domingo, 19 de março de 2017

MAROLO OU ARATICUM DO CERRADO É UMA SUPERFRUTA DA ÉPOCA AGORA SENDO TAMBÉM UMA ÁRVORE ADEQUADA À ARBORIZAÇÃO URBANA POR AQUI

Nas ruas e estradas também daqui do nordeste paulista e sudoeste mineiro é hora do Araticum (também chamado de Marolo): ele rende bem segundo o povo do Cerrado


Araticum-do-cerrado
O Araticum ou Marolo é um fruto nativo e típico do Cerrado


Povo do Cerrado faz a venda na beira das estradas daqui também

Maior que a Fruta do Conde ou Pinha, menor do que a Jaca

Rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A, vitamina B1 e B2


"O Marolo rende bem", fala Josué Silva, que trouxe cerca de 100 frutas da região de Brasília (DF) para vender nas ruas de Franca (SP), que fica a meio caminho entre o Cerrado e a Mata Atlântica. Ele quer dizer que compensa vender por aqui, com o preço variando de 10 a 20 reais a unidade, mas também, que pesando de 1 a 2 quilos, cada fruta dá para abastecer uma família com seus bagos e sementes. Paula Loredo Moraes, pesquisadora, explanando sobre vegetais comestíveis, me havia dado a dica sobre esta fruta com propriedades extraordinárias, além de saborosa: ela é tão comum em todo o bioma Cerrado e também nas regiões menos úmidas da Mata Atlântica, que as pessoas em geral nem dão bola para ela. É mato. Mais uma desinformação da nossa gente e da mídia sobre a nossa natureza, o Brasil ainda não descobriu o Brasil: pensei nisso nesse sábado, é mato sim, mas uma fruta original, gostosa, com propriedades medicinais, segundo pesquisas feitas na Unicamp e na UCG (Universidade Católica de Goiás). Pensei nisso, quando na saída de Franca (SP) para Claraval (MG) de moto com o amigo goiano Di Pereira dos Anjos, a gente encontrou vendedores humildes junto à Avenida Presidente Vargas, em frente à escola estadual Caetano Petraglia, nessa época agora o povo das fazendas faz um dinheirinho extra vendendo os grandes frutos do Araticum ou Marolo em especial à beira das estradas vicinais, exportando esta maravilha do Cerrado.








O araticum-do-cerrado (Annona crassiflora), da família Annonaceae, é uma fruta nativa do Cerrado, um dos biomas brasileiros, sendo popularmente chamada de Marolo, Cabeça-de-Negro ou Bruto, em algumas regiões de Minas Gerais. Outros frutos que pertencem à família Annonaceae têm forma parecida com o Araticum-do-Cerrado, como a Ata, também conhecida como Pinha ou Fruta-do-Conde. O nome Araticum vem do tupi e significa “fruto mole”. A sua prima Fruta do Conde veio do Oriente via Portugal, contam historiadores que as primeiras mudas foram plantadas pelo Conde Miranda, na Bahia, em 1626, originando daí o seu nome. Ela é mais conhecida e usada no Sudeste que o Araticum sertanejo. No entando, é menos famosa na literatura, escritor inovador da linguagem brasileira de romance, Guimarães Rosa escreveu sobre ela, confira a seguir.


"O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado” (Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: Veredas)


A árvore do Araticum se adapta à arborização urbana
 


Araticunzeiro é o nome de árvore, o pé do Araticum, que pode atingir até 8 metros de altura, em média do tamanho duma laranjeira. Sua floração ocorre de setembro a novembro, sendo sua frutificação nos meses de novembro a março. Essas árvores possuem polinização entomófila, sendo os principais polinizadores os besouros. Não apresentam grande quantidade de frutos, mas em compensação apresentam frutos de até 2 kg ou mais. O Araticum-do-Cerrado é um fruto grande, que apresenta polpa adocicada, rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A, vitamina B1 e B2. Com relação às polpas ocorrem dois tipos de frutos: o Araticum de polpa rosada, mais doce e macio; e o de polpa amarelada, não muito macio e um pouco ácido. Na época de sua frutificação (agora, por sinal) são comuns o seu consumo e várias iguarias feitas com o Marolo pelo povo das fazendas, das roças, do Cerrado, vendedores ambulantes oferecem as frutas em feiras ou em beira de estradas. Alguns varejões (como o dos Irmãos Patrocínio em Franca) já oferecem o Marolo a seus clientes. Na culinária, o Araticum-do-Cerrado é a espécie mais bem aproveitada da família Annonaceae. Além de seu consumo in natura, também são produzidos, a partir dele, bolachas, geleias, sucos, licores, bolos, sorvetes, doces, entre várias outras receitas. As folhas e sementes do Araticunzeiro são utilizadas para conter a diarreia, induzir a menstruação, além de serem usadas no tratamento de úlceras, cólicas, câncer de pele ou reumatismo. Enfim, uma árvore e um fruto preciosos, mas que infelizmente estão sendo arrancados em razão do desmatamento monstro que vai "avançando" por todo o interior do país. Como a semente demora muito para germinar (em torno de 300 dias), hoje já se corre o risco de não haver mais essa árvore, típica do Cerrado, sem o cultivo humano. Algumas fazendas já fazem plantações comerciais do Araticum ou Marolo. "O fruto do cerradão não tem igual nem no gosto nem na cura, sara até reumatismo", opina o vendedor Josué Silva que vendeu um lote de mais de 100 frutas em menos de um dia por aqui na região: "O povo da cidade gosta, todo ano trago". De acordo com as mais recentes pesquisas, além do mais, esta fruta do Cerrado tem mesmo propriedades medicinais, como oxidantes, capazes de fazer a prevenção de doenças degenerativas. As sementes têm uso medicinal, para combater diarreia. A fruta é cientificamente rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A, vitamina B1 e B2. Mas não passa de mito que seja afrodisíaca. Na verdade, fortalece em geral a pessoa. No sertão se diz, deixa o cabra bruto. 


Araticum, o coração do Cerrado se abre para o povo das cidades




Fontes: www.poderdasfrutas.com

             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. Logo mais, aqui nesta seção de comentários, mais informações sobre o Araticum ou Marolo e também sobre outras frutas nativas do Cerrado: aguarde nossa próxima edição e confira aqui no blog da ecologia.

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  2. Você pode colocar direto aqui nesta seção o seu comentário ou, se preferir, envie a sua mensagem para o e-mail da redação do nosso blog através do navepad@netsite.com.br

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  3. Uma outra alternativa é você enviar um e-mail diretamente pro nosso editor de conteúdo do blog padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Não procede esse papo que o Marolo é afrodisíaco, mas isso é uma das poucas coisas que essa fruta não é, tem mil e uma utilidades, além de ser saborosa, uma tradição do povo do sertão ainda viva": comentário de João Neves, bioquímico formado pela USP e atuando na rede pública em São Paulo (SP): "Foi legal ver essas fotos, que me lembram da infância".

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  5. "Meu pai trazia de monte os Marolos nessa época do ano, enormes, a criançada fazia uma festa, lá em Goiás é uma das frutas que mais fortalecem o peão": comentário de Di Pereira dos Anjos, que é da região de Brasília (DF) e trabalha atualmente em Franca (SP).

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  6. "Estou mandando para vocês um material sobre as principais frutas do Cerrado,OK? Um trabalho muito bom valorizar o que é nativo daqui": comentário de Geraldo Silva Mendes, estudante da Universidade Católica de Goiás (UCG), que é de São Paulo e faz Agronomia lá.

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  7. Realmente, Geraldo Mendes nos enviou material sobre as principais frutas do Cerrado, além do Araticum, Taperebá, Bacupari, Pera do campo, Murici, Cagaita, Mama, Pequi, Buriti, Cereja do Cerrado, Mangaba e Baru: "Baru sim é afrodisíaca", explica o futuro Agrônomo.

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