quarta-feira, 12 de abril de 2017

JÁ TEM 6 ANOS A PIOR SECA DA HISTÓRIA DA CAATINGA E UM DOS DRAMAS É QUE HÁ POUCA PERSPECTIVA DE CHUVA NOS PRÓXIMOS MESES

O sertão nordestino enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos e o Brasil precisa acordar para esta realidade que a mídia não discute: nordestinos sofrem uma guerra de extermínio da vida com a falta de água
 

 Continua a tragédia da maior seca dos últimos 100 anos


"Ainda que a seca esteja na história desta região castigada (a caatinga do Nordeste do Brasil) o povo se surpreende e sofre mais ainda com a estiagem que nunca foi tão longa como atualmente", noticia a agência France Press. "O crânio de uma vaca jaz exposto sob o sol escaldante do sertão. Ao seu lado, um bezerro se decompõe encostado em um arbusto ressecado. É a imagem da desolação no nordeste do Brasil, que vive sua pior seca em um século", relatou sobre esta tragédia edição destes dias do jornal Diário de Pernambuco. A transposição das águas do Rio São Francisco está com as suas obras inacabadas e sofrendo um impasse político, que se associa à crise de corrupção no país, Lava Jato. Ainda hoje, 11 de abril de 2107, captamos informação do blog do Carlos Britto, que vive naquela região, ele escreve que "Houve uma ou outra medida mas a seca se arrasta por seis anos consecutivos e o povo rural aqui de de Pernambuco já teme pelo pior". Para exemplificar, Britto cita que na tentativa de minimizar esses impactos, o Governo Federal autorizou a venda em balcão, por intermédio da Conab, de até 250 mil toneladas de milho em grão para atender pequenos criadores de aves, suínos, bovinos, ovinos e caprinos, morrendo no agreste. Do total, 200 mil toneladas se destinam às regiões Nordeste e Norte e 50 mil para as demais. "A ajuda é bem-vinda, mas não salva o rebanho dos efeitos da estiagem", afirma o blogueiro do Nordeste. "A maioria dos animais da caatinga está morrendo de sede ou de fome porque o alimento não foi suficiente. Infelizmente, essa é a realidade, é o resultado de todos estes anos de seca", conta à AFP Reginaldo Pereira, um agricultor de 30 anos, que deixou uma de suas vacas e vendeu três bezerros e dez ovelhas já esqueléticas pelo preço de banana, porque não conseguia manter vivos os seus animais. É algo hoje comum no semiárido. Em meio a cactos e arbustos, esqueletos de vacas, burros e cabras. O nordestino sobrevive, é antes de tudo uma espécie forte, o problema é que os governos ou os políticos são fracos.



Até os Umbuzeiros estão raros e secando



Esta situação poderá ser mudada?


Para os climatologistas uma série de fatores se combinaram com perversidade: a predominância do fenômeno El Niño no Pacífico, o aquecimento do Atlântico Norte e as mudanças climáticas, no Ceará por exemplo se traduziram em aquecimento de 1,3º nos últimos 50 anos. Desde 2012, praticamente não chove no sertão. Prova disso é que quilômetros de sua vegetação - a caatinga - está desmatada e escura, como se tivesse acontecido um grande incêndio. Os rios e açudes que abasteciam as populações rurais não estão em situação melhor. As autoridades consideram que as represas trabalham com 6% de sua capacidade, mas algumas literalmente evaporaram. A dramática situação traz, muitas vezes, uma difícil escolha para os moradores da região: conseguir água para os animais ou para as pessoas. E, com muita dor, o pequeno produtor Reginaldo Pereira e as 70 famílias do remoto assentamento de Nova Canaã, polo leiteiro de Quixeramobim, foram enterrando vacas enquanto procuravam alternativas para sobreviver. Ainda procuram. Muitas atividades cotidianas como fazer a higiene pessoal, lavar roupa ou, inclusive, beber um pouco d'água se tornaram um luxo no sertão, que se estende por oito estados do país.



Imagem da região de Quixeramobim


Dos 25 milhões de habitantes do Nordeste, pelo menos três milhões sofrem com o desabastecimento total de água, um milhão deles no Ceará, segundo cifras oficiais. Distante da recomendação da Organização Mundial de Saúde - que considera necessário 100 litros de água ao dia por pessoa - a água chega a contagotas nestas comunidades ligadas por estradas de terra como Nova Canaã, onde as torneiras já são só decorativas. E desde que a seca se intensificou, autoridades governamentais buscam levar água gratuitamente para estes locais em caminhões-pipa, estimando um consumo de apenas 20 litros diários por pessoa. Como esta água acaba rápido, os vizinhos se organizam para pagar eles próprios os caros caminhões pipa, ir com seus burros até poços públicos onde as filas demoram horas ou cavar seus próprios poços em casa para conseguir uma água tão salobra que nem os animais querem beber. Porém, em outras tantas vezes, também compram água mineral em galões. Isso representa uma fortuna para famílias que, com o gado morto ou raquítico e seus pequenos cultivos de feijão e milho secos, sobrevivem da limitada ajuda do Governo. A única renda vem do Bolsa Família - que temem ver reduzida pelos ajustes do governo de Michel Temer - e uma modesta ajuda para cultivos perdidos nos meses mais secos do ano. Uma família ganha, dessa forma, 420 reais. Um caminhão-pipa custa 150 reais.



Feijão e milho secos, último gado com sede e fome



"Um ano de seca a gente superava tranquilo, porque os açudes tinham muita água guardada, mas agora a cada dia estamos economizando mais", resumiu Clara Carneiro, uma pecuarista de 67 anos, que economiza durante o banho e reutiliza a água ao lavar a louça e limpar o chão para manter vivas suas duas vacas, que bebem cerca de 100 litros por dia.



Se a meteorologia não foi generosa com o sertão, tampouco tem sido o clima político e econômico do Brasil. Em meio a uma profunda recessão, os fundos federais para lidar com a seca atrasaram e o megaescândalo de corrupção entre o governo e diversas empreiteiras, investigadas na Operação Lava Jato, paralisou as obras da esperada e polêmica transposição do Rio São Francisco em seu trecho até o Ceará. "Não tenho dúvidas que mudanças políticas bruscas e a crise econômica agravam a situação socioambiental e toda essa tragédia da maior crise hídrica de todas", afirmou o ministro de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira. Ele e todos nordestinos têm previsões pouco alentadoras para 2017,  caíram algumas chuvas e são esperadas outras mas não o suficiente para reabastecer os açudes. Nas comunidades de Quixeramobim muitos só confiam em Deus. Entrevistado pelo Diário de Pernambuco, Sebastião Batista, um agricultor de 66 anos, repete o que o povo diz nas ruas de toda essa região: "Temos que rezar porque os políticos, depois das eleições, se esquecem de nós". Ele não fala mais nada, desconfiado e em silêncio apenas olha para o céu.
 

  Pior crise hídrica de toda a história e o Governo não toma medidas estruturais

Guerra de extermínio da vida na caatinga 
  Exemplo raro: video mostra aqui no blog agroecologia no sertão de Araripe

Fontes: AFP
             www.diario de pernambuco.com.br
             www.carlosbritto.com
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. A gente tem aqui mais algumas informações, detalhes, logo mais estaremos editando esta seção de comentários, recebemos também algumas mensagens, aguarde nossa edição, confira e participe.


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  2. Você pode colocar aqui a sua opinião ou informação, se preferir, mande a sua mensagem por e-mail para a redação do nosso blog


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  3. Você aí do Nordeste ou daqui do Sudeste ou esteja onde estiver pode e deve contatar o nosso editor de conteúdo para enriquecer e avançar esta páuta, vc envia seu e-mail para padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Olha, uma matéria fora do comum, este debate deveria ser feito realmente em todo o país, não adiante só a lava jato, é urgente começar a buscar alternativas de solução": comentário de Maria dos Ramos, de Juiz de Fora (MG), ela informa que é descendente de família nordestina e nos enviou material, que aproveitaremos, aguarde.

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  5. "Mais vinte municípios tiveram situação de emergência reconhecida pelo governo federal por causa da seca prolongada e estiagem. Decreto já publicado no Diário Oficial da União inclui cidades do da Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e Sergipe. A partir do reconhecimento federal, as prefeituras podem solicitar apoio da União para ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas danificadas por desastres naturais": comentário de Ari Mendes, de São Paulo, advogado, que conclui: "Depois que vi esta notícia, não cheguei a constatar nem uma só providência governamental para mudar a situação, a não ser carros pipa e distribuição de milho".


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  6. "Realmente para resolver esta tragédia nordestina há muita demagogia dos políticos mas quase nenhum deles acena com medidas estruturais de verdade, que possam mudar a crise": comentário do geógrafo Júlio Alves Pereira, da Paraiba, que nos envia (sente sentido do seu comentário) informações que extraiu do Portal do Rio São Francisco. Confira a seguir. Agradecemos pelo envio deste material.

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  7. "Transposição do Rio São Francisco, tem poucos argumentos técnicos favoráveis. Será somente demagogia? O argumento favorável. A água da transposição seria utilizada para combater a seca e consequentemente a pobreza. Muitos argumentos contrários. Projeto caro para resultados bastante duvidosos. Problemas ambientais (evaporação e infiltração). Menor produção de energia. Também, desaparecimento do rio (desmatamento assoreamento).A solução mais do que a trnsposição é a revitalização do São Francisco e de topda a sua bacia. Dentro desta dioreção, as etapas. Reflorestamento. Inclusão social e econômica. Dragagem. A idealização do projeto de transposição da águas do rio São Francisco teve origem na época do império e até hoje esse projeto não foi implantado concretamente por questões acima de tudo políticas. E por falta de gestão governamental e socioambiental também no Nordeste do país, onde a situação é cada vez mais grave": comentário também do geógrafo paraibano Júlio Alves Pereira.


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  8. "O São Francisco é conhecido como o “o rio da integração nacional”. Mas ele, que começa no Sudeste e flui por cerca de 3 mil quilômetros, tem um pequeno problema: antes de chegar ao Nordeste, deságua no oceano. Não é para tanto que essa região do nosso país sofre com as consequências de uma seca interminável. Que tem variadas causas, mas esta também. A falta de água ali acabou deixando o solo muito fértil para a proliferação de uma pobreza miserável": comentário de Fabiano Soares, estudante paulista de Engenharia na UNESP, citando outros trechos desta informação do portal do Meio Ambiente.

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  9. "Acho que a pior seca dos últimos tempos que temos no Brasil é a seca de homens de verdade": comentário de Clécio Monteiro Mello, de Bauru (SP), empresário no setor comercial.

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