sexta-feira, 17 de março de 2017

NO BRASIL ENQUANTO UNS POLUEM OU ABANDONAM A NATUREZA À PRÓPRIA SORTE OUTROS BUSCAM RECUPERAR A ECOLOGIA QUE VAI SENDO PERDIDA

Envolverde informa que 500 nascentes da Bacia do Rio Doce já foram recuperadas numa parceria entre produtores rurais da região afetada pela tragédia de Mariana com o Instituto Terra e a fundação criada pelo MP com esta finalidade

 

Lélia Deluiz Wanick e Sebastião Salgado do Instituto Terra, em Aimorés

 
Sebastião Salgado: "Recuperar nascentes e florestas uma missão de todos hoje em dia, cada vez mais"


Trata-se duma missão, este trabalho exemplar e estimulante de mudar a atual realidade de desgoverno ambiental que poderá levar o país a um caos: a maior parte das autoridades abandonam a natureza à própria sorte, porém, o movimento ambientalista, científico com suas pesquisas e o de cidadania com suas ações atua no sentido contrário, de recuperar a ecologia perdida: isso é o que a gente aqui do nosso blog quer comentar sobre um processo de recuperação ambiental sendo realizado por meio duma parceria entre 217 agricultores voluntários com a Fundação Renova e o Instituto Terra ao longo da Bacia do Rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo. A nossa redação já havia sido informada há meses que um termo de cooperação com Arcelor Mittal havia sido feito pelo Instituto Terra para recuperar as florestas ao longo das margens do Rio Doce. O projeto é recuperar, até 2018 ou 2019, 4 mil nascentes na parte do rio que corta o estado de Minas Gerais. Um protocolo de intenções entre o Instituto Terra e o Governo do Espírito Santo também foi firmado para realizar no lado capixaba da divisa essa recuperação. No total, a ação ecológica vai envolver cerca de 500 propriedades rurais da macrorregião, que já foram integradas ao Cadastro Ambienta Rural (CAR) e ganharam uma fossa séptica cada uma delas. A execução cabe ao Projeto Olhos D'Água em nome do instituto liderado pelo ecologista e fotógrafo Sebastião Salgado. Lélia Deluiz Wanick Salgado, que codirige este Instituto Terra, afirmou que a entidade com um projeto piloto já havia conseguido recuperar antes centenas de nascentes no entorno do Rio Doce, tanto em Minas Gerais, quanto no Espírito Santo. Ela analisou a importância da parceria diante da crise hídrica ou até o caos enfrentados em toda aquela região (após a tragédia de Mariana): "Os rios não tem que encher só com chuva, tem que segurar a água. E isso significa, preservar as florestas e as nascentes e então vai escasseando cada vez mais a água, o volume dos rios, ainda mais com a poluição e tipo acidentes, hoje, mesmo o lençol freático, já tem que se furar mais fundo para se chegar até a água. Infelizmente já está secando muita coisa". Agora, está em andamento a recuperação e proteção de 511 nascentes de afluentes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, sendo realizada por meio de parceria entre a Fundação Renova e o Instituto Terra. Esta fundação foi  constituída graças ao Ministério Público, por meio dum Ajustamento de Conduta para empresas e autoridades responsáveis repararem alguns danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em Mariana (MG), em novembro de 2015. A recuperação das nascentes e das áreas com floresta nativa é uma missão essencial para recuperar a ecologia perdida ali entre Minas Gerais e o Espírito Santo.E só mesmo ecologistas e agricultores voluntários podem levar a êxito esta missão abençoada por Deus e pela natureza. 

Uma das nascentes em recuperação no Córrego do Cupim, afluente do Doce

O produtor rural Antônio Fantini, 46 anos, criador de 30 cabeças de gado, conforme relata o site Envolverde, mantém uma propriedade de 10 hectares em Itambacuri (MG), localizado no Vale do Rio Doce. A parceria entre a Renova e o Instituto Terra providenciou o cercamento de dois olhos d’água no sítio de Fantini, nascedouros que formam o Córrego Cupim. “É uma iniciativa que compensa. Espero colher benefícios com essa ação. Eu já tinha alguns projetos para proteger essas nascentes, iria até cercar por conta própria. A iniciativa veio na hora certa”, contando que ali nas suas terras o trabalho foi concluído em dezembro de 2016 e demandou 240 estacas e 314 metros de arame para cada nascente. Ele comemora este fato como um sinal de que toda a bacia do Rio Doce poderá vir a ser um dia recuperada.


  Estacas e cercas protegem a área em recuperação ambiental


Recuperação de nascentes na prática, como está sendo feita nessa parceria
A recuperação de nascentes tem como princípio básico a proteção da superfície do solo, criando condições favoráveis à infiltração da água.Nessa etapa de proteção das áreas foram 511 nascentes contempladas, 251 em Minas Gerais e 260 no Espírito Santo. Em cada área de nascente foram cercados 314 metros de perímetro. Com o cercamento, a vegetação tem mais condições de se regenerar e assim voltar a reter água da chuva, garantindo o fluxo de água limpa. Os primeiros resultados poderão começar a ser sentidos ainda em 2017, conforme calculou o engenheiro agrônomo Antônio Morais, que mantém uma chácara de lazer na região. 



(Mais informações sobre o Instituto Terra nos comentários aqui  no blog)


Fontes: Instituto Terra
             www.envolverde.com.br
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. O Instituto Terra (confira também o vídeo que estamos postando em nosso blog) é fruto da iniciativa do casal, Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado, que há pouco mais de uma década, diante de um cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda de gado adquirida da família de Sebastião Salgado, na cidade mineira de Aimorés, tomou uma decisão: devolver à natureza o que décadas de degradação ambiental destruiu.

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  2. Sebastião e Lélia mobilizaram parceiros, captaram recursos e fundaram, em abril de 1998, esta organização ambiental dedicada ao desenvolvimento sustentável do Vale do Rio Doce. O Instituto Terra é uma organização civil sem fins lucrativos fundada em abril de 1998, que atua na região do Vale do Rio Doce, entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Trata-se de uma região do Brasil que vivencia as consequências do desmatamento e do uso desordenado dos recursos naturais como a seca, a erosão do solo e a falta de condições para o homem do campo viver e prosperar. (Ali além do mais, houve os efeitos da tragédia de Mariana).

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  3. Atualmente o Instituto Terra conta com 22 associados, sendo dois associados fundadores vitalícios, oito associados fundadores e 12 associados efetivos. Suas principais ações envolvem a restauração ecossistêmica, produção de mudas de Mata Atlântica, extensão ambiental, educação ambiental e pesquisa científica aplicada. E agora o Instituto Terra está à frente desta parceria de recuperação de nascentes na bacia do Rio Doce, tema da matéria de hoje postada em nosso blog.

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  4. "A situação do Rio Doce é dramática, ainda mais após a tragédia da mineração. Estou enviando aí para vocês um texto de Mirian leitão, que escreveu sobre este assunto, OK?": comentário de Antônio Morais, engenheiro agrônomo formado pela UFMG, a quem agradecemos.

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  5. "Dos 228 municípios de Minas e Espírito Santo que integram a Bacia do Rio Doce, só 26 têm algum tratamento de esgoto. Apenas Ipatinga trata integralmente os resíduos. Em Governador Valadares não há saneamento básico. Em Colatina começa a ser implantado. O Rio Doce recebe todo o esgoto de 202 municípios e parcialmente de outros 25. A maior parte do resíduo industrial vai direto para o rio. A Mata Atlântica foi devastada na região. O rio corre extremo risco. O rio dá sinais de que está chegando ao seu limite. — Há quatro anos começou a se agravar o problema da cianobactéria que prolifera quando a lâmina d’água baixa muito na seca. Ela produz um odor terrível, que torna seu uso impróprio. Ainda não se sabe exatamente quais são os efeitos para a saúde humana. Isso é resultado do fato de que menos de 10% de todos os resíduos industriais e domésticos da Bacia do Rio Doce tem tratamento, segundo As informações são de Leonardo Deptulski, prefeito de Colatina e presidente do Comitê da Bacia do Rio Doce": trecho do comentário de Mirian Leitão.

    O Rio Doce sofre outras agressões como a destruição da mata ciliar ao longo de quase toda a

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  6. Pela situação das nascentes, últimas matas, bem como pelo que Mirian leitão levanta, dá para você ter uma noção de como é um desafio monstro recuperar a ecologia ao longo do Rio Doce: mas a missão do Instituto Terra é vital para a natureza dali. Coloque aqui nesta seção o seu comentário ou envie por e-mail para redação do nosso blog de ecologia navepad@netsite.com.br

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  7. Você também pode contatar nosso editor de conteúdo, enviando sua mensagem, comentário, crítica ou sugestão de pauta, fotos ou outras informações pro e-mail padinhafranca603@gmail.com

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  8. "O Instituo terra e o Ministério Público estão sinalizando o caminho mas muito mais entidades e recursos precisam entrar no processo de recuperação do Rio Doce e de todas as bacias enfim do interior do país": comentário de Maria Duval Pereira, de Santos (SP), professora de Geografia.

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