quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PEQUENOS PRODUTORES SÃO RESPONSÁVEIS POR MAIS DE 70% DOS ALIMENTOS QUE CHEGAM À MESA DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS



Pesquisadores brasileiros de várias regiões mostram erros na agropecuária do país a partir duma revisão do Censo do IBGE feito ainda em 2006 e que está defasado, os pequenos produtores rurais brasileiros precisam ser revalorizados na realidade atual: segundo os especialistas eles são fundamentais para democratizar realmente o país, distribuir riqueza, combater pobreza no meio rural podendo ainda avançar (desde que apoiados) a produção de alimentos orgânicos e a agricultura sustentável


  

UPB, USP e IHU Online destacam o pequeno produtor rural do país

Informações mostram no site IHU Online, publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos (IHU), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo no Rio Grande do Sul que os dados do Censo Agropecuário do IBGE estão defasados, uma notícia agora confirmada por outra pesquisa da Universidade Federal da Paraíba e da USP, Universidade de São Paulo revisam e criticam também os dados deste censo, que foi feito há mais de 10 anos (em 2006) e estão defasados com a realidade. Não é só porque se torna necessário um novo censo no setor da agropecuária atualizando números, mas também porque, concluíram os pesquisadores, "a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na época subestimou papel dos pequenos". Esta matéria está em destaque na edição de hoje do site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate. Mostra que os pequenos agricultores têm poucas terras, mas colocam bem mais que 70% dos alimentos na mesa brasileira. Esta é a conclusão dos autores do artigo que resume a pesquisa, “Quem produz comida para os brasileiros? 10 anos do Censo Agropecuário 2006”  Em cima deste artigo, havia sido feita também uma outra reportagem por Inês Castilho, "De olho nos ruralistas"  dias atrás. Bem, mas pelos números do censo de 2006 no país, que carecem de atualização urgente, os agricultores familiares seriam responsáveis pelo cultivo de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa. Foi o último censo realizado no Brasil e uma das principais referências sobre o meio rural brasileiro. Mas os dados estão numa palavra popular "furados", para os pesquisadores Marco Antonio Mitidiero Junior e Humberto Junior Neves Barbosa (ambos da Universidade Federal da Paraíba) e também para um outro participante deste trabalho, Thiago Hérick de Sá (da Universidade de São Paulo, USP). Agora, já em 2017, estes pesquisadores relançam a pergunta: “Quem produz os alimentos que compõem a cesta básica nacional?”. E a principal resposta é que a participação dos pequenos produtores rurais é bem maior do que os números oficiais no país ainda hoje. Para ver onde se concentram o volume e o valor da produção agropecuária brasileira eles trabalharam a partir dos dados do Censo 2006 mas agora com uma outra metodologia. Eles chegam até a afirmar que a metodologia que foi usada pelo IBGE para analisar os dados apurados pelo Censo em 2006 “visaram esconder e deturpar o papel preponderante da pequena produção”.


Pesquisa da Federal da Paraíba e da USP mostra dados errados no meio rural


Os dados desta pesquisa atual revelam que alimentos presentes no dia a dia à mesa dos brasileiros, em todo o país, são produzidos nos pequenos estabelecimentos rurais (área de 0 a 200 hectares). Várias espécies de feijão são cultivadas principalmente pelos pequenos: 88,1% do feijão preto e 88,9% do feijão fradinho, por exemplo. O arroz em casca tem maior participação dos grandes (aqueles com propriedades acima de 1.000 hectares) com 30% do total. Mas ainda assim a superioridade é dos pequenos: 42,3%. Os médios (200 a 1000 ha) produzem 27%. Mais marcante ainda é a supremacia da pequena produção na horticultura. Para citar os produtos que mais frequentam nossa mesa: 98,2% do alface, 98,4% do repolho, 96% da berinjela, 95% da abobrinha, 86,8% da cenoura, 81,7% do tomate (estaqueado), 96,4% da pimenta, 90,8% da mandioca, 57% do milho, 94,1% da cebola, 73,3% do tomate (rasteiro) e 55,4% da batata inglesa são cultivados nos pequenos estabelecimentos rurais. Quanto à carne, os pequenos são responsáveis por 88,7% da produção de aves, 84,3% da produção de suínos e 39,0% da de bovinos. "Até na criação bovina, palco das megafazendas e dos famosos fazendeiros pecuaristas que marcam o imaginário social, os pequenos produtores, com área de até 200 hectares, superam produtivamente as grandes áreas”, ressalta esta pesquisa até surpreendente e que mostra criticamente erros e limites nos dados oficiais ainda em vigor no Brasil, um país com grande poder político dos grandes ruralistas. Em resumo: os três pesquisadores concluíram que os que detêm a maior parte das terras não são os maiores produtores de alimentos. E mais, são menos assistidos pelo estado, tem menor acesso à água e pior localização geográfica. Um outro ponto crítico: a pequena agricultura familiar é responsável por 74, 4% dos empregos no campo, no Brasil. Mais uma falha: os grandes agronegociantes abocanham 44,1% dos recursos oferecidos no setor, embora representem apenas 0,9% das fazendas que procuram financiamento. Enfim, todos estes números revisados e atualizados exigem hoje mais do que uma reforma estatística e sim duma nova estrutura na agropecuária do Brasil.  

Também nos hortifrutigrangeiros os pequenos produtores são destaque maior

Fontes:  IHU Online - UFPB - USP - IBGE
              www.ecodebate.com.br
              www.folhaverdenews.com
 

7 comentários:

  1. "O Governo tem que deixar o agronegócio para o mercado, como eles tanto defendem e mudar a política de crédito rural. E claro, é preciso ter uma nova visão agrária, que garanta acesso à terra a todos que queiram trabalhar na agricultura”, comentou Paulo Rogério, engenheiro agrônomo que atua hoje em Tocantins.

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  2. Logo mais, por aqui nesta seção de comentários, mais debate e mais informações sobre o valor dos pequenos produtores rurais e a sua realidade no Brasil: aguarde nossa próxima edição aqui, confira e participe você também, coloque aqui sua mensagem ou opinião sobre esta pesquisa e esta realidade.

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  5. O site Rede Brasil Atual no Rio de Janeiro também fez uma matéria sobre este fato: quase metade da área rural brasileira pertence a 1% das propriedades do país, de acordo com o estudo inédito Terrenos da desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural divulgado pela organização não governamental (ONG) britânica Oxfam. Os estabelecimentos rurais a partir de mil hectares (0,91%) concentram 45% de toda a área de produção agrícola, de gado e plantação florestal.Por outro lado, pequenas fazendas ou sitios com menos de 10 hectares representam cerca de 47% do total das propriedades do país, mas ocupam menos de 2,3% da área rural total. Esses pequenos produtores produzem mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, já que as grandes monoculturas exportam a maior parte da produção": comentário de José Ribeiro Alves, que nos mandou o estudo da Oxfam, ele é advogado em Niterói (RJ).

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  6. "Diante destes números, vale perguntar, com todo o apoio governamental fora do comum que recebe, o que o grande agronegócio retorna para nossa povo e nossa natureza?": comentário de Mirtes Milena, de Santos (SP), que compara a era da soja com a do café, que diz conhecer bem por pesquisa que fez no Porto de Santos.

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  7. "Com certeza, com o avanço das exportações e com os impostos que paga, o agronegócio ajuda o país, mas as autoridades governamentais precisam dirigir com mais justiça e maior inteligência os recursos no Brasil para apoiar os que merecem ser apoiados": quem comenta ainda é Mirtes Milena Soares, de Santos, formada em economia pela USP.

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