terça-feira, 14 de março de 2017

POR CAUSA DA FEBRA AMARELA MACACOS ESTÃO PAGANDO O PATO POR CONTA DA DESINFORMAÇÃO DAS PESSOAS

Muita desinformação (e também medo da doença) colocam em risco até espécies de Macacos ameaçados de extinção em biomas como Mata Atlântica e Cerrado    


Macacos ao contrário podem ser um cinturão de proteção aos humanos


Médicos já têm esclarecido  que os primatas não transmitem o vírus da Febre Amarela a humanos, mais ainda: os Macacos até ajudam a alertar sobre a presença da doença. O surto dela tem provocado uma grave ameaça a primatas da Mata Atlântica, do Cerrado, de todos os biomas, inclusive tornando mais dramática a sobrevivência de algumas espécies ameaçadas de extinção. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) está até emitindo um alerta à população para reforçar a preservação dessas espécies e evitar maus-tratos ou violência provocados pela ação do homem em áreas onde há casos da doença, como por aqui em quase todo o interior do país, por exemplo, entre a região da Serra da Canastra (MG) e Ribeirão Preto (SP), esta cidade que é uma das "campeãs" de casos de Febre Amarela. E diante dum surto de ataques a Macacos em torno das cidades, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disponibiliza o serviço Linha Verde (telefone 0800-61-8080 e o e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br) para que a população denuncie agressões a eles e aos animais em geral: "É importante que a população tenha plena consciência de que os Macacos não são responsáveis pela existência do vírus e nem por sua transmissão a humanos. Eles precisam ser preservados. Além disso, a violência contra os animais é crescente, embora seja crime ambiental”, ressalta o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercillo, que deixa claro mais uma vez que o vírus da febre amarela silvestre é transmitido por mosquitos (gêneros Haemagogus e Sabethes).

 
Cerca de mil Macacos foram vítimas dessa nova forma de violência

No meio rural e em cidades de Minas e de todo país tem aparecido Macacos mortos com sinais de violência




Em encontro com membros da comunidade científica, representantes do MMA e do Ministério da Saúde foi debatida a transmissão do vírus em primatas. Pesquisadores manifestaram preocupação com a situação de violência contra Macacos, especialmente nas áreas rurais. Eles relataram agressões no estado de São Paulo e em outras regiões do país e comunicaram em resumo que “informações equivocadas estão levando pessoas a matarem Macacos para supostamente se protegerem da doença”. Vai daí que se torna necessário um esclarecimento maior sobre os vetores de transmissão da doença para evitar que a desinformação cause violência e a matança dos animais, a exemplo do que ocorreu em 2008 e 2009, quando Macacos foram agredidos e mortos em Goiás e no Rio Grande do Sul por moradores que consideravam, equivocadamente, que os animais transmitiam esta mesma doença. "Na realidade, os primatas agem como verdadeiros anjos da guarda dos seres humanos, pois quando ocorre a morte desses animais em escala anormal, como vem ocorrendo em determinadas regiões da Mata Atlântica e do Cerrado isso é um indicativo da presença do vírus. Essas informações podem subsidiar as ações de saúde pública”, afirma Danilo Simonni Teixeira, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia. Segundo o especialista, por viverem no interior da mata, os primatas costumam ser os primeiros a serem infectados e, por isso, são chamados de animais sentinela. Desta forma, eles acabam desempenhando uma importante função, já que sinalizam a circulação do vírus e isso permite às autoridades intensificarem a vacinação, protegendo as pessoas que vivem ou visitam as regiões onde haja surto da doença.


Quase mil casos no país em apenas quatro meses


O Ministério da Saúde foi notificado de 968 epizootias (nome dado às ocorrências que causam a morte de Macacos), com suspeita de Febre Amarela, desde dezembro de 2016 até hoje. Desse total, 386 epizootias foram confirmadas por febre amarela. De acordo com a pasta, cada ocorrência registrada pode envolver um número superior a um animal morto. Este quadro é muito preocupante, já que uma parte significativa dos primatas está sob ameaça de extinção: "A morte desses animais traz enorme desequilíbrio ambiental, que não pode ser agravado pela ação agora de pessoas desinformadas", afirma Ugo Vercillo. No bioma da Mata Atlântica, por exemplo, onde também há incidência desta doença, se encontram primatas ameaçados de extinção, entre eles, o Bugio, o Macaco-prego-de-crista, além do Muriqui do sul e do norte, entre outros. Conforme a legislação ambiental, matar ou maltratar animais é crime, cuja pena pode chegar a um ano de detenção, além da aplicação de multa. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a população deve denunciar casos de violência contra animais da fauna brasileira pelo serviço Linha Verde, via telefone 0800-61-8080 ou através do e-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br

 “Macacos estão morrendo em grande quantidade. Estive com uma equipe de pesquisadores na zona rural de Caratinga (MG). Andamos na mata, conversamos com pessoas e constatamos a alta mortalidade”: comentário de Sérgio Lucena, ligado ao SES MG que faz um boletim da epidemia de Febre Amarela.


Várias espécies de Macaco estão ameaçados de extinção no Brasil


Fontes: www.ecodebate.com.br
              www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

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  3. "Um grupo de especialistas de diferentes estados do Brasil está se articulando para investigar a relação entre o surto de febre amarela e a degradação do meio ambiente. Por exemplo, o desastre de Mariana...Eles acreditam que se houvesse mais conhecimento sobre o assunto, a propagação repentina do vírus de tempos em tempos poderia ser prevenida. O surto de febre amarela em Minas Gerais já provocou 38 mortes confirmadas em 2017, segundo o boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Saúde de Minas Gerais e outros 45 óbitos estão em análise": comentário de Julie Gelenski, de Vitória (ES).

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  4. "Causada por um vírus da família Flaviviridae, a febre amarela é uma doença de surtos que atinge, repentinamente, grupos de macacos e humanos. As razões deste comportamento da doença ainda não são bem conhecidas. Mas os especialistas dão como certa a influência do meio ambiente. Segundo Sérgio Lucena, primatólogo e professor de zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o surto de febre amarela é um fenômeno ecológico. A doença é transmitida em áreas rurais e silvestres pelo mosquito Haemagogus. Em área urbana, ela pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue, do vírus Zika e da febre chikungunya. No entanto, não havia registros no Brasil de transmissão da febre amarela em meios urbanos desde 1942. No surto atual, nenhum dos casos confirmados e suspeitos em Minas Gerais são urbanos, não tem relação com os Macacos": comentário de Leo Rodrigues, correspondente da Agência Brasil entre Minas Gerais e Espírito Santo.
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  5. "De repente, por algum motivo ainda a ser desvendado, ele se propaga rapidamente, atingindo macacos e humanos. Os animais começam a morrer primeiro": comentário também de Leo Rodrigues, jornalista mineiro.,

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  6. "Na semana passada, especialistas que estudam a febre amarela sob a ótica do ecossistema se reuniram em Belo Horizonte em um seminário organizado pela Fundação Renova, ligada à mineradora Samarco.
    Na ocasião, eles fizeram uma revisão de tudo o que se sabe até o momento acerca do tema, com o objetivo de dar um primeiro passo para mudar o panorama. Uma das hipóteses dos pesquisadores é que o desmatamento ao longo dos anos deixou as espécies de macacos em fragmentos muito pequenos de florestas, o que traz diversos desdobramentos. “Sistemas ecológicos empobrecidos podem favorecer o crescimento das populações de mosquitos. Mosquitos infectados encontrando populações grandes de macacos em pedaços de Mata Atlântica isolados podem ser a origem destes surtos”: comentário de Servio Ribeiro, biólogo e professor de ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).


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  7. "Outras linhas de estudos voltadas para elucidar os motivos que levam ao início de cada surto buscam entender se as alterações nas áreas das florestas estão expondo as pessoas aos mosquitos infectados e se fatores climáticos favorecem o crescimento da população de mosquitos. Por outro lado, parece remota a possibilidade de influência da tragédia de Mariana (MG) neste surto de febre amarela em Minas Gerais. Alguns dos municípios afetados pela circulação da doença se localizam no Vale do Rio Doce. Uma parcela dos 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos que foram liberados no rompimento da barragem da mineradora Samarco, em novembro de 2015, escoou por todo o Rio Doce e chegou ao litoral do Espírito Santo. A febre amarela é uma doença de interior de floresta. O mosquito que a transmite põe ovos em cavidades de árvores e em bromélias. É um mosquito da estrutura da floresta. Ele não se relaciona muito com grandes corpos d’água e com rios. As cidades afetados pela doença estão em uma região onde os rejeitos não chegaram com força para derrubar a floresta": comentário também do biólogo Servio Ribeiro.

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