Márcio José dos Santos, mestre em Planejamento e Gestão Ambiental pela Universidade Católica de Brasília, explica como ocorre a liberação do arsênio na mina de Paracatu. “Quando a rocha é explodida com dinamite na lavra [área principal da mineração] o arsênio, que antes estava preso e não oferecia risco para a saúde, é liberado no ar e reage com a água e outras substâncias do ar, tornando-se ativo e perigoso”. Segundo ele, na cidade os ventos sopram do sentido nordeste para o sudeste, o que contribui para que esta poeira venenosa vá da mina para a cidade. Em outra etapa da mineração, os fragmentos de rocha são tratados com produtos químicos, o que libera mais arsênio. “Estes produtos são jogados na barragem de rejeitos, que é uma grande represa altamente tóxica onde todas as sobras do processo são armazenadas. Por sua vez, a Kinross tenta rebater estas afirmações, informando que "na mineradora durante o processamento do minério ele é separado usando cianeto e vai para um recipiente próprio com medidas de múltipla proteção". A empresa propaga que “segue rigorosos e modernos monitoramentos ambientais que atestam junto as agências reguladoras e órgãos ambientais a eficiência dos seus controles”. Quanto à poeira liberada, a companhia afirma aspergir as vias de acesso com água, para evitar que os grãos se espalhem no ar, e diz aplicar “polímeros e promover uma revegetação das áreas de entorno”. Não é o que se vê no deserto em torno de Paracatu provocado pela exploração de ouro ali, o horizonte da cidade é dominado pelas barragens dos rejeitos. Vai o ouro para a grande empresa do Canadá. O que fica? Mais uma pergunta, a resposta cabe ao Ministério Público e ao Governo do Brasil. 


Tudo pelo ouro e nada para nós, diz canção regional em Paracatu


Fontes: www.brasil.elpais.com
             www.estadao.com.br
             Agência Brasil - Correio Braziliense
             www.folhaverdenews.com 

6 comentários:

  1. Ao logo também deste sábado, estaremos fazendo nova edição nesta seção de comentários por aqui no blog para debater a situação complexa de Paracatu. Confira aqui e participe desta edição.

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  2. Você pode colocar direto aqui nesta seção a sua mensagem ou, se preferir, enviá-la por e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br

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  3. Outra opção é contatar o editor de conteúdo deste blog, para mandar e-mail, informações, fotos ou críticas ou sugestão de mastérias, faça isso através do e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  4. "A Kinross Gold Corporation em Paracatu realmente precisa ser urgentemente investigada pelo Ministério Público para lkevantar o alcance de todos estes problemas lá": comentário de Luiz Alves Ribeiro, de Belo Horizonte (MG), advogado.

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  5. "O geólogo Márcio José dos Santos, mestre em Planejamento e Gestão Ambiental pela Universidade Católica de Brasília, precisa ser ouvido pelas autoridades brasileiras e protegido em sua vida, pois é a voz discordante mais forte": comentário de Luiz Helena Sousa, de São Paulo (SP), engenheira ambiental pela Unesp.

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  6. "O geólogo Márcio José dos Santos pode vir a ser o novo Chio Mendes, está na hora do MP intervir nesta situação complexa demais em Paracatu": comentário de Nelson Moreira, que sugere enviarmos esta matéria para a ONU e a OMS. Sim, obrigado, Nelson Moreira, empresário em Campinas (SP), nosso blog fará este envio.

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