quinta-feira, 9 de março de 2017

72% DO TOTAL DE PESSOAS QUE SOFREM SEQUELAS DE EVENTOS AMBIENTAIS EXTREMOS COMO SECAS OU INUNDAÇÕES NO BRASIL SÃO MULHERES


A população feminina é mais suscetível a problemas como mudança climática ou poluição e por outro lado também pode ser o agente nº 1 para transformação da atual realidade insustentável no país e no planeta todo: nesse contexto, acompanhe o vídeo e a seção dos comentários aqui no blog sobre o Ecofeminismo


Mulheres e não só as pesquisadoras parecem mais próximas da ecologia


O site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate está divulgando um estudo Intergovernmental Panel on Climate Change, feito com o apoio da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza: Gisele Sessegolo, Maria Cecília Martins Kierulff, Neiva Guedes, Rachel Biderman e Sílvia Ziller são membros desta Rede, um coletivo de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. E a conclusão, neste day after do Dia Internacional da Mulher, é que a população feminina é a mais afetada pelos desastres causados pelas mudanças climáticas em todo o mundo. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram que as mulheres compõem 72% do total de pessoas que estão em condições extremas de pobreza e também são as mais vulneráveis a eventos climáticos extremos como secas, inundações e furacões, por exemplo. Além das mulheres, outra questão que está em risco à medida que a temperatura do planeta aumenta e o clima sofre alterações é a disponibilidade e acesso aos alimentos. Nos países em desenvolvimento, cerca de 45 a 80% do trabalho agrícola é realizado pelo sexo feminino. Em muitas regiões da África esse número sobe para 90%, de acordo com dados da ONU Mulheres, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres. Nesse contexto, as regiões com maior caráter agrícola experimentam uma insegurança crescente, assim como os produtores que atuam nelas. No entanto, a solução para reduzir os efeitos das mudanças climáticas pode estar justamente na mão das principais vítimas, as mulheres. Um artigo está sendo publicado pela Aliança Global de Gênero e Clima mostrando que, especialmente na América Latina, as mulheres têm um importante papel na conservação da agrobiodiversidade e tendem a optar por pequenas hortas com maior variedade de plantas e menor impacto no meio ambiente. Isso acontece por que elas também são responsáveis por preparar os alimentos que produzem e com isso equilibram a qualidade e a quantidade de legumes e verduras que sua família produz e consome: "Lutar pela igualdade de oportunidade e inclusão da mulher, é portanto, um assunto que não se resume a discussão de gênero, mas sim de qualidade de vida e desenvolvimento de toda a sociedade", afirma Rachel Bidermann, presidente da WRI e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Mulheres pesquisadoras e cientistas avançam a causa ambiental


Mulheres cientistas e ambientalistas mostram o que o ser humano deve fazer 



Mulheres do meio rural são mais sensíveis ao meio ambiente...

 
...e podem ser protagonistas de mudanças positivas na realidade



A América Latina apresenta as melhores taxas de igualdade entre homens e mulheres em comparação com outras regiões da Terra, mas a disparidade ainda é grande. De acordo com a Rede de especialistas, enquanto na América do Sul e Central cerca de 25% da terra é de propriedade feminina, na Ásia o número cai para 13% e na África 15%. A população brasileira tem 51,4% de mulheres, mas nas eleições de 2016 somente 12% dos candidatos a cargos para prefeituras eram mulheres, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. É aquilo, a mulher é maioria da população porém, minoria política... Assim como no mundo todo, no Brasil, as mulheres exercem importante papel tanto no enfrentamento de problemas ambientais – a exemplo da mudança climática – quanto no desenvolvimento de ações que contribuam para a conservação da natureza e, consequentemente, para a qualidade da vida humana. Embora a equidade de gênero ainda seja um desafio na ciência brasileira, o país tem excelentes exemplos de lideranças femininas que protagonizam avanços importantes em relação à proteção ambiental. O trabalho com primatas realizado pela mineira Maria Cecília Martins Kierulff, ilustra a questão da atuação feminina em prol da conservação da natureza. Sua carreira científica sempre foi permeada por projetos “mão na massa”, como ela mesma descreve: "Ao entrar na mata para identificar as espécies, muitas vezes os homens da comunidade local não me davam ouvidos, mas as mulheres me recebiam em suas casas e me davam informações importantes para a pesquisa". Por outras vezes, ela podia andar livremente, pois não chamava a atenção da mesma forma que um homem faria: "Ser mulher atualmente significa ter pique para enfrentar questionamentos e julgamentos que os homens não enfrentam quando a gente decide fazer o que gosta”, afirma Maria Cecília Martins Kierulff. A bióloga Gisele Sessegolo exerceu sua profissão desde muito cedo em ambientes predominantemente ocupados por homens. Por trabalhar no setor de indústria e mineração, em uma época em que a temática sustentabilidade e conservação da natureza não eram muito abordados, via mais dificuldade para se destacar no seu trabalho: "Pelo fato de ser mulher, eu sentia que tinha que estudar muito mais, ter mais experiência e dedicação, além de mostrar mais competência do que um homem precisaria ter, para conquistar espaço e clientes". Hoje, Gisele percebe uma grande diferença nesse cenário, já que muitas empresas estão preferindo mulheres para trabalhos manuais, como dirigir caminhões e tratores, pelo fato de serem mais cuidadosas, perceptivas e detalhistas. "É possível ver um avanço nesse mercado de trabalho, que está ficando mais igualitário, porque estão reconhecendo muito mais a capacidade da mulher". A maior demanda do mercado de trabalho por mulheres também é observada pela a presidente do Instituto Arara Azul e membro da RECN, Neiva Guedes. Ela e sua equipe trabalham diretamente com a conservação da Arara Azul, espécie ameaçada de extinção, e também da biodiversidade do Pantanal como um todo. Na opinião da bióloga, mulheres estão dominando a área de pesquisa: "Minha equipe é, em sua maioria, composta por mulheres. Vejo que são determinadas, procuram fazer a diferença, são batalhadoras e isso é uma crescente que observo ao longo dos anos. No entanto, também precisamos tomar mais cuidado no trabalho de campo”. Ela explica que perdeu duas gestações por estar trabalhando no campo e suscetível a doenças e por isso orienta que as mulheres da sua equipe que engravidam, permaneçam somente no escritório: "É uma questão de saúde tanto da mãe como do bebê. Homens não têm esse tipo de restrição, mas também não podem dar à luz", comenta Neiva Guedes, que zela pela reprodução das Araras Azuis. Para a fundadora e diretora executiva do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, Silvia Ziller, algumas melhorias já foram feitas, mas ainda há muito a fazer: “Nossa geração de mulheres já usufrui de avanços ocorridos em décadas recentes. Minha mãe, por exemplo, trabalhava em um banco e tinha um salário inferior aos colegas homens por ser mulher. Em minha turma de graduação em Engenharia Florestal havia quatro mulheres em uma turma de 30 alunos”, conta. Segundo Silvia Ziller defende "é importante haver legislação que assegure a igualdade de gênero e a educação, esses valores precisam ser focados em pessoas, independente de gênero, cor da pele e outros critérios discriminatórios que a sociedade ainda precisa superar".  De forma geral, todas as pesquisadoras e pesquisadores deste tema são unânimes em um ponto: mais do que uma questão de gênero entre homens e mulheres, somos todos seres humanos e devemos cuidar do planeta em que vivemos, de maneira igualitária.



Não é mito mas realidade: o que acontecer com as mulheres acontecerá com o meio ambiente e assim ambas as lutas são a mesma luta segundo estudo da
Rede de Especialistas em Conservação da Natureza


Fontes: www.shutterstock.com 
             www.ecodebate.com.br
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. Em viagem para uma série de reportagens no Pantanal, o editor de conteúdo do nosso blog conheceu pessoalmente o trabalho de Neiva Guedes, do Instituto Arara Azul, que é membro da RECN, Rede de Especialistas de Conservação da Natureza: agora, ele reencontra esta pesquisadora em meio a estas informações sobre a relação entre a mulher e o meio ambiente.

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  2. Logo mais, estaremos postando por aqui, mas informações e também mensagens relativas a este estudo sobre o papel das mulheres no ambiente e nas lutas ecológicas. Aguarde nossa edição e confira.

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  3. Você pode colocar o seu comentário diretamente aqui nesta seção do nosso blog ou se preferir, enviar um e-mail com a sua mensagem para a redação da gente navepad@netsite.com.br

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  4. Outra forma de participar ou de colaborar com esta pauta é contatar o nosso editor de conteúdo do blog, enviando informações, fotos, críticas ou sugestões para padinhafranca603@gmail.com

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  5. "No processo de gerar uma criança e de quase sempre ser a responsável pela alimentação da sua família, a mulher vivencia na prática a ecologia no cotidiano e creio que é porisso que a função dela é mais vital do que a do homem, mas de toda maneira, a ecologia é a função nº 1 do ser humano, se bem que seres humanos estão fugindo da sua função cada vez mais": comentário de Leonor Gomes, de Cuiabá, que estudou na UFMT e atua em empresa de alimentos.

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  6. O Instituto Humanitas (site IHU Online) fez uma longa matéria com Vandana Shiva e o Ecofeminismo, que a gente está destacando aqui em nosso video.
    Vandana Shiva é formada em Física, sendo filósofa, ativista ecofeminista, nasceu no vale de Doon, no Himalaia. Seus pais faziam parte do movimento independentista da Índia. Apesar das dificuldades por ser mulher, estudou física e depois filosofia. Nos anos 1970, somou-se ao movimento Chipko, constituído por mulheres que se abraçaram às árvores de uma mata para evitar que fossem cortadas. Em fins dos anos 1980, criou o Movimento Navdanya, para defender as sementes nativas frente aos transgênicos. A partir daí, criou comunidades de sementes para cuidar da vida e evitar sua depredação. Formou a Universidade da Terra, que promove a ciência digna, a soberania alimentar e alerta contra o impacto das políticas das corporações na mudança climática. Recebeu o Prêmio Nobel Alternativo em 1993. Enfim, grande líder da ecologia e da Não Violência.

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  7. Há também sobre ela uma entrevista de Claudia Korol, publicada pela revista Punto Final, edição n. 857, 05-08-2016. A tradução é do Cepat. Confira que vale, ela e o Ecofeminismo.





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  8. "Este sistema político e econômico, que tem mais de duzentos anos de história, o capitalismo patriarcal, se baseia na guerra contra a Terra, guerra contra as mulheres, guerra contra a vida. Por isso, quando mulheres como Berta Cáceres se levantam em defesa da vida, em defesa da terra, em defesa dos direitos das pessoas, o sistema as criminaliza, porque é um sistema criminoso. Criminaliza quem luta em defesa da vida. Vemos como aumenta a violência contra as mulheres também, contra a natureza, destroem a Terra e se enriquecem a qualquer custo": comentário de Vandana Shiva na Revista Punto Final, sobre os
    direitos da Mãe Terra e os direitos da Humanidade.

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