sábado, 4 de março de 2017

FAO DIVULGA INDIGENAS COMO VIGILANTES DA FAUNA E DA FLORA MAS POR OUTRO LADO DEFENDE A CAÇA ESPORTIVA ALGO QUE OS ECOLOGISTAS CRITICAM


Indígenas podem sim ajudar a controlar a caça e proteger a fauna e a flora porém caçadores da cidade mais agridem do que equilibram o ambiente da natureza mesmo caçando por esporte: a violência é sempre um desequilíbrio


A FAO da ONU destaca o povo Masai do Quênia que protege Rinocerontes


Os povos indígenas podem ajudar a controlar a caça e proteger a fauna e a flora, alcançando benefícios sempre que sejam respeitadas suas próprias decisões nos territórios que habitam, segundo estudo sendo divulgado pela FAO para marcar hoje como o dia mundial da vida silvestre. Entre os casos citados na "Unasylva" da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), está o experimento realizado na reserva de Ticoya, na região mais meridional da Amazônia, na Colômbia, divisa com o Brasil. Neste lugar, a associação local de caçadores Airumaküchi recopilou informações sobre suas atividades mediante um aplicativo instalado em seus telefones celulares ao invés de utilizarem cadernos, com os quais perdiam mais tempo. A partir disso, conseguiu gerar dados mensais que a longo prazo podem servir para tomar decisões e conseguir uma caça mais sustentável, segundo eles acreditam. No Quênia se destaca um povo Masai que administra o único santuário de Rinocerontes de propriedade comunitária e que, entre outras coisas, reduziu a poda de arbustos para dar mais gramados aos animais silvestres e evitar a degradação do ecossistema. "O empoderamento destes grupos, combinado com seus conhecimentos práticos mais a capacidade de planejamento, é essencial para assegurar a sobrevivência das gerações futuras, tanto dos seres humanos como da vida selvagem nas florestas", argumentou para a Agência EFE a diretora de Políticas e Recursos Florestais da FAO, Eva Müller. Ela ressaltou que esses povos e comunidades locais custodiam a vida da floresta, "não podem conceber sua vida separada da natureza e têm um grande interesse no uso sustentável dos recursos naturais, como também a água".
Um conjunto de ferramentas desenvolvidas pela agência da ONU e outros parceiros como o Centro de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento Internacional (CIRAD) da França procura dar alternativas às comunidades locais para evitar os conflitos entre pessoas e animais.No Brasil, como o apoio do Greenpeace, nesta data, estamos destacando o povo Munduruku que na sua luta para proteger as terras indígenas e a floresta junto mais de 1,3 milhão de pessoas, defendendo em especial o Rio Tapajós, no norte do país. Esta conquista foi muito importante para os Mundurukus, que vivem ao longo das margens do Tapajós, no Pará. Eles vêm de uma luta de décadas pela demarcação de seu território e contra o represamento do rio pela gigante Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, ainda em 2016 e neste esforço um milhão e trezentos mil cidadãos e cidadãs se juntaram a estes guerreiros floresta para dizer “salve o coração da Amazônia”. E conseguiram. Confira aqui em nossa webpágina do movimento ecológico, científico e de cidadania o vídeo sobre um protesto bem criativo dos Mundurukus em Brasília (DF), resumindo o conteúdo das suas lutas, bem como as fotos e os comentários que dão outros detalhes: os índios sim, das váriadas etnias que ainda sobrevivem no Brasil, podem ser vigilantes da nossa última natureza. Já há aliás no Ministério do Meio Ambiente uma solicitação para que oficialize este potencial, os índios sendo remunerados e apoiados para defenderem a fauna, a fauna, os recursos hídricos e a natureza nas reservas ambientais e nas terras indígenas. Este lado da questão precisa também ser considerado hoje pela FAO da ONU. Quanto à caça, os ambientalistas aceitam a que é feita pelos índios, em busca de alimentação, mas criticam os caçadores por esporte, gente da cidade que por aventura matam animais selvagens para se divertirem somente: "Neste caso de caça esportiva, na verdade ela precisa ser criticada mesmo, é uma violência e a violência é sempre um desequilíbrio", comenta por aqui o editor do nosso blog o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha. 
 
O Greenpeace destaca a proteção que os Mundurukus fazem...

...no Pará do Rio Tapajós ameaçado também por megausina hidrelétrica...

...como exemplo de índios vigilantes da natureza

Aqui, protesto Munduruku em Brasília também mostrado em nosso vídeo hoje


Fontes: EFE - Greenpeace
             www.terra.com.br
             www.folhaverdenews.com

  

9 comentários:

  1. A FAO destaca também hoje, dia mundial da proteção da vida silvestre, que por exemplo, em um parque nacional do Gabão os camponeses aprenderam que podem cercar as plantações, acender fogueira ou fazer barulho para assustar e impedir que Elefantes, Antílopes e outros animais selvagens destruam suas colheitas, sem terem que matar os animais. A publicação também analisa o impacto da caça esportiva e considera que, se for bem administrada, pode em alguns casos até apoiar a conservação e a economia das pessoas pobres nas zonas rurais, frente à proibição total dessa atividade, que pode afetar seus meios de vida. Mas é algo sempre controverso e polêmico.

    ResponderExcluir
  2. Por exemplo, no interior brasileiro, há movimento para se liberar a caça aos Javalis, que detonam plantações: as autoridades e os interessados em caça deveriam aprender o que fazem no Gabão os nativos, espantando animais predadores sem usar a violência ou a morte deles nesse processo na defesa das suas plantações.

    ResponderExcluir
  3. O Greenpeace por sua vez, destaca este povo indígena do Pará, que na defesa do rio e das suas floresta, usa uma placa idêntica a usada pelo Governo e assim ajuda a manter madeireiros, garimpeiros e grileiros fora do território Munduruku.

    ResponderExcluir
  4. Em 2014, o povo Munduruku realizou a demarcação independente dos limites da Terra Indígena Sawré Muybu. Em junho de 2016, ativistas do Greenpeace participaram da luta para reafirmar a disposição de continuar lutando pelas terras indígenas deste povo, a lideranças indígenas percorreram a área para instalar cerca de 50 placas, semelhantes às usadas pelo governo brasileiro na identificação de terras indígenas. Também foram instalados painéis solares. Tudo teve como objetivo contribuir com a luta histórica Munduruku pela defesa de seu território e a proteção do rio Tapajós.

    ResponderExcluir
  5. A Terra Indígenas Sawré Muybu, sagrada para os Mundurukus, teve os estudos de identificação reconhecidos pela (Fundação Nacional do Índio) Funai em publicação do Diário Oficial no dia 19 de abril de 2016. Agora cabe ao Ministério da Justiça (MJ) seguir com o processo em 2017. No entanto, nem a Funai e nem o MJ deram qualquer explicação quanto ao cumprimento de suas obrigações legais.
    Isso provocou o movimento Um Milhão pelo Tapajós.

    ResponderExcluir
  6. Bunny McDiarmid, dirigente mundial do Greenpeace, cruzou o rio Tapajós junto com lideranças dos índios Munduruku. Coincidindo com a visita ao Brasil desta diretora-executiva do Greenpeace Internacional, Bunny McDiarmid, à Terra Indígena Sawré Muybu, o movimento de apoio global aos Munduruku e à proteção do rio Tapajós chegou a mais de 1 milhão de pessoas. “Não existe melhores guardiões para a floresta e para o rio Tapajós do que o povo Munduruku”, comentou Bunny McDiarmid.

    ResponderExcluir
  7. O arquivamento do projeto da Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós reflete a força deste movimento. E o protesto dos Munduruku chegou ao mundo inteiro às margens do rio Tapajós. A frase, um trocadilho em inglês, significa "dane-se a barragem" em português. O anúncio mais esperado foi finalmente noticiado: o Ibama cancelara o processo de licenciamento ambiental da megahidrelétrica. Além de alagar a terra indígena Sawré Muybu, o projeto iria impactar dezenas de comunidades ribeirinhas e causaria impactos ambientais irreversíveis. Os Mundurukus agiram para que essa luta fosse transformada em realidade: "Por enquanto conseguimos, mas a luta continua", comentou um dos ecologista Pedro Faria, que também participa do movimento dos Mundurukus.

    ResponderExcluir
  8. Você pode aqui nesta seção o seu comentário ou enviar a sua mensagem para o e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou ainda enviar sua msm pro e-mail do nosso editor de conteúdo padinhafranca603@gmail.com

    ResponderExcluir
  9. "Concordo que os índios podem atuar até oficialmente como Vigilantes das reservas ambientais e das florestas, mas também discordo de liberar caça esportiva nestes locais sagrados e que são os últimos da natureza original brasileira": comentário de Rafael Mendes Silva, ecologista ligado à Não Violência e que trabalha como empresário em rede de lojas em São Paulo (SP).

    ResponderExcluir

Translation

translation