sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

EM PARCERIA COM A USP MATÃO NO NORDESTE PAULISTA CRIA SISTEMA DE LIXO QUE AJUDA A ECONOMIA E O MEIO AMBIENTE


Projeto piloto que controla gestão de resíduos está só começando mas já mostra resultados muito positivos   aplicando a matemática e a computação ao sistema de lixo em cidade do interior paulista

 


Leonardo Zacarin, divulgando o ICMC, Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP em São Carlos, nos informa que Matão (SP) foi o primeiro município a testar no sistema de lixo este projeto piloto que organiza quantidade, origem e destino de material descartado. Uma parceria entre a USP, a cooperativa Reenvolta e a Prefeitura de Matão trouxe resultados muito interessantes para o meio ambiente. E o trabalho está apenas começando. Orientados pelo professor Francisco Louzada Neto, do  ICMC e coordenador de transferência tecnológica do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), pesquisadores desenvolveram um sistema de gerenciamento de resíduos sólidos que pode ajudar bastante no controle que os municípios têm sobre os materiais que são descartados.  De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), somente em 2015, o estado de São Paulo gerou mais de 62 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, o que dá uma média de 1,4 kg de lixo por habitante todos os dias. Pelo atual levantamento, o Brasil descarta quase 200 mil toneladas de material por dia e toda esta quantidade, em aumento crescente, precisa duma gestão contemporânea dos resíduos, hoje em dia é fundamental usar no sistema a tecnologia da informática, da computação. A variedade e o volume de resíduos são enormes, para o tratamento de todo este lixo  são também necessários cada vez mais grandes volumes de informações qualitativas. A USP entra nesse sentido na parceria porque é um centro de excelência, conforme Paulo Mancini, coordenador administrativo da cooperativa de reciclagem Reenvolta. A cooperativa reúne profissionais da área socioambiental e serviu como ponte entre os pesquisadores da USP e a Prefeitura de Matão. O projeto piloto recebeu o nome de Sistema de Gestão de Resíduos Sólidos (Sisgeres). O funcionamento é bem simples. A cada despejo de resíduo, o usuário registra no programa a data do descarte, a quantidade e o tipo de material que é o lixo descartado, bem como, a origem e o destino dos resíduos. A partir disso, o Sisgeres gera tabelas e gráficos que facilitam o entendimento do processo de descarte no prazo de tempo que o usuário quiser.  “Aqui em Matão, em todo fim de mês, nós analisamos a quantidade e os tipos de resíduos gerados. Esse convênio teve início em março de 2016 e, mesmo sendo recente,  em menos de um ano já nos permite observar que, em alguns determinados meses, temos uma produção maior de resíduos e podemos saber de antemão quais são os tipos mais recorrentes. Nosso objetivo, com esses dados, é planejar melhor, determinar os melhores momentos para a criação de campanhas de redução, também de reutilização e de reciclagem. Com isso, é possível diminuir a quantidade de lixo que vai para o aterro sanitário e, consequentemente, aumentar a vida útil desse aterro”, explicou por sua vez Michela Adriane Alves, ex-diretora da Divisão de Coleta de Lixo do Departamento de Meio Ambiente de Matão.  Maria Mellintani, também atuando neste setor, também comemora a utilização deste sistema: “Nós ficamos muito contentes com a escolha do nosso município para o desenvolvimento do projeto piloto. Nós sabemos da importância desse mecanismo para Matão e para todos os municípios, porque o problema dos resíduos é grande demais em todas as cidades hoje". 


Problemas com coleta de lixo - Foto: Marcos santos/USP Imagens
Em todas as cidades hoje a coleta e a gestão do lixo é problemática
 
 Matão (SP) inova usando matemática e computação no setor



Em 2010, com a aprovação da Lei 12.305/10, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada para permitir o avanço do Brasil em relação a problemas ambientais, sociais e econômicos que são consequência do tratamento inadequado de resíduos sólidos. Nesse contexto, o Sisgeres pode ser ainda mais importante. Como o sistema é customizável e de fácil aplicação, pode ser utilizado por qualquer cidade, estado ou país. E os pesquisadores estão abertos a novas parcerias. “Nós temos todo o interesse em disponibilizar o sistema para outras cidades. Fizemos aqui na cidade de Matão, como programa piloto e verificamos que, de fato, dá certo. Estamos dispostos a disponibilizar para outras cidades utilizarem este sistema”, comenta o professor Francisco Louzada Neto, coordenador do projeto piloto: “Nós vivemos em uma sociedade de enorme desperdício, mas nenhuma cidade ou até nenhum país já não aguentam mais. Nossa esperança é que o Sisgeres seja útil para a sociedade e se transforme em um produto que a gente possa colocar nos mais diferentes empreendimentos possíveis, sejam eles empresas privadas, públicas, governos estaduais ou municipais".  Este projeto piloto pode vir ser um avanço sustentável para os problemas cada vez maiores da gestão do lixo em todo os lugares do país e do planeta. 

Matemática com apoio da informática avança a gestão de resíduos...

...hoje um dos desafios é também o lixo eletrônico

Fontes: www.jornal.usp.br
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

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  4. "Todo avanço que possa haver para se conseguir uma gestão mais sustentável nas cidades ou nas empresas para o lixo é algo bom demais, esse é um dos problemas mais difíceis hoje": comentário de Saulo Alvares, de Santos (SP), formado em administração na USP em São Paulo.

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  5. "Um projeto ótimo, o problema é que em geral os políticos que administram nossas cidades são eles um lixo": comentário de Mariana Fernandes Silva, de Campinas (SP), mandando notícia de como a empresa em que ela trabalha faz algo similar ao que Matão faz com o Sisgeres.

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  6. "Importante esta programa piloto, a questão do saneamento básico precisa mesmo de inovações e de avanços. Por exemplo, no que se refere ao lixo eletrônico, os volumes aumentam demais hoje em dia. Produtos eletroeletrônicos cada vez mais baratos. e com a qualidade que alguns dizem ser até inferior. A facilidade de se comprar produtos novos alcança a maior parte da população, que não resiste em adquiri-los. A maioria deles sobrecarrega-se com as relíquias que ali já habitavam, e como na maioria dos lares não há espaço para se acumular este tipo de lixo, estes precisam aliviar seus lares. A única fuga comum a todos é a natureza, aí, isso agrava e aumenta o problema do lixo tecnológico": comentário de Josué de Barros Silva, de São José dos Campos (SP), engenheiro sanitarista.

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  7. "Consumo excessivo e excesso de lixo de todos os tipos, pesquisadores e especialistas no assunto, dizem que a única forma de reduzirmos grandes desastres que vem acontecendo na natureza, como efeito estufa, poluição de rios e mares, entre outros, só poderão ser feitos utilizando novas tecnologias e inovações em toda questão do saneamento básico e da reciclagem": comentário de Mário Duarte, de Campínas, mas que trabalha em São Paulo com venda de produtos eletrônicos.

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