quinta-feira, 6 de abril de 2017

CHUVAS DE OUTONO POR AQUI SÃO UMA BÊNÇÃO UMA VEZ QUE A SECA AINDA AMEAÇA O SERTÃO DO BRASIL

Com 50 anos de história de bons serviços Climatempo acerta de novo na previsão de chuva rara nessa época até por aqui mas no semiárido do nordeste e também norte de Minas e Bahia a seca ainda é uma tragédia


Chove por aqui no sudeste para afastar um pouco o perigo da seca...

...que no entanto continua fazendo sofrer o Velho Chico e o povo do sertão

Ao mesmo tempo que chove por aqui no sudeste em parte do interior do país, o jornal Diário de Pernambuco nos informa que a seca ameaça o São Francisco, o rio do sertão: "Muita coisa mudou desde a publicação do livro Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa: "O rio ficou mais estreito e ganhou ilhas de assoreamento e áreas cobertas de vegetação, mas a seca se espalha e nos preocupa muito", é a mensagem que nos envia repórter e ecologista pernambucano, José Alves. Ele nos mandou a matéria e junto com ela este texto de um dos maiores autores do Brasil de todos os tempos. Da seca também. 


 "O de-Janeiro, dali abaixo meia-légua, entra no São Francisco, bem reto ele vai, formam uma esquadria. Quem carece, passa o de-Janeiro em canoa - ele é estreito, não estende de largura as trinta braças. Quem quer bandear a cômodo o São Francisco, também principia ali a viagem. O porto tem de ser naquele ponto, mais alto, onde não dá febre de maresia. A descida do barranco é indo por a-pique, melhoramento não se pode pôr, porque a cheia vem e tudo escavaca. O São Francisco represa o de-Janeiro, alto em grosso, às vezes já em suas primeiras águas de novembro". (Grande Sertão Veredas, páginas 90 e 91, romance de Guimarães Rosa).

O livro ainda vale mas o rio do sertão mudou
   
O livro de Guimarães Rosa é uma marca no sertão e na vida do Brasil

No romance Grande Sertão: Veredas, a segunda fase importante da vida do jagunço Riobaldo começa nas margens do Rio de Janeiro, afluente que deságua no São Francisco na altura do município de Três Marias. Ali ele chegou criança, com a mãe. Foi na Barra do Rio de Janeiro que conheceu Diadorim. Lá o jagunço também atravessou pela primeira vez o São Francisco, maior curso de água do Grande Sertão. "Muita coisa mudou desde a publicação do livro. Entre as cidades mineiras de Pirapora e Buritizeiro, o São Francisco ficou estreito. A água ficou mais turva. Mas não só ele se transformou. No distrito de Guaicuí da vizinha Várzea da Palma, deságua assoreado o Rio das Velhas, que carrega a história da mineração da Vila Rica. Antes de cair sujo no São Francisco, o das Velhas recebe as águas do Córrego do Batistério, mais um entre tantos pequenos cursos quase secos, atingidos pela irrigação irregular e pelo desmatamento em suas margens e através de todo o Cerrado", nos escreve José Alves: "Três Marias, antiga Barreiro Grande, cresceu com o represamento das águas do São Francisco, para gerar energia elétrica. De lá até a Barra do Rio de Janeiro são 55 km de estrada de chão. No caminho, há um cheiro quase insuportável de uma barragem de dejetos de uma unidade metalúrgica da Votorantim Metais. Grupos de geraizeiros acusam a empresa de ter jogado rejeitos industriais diretamente no São Francisco durante anos. Também dizem que a barragem, construída para interromper a contaminação não impede a infiltração do lençol freático. Por meio de sua assessoria, a empresa afirma contra os fatos que possui um sistema de gestão de barragens para garantir a segurança da sua operação e que a unidade de Três Marias possui todos os licenciamentos necessários para sua operação. Não é o que se vê na realidade, não só nesta região, mas em todo semiárido, que joje não está mais só no nordeste brasileiro mas também invadiu o norte de Minas Gerais e a Bahia. O nosso parceiro de Pernambuco comenta ainda que "p
elo Código da Água, o consumo humano tem prioridade em relação à geração de energia, mas não é o que acontece por aqui não".
 
Confira no vídeo aqui no blog da ecologia previsão Climatempo

Ainda acontece em todo semiárido o alerta e o sofrimento da seca
Chuvas de outono são uma bênção por aqui: diante desta ameaça de que a seca vai continuar também em 2017, as previsões da Climatempo confirmadas nesta 5ª feira de chuvas em parte do sudeste contradizem esta tristeza. Deus nos abençoa com estas chuvas porém, fica valendo o alerta em outras partes do país. Por aqui, a previsão é que chova quinta, sexta, também sábado, talvez domingo e segunda, afastando o perigo de uma nova seca no inverno que vem por aí. Contudo, ficam valendo o alerta da seca, a poeira do Cerrado e a tristeza do sertão. (Antônio de Pádua Silva Padinha) 

 
Jornal Diário de Pernambuco alerta sobre desmatamento, seca, antiecologia


Fontes: www.climatempo. com.br
             www.diariodepernambuco.com.br
             www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

  1. Logo mais, mais tarde, mais informações e detalhes, bem como mensagens que já chegam por aqui, aguarde nossa edição, confira e participe vc tb deste debate.

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  2. "Esta relação entre o livro do grande Guimarães Rosa e o sertão ou o São Francisco hoje é muito interessante e me faz lembrar dum autor, acho que da região de Delfinópolis, Minas, que escreveu também Veredas mais recentemente": comentário de Jonas Aparecido, de Belo Horizonte (MG), que fez Jornalismo na PUC de BH.

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  3. "Aos 19 anos, fui para Três Marias em busca de emprego. Trabalhei 26 anos na caldeira da Votorantim. Agora, aposentado por ter atuado em área insalubre, passo boa parte do tempo numa casa simples da beira do rio. Perto daqui e de mim moram dois irmãos, Ném e Elisa. Os rios que o esperavam eram outros. No meu tempo de criança, a água do São Francisco no período da chuva chegava até o alto desse barranco (cerca de 2 metros). Mas houve muito desmatamento nas margens. As pessoas não respeitavam. Tinha embarcação que subia o rio para vender alimentos, carne seca e enlatados, o que não fosse perecível. O dourado gosta de água de correnteza, do São Francisco. Ele entrava no nosso rio de Janeiro, dava uma volta, mas gostava mesmo de água forte agora desaparecendo nas lagoas das hidrelétricas": comentário de Gilmar de Fátima Ferreira, de 48 anos, contando que nasceu e foi criado nas margens do afluente do São Francisco.

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  4. Mais tarde vamos editar aqui mais comentários e mensagens, participe, envie um e-mail para a redação do blog navepad@netsite.com.br ou entre em contato com o nosso editor padinhafranca603@gmail.com

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  5. "Superlegal, muito oportuna e atual esta matéria deste blog que eu localizei procurando por chuvas no Google, curti muito": comentário de Mariza Santos, do Rio e Janeiro (RJ) que estudava Biologia na UFRJ mas agora virou lojista em Ipanema por necessidade da sua família. Um abraço, Mariza, agradecemos a boa referência ao nosso blog de ecologia e de cidadania. Vamos juntos!...

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  6. Recebemos mais algumas mensagens e informações, estaremos postando aqui nesta seção, amanhã, aguarde e confira. Se quiser, mande sua mensagem em off adicionando no Facebook nosso editor Antônio de Pádua Silva Padinha, que então posta aqui a sua opinião.

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  7. "Muita coisa mudou desde a publicação do livro Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa: o rio ficou mais estreito e ganhou ilhas de assoreamento, a seca se espalha e nos preocupa muito": comentário do repórter e ecologista pernambucano, José Alves. Está na matéria de hoje em nosso blog da ecologia.

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