terça-feira, 21 de março de 2017

DADOS DA FUNDAÇÃO ABRINQ E DO IBGE REVELAM QUE 17 MILHÕES DE CRIANÇAS BRASILEIRAS VIVEM NA MAIOR POBREZA


Estudo mostra que 40% das crianças até 14 anos no Brasil vivem na pobreza o que pode e deve ser evitado num país relativamente rico apesar de todos os pesares

 

Os dados do relatório Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, documento que faz um panorama da situação infantil no país, estão sendo divulgados pela Fundação Abrinq. O estudo foi feito utilizando dados de fontes públicas, entre elas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): em resumo, a informação é que cerca de 17 milhões de crianças até 14 anos (o que equivale a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária, como destaca Elaine Patrícia Cruz, da Agência Brasil)  elas vivem em domicílios de baixa renda. No Norte e no Nordeste, regiões que apresentam as piores situações, mais da metade das crianças (60,6% e 54%, respectivamente) vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo. Desse total, 5,8 milhões vivem em situação de extrema pobreza, uma tragédia que acontece quando a renda per capita é inferior a 25% do salário mínimo. Dados completos podem ser consultados no site www.observatoriocriança.org.br









Falta de saneamento dificulta combate ao Aedes Aegypti e ao vírus Zika
Cenário assim é comum para mais de 40% das crianças brasileiras




Esta já é a 4ª edição, ampliada e aprofundada deste estudo com 23 indicadores sociais, divididos em temas como trabalho infantil, saneamento básico, mortalidade e educação. A publicação também apresenta uma série de propostas referentes às crianças e que estão em tramitação no Congresso Nacional. A pergunta que não quer calar: quando afinal se tomarão medidas governamentais de verdade para mudar esta realidade? Este questionamento é feito por Helopisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq: "Ao retratarmos a situação das crianças no Brasil, também apresentamos a Pauta Prioritária da Infância e Adolescência no Congresso Nacional. O conteúdo revela as principais proposições legislativas em trâmite no Senado e na Câmara dos Deputados, com os respectivos posicionamentos da Abrinq baseados na efetivação e proteção de direitos da criança e do adolescente no Brasil".



17 milhões de crianças sofrem no presépio da falta de condição de vida


Um dos conteúdos do documento é a violência contra as crianças e adolescentes. Segundo o estudo, 10.465 crianças e jovens até 19 anos foram assassinados no Brasil e isso só em 2015, o que correspondeu a 18,4% dos homicídios cometidos no país naquele ano. De lá para cá a situação melhora aqui, piora ali, em mais de 80% dos casos, a morte de crianças ocorre por uso de armas de fogo. O Nordeste concentra a maior parte desses homicídios (4.564 casos), sendo 3.904 por arma de fogo. A publicação também mostra que 153 mil denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes chegaram ao Disque 100,  sendo que em 72,8% das ligações a denúncia se referia a casos de negligência, seguida por relatos de violência psicológica (45,7%), violência física (42,4%) e violência sexual (21,3%).



Crianças brasileiras em situação de risco num país relativamente rico




Foram reveladas também condições de trabalho infantil que estão mais precárias. Embora tenha diminuído o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho escravo na faixa de 10 a 17 anos (redução de cerca de 659 mil crianças e adolescentes ocupados em 2015 em comparação a 2014) houve aumento de 8,5 mil crianças de somente 5 a 9 anos trabalhando. O universo de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos que trabalhavam já chegou a somar 2,67 milhões de pessoas. Mais de 60% delas são do Nordeste e do Sudeste, mas a maior concentração deste problema ocorre no Sul do Brasil. O estudo mostrou também dados mais positivos, como a taxa de cobertura em creches do país, que passou de 28,4% para 30,4%, o que ainda é distante da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação, de chegar a 50% até 2024. Que plano é esse? A população precisa ser informada melhor, a mídia discutir abertamente e assim os políticos e governantes serem pressionados a agir a tempo de evitar a consumação duma tragédia humana no Brasil. 



Fontes: www.observatoriocriança.org.br
             Fundação Abrinq  -  IBGE
             Agência Brasil
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. Depois, mais tarde, aqui nesta seção de comentários, além de mensagens e de opiniões, mais algumas informações e detalhes sobre esta pauta que revela a verdade não divulgada de nosso país que, por essas e outras, não é ainda uma nação.

    ResponderExcluir
  2. Você pode colocar aqui a sua mensagem, opinião ou informação e comentário: se preferir, envie e-mail para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  3. Você também pode fazer isso enviando e-mail pro nosso editor de conteúdo do blog, podendo também enviar fotos e sugestão de matérias, mande a sua mensagem para padinhafranca603@gmail.com

    ResponderExcluir
  4. "Não queremos fazer escândalo, mas tão somente dar um alerta definitivo sobre a condição desumana de mais de 40% das crianças brasileiras": comentário de um executivo da Fundação Abriq em entrevista de rádio na EBC.

    ResponderExcluir
  5. "Puxa vida, o Brasil é um desafio completo, a situação de tantas crianças sofrendo esta condição de vida deveria ser a prioridade brasileira nº 1": comentário de Fernando Fernandes Souza, economista que se especializou na USP.

    ResponderExcluir
  6. "Concordo que o Plano nacional de Educação ninguém sabe que existe, não se discute no país e isso deveria ser pautado direto na mídia": comentário de Isabel Mendes, jornalista, formada pela Unesp em Bauru.

    ResponderExcluir
  7. "Não basta extirpar o trabalho infantil mas a péssima condição de vida de 40% das crianças, é também um problema que mostra como o IDH é deficiente ou deficitário no Brasil": comentário de Geraldo Pereira, estudante de Direto na São Francisco em São Paulo.

    ResponderExcluir
  8. "Por indicação aqui8 da matéria dei uma olhada no site Observatório da Criança, tenho uma palavra para analisar as informações, estarrecedor": comentário de José Augusto Bastos, de São Paulo (SP), atua como educador físico e personal.

    ResponderExcluir

Translation

translation