sábado, 1 de abril de 2017

A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA FUNCIONA E TEM BASE CIENTÍFICA SENDO ASSIM ENTÃO MAIS ECONÔMICA E MAIS ECOLÓGICA OU NUMA PALAVRA SUSTENTÁVEL


Uma nova abordagem dos estudos da medicina tradicional chinesa no Ocidente convence a pesquisadores que ela deveria ser usada mais e até no sistema público de saúde também por aqui no Brasil diminuindo muito o sofrimento da população mais pobre, não só a acupuntura mas toda a biomedicina natural da China


As práticas do Do In estão no vídeo nesta webpagina hoje para você
Esta imagem traduz um conceito da Medicina Tradicional da China


Pesquisadores como Sabrina Pereira Rocha (da Universidade Federal de São Paulo UNIFESP) e Dante Marcello Claramonte Gallian (docente e diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde (CeHFi-UNIFESP), São Paulo, Brasil; professor e pesquisador visitante do Centre de Recherches Historiques da École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, França) estão referendando o livro As bases científicas da medicina tradicional chinesa, que é resultado da dissertação de mestrado de Lilian Moreira Jacques, defendida há mais de 10 anos no Programa de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia do Curso de Pós-graduação em Engenharia de Sistemas de Computação na Coppe/UFRJ e que agora está mais valorizada ainda. Lilian Moreira Jacques é bacharel em Fisioterapia pela Universidade Estácio de Sá; mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo também se formado em  Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela acumulou ampla experiência no tema Medicina Tradicional Chinesa, primeiramente por se especializar em Tui Na pelo International Acupuncture Training Center de Pequim, China, em 1995, e posteriormente por se dedicar ao ensino dessa prática de Medicina Natural. Possui vasto conhecimento em ciências cognitivas, área em que atualmente desenvolve pesquisa na Universidade do Arizona, Estados Unidos. O livro tem breve apresentação e introdução, os temas são retratados em cinco capítulos. A apresentação é escrita por Luís Alfredo Vidal de Carvalho, orientador da autora na elaboração de sua dissertação de mestrado. Ele possui graduação em Engenharia Mecânica, mestrado em Engenharia Mecânica e doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com ênfase em redes neuronais e modelos em neurofisiologia, e suas pesquisas sempre estiveram direcionadas às áreas interdisciplinares reunindo Neurociências, Psicanálise, Filosofia e Biologia. Em sua sintética apresentação, Carvalho aponta a relevância do estudo realizado por Lilian Moreira Jacques, enfatizando a escassez de trabalhos no Brasil que, como esse, investiga a ação da acupuntura, bem como a importância de instituições como a Coppe/UFRJ, o Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) dentro de um cenário em que as pesquisas no campo da medicina tradicional chinesa encontram sérias dificuldades de financiamento. Carvalho levanta a importante questão da disputa política e jurídica, mostrando uma evidente dicotomia, onde médicos e não médicos lutam em campos diferentes, e que esta polêmica, associada à morosidade da aceitação dessa modalidade terapêutica pela comunidade biomédica, acaba dificultando a expansão por exemplo da acupuntura. Faz uma pequena reflexão sobre a relevância dos modelos computacionais nas pesquisas relacionadas a esse campo, embora haja ainda grande dificuldade para desenvolver estudos clínicos no campo da acupuntura e da mais ampla biomedicina. "Temos que superar este impasse cultural que trava o avanço científico e da própria medicina no Brasil", comenta por aqui no blog do movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News o nosso editor, o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha. Ele destaca o interesse da Drª Lilian Moreira Jacques numa relação entre o modelo chinês tradicional e o modelo biomédico. Para ela, o resgate histórico da medicina mais tradicional da China contribui para o entendimento da absorção deste sistema de atenção à saúde pelas sociedades ocidentais. Ela aborda a medicina tradicional chinesa como um sistema médico complexo e completo. No 1º capítulo, O campo da medicina tradicional chinesa, a autora, através de uma abordagem histórica, descreve a origem e os princípios fundamentais da acupuntura enquanto sistema médico, e para justificar sua articulação, utiliza referenciais teóricos de autores como Joseph Needham, Marcel Granet e Paul Unschuld. Nesse capítulo, Jacques descreve a sociedade chinesa associando as características das diferentes dinastias ao desenvolvimento do campo da medicina tradicional chinesa. Apresenta a teoria do Yin e Yang, relacionando-a tanto às estruturas e funções orgânicas, quanto às manifestações clínicas. Explica de maneira breve e sistemática a relevância da Doutrina das Cinco Fases, para elaborar um diagnóstico e identificar o padrão de desarmonia para, posteriormente, determinar o tratamento a ser adotado, a fim de restaurar o equilíbrio do organismo. Estuda também a origem do conceito ch'i, frisando que seu significado vem sendo reinterpretado ao longo da história como "energia, energia vital, energia sutil, força vital, pneuma e, por último, como informação". Afirma também que a "correspondência da ideia de ch'i com o conceito de energia da física" tem como objetivo adaptar esta concepção "ao discurso científico contemporâneo". Finaliza com elementos da história recente da medicina tradicional chinesa, destacando o encontro entre o paradigma chinês e o ocidental. A Teoria dos Meridianos Jing-Luo é o segundo capítulo: Lilian Moreira Jacques explica que os termos Jing e Luo foram traduzidos nas línguas ocidentais, respectivamente, como "meridiano, canal ou conduíte" e "vaso de ligação ou vaso colateral". A autora expõe que "o interesse científico contemporâneo pela teoria dos meridianos suscitou um debate a respeito da existência física dessas estruturas". Para resumir algumas das informações mais acessíveis para todos, Drª Lilian cita por exemplo como conteúdos desta cultura que Jing (essência) abrange aspectos hereditários (genoma) e adquiridos (alimentos), sendo responsável pelo desenvolvimento, desde a concepção até a morte; e Shen (espírito ou mente) cuja função de promover as atividades vitais do indivíduo pode ser observada na expressão facial e oral, no brilho dos olhos e nos processos de pensamento. A autora inicia o terceiro capítulo, O processo de validação clínica da teoria dos meridianos segundo os critérios da Medicina Ocidental, com uma indagação do diplomata e precursor da acupuntura no Ocidente, Soulié de Morant: "O que a acupuntura pode curar?". Ele mesmo responde que a acupuntura é eficaz em alterações funcionais, mas quando se tornam lesões orgânicas, é necessária uma intervenção medicamentosa ou cirúrgica. A autora apresenta as conclusões e recomendações do documento Consensus Statement on Acupuncture, gerado em 1997 pela conferência organizada pelo National Institutes of Health (NIH). Abarca brevemente os programas de ensino de acupuntura nos Estados Unidos e no Brasil, evidenciando a dificuldade do tratamento, devido à não familiaridade das teorias chinesas à luz da medicina ocidental, bem como a intercorrência de efeitos adversos e alguns aspectos legais e éticos exigidos pela prática de acupuntura. O quarto capítulo, As bases neurofisiológicas da acupuntura chinesa, é marcado pela interlocução entre os achados ocidentais e o mecanismo de funcionamento da acupuntura. A pesquisa científica sobre estes mecanismos começou em 1965 no laboratório de Han Jisheng, em Pequim, com o objetivo inicial de comprovar se a acupuntura possuía efeito analgésico. Este capítulo é repleto de informações acerca da hipótese neuroendócrina da acupuntura. Para tanto, a pesquisadora utiliza diversos artigos científicos e livros consagrados de Fisiologia e Neurociência. Neste capítulo se encontra a descrição dos estímulos somatosensoriais com uma observação mais profunda da submodalidade dor, apresentando a teoria do "portão da dor", com ênfase nos estudos posteriores à primeira versão desta teoria, pois estes últimos proporcionaram uma explicação mais aceitável para alguns fatos clínicos. Já no último capítulo, O nexo entre a teoria dos meridianos e pontos de acupuntura e as ciências biomédicas, é de certa forma um prosseguimento do capítulo anterior, e abrange possíveis explicações da teoria dos meridianos, para exemplificar, estabelecendo a relação entre a rede de meridianos e os pontos de acupuntura e as propriedades eletromagnéticas funcionais dos organismos vivos. Para isso, a autora também lança mão de estudos científicos relacionados ao tema. Veja algumas referências sobre estes estudos.


JACQUES, L.M. As bases científicas da medicina tradicional chinesa. 1. ed. São Paulo: Annablume, 2005.         [ Links ]
SOULIÉ DE MORANT, G. L'acuponcture chinoise. Paris: Maloine, 1972.         [ Links ]
TESSER, C.D.; LUZ, M.T. Racionalidades médicas e integralidade. Ciênc. saúde coletiva.  Rio de Janeiro, v.13, n.1, p. 195-206, 2008.         [ Links ]

Texto original sobre práticas da Medicina Tradicional da China






Considerações finais: Analisando as características do modo de pensar dos diferentes segmentos, ciência biomédica contemporânea e medicina tradicional chinesa, enfatizando os consensos, divergências e ambiguidade, a escritora expõe algumas perspectivas, tais como: a relevância do desenvolvimento das pesquisas de acupuntura com a utilização de tecnologia moderna para entender melhor seus mecanismos de ação, reforçando a ideia da importância da expansão das pesquisas relatadas nos capítulos 4 e 5; a importância da incorporação de preceitos gerais da medicina tradicional chinesa (doutrinas Yin/Yang e Cinco Fases, substâncias vitais, semiologia e princípios de diagnóstico) em estudos clínicos e laboratoriais. Na leitura deste livro, se encontrará uma análise dos aspectos históricos, filosóficos e culturais do vasto campo da medicina tradicional chinesa. Este antigo conhecimento se baseia em conceitos e teorias que dificultam a aceitação e a assimilação desta prática no Ocidente. Drª Jacques foi capaz de situar e privilegiar os mecanismos de ação da acupuntura, buscando os elementos que apresentam similaridade e compatibilidade entre os dois modelos. Nesta perspectiva, as pesquisas científicas contribuem para um maior entendimento desta cultura, garantindo sua aceitação no contexto médico como uma prática válida. No entanto, as pesquisas científicas no campo da medicina tradicional chinesa, em particular da acupuntura, ainda são escassas no Brasil, e o trabalho da doutora Lilian Moreira Jacques ocupa lugar de especial destaque nesse contexto. Por fim, a gente aqui em suma destaca que o livro As bases científicas da medicina tradicional chinesa são uma forma de estimular e de acelerar o uso destas práticas milenares da China por aqui no Ocidente e também em especial no Brasil. "Por aqui a Saúde Pública é hoje um sistema carente de soluções sustentáveis, ao mesmo tempo econômicas (ao alcance da maioria da população) e ecológicas (sem contraindicações e em harmonia com a vida socioambiental das pessoas), sendo uma ciência que funciona ou que resolve variados problemas e/ou doenças consideradas de cura difícil dentro da atual estrutura da medicina brasileira", comenta o editor do nosso blog, Antônio de Pádua Silva Padinha, defendendo a utlilização não só da acupuntura mas de toda a cultura médica da China ancestral ou a popular medicina natural chinesa no SUS, também nos planos de saúde, enriquecendo a realidade nesse setor no Brasil agora, algo urgente hoje em dia entre os especialistas que lutam por mudanças e avanços científicos por aqui. De repente o futuro da medicina está também, além de na tecnologia contemporânea, no mais antigo passado que conhecemos. Está no momento de fazer esta síntese cultural? Muitos cientistas acreditam que sim, não se trata apenas do sonho de poetas ou de ecologistas, o livro de Lilian Moreira Jacques sinaliza também que a criação do nosso futuro passa pelas tradições mais antigas do Oriente.  
  
A profilaxia (cuidar da saúde e não da doença) está nas práticas chinesas

Ilustração Tao cultura tradicional e ancestral da China

Fontes: www.scielo.br
             www.folhaverdenews.com
 

9 comentários:

  1. Ao longo deste fim de semana, por aqui nesta seção de comentários, mais informações sobre esta pauta (a medicina tradicional da China e sua aplicação no sistema de Saúde Pública no Brasil), aguarde e confira nossa próxima edição.

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  4. "Até que um tema tão técnico e com informações tão profundas ficou compreensível prá gente que é de outra área de atuação mas também de alguma forma luta para um avanço da medicina e do sistema público de saúde no país": comentário de Isabella Tavares, de Bauru (SP), advogada.

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  5. "Vejo a medicina tradicional chinesa como a prática da profilaxia, melhor mesmo cuidar da saúde do que correr atrás das doenças": comentário de Mariana Paes, de Cuibá (Mato Grosso), estudante da UFMT.

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  6. "Pelo que tenho lido, visto e ouvido na mídia, a evolução tecnológica influi demias hoje e definirá a medicina do nosso futuro, mas gostei de saber que no passado mais antigo existiam práticas como estas na China milenar, temos que aproveitar também este tipo de cultura": comentário de Jonas Ribeiro, engenheiro civil, de Guaxupé (MG).

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  7. O mesmo Jonas Ribeiro, engenheiro, de Guaxupé em Minas, nos enviou um texto sobre novas tecnologias na medicina: "Há novas soluções que visam melhorar o serviço e a qualidade do atendimento médico e aumentar a produtividade e a eficiência do setor.
    A evolução tecnológica sempre busca melhorar a vida dos seres humanos, seja com um computador mais inteligente ou novas funções no automóvel. Já quando o assunto é medicina, sempre pensamos em novos medicamentos ou estudos científicos. No entanto, este é um tema que pode ir mais longe. Atualmente existem tecnologias que estão revolucionando a medicina e podem se tornar bastante comuns em um futuro bem próximo. São desde exames feitos remotamente com toda eficiência de um laboratório até aparelhos que monitoram uma gravidez de alto risco mesmo longe do hospital".



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  8. "Uma solução desenvolvida pela T-Systems na Áustria e implementada em 270 clínicas na Europa possibilitam que médicos e pacientes vejam seu prontuário atualizado em iPhones, iPads e iPods.
    As pessoas pagariam uma mensalidade para ter seus dados armazenados, enquanto os hospitais teriam uma infinidade de recursos como teleconferências e a possibilidade de acessar os dados dos pacientes em tempo real como sinais vitais e do coração. Além disso, a solução funcionaria em conjunto com as etiquetas de RFID, que registrariam eletronicamente os medicamentos destinados a cada paciente": comentário de Luiz Carlos Hirayama, responsável pelo desenvolvimento de negócios da T-Systems no Brasil.



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  9. "A Telemedicina e outras inovações tecnológicas se forem fundidas com as práticas curativas mais antigas como da Medicina Tradicional Chinesa ou até alguns procedimentos e poções de nossos Pajés de povos indígenas, isso sim poderá resultar num avanço maior": comentário de Rosana Mattos, que é Fisioterapeuta e atua com Acupuntura também e, São Paulo (SP).

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